terça-feira, 31 de julho de 2012

Os substitutos (The Surrogates) - 2009


Título Original: The Surrogates
Ano de lançamento: 2009
Direção:Jonathan Mostow
Roteiro:Michael Ferris, John Brancato
Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Ving Rhames. 
Sinopse: 2054. Grande parte da população usa os andróides substitutos da Virtual Self, que cumprem todos os afazeres do dia a dia e permitem que seus donos jamais tenham que sair de casa. Entretanto um terrorista tecnológico passa a assassinar os andróides, causando caos geral. Dois policiais são designados para cuidar do caso: Tom Greer (Bruce Willis) e sua cópia-andróide.


Por Jason


Você é linda por dentro, amiga. NOT.
Direto dos quadrinhos para as telas de cinema, "Os substitutos" trata de um mundo em que a tecnologia subtraiu a humanidade para uma mera coadjuvante na sociedade - os humanos ficam deitados, reclusos em suas casas, enquanto os substitutos androides fazem de tudo - e com isso as relações interpessoais humanas desapareceram. Não há amizade, não há contato humano, não há proximidade entre os homens, todos eles devidamente representados pelos seus egos belos, fortes e perfeitos. 

A falta de contato entre eles cria aberrações sentimentais como a relação entre o agente Tom (Bruce Willis) e Maggie (Rosamund Pike) - ela, apegada a sua máquina, vivendo em um mundo de fantasia que não é o dela, enquanto ele tenta retornar a realidade e encarar o fato de que perderam um filho e precisam viver suas vidas. Essa parte do filme é a melhor. Apesar do visual alegórico de quadrinhos - colorido demais e leve acima do tolerável, nos padrões Disney - todas as poucas vezes que o filme investe nesse tipo de conflito político e social (ser real x ser virtual), a trama sobe de qualidade.

Bons efeitos especiais num filme frouxo
"Substitutos" critica (ou pelo menos tenta criticar) assim a criação de uma sociedade utópica que funciona apenas em tese, com seus humanoides lindos e considerados perfeitos - a sociedade perfeita - que mantém uma sociedade sem violência, mas que se torna vulnerável e frágil por causa daquilo que a criou - (as falhas existentes na) tecnologia. O filme é eficiente no uso dos efeitos especiais, falhando aqui e ali, apesar da cara de telefilme, mas que passa bem nesse quesito técnico. Ele está dentro do padrão de filmes de ficção com ideias e conceitos interessantes que volta e meia aparecem nos cinemas, como "O preço do amanhã", "Source Code", "Lunar".

No elenco, Radha Mitchell está bem como a agente Jennifer Peters. Bruce Willis, que nunca convence, aqui aparece com uma peruca horrorosa, tentando passar alguma camada de humanidade para o seu personagem, sem muito êxito. O mesmo vale para Rosamund Pike, carente de emoção, e Ving Rhames, sempre uma caricatura. 

Mas o roteiro do filme, eficiente ao mostrar a dependência dos homens com relação as máquinas, escorrega feio ao não explorar muito o lado humano dos personagens, o que deixa o filme sem carga dramática - como na parte em que é mostrada uma comunidade de humanos que não aceitam máquinas e buscam o fim da substituição. Ineficiente, não funciona ao abordar melhor os motivos que levaram ao criador se voltar contra a criatura - e desperdiça também o talento do ótimo James Cromwell. A vingança contra a humanidade por causa da perda de seu filho, soa deslocada, uma vez que ele poderia, como mostrado ao final, destruir apenas os "Substitutos" cortando seu vínculo com seus donos, ao invés de ter se transformado em um assassino gratuito.

Marketing convidando a mostrar
a beleza exterior dos Substitutos
É o mesmo roteiro que peca também na falta de explorar o conflito homem versus máquina e a chamada revolução pregada por um líder dos humanos - que, ironicamente, permite a mesma violência com os humanos que querem ter contato com ele com que prega seu ódio às máquinas. Falha na construção do suspense em torno da empresa criadora dos substitutos e na corrupção que disseminou uma onda de ataques liderados pelo vilão, que é o próprio criador das criaturas; falha ao dialogar sobre a perda da identidade das pessoas como indivíduos, como seres humanos únicos. 

Há ainda uma frustrada tentativa de criar um clima de filme policial nos moldes de "Minority Report" (lembremos que o casal principal de ambos os filmes perderam seus filhos) mais barato, mas não é feliz nessa tentativa. Debaixo do viés de uma cara produção - foram 80 milhões de dólares - existe um filme mais inteligente e decente querendo brilhar, impedido pela falta de habilidade do diretor em criar algo decente (ele já tinha desqualificado a série "Terminator", no péssimo terceiro filme da série). 

Há algumas cenas constrangedoras, como na cena em que o Tom vai ao trabalho de Maggie para discutir a relação. Há um efeito tosco que parece uma brincadeira de criança, um efeito "estátua" todas as vezes que um substituto é desconectado de sua fonte, o que chega a ser muitas vezes constrangedor. Por fim, a cena final em que todos os substitutos são desligados tenta recuperar alguma dignidade ao filme, mas é pouco.

"Substitutos" se sustenta como um passatempo rápido - não dura mais que 1 h e 30 min - e por sua ideia interessante. 

Em tempo: Quando os agentes Greer e Peters visitam pela primeira vez a VSI eles passam por uma série de telas que exibem comerciais da empresa. Em uma delas é mostrado um modelo da cabeça do exterminador T-800 de "Terminator". 

Cotação: 1,5/5

Filme ruim que só  vale pela ideia, infelizmente, mal desenvolvida e mal executada.

TRAILER


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Recadinho do Além - O cavaleiro das trevas tropeça

"O cavaleiro das trevas tropeça", para quem foi alfabetizado em inglês




Olá, coisas lindas da tia Rá!

Como vocês já devem saber, meus bebês demoníacos, a transgressora Lady Rá, minha sister princesa Disney e eu assistimos esse que é o filme mais absurdo do ano e preparamos nossas considerações para vocês.

Em primeiro lugar, vou logo avisando para as Noletes de plantão - aka, fãs neuróticos (as) do Nolan que sofrem de grave xiitismo e curtem qualquer peido que o diretor faça, (imagine qualquer cagada) - que também sou fã dele. Sim, I believe in Nolan, ok? Mas Tia Rá aqui, queridinhos, depois de quase 3 mil filmes nas costas, muitos aninhos de vida, já tem faro pra sentir fedor de filminho ruim se disfarçando de filme bom, néam?

