domingo, 1 de julho de 2012

John Carter - Entre Dois Mundos - 2012

Flopação em nível atômico marciano.


Sinopse: O soldado americano John Carter (Taylor Kitsch), para a tristeza de seus parentes, faleceu no planeta Terra. Contudo, para a alegria de outros, ressuscitou em Marte. Agora, em meio a uma guerra civil no planeta vermelho, habitado por seres de cor verde e criaturas gigantescas, ele é visto como a única esperança de ajudar a princesa Deja Thoris (Lynn Collins) a salvar o seu mundo, numa batalha que mudará para sempre o seu destino. 


Por que ver?


Olha, antes que alguém venha querer minha cabeça, vou logo avisando: eu sou fã de ficção. Eu assisto tudo o que posso do gênero. Mas tem certas coisas que, meu.... vou te contar. Dá pena ver filmes caros (aqui são 260 milhões) que resultam em produções medíocres e que poderiam marcar o gênero e renová-lo (assim como fez James Cameron com seu bilionário "Avatar").

Reconheço que o visual da produção é bonito - bonito, mas não deslumbra, não arrebata -, e o filme tem uma boa direção de arte, além de uma profusão de efeitos especiais. Ah, e tem o Whoola, a coisinha fofa de seis patinhas com cara de lagartixa e a Sola, uma marciana "do bem".

Casal anêmico em meio a um carnaval de efeitos especiais


A história de como o filme saiu do papel é um tanto curiosa. Em 2004, o filme seria dirigido pelo horrível Robert Rodriguez (Sin City - A Cidade do Pecado), que começou a realizar, inclusive, um trabalho de pré-produção na mesma época e contratou o renomado ilustrador Frank Frazetta (1928-2010) como desenhista de produção. Devido a briga do cineasta com o Sindicato dos Diretores da América (Directors' Guild of America - DGA), a Paramount foi obrigado a substituí-lo.

Para o seu lugar foi chamado o diretor Kerry Conran (Capitão Sky e o Mundo de Amanhã), que acabou sendo substituído por Jon Favreau, antes do lançamento de Zathura - Uma Aventura Espacial. No segundo semestre de 2006, o estúdio Paramount não renovou os direitos sobre a obra, dando atenção para "Star Trek", enquanto Favreau fazia o mesmo com Homem de Ferro (o tempo ia mostrar que os executivos da Paramount estavam cobertos de razão).

Em janeiro de 2007, a Disney recuperou os direitos, que tinha perdido nos anos 80, quando o longa seria dirigido por John McTiernan (Duro de Matar).

- Macacos me mordam! É muita flopação junta neste filme!



Por que não ver?

Porque é tudo batido, tipo, o filme parece um genérico de outros filmes, não tem originalidade, nem se esforça para ter -, talvez, por isso tenha sido um fracasso de crítica de público. É tudo coloridinho, mas sem a consistência de "Avatar". É algo que não funciona, o espectador não se convence, entende? Parece um desenho animado, só que chato, longo, insosso.

A sequência de abertura já denuncia que vem alguma coisa errada adiante. É cafona. O filme parece esquizofrênico, como "Thor", tentando misturar fantasia e mundo real. Só que nenhum dos dois mundos funciona - e pesa ainda mais o fato de que a Nasa já desceu seus robôs em Marte onde a trama do filme se passa e, como sabemos, só tem areia lá. 

Então, como eu ia dizendo, é simplesmente uma das piores coisas que já vi na vida, sem dúvidas uma das piores ficções dos últimos tempos. Dói demais saber que foi a Pixar e o Andrew Stanton (o cara por trás de "Procurando Nemo" e "Wall-E"!!!) que fez essa coisa bizarra e insossa. 

A Lynn Collins tem cara de prostituta, cara de "Panicat" ou capa de playboy, coisa parecida. Atua como um robô, sem emoção alguma. O mesmo para o Taylor, não entendi por qual razão escolheram ele pra uma produção desse porte. Taylor não funciona em cena, não tem brilho, não tem carisma, não sabe atuar. Não adianta nada seu personagem pular como uma pulga para lá e para cá se usando dos poderes que a atmosfera do planeta lhe proporciona. A sequência em que seu John Carter foge com aquela "moto" é trash, parece efeito especial de 1970, uma vergonha para um filme caro como esse. 

Difícil dizer o que é pior no filme, se é sua trilha sonora, ordinária, as atuações, seu roteiro...

Na cena da arena com os macacos brancos gigantes, eles aparecem, sem mistério algum, sem que o diretor Stanton consiga "apresentá-los", apresentar a "ameaça", enfatizar o tamanho delas, como Peter Jackson fez brilhantemente em "King Kong". Os bichos surgem, começam uma correria desorientada cheia de picotamento de camera (parece até que quem dirigiu a cena foi Michael Bay), de repente, fim. 

O que foi aquilo? O_O

Você percebe que o filme dá errado quando isso é a melhor coisa dele.


Aliás, o filme parece bandido correndo da polícia. Tudo vai acontecendo nas carreiras, na pressa, passa dez segundos, tem uma coisa diferente, outra coisa acontece, dez segundos depois mais uma. É impossível se importar por exemplo com o relacionamento de Tars e sua filha Sola. Tinha tudo para ser a melhor coisa do filme. 

Os marcianos verdes de quatro braços poem seus ovos em encubadoras e não acompanham o crescimento de seus filhos, eles não desenvolvem relacionamentos de pai e de mãe. Tars sabe da filha, mas ela não sabe dele, os dois escondem isso. Aí o Carter descobre porque sente (oi?) que ele é pai dela. Mas não há drama entre eles. Não há subtexto. Não há reflexões sobre responsabilidade paterna. A revelação vem e pronto, próximo frame. 

Outro ponto baixo é a sequência final, envolvendo o exército. Um conflito que renderia ao menos 40 minutos como em "O senhor dos Anéis", rende o quê, 60 segundos??? E que bizarro, gente, aquela sequência de Carter voando e lutando contra o vilão no final. Medíocre.

A escola de samba marciana e sua madrinha de bateria


Incomoda a Disney ter assumido o papel de adaptação. O drama de Carter é reduzido a sequências banais (ele perdeu a mulher e a filha queimados - lembrem-se, torrados, como se fossem carne de churrasco - com sua casa e desconta tudo na guerra). Ok. Cadê o drama? Cadê o desenvolvimento de seu personagem e o sofrimento? É tudo alegórico, parece um carnaval, cheio de subtramas rasas e insossas.

Outra coisa que incomodou, os "filhotes" dos marcianos. Tudo parece filho de "Shrek", bichinhos chifrudinhos fofinhos para quê... vender bonecos? 

Carter tinha tudo para ser um filmaço. Mas é infantilizado, idiotizado, sem personalidade, tosco. Se é assim, deveria ser logo um desenho e pronto, talvez atraísse mais gente ao cinema e críticas positivas. Culparam o fracasso pela falta de investimento em marketing. A Disney deve ter percebido que esse desastre ia flopar nas bilheterias e se recusou a investir mais um centavo. Divulgação nenhuma salvaria uma bomba dessa do fracasso total. 


TRAILER




1/5

Quando o filme acabou, Jason ficou assim, parado. Não riu. Não chorou por quem morreu. Não se sentiu envolvido. Não achou o visual arrasador. Falta peso, falta drama. Falta tudo nessa tragédia.

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