segunda-feira, 16 de julho de 2012

Chaplin - 1992




Título Original: Chaplin 
Ano de lançamento: 1992 
Direção: Richard Attenborough 
Roteiro: Bryan Forbes 
Elenco: Robert Downey Jr. Geraldine Chaplin, Paul Rhys, Moira Kelly, Anthony Hopkins, Dan Aykroyd, Kevin Kline e outros. 
Sinopse: Cinebiografia de Charles Chaplin, contando toda sua vida, desde a infância pobre na Inglaterra, a sua ascensão nos Estados Unidos até seus últimos dias de vida.

Um homem de rosto pintado, usando chapéu e um velho fraque, calçando sapatos surrados e com uma bengala na mão, gradativamente vai se despindo de seu figurino peculiar. E depois, contemplando a si mesmo diante do espelho, começa a retirar a maquiagem que lhe cobre o rosto. Aos poucos o personagem vai deixando de existir, dando lugar a um homem de expressão indecifrável. Assim vamos sendo levados a conhecer vida de um dos cineastas mais geniais de todos os tempos: Charles Chaplin (que foi ator, diretor, roteirista, produtor, comediante, dançarino, músico, etc) através desta bela cinebiografia estrelada por Robert Downey Jr

O pequeno Chaplin.
Nascido na Inglaterra, Chaplin era filho de cantores. Seu pai o abandonara quando ele ainda era pequeno e morreu quando ele tinha doze anos, sua mãe doente não podia mais cantar e mal tinha como sustentá-los. Os garotos precisaram aprender a se virar desde cedo. Charles tinha um talento natural e já cantava aos cinco anos de idade, uma cena em que ele faz de improviso sua primeira apresentação é especialmente comovente. Com sérios problemas emocionais, a mãe de Charles precisou ser internada em um hospício. Charles, então, começou a se apresentar nos teatros para se sustentar e ainda bem jovem conheceu o primeiro e grande amor de sua vida, mas logo ele foi chamado para se apresentar nos Estado Unidos. Na América, ele se encantou pelo cinema mudo e começou a trabalhar como ator de cinema. Chaplin aprendia tudo sobre cinema e logo superou seu patrão, se tornando um cineasta bem sucedido antes dos trinta anos.



Um (admirável?) mundo novo
De criança pobre a um dos maiores cineastas de todos os tempos, Chaplin foi figura controversa. Aacusado de ser comunista, devido a sua visão política ser de esquerda, enfrentou a perseguição do chefe do FBI J. Edgard Hoover. Casou-se quatro vezes com mulheres bem mais jovens que ele (o último casamento foi o único que não fracassou, sua última esposa esteve ao seu lado até os últimos dias de sua vida), enfrentou uma ação judicial para reconhecimento de paternidade (embora um exame de sangue comprovasse que a criança não era sua filha), e ainda enfrentou grandes perdas: sua mãe morrera um tempo depois que Charles a levou para os EUA e a jovem inglesa que ele amava, que havia se casado quando ele deixou a Inglaterra, morreu durante uma epidemia de gripe. Aliás, este fato é mostrado em uma das mais belas e cenas do filme, quando Chaplin, dilacerado pela notícia, precisa enfrentar o público e sorrir para eles, e ao fundo ouvimos uma versão da belíssima Smile, que foi composta por ele mesmo para o filme Tempos Modernos. 

Mas se sua vida pessoal foi complicada, sua carreira foi uma das mais brilhantes da história. Ainda nos primeiros anos de teatro na Inglaterra enfrentava preconceito da dita “alta sociedade”, mas Chaplin fez fama e fortuna no cinema, construiu seu próprio estúdio, escrevia, produzia e financiava seus próprios filmes, e anda compôs a trilha sonora de muitos deles. Chaplin eternizou o personagem Carlitos, fez o mundo rir e chorar com seus filmes inteligentes, emotivos e engraçados. Produções que retratavam com sutileza as mazelas de um mundo mergulhado em crises políticas e econômicas e grandes guerras. Simplesmente um gênio.

Sorria, embora seu coração esteja partido.  
Enquanto pôde, Chaplin resistiu ao surgimento do cinema falado, até que, quando resolveu render-se a nova era cinematográfica, ele foi expulso dos EUA, devido ao conteúdo “político” do longa “O grande ditador”. Em seu exílio na Suíça, foi acompanhado por sua última esposa, teve oito filhos e viveu feliz os seus últimos anos, até ser homenageado com um Oscar especial por sua contribuição ao cinema.

No filme, tudo é retratado com fidelidade pelo roteiro, que foi baseado na biografia escrita pelo próprio Chaplin e no livro de David Robinson (com suas devidas licenças artísticas). A história é contada a partir das memórias de Chaplin, durante a narrativa são feitos cortes para o “presente” em que Charles, já idoso e vivendo na Suíça, revisa sua biografia junto com um editor (vivido por Anthony Hopkins) 


Ele preferia a mágica, porque a realidade era chata.
A direção sensível de Richard Attenborough encaixa tudo perfeitamente como peças de um quebra-cabeça. Dosando bem os momentos de drama e humor (algumas cenas de comédia do filme são inclusive inspiradas nas produções de Chaplin), o diretor conseguiu transpor para o filme a alma do homem e do artista que foi Charles Chaplin. Tendo como aliados a bela fotografia, direção de arte, figurinos, montagem, além de uma belíssima trilha sonora. 



Relembrando os bons tempos...
Mas o maior destaque dessa produção, sem dúvida é Robert Downey Jr. O ator transita por comédia e drama com absoluta segurança. Além de expressar através dos olhos sentimentos de conflitos de Chaplin em todos os momentos, o ator tem uma expressão corporal incrível, imitando os gestos, a fala e a postura. Nascido em Nova York, Robert construiu um sotaque inglês bem convincente, além de fazer um cuidadoso trabalho de voz para representar Chaplin na velhice (por isso este filme jamais deve ser visto dublado). Robert não interpretou Chaplin, ele incorporou Chaplin. 

Nos momentos finais do filme, ao fim de sua longa conversa com o editor, Chaplin diz que não mudou as coisas, ele apenas fez as pessoas sorrirem. O que foi seu maior mérito.



Simplesmente Chaplin...

Curiosidades:
O filme recebeu indicações ao Oscar de 1993, nas categorias ator (Robert Downey Jr), direção de arte e trilha sonora.

Robert Downey Jr. recebeu o BAFTA por sua atuação.

Geraldine Chaplin, filha do quarto casamento de Charles, interpreta sua própria avó no filme.

Cotação: 5/5 – Porque não tem como dar nota maior.

Lady Ravenna chorou e ficou em choque com a entrega de Robert Downey Jr e chorou horrores quando a versão instrumental de Smile foi executada durante o filme.

2 comentários:

  1. Acabei de ver esse filme e fiquei fascinado. Procurei um bom tempo por uma crítica sobre ele e fiquei feliz por tê-la encontrado.

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  2. Obrigada por seu comentário. Fico feliz que tenha gostado. Esse filme é maravilhoso não é? Chaplin foi um artista maravilhoso e com certeza mereceu essa homenagem. Lady Rá adora filmes emotivos. Novamente obrigada e volte sempre!

    Beijos!

    Lady Rá.

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