Sabe aquela bomba atômica que o Batman livrou de explodir na cidade ao final do filme, gataria? Então, chegou a hora de detonar outra - porque Tia Rá aqui não faz média com ninguém e queima na fogueira qualquer fã xiita de titio Nolan - gente da pior espécie, da mesma raça dos fãs de Prepúcio. Digo, Crepúsculo. Enfim... 

Voltando ao assunto tema deste recado do além...

Superestimado ao cubo, "O cavaleiro das trevas tropeça" é um bom filme de super heroi e de ação, mas que não escapa da maldição do terceiro filme: é cheio de subtramas, personagens desinteressantes, gente que entra e sai sem motivo, atuações insossas, trilha sonora histérica e um epílogo fuleiro apressado. É grandiloquente e carente de estofo dramático - e não adianta as noletes choramingarem que nem bezerros desmamados. Chega de mimimi, né, bando de marmanjo desamparado?

Olha, o filme até que abre bem, mostrando uma narração do Gordon e uma ação em pleno ar do vilão Bane (Tom Hardy), cuja atuação é prejudicada por uma focinheira e por uma voz mecânica. A ação de sequestro se passa entre dois aviões se deslocando no ar, com um deles rebocando o outro até se desengatarem. Ponto a favor. Mas Bane não consegue explodir na tela ao longo da projeção, como o Coringa, nem se desenvolver psicologicamente como Ras Al Gul e acaba se tornando um genérico de vilão com focinheira. Não espanta, não assusta, não causa temor como o Coringa. É um vilão burocrático, parece um cachorro latindo sem parar. Não comove, irrita. Quase uma figura anêmica do personagem de outro Batman - sim, o filme tem viés Joel Schumacher, queridinhos, gostem ou não.

Melhor chance tem Bale, bom ator que é, em um personagem que ele conduziu com muita força nos três filmes. Não há o que se questionar de sua dedicação e esforço pelo personagem, não só fisicamente como profissionalmente também - embora muitas vezes o roteiro não o ajude. Outro ponto alto é Gary Oldman - o homem é excelente, sem comentários, divando total em cima da concorrência. Joseph Gordon Lewitt tenta funcionar como o vínculo do espectador a parte "real" do filme, como o policial esforçado e dedicado que tenta cumprir sua função. Mas, aqui entre nós (as Noletes que não nos ouçam!), alguém aqui engoliu o papo de Robin naquele final, gente? É isso mesmo Nolan, eu entendi bem? 

Nossa (!), porque, tipo, nosso Robin praticamente não concluiu nenhuma função a não ser dar carona para o falido Bruce Wayne - ele falhou em tirar as crianças da cidade (ficou barrado na ponte), falhou em salvar o Gordon (tio Gordon deu um jeito antes). E eu, particularmente, achei de uma furada terrível esse tratamento do roteiro, um tom quase cômico. 

A primeira hora do filme é arrastada. Ela se sobressai aqui e ali, principalmente quando o Batman retorna para as ruas, em uma sequência de fuga alucinada envolvendo motos e veículos - em algum lugar Sir Michael Bay está rindo. Na segunda hora, igualmente desinteressante, temos ao menos uma sequência de ação importante: a da explosão do estádio de futebol americano e o caos e destruição da cidade de Gothan.

Pausa dramática.

Alguém me diz onde o Nolan arranjou aquele guri para cantar o hino nacional norte americano? Quase tive um derrame com tamanha falta de afinação. Dou razão ao Bane destruir aquele estádio todo, porque depois de ouvir aquilo, eu faria o mesmo no lugar dele. Fujam pras colinas! Meus ouvidos não são pinicos!

Oh, WAIT!

Temos o excesso de personagens, a coisa mais descontrolada do filme. Proliferados como uma orgia de Pokémon, o filme nos mostra gente que surge, some, volta, some de novo, morre, sem função NENHUMA. O ator Mattew Modine entra e sai sem acrescentar absolutamente NADA ao filme. Cansa ver Anne Heathaway, inexpressiva, pagando de bandida ninja como uma versão sem sensualidade, que não tem motivos para existir ali, da "Mulher Gato". Senti saudades de Michelle Pfeiffer e seu trabalho tragicômico, sua roupa de látex, seus miados e espasmos psicopáticos, seus rebolados, seu chicote e sua língua. Porque aqui, Anne fez um trabalho completamente esquecível e genérico. É uma vagabunda qualquer aí na vida de Batman, com uma trama completamente descartável - e só tem importância, reparem, quando leva Batman para Bane e, mais tarde, lá no final, quando o salva (e sei que não tem nada a ver, mas achei divertido ver o nariz dela não caber nas máscaras que ela usa).  Anne, sua linda! Ivo Pitangui nesse nariz! 

Pausa reflexiva: eu sou o Batman, tenho uma vagabunda que me leva para um cara que me quebra no meio e tipo, vou atrás dela - em um encontro clarividente, porque até agora não entendi como ele sabia que ela estava ali (roteiroooo, me dá uma ajuda aqui!) - e peço que ela me ajude. Cadê a dignidade disso, gente? E os diálogos? "Você é melhor do que isso". Tipo, saia dessa vida, vagabunda, vamos pegar esse bandido, fazer história, "Yes, You Can!"

"Tudo bem, vou voltar, salvar meu homem. Entro com a moto, dou um tiro. Fim de Bane." 


O QUE FOI ISSO PELAMORDEDEUS? O BANE gente, o cara que quebrou a coluna do Batman... tipo... só isso? 


O_O

Igualmente descartável é o papel da protegida dela, outro personagem completamente desnecessário e que tb não acrescenta nada. Porque no roteiro de Nolan e seus comparsas é assim. "Vamos encher com um monte de gente, depois a gente joga tudo no final e vai na fé. As Noletes vão adorar isso! Qualquer coisa que eu faço, eles dizem: "é uma obra prima", "é o filme do ano"! OI? 

Cora a alma ver o desperdício que é Marion Cotilard, em um papel que não lhe ajuda. Sua Miranda Tate está ali apenas para se mostrar como uma vilã perto do final do filme (de novo, no final, empurra tudo para o final que dá certo!!!), numa das reviravoltas mais fuleiras, vagabundas e idiotas que o cinema já presenciou. Miranda zanza de um lado para outro durante o filme todo, cai de paraquedas numa trama forçada de relacionamento amoroso - essa foi uma das piores partes - com Wayne, some e aparece sem nada a acrescentar e de repente, é a vilã. Hã?

E Bruce Wayne (oh, my Bruce!) que peca pela burrice? Afinal, se ele deduzia que Bane era a criança que FUGIU do poço, porque raios Bane voltaria para lá? Pra fazer tratamento de coluna com um médico da prisão? É isso mesmo, Nolan? 

