segunda-feira, 30 de julho de 2012

Recadinho do Além - O cavaleiro das trevas tropeça

"O cavaleiro das trevas tropeça", para quem foi alfabetizado em inglês




Olá, coisas lindas da tia Rá!

Como vocês já devem saber, meus bebês demoníacos, a transgressora Lady Rá, minha sister princesa Disney e eu assistimos esse que é o filme mais absurdo do ano e preparamos nossas considerações para vocês.

Em primeiro lugar, vou logo avisando para as Noletes de plantão - aka, fãs neuróticos (as) do Nolan que sofrem de grave xiitismo e curtem qualquer peido que o diretor faça, (imagine qualquer cagada) - que também sou fã dele. Sim, I believe in Nolan, ok? Mas Tia Rá aqui, queridinhos, depois de quase 3 mil filmes nas costas, muitos aninhos de vida, já tem faro pra sentir fedor de filminho ruim se disfarçando de filme bom, néam?

Sabe aquela bomba atômica que o Batman livrou de explodir na cidade ao final do filme, gataria? Então, chegou a hora de detonar outra - porque Tia Rá aqui não faz média com ninguém e queima na fogueira qualquer fã xiita de titio Nolan - gente da pior espécie, da mesma raça dos fãs de Prepúcio. Digo, Crepúsculo. Enfim... 

Voltando ao assunto tema deste recado do além...

Superestimado ao cubo, "O cavaleiro das trevas tropeça" é um bom filme de super heroi e de ação, mas que não escapa da maldição do terceiro filme: é cheio de subtramas, personagens desinteressantes, gente que entra e sai sem motivo, atuações insossas, trilha sonora histérica e um epílogo fuleiro apressado. É grandiloquente e carente de estofo dramático - e não adianta as noletes choramingarem que nem bezerros desmamados. Chega de mimimi, né, bando de marmanjo desamparado?

Olha, o filme até que abre bem, mostrando uma narração do Gordon e uma ação em pleno ar do vilão Bane (Tom Hardy), cuja atuação é prejudicada por uma focinheira e por uma voz mecânica. A ação de sequestro se passa entre dois aviões se deslocando no ar, com um deles rebocando o outro até se desengatarem. Ponto a favor. Mas Bane não consegue explodir na tela ao longo da projeção, como o Coringa, nem se desenvolver psicologicamente como Ras Al Gul e acaba se tornando um genérico de vilão com focinheira. Não espanta, não assusta, não causa temor como o Coringa. É um vilão burocrático, parece um cachorro latindo sem parar. Não comove, irrita. Quase uma figura anêmica do personagem de outro Batman - sim, o filme tem viés Joel Schumacher, queridinhos, gostem ou não.

Melhor chance tem Bale, bom ator que é, em um personagem que ele conduziu com muita força nos três filmes. Não há o que se questionar de sua dedicação e esforço pelo personagem, não só fisicamente como profissionalmente também - embora muitas vezes o roteiro não o ajude. Outro ponto alto é Gary Oldman - o homem é excelente, sem comentários, divando total em cima da concorrência. Joseph Gordon Lewitt tenta funcionar como o vínculo do espectador a parte "real" do filme, como o policial esforçado e dedicado que tenta cumprir sua função. Mas, aqui entre nós (as Noletes que não nos ouçam!), alguém aqui engoliu o papo de Robin naquele final, gente? É isso mesmo Nolan, eu entendi bem? 

Nossa (!), porque, tipo, nosso Robin praticamente não concluiu nenhuma função a não ser dar carona para o falido Bruce Wayne - ele falhou em tirar as crianças da cidade (ficou barrado na ponte), falhou em salvar o Gordon (tio Gordon deu um jeito antes). E eu, particularmente, achei de uma furada terrível esse tratamento do roteiro, um tom quase cômico. 

A primeira hora do filme é arrastada. Ela se sobressai aqui e ali, principalmente quando o Batman retorna para as ruas, em uma sequência de fuga alucinada envolvendo motos e veículos - em algum lugar Sir Michael Bay está rindo. Na segunda hora, igualmente desinteressante, temos ao menos uma sequência de ação importante: a da explosão do estádio de futebol americano e o caos e destruição da cidade de Gothan.

Pausa dramática.

Alguém me diz onde o Nolan arranjou aquele guri para cantar o hino nacional norte americano? Quase tive um derrame com tamanha falta de afinação. Dou razão ao Bane destruir aquele estádio todo, porque depois de ouvir aquilo, eu faria o mesmo no lugar dele. Fujam pras colinas! Meus ouvidos não são pinicos!

