quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tempestade de Verão - 2004 (Summer Storm - 2004)




Título original: Sommersturm  (em alemão)
Direção: Marco Kreuzpaintner
Roteiro: Thomas Bahmann, Marco Kreuzpaintner
Ano de Lançamento: 2004
Elenco: Robert Stadlober, Kostja Ullmann, Alicja Bachleda-Curuś, and Marlon Kittel. 
Sinopse: Tobi e Achim são amigos inseparáveis há anos e sabem que nada os separará. Mas tudo começa a mudar quando eles vão para um acampamento para competirem em um campeonato de remo. Tobi descobre-se apaixonado pelo amigo e percebe que a maturidade chega como uma chuva de verão, repentinamente.


Por que ver?


Há algo de bom no filme. É a relação dos dois, Tobi e Achim, que é uma linha tênue entre amizade e namoro. Tobi demonstra através de gestos e nuances o seu desejo por Achim, mas Achim não consegue enxergá-lo como um interesse amoroso e não o corresponde. Tobi começa a enxergar o amigo de outra forma, como um potencial namorado. Obcecado e sem saber como lidar com os seus desejos, o rapaz começa a ciumar de Achim e de sua namorada Sandra, temendo que ela a tire dele e os dois se afastem para sempre. Também começa um tipo de questionamento indireto para saber o que Achim acha da relação dos dois e do mesmo com outro homem, ao que Achim afasta qualquer possibilidade de relacionamento por ser heterossexual. No auge da loucura de desejo pelo amigo, Tobi tenta beijá-lo e acaba provocando uma confusão porque não é assumido - e o amigo, lembremos, é hétero. 

Essa relação de descoberta faz com que Tobi acabe iludindo uma menina, Anke, que Achim acredita ser namorada de Tobi e ter relações sexuais, o que é uma mentira. Tobi cria assim um sistema de defesa para permanecer ao lado do amigo, na tentativa de fazer enxergar o que sente por ele e de manter uma sexualidade que não condiz com a realidade, enquanto vai tentando encontrar uma forma de se afastar da menina. De repente, outro rapaz atravessará a vida de Tobi - pertencente a um acampamento de homossexuais assumidos, que desperta o preconceito em seus próprios colegas héteros e dúvidas nele mesmo -, mas ele, cego de amor por Achim, não conseguirá enxergar esse rapaz como um parceiro fixo em potencial - mesmo depois de uma cena de sexo sem nenhum "clima" a beira de um lago - e uma noite juntos.

Isso tudo vai causar uma verdadeira confusão, cujo clímax é numa tempestade repentina que surge no campo durante a noite e que obriga todos a se esconderem em uma casa -, gays, héteros, meninos e meninas, todos juntos - superando suas diferenças pacificamente depois de uma briga no meio da noite e a adversidade causada não só pela sexualidade de ambos os grupos como também pelo tempo ruim.

A trilha sonora do filme é boa, tenta envolver, e a atuação do ator Robert Stadlober é bem calibrada, entregando momentos de pura sensibilidade, dor e piração nessa fase tão complicada da vida de uma pessoa.



Por que não ver?

A temática gay me parece ser complicada de ser refletida, entendida e exposta no cinema de maneira real e interessante, abordando o drama de personagens homossexuais sem cenas apelativas e com maturidade. Se o tema não resulta em filmes de comédia escrachada, acabam na superficialidade. Poucos são os filmes que se aventuram pelo terreno da solidez e da profundidade de seus personagens e seus dramas como o sucesso "Milk" (merece um post a parte) e "O segredo de Brockeback Mountain" - que tem seus defeitos, é verdade, mas ainda assim é sensível, busca ser real e envolvente. O alemão "Tempestade de verão" tenta unir um tom de comicidade e surrealidade em um filme dramático - uma "dramédia" gay - mas infelizmente não atinge o ápice em nenhuma das direções das quais aponta.

Para se ter uma ideia dessa comicidade e seu quê de surreal, em uma cena do filme, os dois protagonistas "brigam", um deles se excita - Tobi - e eles vão se masturbar no vestiário. Em outra cena, um rapaz do acampamento acaba com o prepúcio preso ao zíper de sua calça, ao espionar mulheres nuas (quase como naquela velha e conhecida clássica comédia dos anos 80, "Porkys", só que aqui sem deboche ou graça). Essa mistura estranha parece não funcionar na tela. Falta ao filme densidade dramática, personagens carismáticos e um final mais conivente com o que é exibido na tela no desenvolvimento da trama. É como se o filme apontasse para um final trágico e acabasse em uma lambança sem sentido onde tudo se resolve fácil demais.

Há uma embolada no roteiro e os personagens são unidimensionais e problemáticos, quando não estereotipados. Há a menina que não se aceita porque seus peitos são pequenos e ela tem medo que seu namorado não goste deles na primeira relação sexual que tiverem (e eles terão, debaixo da tempestade tema do filme). Há o gay que converte héteros em homossexuais, seduzindo-os, mas que não consegue fazer seu charme funcionar com um deles - em sequências que desabonam o filme e qualquer possibilidade de seriedade no tema (a relação entre os dois é o pior do filme). Ou seja, todo mundo tem um problema, digamos assim, que não sabe como lidar, e o filme simplifica tudo numa cena final - com aquela lição de que depois da "tempestade, vem a bonança". 


Resumo da ópera:

Tempestade de verão é feliz ao mostrar as dúvidas relacionadas a descoberta sexual e as dúvidas relativas a adolescência, quando amadurecer se torna uma tarefa dolorosa e quando são separados os meninos dos homens - e por consequência também os héteros dos gays. Mas escorrega terrivelmente na parte dramática e em cenas que não acrescentam nada a trama, resultando assim em um filme frouxo. É simples, com boa trilha sonora, sem muitas pretensões e questionamentos a respeito dos personagens secundários (nenhum é desenvolvido e isso é notado criticamente). É pouco para um filme que traz um personagem que tenta se encontrar e encontrar seu mundo e que - por não compreender sua sexualidade o bastante para lidar com ela - acaba cheio de amigos - mas sozinho no amor.


Cotação: 2/5

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