Bruce confiando em uma ladra. Mas ele é o Batman gente! Não pode. 

Bruce confiando em uma desconhecida que ele deu uma, mesmo sofrendo como ele tava por outra mulher. Então tá, Nolan. Eu finjo que ficou bom, ok? 

As duas atrizes formam mais uma vez uma indicação de que Nolan não entende de personagens femininas - e pior, essa trilogia foi incrivelmente fraca em relação ao tratamento dado as mulheres (favor não lembrar da fraquíssima ex senhora Cruise, nem da Maggie cara de porco).

E aqui abro um parentese para a melhor personagem feminina da trama, a Bat Nave. Se mexe graciosamente, mais do que os quadris secos de Anne, e brilha mais do que Marion. Sorry, noletes!!! (Mas vamos concordar que ela foi colocada de maneira vagabunda no roteiro, né, produção...?! Claramente encaixada no filme apenas para permitir que se venda mais brinquedos, uma vez que os outros - o bat-tanque de guerra -, estaria nas mãos dos vilões. Só eu senti essa forçada de amizade?)

E assim o filme vai, com uma quantidade terrível de bola fora: a sequência de reestruturação de Batman. Depois de muita filosofia barata de mesa de bar, dentro do poço prisão com TV de LED e Sky Digital, Wayne tem sua coluna de volta ao lugar de uma maneira tão tosca que chega a deixar o espectador um pouco menos alienado - alô Noletes - constrangido. Pior: preso de um lado do mundo, ele volta para Gotham milagrosamente - estava falido, no meio do nada, lembremos, e atravessa o mundo todo para voltar. Como ele fez isso, Nolan? Explica aqui pra mim, por favor! 

Ok, esqueça. A parte geográfica do filme deixa  muito a desejar. Pior ainda se pensarmos que a cidade estava sitiada, não havia meios para entrar e que Batman encontra os personagens um a um de uma hora para outra (como ele fez isso, clarividência?). Não vamos falar daquela cena do símbolo queimando. Completamente desnecessária e uma perda de tempo (mas fica bom, pensa Nolan ao fazer o roteiro, vamos colocar porque os noletes gostam disso!). Ou quem sabe, do fato de que o piloto automático da Batnave foi consertado muito antes, e o bando de irresponsáveis funcionários daquele departamento, incluindo aqui o senhor Lucius Fox, não sabia disso. O cara projeta o treco e não sabe disso. Vamos repetir: ele não sabia. Tanto tempo se passa, a nave sai voando, e ele não sabia que estava consertado (!). Só eu que vi isso, gente? Sei nem o que pensar. 

E a sequência final? Histérica, como um filme de Michael Bay, Nolan tenta dar função a todos os presentes em cena. Não me admira que alguém tenha dito que parecia uma sequência melhorada de "A senha" ou de um filme de Michael Bay como "Transformers", com nave correndo de misseis em meio a cidade ao som de uma trilha sonora neurótica, estúpida, irritante, ensurdecedora. Eu vi a hora daquele caminhão dar um giro, começar a se desmontar todo, virar um robô e dizer "liberdade é um direito de todos" ou algo parecido. 

Tio Nolan aliás devia tomar umas aulas com outro tio, o James Cameron, para saber como, onde e quando pontuar uma trilha sonora vibrante ou subtraí-la para valorizar os efeitos sonoros do filme e a ação. A sequência vira uma correria para tentar anular uma bomba atômica, tal qual um filme de 007. Falando em Cameron, não vamos contar a cena do caminhão caindo. Me recordou "Terminator 2". E eu ri. E ao final, vem aquele epílogo, muxoxo, sem emoção, apressado, como se Nolan quisesse finalizar logo a merda toda.

Você percebe que tem alguma coisa errada em um filme quando a parte mais emocionante e dramática está em dois dialogos envolvendo o mordomo, reduzido aqui a farelo de roteiro.  Você percebe que tem algo errado no filme quando o roteiro diz que o Bruce Wayne deixou tudo para o mordomo, e a mansão para virar orfanato - quando ele tinha falido e perdido tudo e até carona andava pegando no lugar do seu Lamborghini (faltou alguma coisa pra eu entender ou foi isso mesmo?). Quem perdeu tudo deixa o que pra os outros? Bens ou dívidas? Azar de Morgan Freeman, que vai ter, de novo, como todo mundo, alguma função apenas no final. Não vou nem falar do fim de Bane. Porque eu ri daquilo.

Paremos por aqui, porque já deu preguiça.

Cadê o épico? Obra prima? Filme do ano? Cadê a poesia? O retrato da decadência social? Onde? Oi? Tudo ilusão. O filme se desorienta completamente. É como se Nolan não soubesse nem onde ele tá. Tudo que tem de positivo no filme é remendo de outros, não há originalidade alguma ali.

"O cavaleiro das trevas tropeça" funciona como filme de ação e super heroi descerebrado, mas que é, por isso, o mais inferior da trilogia. Carece de um vilão tão bom quanto foi o anterior, de um desenvolvimento exemplar como o primeiro filme, de uma trama melhor resolvida e mais enxuta, menos personagens, uma melhor e menos barulhenta trilha sonora e não é, nem de longe, essa coca cola toda que andam apregoando por aí. É, no máximo, uma Schin Cola. Funciona naquela tarde pra ver Temperatura Máxima na Rede Globo.

Mas a gente perdoa, né, tio Nolan? Você tá engatinhando ainda. Soldado bom pra chegar a general tem que ralar muito.

Chora não, Noletes. É só o pior filme do tio. Na próxima ele acerta.


Bjs gostosos da Titia Rá! ;D


Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (2012)






Título Original: Batman - The Dark Knight Rises 

Direção: Christopher Nolan 

Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan 

Elenco: Christian Bale, Tom Hardy, Michael Caine, Morgan Freeman, Gary Oldman, Anne Hathaway, Joseph Gordon-Levitt , Marion Cotillard, Juno Temple, Nestor Carbonell, Daniel Sunjata, Matthew Modine. 


Sinopse: Oito anos se passaram desde que Batman desapareceu na noite e passou de herói para fugitivo. Ao assumir a culpa pela morte de Harvey Dent, o Duas Caras, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo pelo que ele e o Comissário Gordon esperavam ser o melhor. Por um tempo a mentira funcionou, com a criminalidade em Gotham City sendo destruída pela lei anti-crime de Dent. Mas tudo irá mudar com a chegada de uma ladra com interesses misteriosos. Muito mais perigoso, porém, é o aparecimento de Bane, um terrorista mascarado cujos planos cruéis para Gotham buscam tirar Bruce de seu exílio autoimposto, mas mesmo usando novamente seu capuz e sua capa, Batman pode não ser páreo para Bane. 


