sábado, 28 de julho de 2012

Trilha Sonora - Batman: O cavaleiro das trevas ressurge - 2012



Bom gente, só para lembrar antes de falarmos mais sobre essa trilha sonora, a tia Rá aqui é médium cabocla sensitiva, não musicista nem cantora de ópera, violinista ou Maestro para entender de música instrumental, muito menos de trilha sonora de filme, sabe... Titia aqui ouve uma trilha e, bom, ou ela toca ou não toca. 

Tia Rá aqui acredita que uma trilha precisa funcionar não apenas dentro do filme - mas principalmente fora dele - porque é um dos veículos pelos quais "retornamos" àquelas cenas que vimos. Se a trilha sonora pegar um espectador é barbada. Se não pegar, não adianta. As chances de te conquistar fora do filme são quase nulas.

É simples. Toca o tema de "Tubarão" e sua memória automaticamente vai te carregar para uma praia atacada pelo peixão. Se você assistisse o filme, ouvisse a música e não voltasse a ele, John Williams teria falhado em seu trabalho. Se uma trilha toca a titia, ela vai recomendar completamente. Pode ser que a trilha seja inteiramente ruim - acontece né, gentem - e como meus ouvidos não são pinicos, a trilha vai rodando para a lata de lixo. Enfim...

Vejamos então esse caso grave da trilha sonora de The Dark Knight Rises (O cavaleiro das Trevas Ressurge) - fãs Noletes (aka, fãs do Christopher Nolan, o diretor, produtor, roteirista, pai, mãe e tio da nova trilogia do Batman, para quem tá vivendo em Marte ultimamente), por favor, não me joguem na cruz, se não amaldiçoarei todos vocês pela eternidade.

Eu deixarei a cargo de comentar o filme a minha querida, sensível, amiga, irmã, conselheira espiritual - só que não -  Lady Ravenna Morgan (até porque se eu não gostar dessa bagaça, não vai dar o que preste aqui). 

O alemão Hans Zimmer já teve grandes momentos. É dele a trilha sonora marcante de "O rei leão", pelo qual ganhou Oscar, e a brilhante e emocionante "O príncipe do Egito", indicada ao Oscar. São dele também as (ótimas) trilhas de "Gladiador", "Kung Fu Panda 2" - junto a John Powell - e o tema de "Rain Man". Tem as mãos dele na trilogia "Piratas do Caribe", com trilhas sonoras irregulares. É autor das trilhas sonoras da última trilogia de Batman, a boa "Batman Begins", e a intensa "O cavaleiro das trevas", dentre outras superestimadas como a de "A origem", que parece remake de um monte de porcaria que ele fez. Mas bagagem ele tem e das boas, o cara tem talento e é eficiente em fazer trilhas que casem com os filmes. Se elas funcionam fora da tela como deveriam, aí são outros quinhentos, bebês!

Seja como for, a trilha de "Batman: o cavaleiro das trevas ressurge" começa errada, com a tenebrosa e curta "A storm is coming...". Dá para entender no decorrer da trilha que essa abertura é como um aviso, como o próprio título entrega, de que as faixas serão mais sombrias, mais "tensas", afinal estamos falando de Batman e de um filme de ação. Esse preludio engata com a triste "On thin Ice", que carrega ecos dos filmes anteriores, como uma espécie de transição, o que é bom. 

Mas aí vem a horrorosa e neurótica "Gotham's Reckoning" - que me lembrou o pior de "Transformers", percebam, e que parece reciclar outros trabalhos de Zimmer ("Piratas do Caribe", talvez? Estou com memória fraca...). Pule a estranha no ninho "Mind if i cut it in?", com pianos no meio de uma batida estranha (não casa com o trabalho em nenhum momento, e me lembra algo perdido de 007) e a pesada "Underground Army" (que parece ter saído de um jogo de vídeo game de guerra ruim ou coisa parecida). 

Gosto da "Born In Darkness", ela consegue ser sensível e sombria ao mesmo tempo, dar um ar de mistério, embora não marque. De novo, nos remete ao melhor da série de Nolan, principalmente ao primeiro filme. Começa suave e dramática. Boa.

