sábado, 14 de julho de 2012

Poltergeist O fenômeno - 1982




Título Original: Poltergeist
Ano de lançamento: 1982
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Steven Spielberg
Elenco: Craig T. Nelson, JoBeth Williams, Dominique Dunne, Oliver Robins e Heather O’Rourke, Zelda Rubinstein, Beatrice Straight

Sinopse: No filme, somos apresentados a um modelo de família americana, de classe média, com o patriarca Steve Freeling (Craig T. Nelson) trabalhando como um corretor de imóveis, sua esposa Diane (JoBeth Williams), e seus filhos Dana, Robbie e Carol Anne (respectivamente Dominique Dunne, Oliver Robins e Heather O’Rourke). A família vai morar em um novo bairro e começa a sofrer com a ameaça de estranhos fenômenos que movem objetos e levam a filha mais nova, de cinco anos, para dentro de um aparelho de TV. Para recuperar a criança, os pais pedem a ajuda de uma especialista — a excelente veterana Beatrice Straight — que acaba recorrendo a uma médium — a ótima Zelda Rubinstein —, que os ajudará a revelar o mistério que se esconde não só na casa deles, mas nas colinas da região, e salvar a menina.



Por Jason


Numa rápida pesquisa pela internet, podemos concluir que o Poltergeist "é um tipo de evento sobrenatural que se manifesta deslocando objetos e fazendo ruídos. Acredita-se que o foco dessa perturbação é muitas vezes uma criança, em geral do sexo feminino. O evento caracteriza-se por estar relacionado a um indivíduo e por ter curta duração - um espírito perturbado usa o indivíduo para se manifestar, às vezes de forma agressiva, fazendo objetos como pedras, por exemplo, voarem pelos ares atingindo objetos e outras pessoas". 

O sangue de Jesus tem poder!
Quando a menina lindinha e loirinha Carol Anne, a cara de uma boneca, disse, com aquele ar de inocência infantil indefectível, "Eles estão aqui", o público que assistia a exibição de Poltergeist no cinema, no ano em que ele foi lançado, provavelmente sentiu um arrepio subir pela espinha e os pelos do corpo eriçarem a um nível assustador. 

Pois bem, Poltergeist, trinta anos depois de seu lançamento, se tornou um clássico do gênero e pode não assustar mais tanto quanto na sua época de lançamento - às vezes provoca mais risos do que espanto -, mas continua sendo um dos melhores exercícios de imaginação e de combinação entre suspense, drama familiar e horror que o cinema já viu. O filme brinca com nossos medos mais primários, infantis - sombras, sons que não se sabe de onde vêm, brinquedos que se mexem sozinhos, coisas que se mexem de um lado para outro sem nenhuma explicação razoável aparente, medo do escuro, do que há debaixo da cama, etc. Seus efeitos especiais indicados ao Oscar - o filme ainda recebeu outras duas nomeações - envelheceram tragicamente, quase ao ponto de comprometer uma revisita a produção. É o cuidado com o roteiro, porém, que faz com que a produção garanta um espetacular entretenimento para a nova geração.

A antológica cena da piscina de esqueletos
Com roteiro de Steven Spielberg, e direção de Tobe Hooper (de O massacre da Serra Elétrica), o fato de o filme passar bem ainda hoje é o foco na família Freeling. À medida que espíritos começam a se manifestar de maneira alegórica e amistosa, a vida da família começa a virar do avesso. Primeiro, com assombros de felicidade - repare na cena em que a mãe  Diane coloca a menina no chão da cozinha da casa, para mostrá-la ao patriarca Steve enquanto ela se move de um lado a outro e se enche de alegria; em seguida temos rompantes de horror, quando a menina é raptada para uma dimensão entre dois cômodos da casa e onde a televisão acaba se tornando seu meio de contato.

Todos os atores estão bem, o garante metade do êxito do filme: do patriarca Craig T Nelson e sua esposa, passando pelos filhos, o conjunto de atuações resistiu bem ao tempo. Melhor ainda quando entra em cena Beatrice Straight, a melhor atriz do conjunto, digna de nota máxima, que tem no filme a melhor fala e uma das partes mais emocionantes: a cena em que ela conversa sobre os mortos com o menino Robbie. É ela quem percebe inicialmente o tamanho do problema que a família possui na casa e que está longe dos seus entendimentos e poderes, fazendo o elo entre ceticismo e crença religiosa. A seu convite, surge a médium Tangina, que acabou se tornando um personagem icônico do cinema. Tangina, um tipo de alívio cômico da trama, investigará as causas do rapto da menina e fará com que a família se una contra o mal que a assombra, para recuperar a garota do limbo em que ela foi arremessada.