O Ministério da Saúde Adverte: 


O conteúdo deste texto pode causar efeitos colaterais gravíssimos em portadores de Noletismo Crônico, como ficar putinho e dar chilique. ^^ 


Um pequeno aviso: 


Este texto contém spoilers, ou seja, se você ainda não foi ao cinema e saiu com dor de cabeça graças a batucada de Olodum de Hans Zimmer, é melhor não continuar lendo. 



O surgimento do mito. 

Midas made in china.
Batman, super-herói dos quadrinhos da DC Comics, parecia estar relegado ao esquecimento cinematográfico depois de duas adaptações pífias comandadas por Joel Schumacher. Mais eis que surge ele: o deus do cinema, mago dos roteiros forjado a partir de restos mortais de grandes cineastas de Hollywood, o intelectual, O CARA, o mito – só que não – Super Christopher Nolan. (Nolan para os íntimos). Esse grande homem e cineasta, que veio para revolucionar o mundo das adaptações de quadrinhos (Jason me mata quando ler isso), deu uma abordagem interessante para a história do Homem Morcego, com o belíssimo Batman Begins (2005) reascendendo nos corações nerds dos fãs do Morcegão, as esperanças de ver o herói bem defendido no cinema. E deus Nolan continuou tendo êxito com o filme seguinte, o Cavaleiro das trevas (2008), que, embora eu tenha lá minhas ressalvas com aquela trama mexicana envolvendo Harvey Dent, é um inquestionável sucesso, em grande parte graças a atuação sensacional de Heath Leadger no papel do Coringa. E, devido a esse grande feito o Sr. Nolan (que nesse meio tempo entregou outros filmes bastante elogiados por público e crítica) construiu uma legião de seguidores fieis (que minha terrível irmã Tia Rá, apelidou carinhosamente de Noletes), que acreditam que o cara é o próprio Midas (se não conhece a história do Rei Midas, consulte pai Google). 

Obviamente que com os dois excelentes trabalhos anteriores e com outros bons trabalhos no currículo (trabalhos bons, de fato, mas que Noletes consideram obras-primas), era de se esperar que o desfecho da trilogia não fosse nada mais, nada menos que um grande épico. E poderia ter sido mesmo, só que não. 

Gatão!

Uma trama recheada de excessos: 


Mas vamos com calma, pessoal! O cavaleiro das trevas ressurge é um ótimo filme de ação e diverte em alguns momentos ou faz pensar em outros. A trama não é ruim, ao contrário, ela é bem costurada aos dois primeiros filmes da franquia, de modo que os três formam um todo bastante consistente – e em até certo nível, bastante coerente. Oito anos depois dos eventos de O cavaleiro das trevas, Bruce Wayne permanece recluso em sua mansão, a sua empresa está quase falida, mas Gotham vive momentos de paz. Porém, eis que surge o vilão Bane – um cara feio, bombado e que usa focinheira de pitbul – para tocar o terror na cidade, fazendo com que Batman tenha que voltar a ativa. Paralelas a isso, pequenas subtramas são adicionadas a história, entupindo o filme de personagens, alguns úteis, outros nem tanto. Os principais são Selina Kyle/ Mulher-gato (Anne Hathaway), uma ladra habilidosa, cuja presença no filme é totalmente dispensável. A milionária Miranda Tate (Marion Cotillard), que fica rodeando o Bruce igual urubu na carniça e tem interesse em fazer negócios com a Empresa Wayne em um projeto de energia limpa. Personagem desinteressante que custa dizer a que veio, e que aparece aqui e ali como um fantasma e some no meio da trama, para reaparecer num momento vergonha alheia no terceiro ato. E também temos o vice-comissário Peter Foley (Mathew Modine) um babaca, que acha que vai prender o Batman, que está ali para desperdiçar dinheiro do orçamento com o cachê que pagaram pra ele. 



Situações cretinas: 


A direção de Nolan continua eficaz, embora não seja nada original, mas seu roteiro peca em muitos momentos. E dá-lhe spoilers: Pra começar, quando Bruce resolve trazer Batman de volta a ativa, Alfred temendo pela vida do jovem patrão (a quem ele viu nascer, cuidou, trocou as fraldas, viu crescer, deu conselhos, lambeu as feridas, só faltou amamentar), faz de tudo para impedí-lo, pede demissão (inclusive conta da carta que Rachel havia deixado no segundo filme), numa cena mal feita, que envergonharia escritores de novela mexicana. Bruce fica putinho e se limita e dizer “Adeus, Alfred”. Daí o mordomo simplesmente... puff. Desaparece! Até entendo que o rompimento serviria para deixar Bruce ainda mais  fragilizado, mas custava trabalhar melhor nesse desentendimento? Ok, Alfred é completamente esquecido. Bruce não demonstra nenhum sofrimento pela perda. Que se dane o Alfred! Aham, Nolan, senta lá. 

Como Bruce Wayne, macaco véio, calejado, confia na primeira carinha bonita que lhe aparece com um projeto de energia sustentável e coloca a empresa nas mãos da vadia que ele nunca viu na vida? E o envolvimento romântico deles, acontece rápido demais, para quem estava em luto eterno pela mulher amada e tinha perdido um pai, pela segunda vez. Não convenceu. 

Oi oi oi, vem dançar comigo
mexe e remexe...
Batman está de volta a ativa e é o que importa aqui. Ele luta com Bane, e este quebra sua coluna (há controvérsias, alguns defendem que ele apenas deslocou a vértebra, mas com aquele golpe do Bane, sei não), o abandona num poço gigante situado nos quintos dos infernos, cujo serviço de quarto não é dos melhores, mas pelo menos tem televisão de tela plana e curandeiro milagroso. Batman é curado no poço, sua coluna fica boa e ele tenta sair de lá várias vezes. Enquanto em Gotham, Bane toca o terror (terror mesmo, liberta condenados da cadeia e deixa toda a policia da cidade presa num túnel). O Comissário Gordon se une ao policial John Blake para tentar recuperar a ordem em Gotham. 

Bruce finalmente sai do poço, embora pareça absurda a recuperação dele lá dentro, a forma como ele ressurge é de uma beleza ímpar, valeu pela mensagem. Como ele volta pra Gotham (toda cercada) sem um tostão furado e sem documento, only God Knows. De volta a cidade ele une forças com a bisca da Selina, Gordon, John Blake e Lucius para deter Bane. 

