sábado, 21 de julho de 2012

Terremoto 1974 (Earthquake - 1974)


Título Original: Earthquake
Ano de lançamento: 1974
Direção: Mark Robson
Roteiro: Mario Puzo, George Fox
Elenco: 
Charlton Heston
Ava Gardner
George Kennedy
Lorne Greene
Geneviève Bujold
Richard Roundtree
Marjoe Gortner
Barry Sullivan
Lloyd Nolan
Victoria Principal
Walter Matthau
Monica Lewis

Sinopse: Em Los Angeles um casal vive uma crise no relacionamento em função da possessividade da esposa. Um policial é suspenso de suas funções por não seguir as normas e perseguir um motorista que atropelou uma criança. E um gerente de mercearia deseja ter uma relação com uma mulher, porém, sua vontade é tão grande que ele chega a ficar louco. Em meio a estas situações cotidianas, um jovem sismologista prevê que um terremoto está para atingir a região, mas ninguém lhe dá ouvidos. Pequenos tremores podem ser sentidos, mas ninguém até então parece dar a devida importância ao problema. Mas como era de se esperar, o jovem estava certo e a população de Los Angeles de repente se vê diante do maior terremoto já ocorrido na cidade. 


Por Jason

Com dois Oscars (Oscar de Melhores Efeitos Sonoros, Prêmio Especial de Melhores Efeitos Visuais) e outras três indicações (Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição), "Terremoto" faz parte do grupo de filmes catástrofes bastante conhecidos da década de 70, que incluem filmes clássicos como "O destino do Poseidon" e "Inferno na Torre". 

O destaque do filme fica por conta dos astros Charlton Heston e Ava Gardner, além, é claro, do ar de superprodução e dos efeitos especiais que tinham o que de melhor havia na época - e que envelheceram tragicamente, uma vez que é notável o uso abundante deles. Heston é e sempre será um ícone cinematográfico e foi por muito tempo sinônimo de boas bilheterias no cinema, conduzindo clássicos de valor inestimável hoje em dia, como Os dez mandamentos, Omega Man, No mundo de 2020, Planeta dos Macacos e é claro, Ben-Hur

Aqui, Heston encarna o papel de um homem comum, o engenheiro Stewart Graff, dividido entre sua mulher neurótica psicótica Remy Royce-Graff (Ava Gardner, diva) e sua amante mais jovem Denise Marshall (Geneviève Bujol), e conduz a trama até o final do filme com pequenas realizações heroicas, como salvar conhecidos de uma queda de um prédio prestes a desabar ou pessoas que estão presas no subterrâneo de um prédio em escombros. Essa abordagem do roteiro faz toda a diferença em "Terremoto". Ao contrário de pessoas heroicas, imbatíveis, temos, por exemplo, policiais que são afastados de seus cargos por condutas irregulares, mas que acabam, no momento do pânico e do horror causado por uma catástrofe, exercendo papéis decisivos no controle do caos e salvando pessoas, mesmo a contragosto; ou pessoas que surtam e se aproveitam da confusão para exercerem o poder que sempre desejaram e nunca puderam.

Quando se foca nessa abordagem, "Terremoto" dá uma aula de como se fazer um filme catástrofe de qualidade, para deixar qualquer Roland Emmerich e porcarias como "2012" cheios de dores de cotovelos. O roteiro do filme não se incomoda com o tempo. Não se importa em demorar o suficiente para desenvolver os personagens, gente comum que num determinado momento terão suas vidas viradas pelo avesso. A tragédia vai se apresentando aos poucos, aqui e ali, e quando ela explode, há humanidade nela - as atuações nunca são subtraídas pelos efeitos especiais e o desespero daquela gente, que não sabe como lidar com isso, salienta o quão frágeis são os seres humanos diante da natureza.

Perceba o momento em que um grupo de pessoas ficou preso no prédio e tenta fugir pelos elevadores, que acabam despencando e matando um monte de gente. No pânico, gente é pisoteada, é deixada para trás enquanto metade da imponente torre de concreto vai embora. Ocorre que, passado o momento de desespero e dos primeiros tremores, as pessoas precisam se reunir - e em geral, precisam de um líder para guiá-las em meio ao caos (é quando surgem os heróis). Tudo parece milimetricamente encaixado, até mesmo o fato de Heston estar presente ali e ajudar as pessoas a descerem por uma mangueira de incêndio e uma cadeira, tudo improvisado no momento da aflição. O mesmo vale para as sequências em que uma personagem é aprisionada e maltratada por um surtado gerente de mercearia com armas em punho e os momentos finais em que mais um grupo de pessoas é encontrado nos escombros do prédio que abrigava feridos enquanto a barragem ameaça ceder. Nesses momentos de tensão, o filme se sobressai com a direção esperta de Mark Robson em saber usar os efeitos especiais, com a trilha sonora de John Williams, que cria o clima necessário para o espectador se prender a ele, e as atuações, todas bem calibradas. 