Esqueça a péssima e poluída "The Fire Rises". Essa música, como outras, lembram trilhas de jogos de vídeo game - não que isso seja ruim, o problema é que elas nos remetem ao pior dessas trilhas - e não a toa, Zimmer é responsável por trilhas de jogos de ação como "Crysis 2" e "Call of Duty" - RÁ! EU SABIA!. É aquele batidão, aquele tambor, aquela escola de samba que ninguém aguenta mais. 

A deslocada "Nothing Out There" quer tentar estragar a sua paciência. É deficiente em tudo o que se propõe. Não causa tensão, mesmo começando como uma faixa de ação. Incorpora um piano do meio para o fim e ninguém entende o motivo. Lembra "A origem" (de novo, remetendo a outros filmes). Passo.

"Despair" funciona - achei a segunda melhor de todas. Funciona porque ela traz de volta, mais uma vez, o primeiro filme da trilogia, "Batman Begins". E parece que a trilha funciona toda vez que vai buscar essa relação com os outros filmes. Sempre que tenta algo diferente disso, ou ela cai na mesmice de outros trabalhos ruins ou parece colagem de outras trilhas. 

Você nota isso na horrível "Fear Will Find You", uma das piores coisas sonoras que já ouvi na vida - um peido soa mais harmônico, gente..., ou na histérica e irritante "Why do we fall" - e que droga, lembrei de "Transformers" de novo. Sim, não parece que estamos voltando a um filme de Batman. Estamos voltando a um filme de Michael Bay, porque ela quer estragar os seus ouvidos a qualquer custo. Lembrei até de "O exterminador do futuro", em "Imagine the fire" e um clima de 007 - de novo - que aqui não funciona. E prefiro não comentar o uso de sintetizadores eletrônicos. 

"Necessary Evil" é descartável, assim como as três últimas. Mas "Rise", surpreendentemente, evoca até coral, batida de tambor, vibrante, mas é talvez a música mais acertada de todas. É intensa, mas é limpa, de uma maneira que parece equilibrar tensão com  melancolia e sensibilidade. Podemos até ouvir uma espécie de ode a esperança - a tal ascensão mesmo do cavaleiro das trevas, seu ressurgimento. É a melhor do conjunto.

Se esqueci de alguma, é porque é tão desinteressante que nem me prestei a ouvir novamente.

Tudo isso para resumir que achei a trilha sonora de "Batman O cavaleiro das trevas ressurge", uma trilha sonora histérica, pesada (não "sombria", pesada mesmo), que não marca, não arrebata porque não tem personalidade. Não há sensibilidade nela, não há um convite para retornar ao filme. Zimmer não passeia por um tema definido, não é sutil, não tem uma melodia definida, é bruto e grosseiro nos arranjos. Uma pena.

Estão falando em Oscar para essa trilha. Receio que uma indicação venha na esteira do sucesso do filme, mas no ano em que se tem outras trilhas mais interessantes - "Prometheus", "Branca de Neve e o caçador", "Valente" correndo por fora e a expectativa em torno de "O hobbit", creio ser essa uma missão impossível - uma vez que outras trilhas de Zimmer, superiores a esta, foram esnobadas. 

Ouvi Noletes dizendo por aí que a nova trilogia de "Batman" seria algo tão grandioso quanto "O senhor dos Anéis". Na tela, suspeito que isso não se confirme - até porque ambos os filmes são infinitamente diferentes e atingem públicos diferenciados também. Certeza mesmo é que, na trilha sonora, a trilogia de fantasia de Peter Jackson causa tamanha humilhação na de Nolan que.... bom, melhor deixar pra lá.


Faixas da trilha sonora:



A Storm Is Coming
On Thin Ice
Gotham's Reckoning
Mind If I Cut In?
Underground Army
Born in Darkness
The Fire Rises
Nothing Out There
Despair
10 Fear Will Find You
11 Why Do We Fall?
12 Death By Exile
13 Imagine the Fire
14 Necessary Evil
15 Rise
16 Bombers Over Ibiza (Junkie XL Remix)
17 The Shadows Betray You
18 The End



Cotação: 1,5/5

Ouça por sua conta e risco.




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