Sylvester Stallone:
 "Eu inventei isso!"
Aí a confusão é geral, com direito a policiais e bandidos armados saindo no braço no meio da rua, no melhor estilo Rocky V. Batman saindo no braço com Bane e libertando Miranda (ah é, ia me esquecendo que ela foi seqüestrada por Bane, mas como ela some durante quase toda projeção, o povo nem lembra mais dela) que se revela a grande (cof, cof) vilã da trama. A filha de Ra's Al Ghul, aloka, que só quer ver Gotham destruída. Miranda/Talia foge para detonar a bomba, que Gordon está tentando desativar dentro de um caminhão. Batman fica gravemente ferido no corpo e no coração (coitadinho, mais uma punhalada...) e a mercê de Bane, mas eis que chega a Selina e mete-lhe um tiro e Batman sai lindo e gostoso pra terminar de salvar Gotham. Mas e a facada que levou? Oi? O final é ainda mais confuso, mas chega de spoilers, por hora. =) 




Cenas de ação



Lindona! Divaaaaa!!!
As cenas de ação iniciais e durante do filme são bacanas, Bane derrubando um avião. Depois a invasão e a fuga da bolsa de valores. A volta de Batman com sua moto super fodônica tentando pegar Bane, e a empolgação de um policial quando o vê. O surgimento da Batnave (melhor atriz do filme, linda e poderosa, merece um Oscar). Porém não há nada de novo, são cenas recicladas de diversos filmes de ação. Aquela perseguição do caminhão que transportava a bomba e o acidente que mata Talia/Miranda, Transformers feelings, com direito a take cuspido de Terminator 2. Tudo isso, acompanhado de uma trilha sonora pesadíssima de Hans Zimmer, parecendo batidas de tambor que mais lembram uma versão “sombria” das batucadas do Olodum. 


Herança de Joel Schumacher:


Batman se teletransporta? Ele sempre aparece para salvar alguém que está em perigo, como ele sabia do paradeiro dessas pessoas e que eles estavam em perigo, é um grande mistério. Telepatia? 

A cidade está sitiada, terror geral espalhado pelas ruas, e Batman ainda tira uma onda com aquele símbolo do morcego queimado para mostrar que estava de volta. Estava com tempo né? 

Selina, Batman e Gordon olhando com cara de paisagem para Tália, diante daquele discurso patético pré-morte dela. Oh my God! 

E o beijo da bisca da Selina no Batman faltando poucos minutos para a bomba explodir não combina nem um pouco com a abordagem estabelecida por Nolan. 


O que funcionou:


Como já disse antes, a trama é bem interessante, apesar de todas as falhas. O problema é que para que ela se desenvolva, Nolan cria situações inverossímeis. A mensagem que Nolan quis passar, com a ideia de que qualquer um pode fazer a diferença, basta ter coragem e força para enfrentar os seus medos é louvável. Assim como a metáfora da decadência moral da sociedade - que fica a toa na vida vendo a banda passar em vez de agir - retratada em toda trilogia. O personagem John Blake, é bastante interessante, porque representa o fio de caráter que ainda resta em Gotham, um homem de bem, que acredita na justiça e na verdade. Aliás, embora sua "vidência" a respeito da identidade do Batman seja no mínimo estranha, o  momento de sua conversa com Bruce Wayne é um dos mais belos do filme.

O quê que eu tô fazendo aqui?

Momento “OI?”: 


No terceiro ato descobrimos aquela tal Miranda Tate, aquela que “dá uma” com o Bruce e estava esquecida durante quase toda projeção é a grande vilã Talia, filha do Ra's Al Ghul. Todo seu papo filantrópico de energia limpa era desculpa para ter acesso ao reator nuclear da empresa Wayne. Ok! Mas como se convencer de que aquela coisa tão sem sal, sem tempero pode ser uma vilã? Para uma reviravolta desse naipe, era preciso que Nolan trabalhasse melhor as atitudes dessa personagem e não a jogasse ali algumas aparições parcas, sem nenhuma força dramática. Para entender melhor, vamos ver um exemplo recente: Quem viu A ilha do medo, sabe que há uma reviravolta no final, em que um personagem revela ser outra pessoa. O que rola é que esse personagem tem atitudes ambíguas durante toda a projeção, atitudes passiveis de interpretações diferentes, mas que são explicadas e compreendidas no ultimo ato. Com Miranda isso não acontece, ela não é ambígua, é mal desenvolvida, apenas fica pagando de gatinha do Bruce Wayne. Fail. 




Elenco irregular: 


O elenco veterano é eficaz: Batman e Bruce Wayne continuam sendo bem defendidos pelo lindão do Christian Bale. Michael Caine continua aquele velhinho fofo que todos tem vontade de abraçar (eu quero um Alfred pra mim, eu juro). Morgan Freeman eficiente como Lucius Fox, sempre pronto a ajudar Bruce com suas invenções bacanas. Quanto ao Gary Oldman, a família Ravenna só tem a declarar o mais puro amor que sente por esse ator maravilhoso. 

 Tchau, Bane! Esse filme tem vilão demais!
Entre as novidades a coisa já muda de figura: Como boa surpresa temos apenas Joseph Gordon Levitt, no papel do corajoso policial John Blake, o único personagem bem desenvolvido entre os novatos na franquia. Anne Hathaway está até bonitinha e graciosa, como a interessatíssima Selina Kyle/Mulher gato (digo interessantíssima nos quadrinhos), mas não faz muito além de usar uma roupa colante, dar saltos, chutes e tiros, pilotar uma moto e se oferecer pro Batman. Está ali como enfeite, afinal, todo filme de ação precisa de uma “gostosa” (o que a magricela não é, vale ressaltar). Marion Cotillard, lindíssima, uma excelente atriz prejudicada por uma personagem tão sem sal que dá preguiça de vê-la em cena. Tom Hardy, como vilão Bane, saído diretamente de academias de fundo de quintal, depois de tomar muita bomba, direto para Gotham City. Tudo que faz é gritar e sua expressão corporal é a uma mistura de lutador de UFC com jogador de futebol americano. Mathew Modine canastrão, inútil, suas cenas são desperdício de um tempo precioso e Juno Temple, só serve pra cheirar o cangote da Anne Hathaway, o que essa criatura ta fazendo no filme pelamordedeus? 


Resumo da ópera:


O filme é legal, até diverte, serve como passatempo. Assim, tipo Temperatura Máxima numa tarde de domingo. Algumas falhas do filme seriam totalmente perdoáveis se não fosse uma produção que se leva tão a sério.  Tem um epílogo um tanto apressado e desajeitado, mas ainda consegue ser bonito e comovente, além de passar uma mensagem legal.