A família Freeling
As sequências imaginadas pelo diretor e por Spielberg culminaram em cenas antológicas. É fácil se recordar da menina Carol Anne aos berros enquanto os objetos de seu quarto balançam e rodam por ele, ou da cena do palhaço tentando matar o garoto. Isso para não falar da sequência das cadeiras na cozinha, da cena em que Diane roda pelas paredes e teto do quarto ou a etapa final, em que caixões começam a brotar do chão juntos com uma piscina de esqueletos, num espetáculo bizarro e ao mesmo tempo divertido, impulsionado pela trilha sonora completamente climática de Jerry Goldsmith - uma das merecidas indicações ao Oscar do filme.

O cuidado do filme com a ampliação do tema sobrenatural e em relação ao drama familiar resulta em um composto que, se fosse lançado na atualidade, com o portfólio dos efeitos especiais atuais da ILM (que conduziram o filme original) e com ótimos desempenhos de outros atores, garantiria um sucesso de público e de crítica. Poltergeist foi imitado em filmes de comédia e sátiras e inspirou diversas produções do gênero suspense e horror nos anos seguinte, dentre elas o mais recente sucesso "Sobrenatural", uma prova de que, com cuidado e atenção necessárias, temáticas como essa podem render bons resultados de público e crítica, assim como foi o filme trinta anos atrás.

Mas a fama de Poltergeist vai além: o filme também funciona como um estudo de alienação das massas com a TV - era o começo da década de 80, tempo do lançamento e da propagação dos videos cassetes e das televisões mais sofisticadas até então. A última cena do filme é um contra ataque disfarçado a essa que causou uma mudança nos hábitos e costumes da sociedade e que hoje se vê quase ultrapassada pelo computador e celulares em importância tecnológica para a sociedade. Por outro lado, a fama de maldito tomou conta da produção e das produções seguintes - lendas falam de atores que morreram, como a menina Heather O'Rourke, vitimada no terceiro filme (carreiras também desapareceram), bem como pessoas envolvidas na produção e nas suas continuações. Tudo, contribuindo, ao final, para a sua imbatível qualidade de clássico.


Cotação: 5/5 

Preste atenção:

Jason acha que o filme é um dos melhores filmes do gênero e um clássico do cinema. É divertido, entretém e impressiona. Dá medo em uma cena ou outra - sim, ainda. Fez a infância e adolescência de muita gente, nas sessões noturnas da tv aberta. Desconte os efeitos especiais, que envelheceram horrores, e seja feliz.


TRAILER












3 comentários:

  1. Realmente incrível. Fui assistir apenas ontem a esse grande clássico e apesar de realmente os efeitos terem ficado ultrapassados não é que o filme ainda assusta? Diferente de outros clássicos como A Hora do Pesadelo ou O Exorcista, os elementos simples, porém pontuais, deste aqui, mexem com nosso imaginário e nos atingem, ainda que muito discretamente.

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    Respostas
    1. Olá, Grasi!

      Amiga, você está corretíssima! Fico contente que tenha curtido o filme! Já falamos aqui sobre o segundo, que eu mesma, Tia Rá aqui, distribuí sapatadas a torto e a direito! Se tiver como, assiste também e vem aqui compartilhar conosco sua opinião!

      Tia Rá adora o Jason, de vez em quando ele atira uma bola fora na lua, mas eu perdoo meu bebê! rsrs

      Obrigado pelo comentário e volte sempre!

      Abraços da sua tia Rá =D

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  2. Sou fã da trilogia Poltergeist e tão clássico quanto o filme, são os erros nas resenhas que aparecem na internet. Carol Anne não foi suada para um aparelho de TV. Ela é levada a outra dimensão através do closet do quarto dela. A TV apenas captava a voz dela desta outra dimensão. Outro erro (que não foi cometido aqui) é quando dizem que a casa foi construida sobre um cemitério Indigena, sendo que era uma cemitério comum.

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