Oh, WAIT!

Temos o excesso de personagens, a coisa mais descontrolada do filme. Proliferados como uma orgia de Pokémon, o filme nos mostra gente que surge, some, volta, some de novo, morre, sem função NENHUMA. O ator Mattew Modine entra e sai sem acrescentar absolutamente NADA ao filme. Cansa ver Anne Heathaway, inexpressiva, pagando de bandida ninja como uma versão sem sensualidade, que não tem motivos para existir ali, da "Mulher Gato". Senti saudades de Michelle Pfeiffer e seu trabalho tragicômico, sua roupa de látex, seus miados e espasmos psicopáticos, seus rebolados, seu chicote e sua língua. Porque aqui, Anne fez um trabalho completamente esquecível e genérico. É uma vagabunda qualquer aí na vida de Batman, com uma trama completamente descartável - e só tem importância, reparem, quando leva Batman para Bane e, mais tarde, lá no final, quando o salva (e sei que não tem nada a ver, mas achei divertido ver o nariz dela não caber nas máscaras que ela usa).  Anne, sua linda! Ivo Pitangui nesse nariz! 

Pausa reflexiva: eu sou o Batman, tenho uma vagabunda que me leva para um cara que me quebra no meio e tipo, vou atrás dela - em um encontro clarividente, porque até agora não entendi como ele sabia que ela estava ali (roteiroooo, me dá uma ajuda aqui!) - e peço que ela me ajude. Cadê a dignidade disso, gente? E os diálogos? "Você é melhor do que isso". Tipo, saia dessa vida, vagabunda, vamos pegar esse bandido, fazer história, "Yes, You Can!"

"Tudo bem, vou voltar, salvar meu homem. Entro com a moto, dou um tiro. Fim de Bane." 


O QUE FOI ISSO PELAMORDEDEUS? O BANE gente, o cara que quebrou a coluna do Batman... tipo... só isso? 


O_O

Igualmente descartável é o papel da protegida dela, outro personagem completamente desnecessário e que tb não acrescenta nada. Porque no roteiro de Nolan e seus comparsas é assim. "Vamos encher com um monte de gente, depois a gente joga tudo no final e vai na fé. As Noletes vão adorar isso! Qualquer coisa que eu faço, eles dizem: "é uma obra prima", "é o filme do ano"! OI? 

Cora a alma ver o desperdício que é Marion Cotilard, em um papel que não lhe ajuda. Sua Miranda Tate está ali apenas para se mostrar como uma vilã perto do final do filme (de novo, no final, empurra tudo para o final que dá certo!!!), numa das reviravoltas mais fuleiras, vagabundas e idiotas que o cinema já presenciou. Miranda zanza de um lado para outro durante o filme todo, cai de paraquedas numa trama forçada de relacionamento amoroso - essa foi uma das piores partes - com Wayne, some e aparece sem nada a acrescentar e de repente, é a vilã. Hã?

E Bruce Wayne (oh, my Bruce!) que peca pela burrice? Afinal, se ele deduzia que Bane era a criança que FUGIU do poço, porque raios Bane voltaria para lá? Pra fazer tratamento de coluna com um médico da prisão? É isso mesmo, Nolan? 

Bruce confiando em uma ladra. Mas ele é o Batman gente! Não pode. 

Bruce confiando em uma desconhecida que ele deu uma, mesmo sofrendo como ele tava por outra mulher. Então tá, Nolan. Eu finjo que ficou bom, ok? 

As duas atrizes formam mais uma vez uma indicação de que Nolan não entende de personagens femininas - e pior, essa trilogia foi incrivelmente fraca em relação ao tratamento dado as mulheres (favor não lembrar da fraquíssima ex senhora Cruise, nem da Maggie cara de porco).

E aqui abro um parentese para a melhor personagem feminina da trama, a Bat Nave. Se mexe graciosamente, mais do que os quadris secos de Anne, e brilha mais do que Marion. Sorry, noletes!!! (Mas vamos concordar que ela foi colocada de maneira vagabunda no roteiro, né, produção...?! Claramente encaixada no filme apenas para permitir que se venda mais brinquedos, uma vez que os outros - o bat-tanque de guerra -, estaria nas mãos dos vilões. Só eu senti essa forçada de amizade?)