Não se trata de implicância gratuita, é decepção mesmo, porque Nolan é realmente competente e fez o Morcegão ressurgir (literalmente) de forma digna no cinema e justamente por isso, Lady Rá ficou decepcionada com esse terceiro capítulo da saga. Porque poderia ser mais, muito mais. 

Cotação: 3/5

Trilha Sonora - Jogos Vorazes - 2012 (The hunger games, 2012)



James Newton Howard teve grandes momentos em sua carreira, ao investir em trilhas sonoras sensíveis, agradáveis e eficientes dentro dos filmes que as originaram e igualmente eficazes em uma audição fora deles. Foi assim com King Kong (2005),  com Batman Begins (2005, ao lado de Hans Zimmer), A vila (2004), Dinossauro (2000), dentre outros. 

Newton Howard já foi produtor e arranjador de muitos astros talentosos do mundo pop, como Yes, Kansas, King Crimson, Genesis, Nilsson, Leo Sayer, Carly Simon, Ringo Starr, Diana Ross, Melissa Manchester, Elton John, Chicago, Olivia Newton-John, Chaka Khan e Earth Wind and Fire, uma prova de sua habilidade em criar sons e melodias que "grudam" na cabeça do ouvinte, com uma aura pop inconfundível. Ele consegue transitar entre diversos temas, seja de ação ou romance, com a mesma qualidade - diferente de Hans Zimmer, por exemplo, que às vezes soa grosseiro e pesado demais.

Seu som é sempre "clean" e o compositor tem como marcas essa leveza e sensibilidade em suas composições (com uso de piano muitas vezes), sempre bastante melódico. É também um compositor rápido e eficiente: a trilha de King Kong foi feita às pressas em cinco semanas, e atire a primeira pedra que não se emocionar com as excelentes "Central Park", "Beautiful" ou "A fateful meeting" da trilha, quando as mesmas sobem durante o filme ou quando a ouvimos separadamente viajamos diretamente para as cenas.

Aqui, na trilha instrumental de Jogos Vorazes - não me admiraria se ele recebesse indicação ao Oscar - Howard também foi feliz, substituindo Danny Elfman. Ele faz um trabalho contido, sem arrombos como em outras de suas trilhas, mas extremamente agradável e bonito, porque as vezes, o menos é mais. As quatro primeiras faixas aqui transmitem uma sensação de leveza e sensibilidade, tem algo de rústico, de interiorano, quando um instrumento de cordas entra no tema "The hunger games", por exemplo. No quarteto inicial, o destaque fica por conta da simples e emocionante "The train". 

Até na hora da ação, em "Entering the capitol", "Preparing the Chariots", "The Countdown", James se sobressai à concorrência, criando faixas impactantes de ação que não são pesadas, e ainda assim são tensas e melódicas. Um coro entra eficientemente em "Horn of Plenty", vibrante, acompanhado de um tema com ares pop

"Penthouse" evoca o tema "The hunger games" do começo da trilha, de novo misturando instrumentos de cordas e incorporando a ação e o suspense - mas o resultado aqui é genérico, assim como em "Learning the Skills". Há mistério em "Booby Trap", faixa que funciona dentro do filme, não fora dele. Preste atenção na dramática "Healing Katniss", e ao som de um dramático violão, e em "Rue's farewell", uma espécie de new age - só imaginei e Enya chegando no meio e soltando a voz. Bela, triste, dramática e relaxante como "We could go home".

Achei "Searching for Peeta" bola fora. "The cave" é suspense, "Muttations", apesar de boa para a ação dentro do filme, não funciona - embora a última parte, dramática, tenha seu encanto. "Tenuous Winners" fecha encantadoramente a trilha.

O saldo final é positivo. Joga contra o trabalho de Howard o fato de não haver um tema marcante, uma música que marque nossos ouvidos. A trilha convida o ouvinte a retornar, sim, é bonita, bem feita, equilibrada, mas ela não é inesquecível como outros trabalhos do compositor. De toda forma, James Newton Howard sai na frente no quesito trilha sonora este ano. Não é a redenção, mas em um ano de vacas magras, Newton Howard parece que vem se sobressaindo (é dele também a boa trilha de Branca de Neve e o Caçador, lembremos).

O espírito Country de algumas faixas, que incorporam violão, está presente também na trilha sonora cantada, que inclui a - horrível - Taylor Swift, com sua voz de garça com dor de barriga, em uma música tema, "Safe & Sound", que, depois daquela ouvida básica, você vai querer ouvir "My heart will go on", tema de Titanic, pelo resto de sua vida. Ela também empresta sua parca voz para "Eyes open", que de tão horrível vai lhe causar enxaqueca e dores de ouvido. Palavras da Tia Rá, lembrem-se, macumbeira vidente profissional.


Cotação 3,5/5

Não é o melhor trabalho de James Newton Howard, mas sigo fiel a ele. Vale a pena conferir.

domingo, 29 de julho de 2012

Trilha Sonora - Os Vingadores - 2012 (The Avengers - 2012)




Então, quando a gente menos espera, vem aquele compositor que você gosta, do nada, e te dá um tiro em seus ouvidos, criando uma trilha sonora medonha, raquítica, histérica e nada empolgante. 


Sim, Alan Silvestri cometeu isto, que chamamos de Original Motion Picture Soundtrack bebê (para você que foi alfabetizada em inglês), no seu, no meu, no nosso - e no de Lady Ravenna Morgan, a minha irmã gêmea lactopurga que já me encheu o saco falando bem desse filme - o sucesso "Os vingadores".


Olha, estava para nascer coisa tão tosca e genérica quanto esta trilha sonora. A trilha de ação casa bem com o filme da Marvel, afinal, trata-se de doses enérgicas de ação na tela (oi?) mas... é um martírio auditivo ouvir o álbum, o que já se adianta a ser a pior trilha sonora de um filme de sucesso do ano de 2012 (sim, é pior do que a trilha do último Batman, Noletes, comemorem!).


Alan Silvestri é o compositor por trás daquela trilha sensacional, mítica, linda e maravilhosa de Contato, um trabalho inspiradíssimo, e de "O náufrago", dentre outras de sucesso. 


Aqui, Silvestri parece bêbado e desinteressado, sem saber nem o que está fazendo - ou sem se importar com o que está fazendo ou não tendo tempo para fazer um trabalho melhor (Tia Rá não consegue entender ainda). Parece um trabalho corrido, feito as pressas. A trilha sonora não atinge um tom épico, não tem um ápice, não é interessante. É uma tormenta auditiva, uma mistura de ritmos sem um tom definido, sem partes concretas. Eu explico: quando você escuta a trilha sonora de Avatar, de James Horner, há claramente uma ascensão nas faixas, que vai culminar nos momentos de ação envolvendo a guerra entre humanos e o povo de Pandora. O tema, no entanto, é mantido em praticamente todas as faixas, aqui e ali, dando personalidade e coesão ao trabalho, e fazendo o ouvinte embarcar na audição, relembrando os momentos do filme de maneira fluída. É uma viagem, na verdade, pelo filme. Isso não existe aqui.


