terça-feira, 10 de julho de 2012

A batalha no planeta dos macacos - 1973


Título original: Battle for the planet of the apes
Ano de lançamento: 1973
Direção: Jack Lee Thompson
Roteiro: John William Corrington, Joyce Hooper Corrington, Paul Dehn
Elenco: Roddy McDowallClaude AkinsNatalie Trundy
Sinopse: Após derrotar os humanos opressores, Caesar (Roddy MacDowall) precisa agora manter a paz entre homens e macacos. Só que o general Aldo (Claude Atkins) vê a situação de uma maneira diferente, o que provoca um guerra civil entre os macacos. Paralelamente, alguns humanos sobreviventes descobrem como entrar na cidade dos macacos e elaboram um meio de retomar o controle do planeta.


De todos os filmes da série, este parece ser o mais pobre, mas seu roteiro é superior ao segundo e ao terceiro (só não é melhor ao quarto porque "A conquista do Planeta dos Macacos" é tão bom que inspirou sua - praticamente - refilmagem atual lançada em 2011).
 

Aldo, o estopim de uma guerra entre os próprios símios
O filme faz uma crítica massiva ao armamento e a guerra, aos conflitos bélicos, e delineia os macacos como seres que cometem os mesmos erros e exageros dos humanos. Suas ações vão resultar futuramente na sua própria ruína (os gorilas valorizam a guerra e defendem a erradicação dos seres humanos). Ou seja, os símios começam a repetir os mesmos problemas de uma sociedade humana, a mesma que agora lhe fornece conhecimento para continuar sobrevivendo, numa espécie estranha de simbiose. 


César, o "chipanzé" e seu líder, espera que os humanos vivam pacificamente com os macacos desde que, espertamente, os macacos não tirem os olhos deles um minuto e de que os homens possam lhe passar todo conhecimento. Parece ser uma alusão escancarada aos EUA e a América Latina durante a crise do petróleo, mesma época em que o filme foi lançado, já que os EUA tratavam todos os vizinhos de baixo como "hermanos". Não seria nada demais supor que o roteiro combine fantasia com um momento real pelo qual a humanidade está passando, o que sempre fez com que a série trouxesse temáticas atuais e refletisse uma situação histórica da sociedade.

Um vislumbre do que restou de uma cidade humana
Os inimigos dos símios não são apenas os homens ou os próprios símios, mas também são os "homens mutantes" e aqui temos outra alusão claríssima, dessa vez a guerra fria e o medo de uma ameaça nuclear vinda da URSS. Esses homens vivem uma cidade radioativa  cheia de escombros, transformada assim desde que o fim do mundo chegou - e passam seus genes mutantes e suas doenças de gerações para gerações à medida que se adaptaram a esse novo estilo de vida - e que vai resultar no povo estranho visto pelo público no segundo filme da série. 


Duas coisas são interessantes de se notar nesse filme: quando o professor diz "NÃO" ao gorila Aldo e ele se rebela, um macaco explica que ele não deve fazer isso porque a negativa foi a primeira coisa que César aprendeu a falar - e os macacos eram todos tratados com negativas antes da última guerra com os humanos. Isso pode ser visto no filme de 2011 (a primeira palavra que César fala é "Não").


Os personagens entram nos escombros da cidade
à procura de pistas sobre o passado
Em outro ponto, é explicado que os gorilas foram a ruína dos macacos no futuro por serem estritamente rudes e agressivos, e ignorarem o aprendizado e o conhecimento - eu interpreto como uma lição de moral do filme para seu público refletir que, mais vale uma caneta na mão e inteligência do que punhos cerrados para solucionar um conflito. Isso de certa forma também está presente no filme de 2001, de Tim Burton (com Michael Clarke Duncan no papel de um comandante das tropas do exército de símios) e no filme de 2011 (o gorila é o mais violento e tenta matar uma ou duas vezes, mas é impedido por César).


Coisa mais interessante é a ordem dos filmes. O terceiro filme é na verdade a origem de tudo, quando os macacos vêm do futuro e deixam César na Terra, são assassinados aqui. César é como um "John Connor", de "Terminator", filho de pessoa que veio de outra época futura. Isso também é sublinhado durante o filme, em que Virgil, o orangotango, fala que o futuro pode ser modificado porque existem vários caminhos. Sempre acreditei que, em uma possível refilmagem, além do primeiro e do quarto filme, esse, com um melhor tratamento e produção mais cara, seria um dos que funcionaria melhor. Quem sabe suas ideias não sirvam de inspiração para a próxima produção baseado no lançamento do sucesso de 2011.


O final se conecta com o segundo filme e o povo mutante se torna "adorador" da bomba atômica, como se esta fosse uma divindade. Há, contudo, um conflito entre macacos e esses homens (que é bem pobre, com momentos até toscos e sofríveis), e um conflito dentro do próprio clã símio (os gorilas acabam provocando a morte do filho de César, que ele acredita, de começo, ter sido culpa dos humanos, outra crítica implícita do roteiro ao preconceito social e racial). Tudo é resolvido de maneira rápida e ausência de figurantes suficientes para o trabalho parece impedir o tratamento épico que o filme merecia (a quantidade de pessoas guerreando é bizarra de tão pequena e não consegue dar dimensão ao conflito na tela para o espectador). 


Apesar desses deslizes, a mensagem pacifista de McDonald ("deixe os humanos serem livres, e irem a onde quiserem") antecipa muito bem o final, em que é mostrado um macaco passando para novas gerações, de homens e macacos, a história de César.


Cotação: 2/5


Preste atenção:


No povo radioativo e na forma como a sociedade símia se desestrutura por traições, intrigas e agressividade, um retrato em menor escala da nossa própria sociedade humana.

Os diretores John Huston e John Landis aparecem em pequenos papéis;

Perceba como a trama se encaixa com o que foi visto anteriormente, que vai culminar no primeiro filme da série.


TRAILER



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