E assim o filme vai, com uma quantidade terrível de bola fora: a sequência de reestruturação de Batman. Depois de muita filosofia barata de mesa de bar, dentro do poço prisão com TV de LED e Sky Digital, Wayne tem sua coluna de volta ao lugar de uma maneira tão tosca que chega a deixar o espectador um pouco menos alienado - alô Noletes - constrangido. Pior: preso de um lado do mundo, ele volta para Gotham milagrosamente - estava falido, no meio do nada, lembremos, e atravessa o mundo todo para voltar. Como ele fez isso, Nolan? Explica aqui pra mim, por favor! 

Ok, esqueça. A parte geográfica do filme deixa  muito a desejar. Pior ainda se pensarmos que a cidade estava sitiada, não havia meios para entrar e que Batman encontra os personagens um a um de uma hora para outra (como ele fez isso, clarividência?). Não vamos falar daquela cena do símbolo queimando. Completamente desnecessária e uma perda de tempo (mas fica bom, pensa Nolan ao fazer o roteiro, vamos colocar porque os noletes gostam disso!). Ou quem sabe, do fato de que o piloto automático da Batnave foi consertado muito antes, e o bando de irresponsáveis funcionários daquele departamento, incluindo aqui o senhor Lucius Fox, não sabia disso. O cara projeta o treco e não sabe disso. Vamos repetir: ele não sabia. Tanto tempo se passa, a nave sai voando, e ele não sabia que estava consertado (!). Só eu que vi isso, gente? Sei nem o que pensar. 

E a sequência final? Histérica, como um filme de Michael Bay, Nolan tenta dar função a todos os presentes em cena. Não me admira que alguém tenha dito que parecia uma sequência melhorada de "A senha" ou de um filme de Michael Bay como "Transformers", com nave correndo de misseis em meio a cidade ao som de uma trilha sonora neurótica, estúpida, irritante, ensurdecedora. Eu vi a hora daquele caminhão dar um giro, começar a se desmontar todo, virar um robô e dizer "liberdade é um direito de todos" ou algo parecido. 

Tio Nolan aliás devia tomar umas aulas com outro tio, o James Cameron, para saber como, onde e quando pontuar uma trilha sonora vibrante ou subtraí-la para valorizar os efeitos sonoros do filme e a ação. A sequência vira uma correria para tentar anular uma bomba atômica, tal qual um filme de 007. Falando em Cameron, não vamos contar a cena do caminhão caindo. Me recordou "Terminator 2". E eu ri. E ao final, vem aquele epílogo, muxoxo, sem emoção, apressado, como se Nolan quisesse finalizar logo a merda toda.

Você percebe que tem alguma coisa errada em um filme quando a parte mais emocionante e dramática está em dois dialogos envolvendo o mordomo, reduzido aqui a farelo de roteiro.  Você percebe que tem algo errado no filme quando o roteiro diz que o Bruce Wayne deixou tudo para o mordomo, e a mansão para virar orfanato - quando ele tinha falido e perdido tudo e até carona andava pegando no lugar do seu Lamborghini (faltou alguma coisa pra eu entender ou foi isso mesmo?). Quem perdeu tudo deixa o que pra os outros? Bens ou dívidas? Azar de Morgan Freeman, que vai ter, de novo, como todo mundo, alguma função apenas no final. Não vou nem falar do fim de Bane. Porque eu ri daquilo.

Paremos por aqui, porque já deu preguiça.

Cadê o épico? Obra prima? Filme do ano? Cadê a poesia? O retrato da decadência social? Onde? Oi? Tudo ilusão. O filme se desorienta completamente. É como se Nolan não soubesse nem onde ele tá. Tudo que tem de positivo no filme é remendo de outros, não há originalidade alguma ali.

"O cavaleiro das trevas tropeça" funciona como filme de ação e super heroi descerebrado, mas que é, por isso, o mais inferior da trilogia. Carece de um vilão tão bom quanto foi o anterior, de um desenvolvimento exemplar como o primeiro filme, de uma trama melhor resolvida e mais enxuta, menos personagens, uma melhor e menos barulhenta trilha sonora e não é, nem de longe, essa coca cola toda que andam apregoando por aí. É, no máximo, uma Schin Cola. Funciona naquela tarde pra ver Temperatura Máxima na Rede Globo.

Mas a gente perdoa, né, tio Nolan? Você tá engatinhando ainda. Soldado bom pra chegar a general tem que ralar muito.

Chora não, Noletes. É só o pior filme do tio. Na próxima ele acerta.


Bjs gostosos da Titia Rá! ;D


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