segunda-feira, 9 de julho de 2012

Como treinar seu dragão - 2010 (How to train your dragon - 2010)


 
Título original: How to train your dragon
Ano de lançamento: 2010
Direção: Chris Sanders, Dean Deblois
Roteiro:  Will Davies, Dean DeBlois, Chris Sanders
Elenco: vozes de Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera
Sinopse:
Na ilha de Berk, os vikings dedicam a vida a combater e matar dragões. Soluço (Jay Baruchel), filho do chefe Stoico (Gerard Butler), não é diferente. Ele sonha em matar um dragão e provar seu valor ao pai, apesar da descrença geral. Um dia, por acaso, ele acerta um dragão que jamais foi visto, chamado Fúria da Noite. Ao procurá-lo, no dia seguinte, Soluço não consegue matá-lo e acaba soltando-o. Só que ele perdeu parte da cauda e, com isso, não consegue mais voar. Soluço passa a trabalhar em um artefato que possa substituir a parte perdida e, aos poucos, se aproxima do dragão. Só que, paralelamente, Stoico autoriza que o filho participe do treino para dragões, cuja prova final é justamente matar um dos animais.

Quando beleza, simplicidade, tecnologia e poesia se misturam, dá para fazer uma das melhores animações de todos os tempos: inspirado em um livro infanto juvenil da escritora Cressida Cowell, o primeiro de dez, "Como treinar seu dragão" foi uma das surpresas mais agradáveis do ano de 2010, aclamado pela crítica e pelo público. Envolvendo romance, ação, aventura na medida certa com um visual arrasador, a animação da Dreamworks  consegue tragar facilmente o espectador para dentro da trama de soluço e seus amigos e arrebata o público com um roteiro bem elaborado e costurado, que preza a dinâmica entre os personagens e o desenvolvimento gradual de cada um.

Ai meu Deus do céu, que fofuraaaa *-*
Repare na forma como Soluço e Fúria da Noite se aproximam. No começo, ambos se estranham, desconfiam um do outro, evitam chegar perto demais, mas aos poucos vão se familiarizando com seus defeitos e qualidades, criando uma relação de respeito e de admiração que vai culminar em um sentimento - universal - de amizade. O foco no relacionamento dos dois é a melhor sacada do filme e é capaz de agradar a todos os públicos porque, da maneira e sutileza (leia-se: sensibilidade) que são conduzidos, não soa artifical nem cafona.

 
Por sua vez uma metáfora das diferenças, a animação trata no  próprio Soluço a imagem do fracasso: desengonçado, introspectivo e deslocado em seu mundo, mas um garoto de bom coração, Soluço vai ter que superar seus próprios limites e provar seu valor diante de uma sociedade que vai de encontro a todos os seus conceitos e expectativas. Ele é a "ovelha negra" do grupo e não se encaixa nos padrões. O mesmo vale para Fúria da Noite. Se por um lado, os outros dragões são todos coloridos e divertidos, não ajuda em nada a aparência dele.

 
-Who... are... you... bitch?
Meio morcego, meio cobra, com dentes proeminentes, olhos de lagartixa e personalidade ranzinza e agressiva, o design Fúria da Noite causa estranheza imediata. Aos poucos, o espectador começa a admirá-lo - e o trabalho de animação é assustador no sentido de dar ao dragão todas as expressões faciais necessárias para que o público capte suas emoções, sem que o dragão diga uma palavra. Repare nas sequências em que ele demonstra ciúmes do interesse amoroso de Soluço, ou nas cenas em que ele tenta imitar Soluço. É incrível.

 
No campo de destaques, nada mais belo do que ver o voo de Fúria da Noite ao pôr-do-sol, numa das cenas mais marcantes de todo o filme e que certamente já entrou para a galeria de cenas antológicas das animações. Aliás, as luzes e cores do filme são uma aula de fotografia, dessas de deixar muito diretor experiente de boca aberta. Auxilia neste momento, e muito, a trilha sonora maravilhosa e inspirada de John Powell, indicada ao Oscar, num desses casamentos perfeitos entre música e imagem que são raros de acontecer.

 
Voando alto, subindo, planando...

Se existe algum defeito no filme, alguém pode dizer que ele está na personagem Astrid, criada como evidente interesse amoroso para o personagem e uma clara tentativa de trazer um público de meninas à trama povoada completamente por meninos. Ou no terceiro ato: a trama envolvendo o surto dos dragões, com o gigantesco e violento dragão, cria uma sequência de ação espetacular envolvendo os heróis, com efeitos ultra realistas de cair o queixo, mas que parece se resolver mais rápido - ou de maneira mais simples - do que deveria. Seria, no entanto, muita mesquinharia apontar uma falha assim como erro grosseiro, quando o filme entrega diversão, encanto, entretenimento de qualidade, drama na medida certa e aventura para todos os gostos. E a mensagem poderosa e universal ao final, sobre perdas e danos, sobre se adaptar e se aceitar como se é nesse mundo é corajosa e foge do padrão de animações com finais felizes.
Obrigatório.

Cotação: 4,5/5

Jason chora horrores e deseja enlouquecidamente ter um Fúria da Noite só pra ele.


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