domingo, 15 de julho de 2012

O predador - 1987



Título Original: Predator
Ano de lançamento: 1987
Direção: John McTiernan.
Roteiro: Jim Thomas, John Thomas 
Elenco: Arnold Schwarzenegger (Major Alan "Dutch" Schaeffer)
Carl Weathers (Capitão George Dillon)
Bill Duke (Sargento Michael "Mac" Elliott)
Jesse Ventura (Sargento Blain Cooper)
Sonny Landham (Sargento William "Billy" Sole)
Shane Black (Sargento Richard Hawkins)
Richard Chaves (Tenente Jorge "Poncho" Ramirez)
R.G. Armstrong (General Homer Phillips)
Elpidia Carrillo (Anna Gonsalves)
Kevin Peter Hall (O Predador)
Gilberto Pasold (Major Gilbert "Bert" Pasold)
Guilherme Pasold (Tenente William "Bill" Pasold)

Por Jason


Quando um vilão é grande o bastante para dominar a tela grande e cativar o público muitas vezes mais do que os próprios heróis, eles acabam marcando uma época e arrebanhando uma  legião de fãs no mundo todo. Foi assim com Darth Vader em "Star Wars", de 1977, com a criatura xeno-morfa "Alien", em 1979, com o canibal Hannibal de "O silêncio dos inocentes", de 1991, Norman Bates, de "Psicose", o computador assassino HAL 9000 em "2001", dentre muitos outros. E é assim também que acontece com o próximo filme em questão: temos aqui, de quebra, um dos poucos casos em que a ficção se alia ao suspense, ação e o horror para criar aquele que é um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos, o já clássico, "O Predador". 

Quem é o fodão mesmo?

Para começo de conversa, o roteiro do filme é simples e objetivo: o major Alan "Dutch" Schaefer (Arnold Schwarzenegger) lidera uma equipe de resgate em uma selva da América Central, para tentar encontrar um ministro estrangeiro e funcionários do governo que saíram da rota e se perderam. O exército acredita que eles estejam nas mãos de guerrilheiros, mas o que eles não imaginam é que a floresta esconde uma ameaça mortal, um ser de outro planeta, fortemente armado, que é especialista em matar.



Nem por isso, porém, pode-se dizer que o roteiro é unidimensional. O próprio prólogo do filme lembra outro grande filme do gênero, "O enigma do outro mundo", de 1982 (um veículo espacial em direção ao nosso planeta), e o tom dado a produção, de mistério, gore e suspense, em que os protagonistas não conhecem o verdadeiro inimigo, é aqui amplificado pelo cenário - uma selva, de mata densa, fechada, de aparência por si só estranha e cheia de perigos - e pelos efeitos especiais de primeira linha, nomeados merecidamente ao Oscar. Há também um viés de "Apocalipse Now" e "Platoon", referências que surgem no relacionamento interpessoal dos soldados e na loucura dos guerrilheiros em meio a selva.

Feio é você! Aqui pra você, óh!

O Predador, o personagem em si, foi desenhado por Stan Winston, com ideias de James Cameron. Antes de mais nada, ele funciona como uma parábola trágica do próprio homem, representado na figura máscula do brutamontes Schwarzenegger e seus companheiros anabolizados, mas que parecem frágeis e minúsculos diante da ameaça. Os soldados, fortemente armados, são violentos, assim como os guerrilheiros com os quais eles guerreiam - o que embute uma questão no filme sobre quem realmente é o verdadeiro vilão da trama. Vale ressaltar que o conceito original do Predador não o tratava como uma criatura inteligente - ele estava mais próximo do mostrado a um obscuro filme chamado "DNA caçada ao predador", apenas como um animal aparentemente irracional. A entrada de Winston e as ideias de Cameron, num já lendário encontro num avião, possibilitaram que Winston criasse um perfil  psicológico complexo para o personagem, que mais tarde seria um pouco mais explorado na continuação. 



É o mistério sobre o personagem, contudo, que garante boa parte da segurança do filme como suspense. Ajuda, e muito, a opção originalíssima da direção por mostrar o ponto de vista do Predador, um dos recursos mais legais já mostrados no cinema - em que é possível visualizar as cenas através de ondas de calor, como o próprio personagem. O tema de Alan Silvestri para o filme se tornou emblemático - e foi usado em todas as continuações, incluindo a mais recente, o mal fadado Predadores, de 2010, e os encontros infames do personagem com outro ícone do gênero, Alien. 


