terça-feira, 31 de julho de 2012

Os substitutos (The Surrogates) - 2009


Título Original: The Surrogates
Ano de lançamento: 2009
Direção:Jonathan Mostow
Roteiro:Michael Ferris, John Brancato
Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Ving Rhames. 
Sinopse: 2054. Grande parte da população usa os andróides substitutos da Virtual Self, que cumprem todos os afazeres do dia a dia e permitem que seus donos jamais tenham que sair de casa. Entretanto um terrorista tecnológico passa a assassinar os andróides, causando caos geral. Dois policiais são designados para cuidar do caso: Tom Greer (Bruce Willis) e sua cópia-andróide.


Por Jason


Você é linda por dentro, amiga. NOT.
Direto dos quadrinhos para as telas de cinema, "Os substitutos" trata de um mundo em que a tecnologia subtraiu a humanidade para uma mera coadjuvante na sociedade - os humanos ficam deitados, reclusos em suas casas, enquanto os substitutos androides fazem de tudo - e com isso as relações interpessoais humanas desapareceram. Não há amizade, não há contato humano, não há proximidade entre os homens, todos eles devidamente representados pelos seus egos belos, fortes e perfeitos. 

A falta de contato entre eles cria aberrações sentimentais como a relação entre o agente Tom (Bruce Willis) e Maggie (Rosamund Pike) - ela, apegada a sua máquina, vivendo em um mundo de fantasia que não é o dela, enquanto ele tenta retornar a realidade e encarar o fato de que perderam um filho e precisam viver suas vidas. Essa parte do filme é a melhor. Apesar do visual alegórico de quadrinhos - colorido demais e leve acima do tolerável, nos padrões Disney - todas as poucas vezes que o filme investe nesse tipo de conflito político e social (ser real x ser virtual), a trama sobe de qualidade.

Bons efeitos especiais num filme frouxo
"Substitutos" critica (ou pelo menos tenta criticar) assim a criação de uma sociedade utópica que funciona apenas em tese, com seus humanoides lindos e considerados perfeitos - a sociedade perfeita - que mantém uma sociedade sem violência, mas que se torna vulnerável e frágil por causa daquilo que a criou - (as falhas existentes na) tecnologia. O filme é eficiente no uso dos efeitos especiais, falhando aqui e ali, apesar da cara de telefilme, mas que passa bem nesse quesito técnico. Ele está dentro do padrão de filmes de ficção com ideias e conceitos interessantes que volta e meia aparecem nos cinemas, como "O preço do amanhã", "Source Code", "Lunar".

No elenco, Radha Mitchell está bem como a agente Jennifer Peters. Bruce Willis, que nunca convence, aqui aparece com uma peruca horrorosa, tentando passar alguma camada de humanidade para o seu personagem, sem muito êxito. O mesmo vale para Rosamund Pike, carente de emoção, e Ving Rhames, sempre uma caricatura. 

Mas o roteiro do filme, eficiente ao mostrar a dependência dos homens com relação as máquinas, escorrega feio ao não explorar muito o lado humano dos personagens, o que deixa o filme sem carga dramática - como na parte em que é mostrada uma comunidade de humanos que não aceitam máquinas e buscam o fim da substituição. Ineficiente, não funciona ao abordar melhor os motivos que levaram ao criador se voltar contra a criatura - e desperdiça também o talento do ótimo James Cromwell. A vingança contra a humanidade por causa da perda de seu filho, soa deslocada, uma vez que ele poderia, como mostrado ao final, destruir apenas os "Substitutos" cortando seu vínculo com seus donos, ao invés de ter se transformado em um assassino gratuito.

Marketing convidando a mostrar
a beleza exterior dos Substitutos
É o mesmo roteiro que peca também na falta de explorar o conflito homem versus máquina e a chamada revolução pregada por um líder dos humanos - que, ironicamente, permite a mesma violência com os humanos que querem ter contato com ele com que prega seu ódio às máquinas. Falha na construção do suspense em torno da empresa criadora dos substitutos e na corrupção que disseminou uma onda de ataques liderados pelo vilão, que é o próprio criador das criaturas; falha ao dialogar sobre a perda da identidade das pessoas como indivíduos, como seres humanos únicos. 

Há ainda uma frustrada tentativa de criar um clima de filme policial nos moldes de "Minority Report" (lembremos que o casal principal de ambos os filmes perderam seus filhos) mais barato, mas não é feliz nessa tentativa. Debaixo do viés de uma cara produção - foram 80 milhões de dólares - existe um filme mais inteligente e decente querendo brilhar, impedido pela falta de habilidade do diretor em criar algo decente (ele já tinha desqualificado a série "Terminator", no péssimo terceiro filme da série). 

Há algumas cenas constrangedoras, como na cena em que o Tom vai ao trabalho de Maggie para discutir a relação. Há um efeito tosco que parece uma brincadeira de criança, um efeito "estátua" todas as vezes que um substituto é desconectado de sua fonte, o que chega a ser muitas vezes constrangedor. Por fim, a cena final em que todos os substitutos são desligados tenta recuperar alguma dignidade ao filme, mas é pouco.

"Substitutos" se sustenta como um passatempo rápido - não dura mais que 1 h e 30 min - e por sua ideia interessante. 

Em tempo: Quando os agentes Greer e Peters visitam pela primeira vez a VSI eles passam por uma série de telas que exibem comerciais da empresa. Em uma delas é mostrado um modelo da cabeça do exterminador T-800 de "Terminator". 

Cotação: 1,5/5

Filme ruim que só  vale pela ideia, infelizmente, mal desenvolvida e mal executada.

TRAILER


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