Mas...

Está bem, estamos falando de um filme da década de 70, onde os recursos para efeitos especiais não se comparam aos vistos atualmente. Ao se assistir o filme, tem-se a impressão que os efeitos visuais quase prejudicam o desempenho na construção da catástrofe. Há uso abundante de maquete e uma cena em especial trash - em que pingos de sangue espirram na tela. Tudo é perdoado pela idade do projeto. Mas se há outro defeito notável, é o fato de o filme sobrecarregar em personagens e subtramas, ao invés de manter o foco em apenas um ou dois. Delineia-se ao menos três subtramas que se encontrarão ao final - a do casal em crise, a do policial suspenso e a do gerente de mercearia - mas há mais personagens aparecendo na tela - como o policial companheiro, o motoqueiro, o dono de uma empresa, a mulher que é mantida em cárcere, a secretária - quando seria necessária apenas uma ou duas para conduzir o público pelo meio do caos. 

É a maneira usada por filmes para mostrar diversos pontos de vista da catástrofe (e que curiosamente, Roland Emmerich negligenciou no já citado "2012", colocando o personagem principal em todos os eventos catastróficos da trama, reparem), mas que acaba criando diversas linhas de tramas (lembre-se do recente Contágio, para dar uma ideia do que é a linha narrativa aqui, com personagens que desaparecem e depois retornam ao foco da tragédia). Isso exige do roteiro uma apresentação e um desenvolvimento, que nem sempre convencem o espectador (embora elas se encaixem perfeitamente no final). Há o problema da represa também, que é deixado para o final do filme, e outro mais grave: a morte de protagonistas heroicos e as escolhas inexplicáveis deles - uma falha monumental em um filme como esse.

No mais, em caso de uma possível refilmagem - o que não parece nada improvável, já que no mundo cinematográfico isso se tornou um hábito - "Terremoto" daria um filmaço nas mãos de pessoas competentes, capazes de enxugar as subtramas e personagens do roteiro e valorizar ainda mais o drama dos personagens diante da fúria da natureza.

Mas vai que um projeto de refilmagem desta proporção cai nas mãos de um diretor medíocre como Michael Bay? Melhor não dar ideia. 



TRAILER

Cotação: 3.5/5

Jason acha que o filme não soa tão bem quanto outros filmes da época, envelheceu muito, mas vale por ser um clássico, por ter o Heston e a Gardner e por ser um filme que teria potencial de grande sucesso nos dias de hoje, desde que o remake fosse realizado de maneira competente.




2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Acabei de rever o filme na tela da televisão. Tendo a discordar, em parte, da crítica, pois acredito que o mais importante em um filme-catástrofe é o clima de tensão constante, reforçado pela trilha sonora, movimentos de câmera, a montagem, a trilha sonora. Os dramas dos personagens são razoavelmente bem desenvolvidos e esse é o principal problema do filme - na minha visão, eles deveriam ser apenas esboçados. O foco deve ser sempre em como a destruição afeta as pessoas, mas parece que aqui são os dramas pessoais (e enfadonhos, como casamento em crise, atriz iniciante tendo caso com homem casado, policial irritado com o emprego) que colaboram para a catástrofe. Em outras palavras: nenhum espectador está interessado na situação profissional, financeira ou amorosa dos personagens, pois queremos ver os momentos de destruição. Isso nos leva ao segundo ponto - filmes catástrofes são feitos para ficarem datados por causa, sobretudo, dos efeitos especiais elaborados na época da filmagem. Para os olhos de hoje, impossível levar a sério as maquetes, a "noite americana" e outras tecnologias paleozóicas. Outros problemas: cenas de muito mal gosto, como a mulher exibindo o tamanho do peito em um bar para o policial. Assim, acho que o filme tem meramente interesse histórico, pois não diverte tanto hoje em dia.

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