"Helicarrier" é agradável. É vibrante, sensível e é talvez a melhor do filme, superando o tema chifrin de "Os vingadores", "The Avengers", que me soou como algum seriado tosqueira de décadas passadas - vá lá, ainda me trouxe lembranças de Star Trek aqui e ali, o que seria bom mas muito pouco. 


O restante das faixas é completamente esquecível, difícil de acompanhar, barulhento e faz o ouvinte perder o interesse rapidamente. Sem um tema central, sem um eixo para ancorar as faixas, a trilha parece apenas funcionar dentro do filme, o que é uma pena, em se tratando de um compositor que já teve dias melhores e foi responsável pela trilha sonora de Capitão América (que não é a redenção, mas não chega a ser tão ruim quanto isso).



Cotação: 0/5


FUJA DISSO PELAMORDEDEUS!

sábado, 28 de julho de 2012

Trilha Sonora - Batman: O cavaleiro das trevas ressurge - 2012



Bom gente, só para lembrar antes de falarmos mais sobre essa trilha sonora, a tia Rá aqui é médium cabocla sensitiva, não musicista nem cantora de ópera, violinista ou Maestro para entender de música instrumental, muito menos de trilha sonora de filme, sabe... Titia aqui ouve uma trilha e, bom, ou ela toca ou não toca. 

Tia Rá aqui acredita que uma trilha precisa funcionar não apenas dentro do filme - mas principalmente fora dele - porque é um dos veículos pelos quais "retornamos" àquelas cenas que vimos. Se a trilha sonora pegar um espectador é barbada. Se não pegar, não adianta. As chances de te conquistar fora do filme são quase nulas.

É simples. Toca o tema de "Tubarão" e sua memória automaticamente vai te carregar para uma praia atacada pelo peixão. Se você assistisse o filme, ouvisse a música e não voltasse a ele, John Williams teria falhado em seu trabalho. Se uma trilha toca a titia, ela vai recomendar completamente. Pode ser que a trilha seja inteiramente ruim - acontece né, gentem - e como meus ouvidos não são pinicos, a trilha vai rodando para a lata de lixo. Enfim...

Vejamos então esse caso grave da trilha sonora de The Dark Knight Rises (O cavaleiro das Trevas Ressurge) - fãs Noletes (aka, fãs do Christopher Nolan, o diretor, produtor, roteirista, pai, mãe e tio da nova trilogia do Batman, para quem tá vivendo em Marte ultimamente), por favor, não me joguem na cruz, se não amaldiçoarei todos vocês pela eternidade.

Eu deixarei a cargo de comentar o filme a minha querida, sensível, amiga, irmã, conselheira espiritual - só que não -  Lady Ravenna Morgan (até porque se eu não gostar dessa bagaça, não vai dar o que preste aqui). 

O alemão Hans Zimmer já teve grandes momentos. É dele a trilha sonora marcante de "O rei leão", pelo qual ganhou Oscar, e a brilhante e emocionante "O príncipe do Egito", indicada ao Oscar. São dele também as (ótimas) trilhas de "Gladiador", "Kung Fu Panda 2" - junto a John Powell - e o tema de "Rain Man". Tem as mãos dele na trilogia "Piratas do Caribe", com trilhas sonoras irregulares. É autor das trilhas sonoras da última trilogia de Batman, a boa "Batman Begins", e a intensa "O cavaleiro das trevas", dentre outras superestimadas como a de "A origem", que parece remake de um monte de porcaria que ele fez. Mas bagagem ele tem e das boas, o cara tem talento e é eficiente em fazer trilhas que casem com os filmes. Se elas funcionam fora da tela como deveriam, aí são outros quinhentos, bebês!

Seja como for, a trilha de "Batman: o cavaleiro das trevas ressurge" começa errada, com a tenebrosa e curta "A storm is coming...". Dá para entender no decorrer da trilha que essa abertura é como um aviso, como o próprio título entrega, de que as faixas serão mais sombrias, mais "tensas", afinal estamos falando de Batman e de um filme de ação. Esse preludio engata com a triste "On thin Ice", que carrega ecos dos filmes anteriores, como uma espécie de transição, o que é bom. 

Mas aí vem a horrorosa e neurótica "Gotham's Reckoning" - que me lembrou o pior de "Transformers", percebam, e que parece reciclar outros trabalhos de Zimmer ("Piratas do Caribe", talvez? Estou com memória fraca...). Pule a estranha no ninho "Mind if i cut it in?", com pianos no meio de uma batida estranha (não casa com o trabalho em nenhum momento, e me lembra algo perdido de 007) e a pesada "Underground Army" (que parece ter saído de um jogo de vídeo game de guerra ruim ou coisa parecida). 

Gosto da "Born In Darkness", ela consegue ser sensível e sombria ao mesmo tempo, dar um ar de mistério, embora não marque. De novo, nos remete ao melhor da série de Nolan, principalmente ao primeiro filme. Começa suave e dramática. Boa.

Esqueça a péssima e poluída "The Fire Rises". Essa música, como outras, lembram trilhas de jogos de vídeo game - não que isso seja ruim, o problema é que elas nos remetem ao pior dessas trilhas - e não a toa, Zimmer é responsável por trilhas de jogos de ação como "Crysis 2" e "Call of Duty" - RÁ! EU SABIA!. É aquele batidão, aquele tambor, aquela escola de samba que ninguém aguenta mais. 

A deslocada "Nothing Out There" quer tentar estragar a sua paciência. É deficiente em tudo o que se propõe. Não causa tensão, mesmo começando como uma faixa de ação. Incorpora um piano do meio para o fim e ninguém entende o motivo. Lembra "A origem" (de novo, remetendo a outros filmes). Passo.

"Despair" funciona - achei a segunda melhor de todas. Funciona porque ela traz de volta, mais uma vez, o primeiro filme da trilogia, "Batman Begins". E parece que a trilha funciona toda vez que vai buscar essa relação com os outros filmes. Sempre que tenta algo diferente disso, ou ela cai na mesmice de outros trabalhos ruins ou parece colagem de outras trilhas. 

