domingo, 1 de julho de 2012

A mulher de preto - 2012



Sinopse:  o jovem advogado londrino Arthur Kipps (Daniel Radcliffe) é forçado a deixar seu filho de três anos e viajar para a pequena vila de Crythin Gifford para tratar dos assuntos do recentemente falecido dono da Casa Eel Marsh. Mas quando ele chega à arrepiante mansão, descobre segredos obscuros no passado da cidade. Sua sensação de mal-estar aumenta quando ele vislumbra uma misteriosa mulher toda vestida de preto.



Por que ver?

Caraca.... é tenso. No melhor sentido da palavra. O filme é bem conduzido e bem contextualizado. Não há pressa de fazer a história embalar. Ela vai fazendo isso aos poucos, de maneira que o espectador levante questionamentos e vá descobrindo o que aconteceu - e o motivo real da existência da piriguete de preto. 

Há um clima constante de tensão e suspense na primeira parte do filme, seja nas pessoas que olham de maneira torta para o personagem de Daniel, Arthur Kipps, seja naqueles que se escondem dele. 

A trama é bem amarrada, que prende do começo ao fim, para ficar roendo as unhas. Lembra um tanto de "Os outros", seja no ritmo, construção de personagens. Reconstituição impecável de época, fotografia e iluminação lindas, figurinos perfeitos, sem palavras. Percebam as cenas da estrada para a mansão, em que dá a noção ao espectador de total desolação, um lugar no meio de um breu no fim do mundo. Ou no matagal ao redor da casa, quando a dita cuja é vista pela primeira vez. Tenso.

A mansão abandonada é reconstruída perfeitamente. Tudo é escuro, sujo, mofado. Metade do  êxito do filme se deve a essa parte técnica. A vila parece perdida no tempo, com aquela aparência medieval, onde tudo é arcaico, escuro, à luz de velas e a tecnologia precária. É o fim do mundo.


Mistério no fim do mundo...



Por que não ver?

Podia ser um filmaço do começo ao fim, como "Os outros". Mas nos últimos momentos, o filme se perde e vira um trash absurdo, cheio de clichês - parece filme japonês ou uma coisa como "O grito", com os guris gritando e fazendo ruídos que nem aqueles capetinhas e atormentando Arthur. Eu também pensei em algo como "Arraste-me para o inferno". Mas isso são outros quinhentos.

Daniela Rodadaclife não funciona em nenhum momento (era filme para um Depp da vida, talvez, ator de maior bagagem). O personagem perdeu a mulher no parto 4 anos antes, é advogado, tem certo distanciamento com o filho por causa disso (pontuado na cena do desenho que ele mostra para o pai e o menino percebe que ele não lhe dá devida atenção), e é incapaz de passar uma cena de drama ou pavor para o espectador com aquela cara paralítica (sem falar na sua aparência de vinte anos). Horrível.


"Harry Pobre e o segredo da piriguete de preto". Ok, parei...


Há cenas gratuitas de sustos - com trilha sonora subindo repentinamente - e o uso de som - essencial num filme como esse - nem sempre é bem utilizado. Nem precisava usar artifícios gratuitos em um filme que por si só já impressiona pelo visual, criando uma atmosfera tenebrosa e desconfortante (dê uma olhada nas tumbas ao redor da casa e a névoa que ronda o local). 

O sangue de Jesus tem poder!


Outra coisa que incomoda é a trama em torno da própria piriguete de preto, algo que não fica muito bem resolvido pelo roteiro (quais suas reais motivações, uma vez que o plano de Arthur para fazer com que ela vá embora aparentemente não dá certo?). Isso talvez seja uma opção do roteiro para prosseguir com uma continuação, com a piriguete induzindo mais criancinhas a se matarem bizarramente, em alguma vila perdida com aparência medieval nos confins da Inglaterra...

E o final.... Tá pra nascer coisa mais tosca.


Preste atenção:

Na sequência em que Arthur a vê ao redor da casa... 
Na cena em que alguma coisa se levanta do charco e vai em direção a casa (chame por Deus-Jesus-Maria-José e todos os santos).
A direção de arte, fotografia, cenários, iluminação de cenas. Lindas.


Trailer


3/5

Jason acha a piriguete de preto muito diva. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...