Ao rever o filme com mais cuidado, podemos até supor que "O Predador" também representa uma metáfora sobre o desenvolvimento tecnológico bélico humano: repare que as armas dos soldados americanos parecem maiores e mais potentes do que a do vilarejo que eles atacam na guerrilha e dizimam o local, mas suas armas não são capazes de detonar o predador, uma vez que as armas deste são altamente tecnológicas. Munido de um arsenal para derrubar um exército - que inclui uma lança de duas pontas retrátil, um canhão de plasma com mira a laser, um disco giratório com lâmina, um capacete que aperfeiçoa as suas habilidades com visão de calor, garras retráteis serrilhadas, escudo de camuflagem para se mesclar ao ambiente, uma rede com linhas cortantes, um detonador de auto destruição e um luxuoso kit de primeiros socorros de dar inveja a qualquer SAMU (ufa!) - o predador é o que se pode esperar de um assassino completo. Completo, mas não "perfeito". Ele sangra, se fere, e é vulnerável, como qualquer ser vivo e, como diria o major Dutch, "se ele sangra, nós podemos matá-lo"

Vocês morrem na próxima cena, ok?

Antes de qualquer combate, Dutch precisa conhecer o inimigo - que resulta numa das cenas emblemáticas em que ele descobre o sangue verde do predador. É Dutch também que começa a perceber que não pode contra esta ameaça e precisa armar emboscadas se usando de técnicas rudimentares (percebam o quanto a tecnologia é abandonada perto do final do filme, como se fosse vista como algo nocivo ao ser humano, a ponto de Dutch atacar o oponente com armas primárias e se comportar como um homem das cavernas, enquanto o inimigo se descarta de sua tecnologia pelos defeitos que elas apresentam).  Esse contraste de tecnologias e o abandono das mesmas vai resultar na cena em que o major se usa de uma vantagem do inimigo - a camuflagem - e a pensar em formas de atacar o inimigo com estratégias de combate em que ele seja desarmado.  



No quesito atuação, não dá para exigir nada do filme - é o único ponto baixo dele. Os atores são todos canastras e a situação piora infinitamente quando a câmera se foca em Schwarzenegger, que parece ter dificuldade até em dizer "não". Em contrapartida, a popularidade do astro de nome complicado e a fama alcançada, além do carisma em tela, garantem a diversão.
WHY! OH GOD, WHYYYYY???
Por fim, Predador é um filme de violência gráfica extrema, o que é de admirar, se pensarmos que o filme foi um sucesso (talvez apoiado pela fama do seu protagonista e pela combinação de gêneros). Há cenas de execuções, explosões, tiros, pedaços de corpos, sangue em profusão, cenas de pessoas metralhadas, queimadas vivas, escarificadas, e tudo é exposto claramente, num espetáculo dantesco sem nenhuma intenção de censura, o que faz com que o filme represente uma época em que o cinema não era covarde e o público não se incomodava com os excessos e exageros de violência nas produções. Tudo, no entanto, é feito de maneira orgânica e dentro da proposta de causar horror. É curioso também perceber como o filme se segura para mostrar a cara da ameaça apenas ao final, tal qual acontece em Alien O oitavo passageiro - e que, mesmo depois de revelada ali, ainda garante um bom susto (porque o bicho é horrível).

O filme rendeu uma pilha de quinquilharias, virou uma marca lucrativa e permanece no imaginário popular ainda hoje, mas é uma pena que um personagem com tantas possibilidades não tenha sido presenteado com continuações a altura deste primeiro filme - na medida em que teve sua imagem também destruída em porcarias como AVP. 

Os fãs, no entanto, seguem fieis e aguardam coisa melhor. 

Preste atenção:

Uma curiosidade: de acordo com o diretor John McTiernan, a aparição do Predador nas selvas do filme seriam feitas pelo ator Jean-Claude Van Damme, que faria suas cenas em uma tela azul, com elas sendo posteriormente inseridas no filme através de efeitos especiais. Porém, após dois dias de trabalho, Van Damme desistiu do serviço porque seu nome não apareceria nos créditos de Predador.

É impossível desgrudar os olhos do filme, mas chama atenção a lenda contada pela personagem feminina sobre os dragões caçadores de homens, que diz um pouco dos hábitos do Predador. A sequência final, de preparação para o combate, em que Dutch apanha também é brilhante e por vezes cômica, e garante alguns momentos a mais de diversão.

Preste também atenção em Shane Black, o ator que faz Hawkins. Shane é o roteirista de Máquina Mortífera e diretor de "Beijos e Tiros".

TRAILER


Cotação: 5/5

Jason é fã do personagem e do filme, um dos melhores e mais violentos filmes de ação de todos os tempos.

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