Você nota isso na horrível "Fear Will Find You", uma das piores coisas sonoras que já ouvi na vida - um peido soa mais harmônico, gente..., ou na histérica e irritante "Why do we fall" - e que droga, lembrei de "Transformers" de novo. Sim, não parece que estamos voltando a um filme de Batman. Estamos voltando a um filme de Michael Bay, porque ela quer estragar os seus ouvidos a qualquer custo. Lembrei até de "O exterminador do futuro", em "Imagine the fire" e um clima de 007 - de novo - que aqui não funciona. E prefiro não comentar o uso de sintetizadores eletrônicos. 

"Necessary Evil" é descartável, assim como as três últimas. Mas "Rise", surpreendentemente, evoca até coral, batida de tambor, vibrante, mas é talvez a música mais acertada de todas. É intensa, mas é limpa, de uma maneira que parece equilibrar tensão com  melancolia e sensibilidade. Podemos até ouvir uma espécie de ode a esperança - a tal ascensão mesmo do cavaleiro das trevas, seu ressurgimento. É a melhor do conjunto.

Se esqueci de alguma, é porque é tão desinteressante que nem me prestei a ouvir novamente.

Tudo isso para resumir que achei a trilha sonora de "Batman O cavaleiro das trevas ressurge", uma trilha sonora histérica, pesada (não "sombria", pesada mesmo), que não marca, não arrebata porque não tem personalidade. Não há sensibilidade nela, não há um convite para retornar ao filme. Zimmer não passeia por um tema definido, não é sutil, não tem uma melodia definida, é bruto e grosseiro nos arranjos. Uma pena.

Estão falando em Oscar para essa trilha. Receio que uma indicação venha na esteira do sucesso do filme, mas no ano em que se tem outras trilhas mais interessantes - "Prometheus", "Branca de Neve e o caçador", "Valente" correndo por fora e a expectativa em torno de "O hobbit", creio ser essa uma missão impossível - uma vez que outras trilhas de Zimmer, superiores a esta, foram esnobadas. 

Ouvi Noletes dizendo por aí que a nova trilogia de "Batman" seria algo tão grandioso quanto "O senhor dos Anéis". Na tela, suspeito que isso não se confirme - até porque ambos os filmes são infinitamente diferentes e atingem públicos diferenciados também. Certeza mesmo é que, na trilha sonora, a trilogia de fantasia de Peter Jackson causa tamanha humilhação na de Nolan que.... bom, melhor deixar pra lá.


Faixas da trilha sonora:



A Storm Is Coming
On Thin Ice
Gotham's Reckoning
Mind If I Cut In?
Underground Army
Born in Darkness
The Fire Rises
Nothing Out There
Despair
10 Fear Will Find You
11 Why Do We Fall?
12 Death By Exile
13 Imagine the Fire
14 Necessary Evil
15 Rise
16 Bombers Over Ibiza (Junkie XL Remix)
17 The Shadows Betray You
18 The End



Cotação: 1,5/5

Ouça por sua conta e risco.




sexta-feira, 27 de julho de 2012

Drive - 2011




Título Original: Drive
Ano de lançamento: 2011
Direção: Nicolas Winding Refn
Roteiro: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks , Ron Perlman
Sinopse: Durante o dia um motorista (Ryan Gosling) trabalha como mecânico e dublê em filmes de Hollywood, enquanto que à noite ele presta serviços para a máfia. Ele é vizinho de Irene (Carey Mulligan), que é casada e tem um filho com Standard (Oscar Isaac). Percebendo a situação difícil de Standard, que saiu há pouco tempo da prisão, o motorista o convida para realizar um assalto. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, Irene e seu filho.

Por que ver?

Drive é aquilo que se pode chamar de filme interessante.  Logo na introdução, o filme já exibe uma instigante experiência cinematográfica ao apresentar o protagonista vivido por Ryan Gosling, que não tem nome, ele é apenas o Driver (Motorista). Um exímio piloto, ele divide seu tempo trabalhando como dublê que dirige veículos para filmes de ação, consertando carros na oficina de um amigo e dirigindo para assaltantes em fuga. Mas apesar de o filme exibir muitos elementos ação e suspense, Drive se estabelece mesmo como um estudo de personagem.

A única cena para meninas.
O motorista é um homem solitário e misterioso, nada se conhece sobre seu passado ou porque ele ganha a vida dessa forma. Pouco sociável e de poucas palavras, sua vida muda quando ele conhece a vizinha Irene (Carey Mulligan, aquela atriz apática, com cara songa-monga que os críticos insistem em elogiar), cujo marido logo vai sair da prisão. O marido é perseguido por uma dívida que adquiriu com comparsas na cadeia e é obrigado a participar de um assalto. Então, para proteger Irene e seu filho, o Motorista resolve ajudar o marido dela no assalto. Eles acabam tendo problemas, o que coloca todos em perigo e desencadeia uma série de violência, fazendo com que o motorista mostre sua verdadeira natureza.

Mamãe do Céu! 
Que isso não me apareça na janela a noite. 
O roteiro é bem amarrado e coeso, sem floreios dramáticos. A direção do filme é bastante segura e enxuta, auxiliada por uma montagem rápida, contribuindo para construir uma narrativa bem objetiva, seca e direta, como o próprio protagonista. A fotografia também é eficiente, especialmente nas cenas do envolvimento romântico entre o Motorista e a vizinha.

Delícia, delícia, assim você me mata... ai se eu te pego!

Mas o maior trunfo do filme está no seu ator principal, Ryan Gosling já se estabeleceu como um dos melhores atores de sua geração e é cada vez mais requisitado em Hollywood. Ao contrário de muitas fraudes que vemos surgir por aí. Gosling transita com segurança em qualquer gênero. E neste filme em especial, ele constrói, com uma interpretação contida,  um personagem complexo: um homem seco, amargo e pouco sociável, que por vezes experimenta alguma alegria na presença de Irene e seu filho. O motorista é um homem solitário que parece viver em uma tristeza constante e que, quando vê a única coisa boa que entrou em sua vida ser ameaçada, se transforma em um ser violento e assustador.

Medo do Ryan Gosling.


Por que não ver?

O filme não é para qualquer um. É um filme cru, violento. Não vai agradar a todos os públicos. Ryan Gosling é lindo, mas... garotinhas, get out! Vão assistir Diário de uma paixão! =)


Preste atenção!

Na “virada” do personagem principal, especialmente naquela cena do elevador com o motorista, Irene e um cara. E depois do ocorrido, a forma como Irene sai do elevador e olha para o motorista (aqui tenho que tirar o chapéu pro picolé de chuchu da Mulligan) e a maneira como ele se vira pra ela e retribui o olhar dela. Imagens valem mais que mil palavras, show de direção e interpretação.

Cotação: 4/5

Lady Rá ficou com medo do Ryan Gosling depois desse filme.


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