segunda-feira, 2 de julho de 2012

Um método perigoso (A dangerous method) - 2011




Sinopse:

O jovem psicanalista Carl Jung (Michael Fassbender) começa um tratamento inovador na histérica Sabina Spielrein (Keira Knigthley) sob orientação de seu mestre, Sigmund Freud (Viggo Mortensen). Disposto a penetrar mais afundo nos mistérios da mente humana, Jung verá algumas de suas ideias se chocarem com as teorias de Freud ao mesmo tempo em que se entrega a um romance alucinante e perigoso com a bela Sabina.



Por que você precisa ver este filme?

Porque as atuações de Michael Fassbender e Viggo Mortensen são excelentes, com Viggo um degrau acima dos demais (reparem no gestual e no tom de voz dele, coisa de ator de primeira linha). 

A direção de David Cronenberg é inteiramente segura de si e confia no potencial dos atores (e eles não desapontam). Quando a câmera se foca na relação de Jung e Freud, o filme explode. 

Papo cabeça rolando aí, meus neurônios não processam tanta informação...


É filme acima da média, com uma temática interessante, complexa, desafiadora e bem construída, com cenas meio bizarras até (como não poderia deixar de ser num filme de Cronenberg). Aos poucos, aquele velho ditado que diz que de "médico e louco todo mundo tem um pouco" vai se concretizando, à medida que a louca Sabina começa a demonstrar mais sanidade em seus questionamentos do que o próprio Dr Jung, havendo assim uma espécie de inversão de papeis - e que leva também a questionamentos por parte do espectador. 

É bonito, bem filmado, com boa reconstituição de época, cenários lindos, fotografia linda, figurino, maquiagem, tudo muito simples, mas eficiente e bem elaborado.


Por que não ver?

O maior problema do filme é Keira Knightley. Na pele de uma mulher transtornada, tarada, maníaca, que fica toda babada quando toma tapa, foi humilhada pelo pai, espancada, se excitava e se masturbava com isso, ela seduz o Dr Jung, a ponto de questionar sua própria sanidade Mas Keira, magra, cabeçuda, com um queixo que tem vida própria e peitinhos murchinhos, deixa muito a desejar. Quando sua personagem não pede a tormenta, Keira atua corretamente, mas quando o roteiro exige dela, criam-se situações em que, ao invés de chocar, ela acaba criando risos involuntários, como nas sequências em que começa a surtar e se contorcer como uma ameba enquanto é entrevistada pelo Doutor Jung. Falta atriz e sobra complexidade de personagem.

- Meu queixo! Alguém me ajuda, ele vai fugir de mim!


Outra coisa que incomoda é o ritmo do filme. Para quem espera um ritmo mais ágil, o filme deixa a desejar. É parado, parece demorar mais e ser mais longo do que realmente é. Não funciona muito a participação de Vincent Cassel (embora seu personagem seja importante no desenvolver do personagem de Jung).

Um método perigoso também é verborrágico, como fica evidente no primeiro contato entre Jung e Freud e muitos desses diálogos poderão parecer inacessíveis e se tornarem uma complicação para quem deseja compreender o que se passa na tela - vide a tese de Sabina e a conversa que ela tem próximo do final com Jung ou as conversas entre Jung e Freud. A complexidade do roteiro não é trocada em miúdos e muitas vezes ele parece se distanciar do espectador. Uma vez distanciado, retornar para a trama é difícil.

Há outro problema, com relação ao romance "perigoso e alucinante" entre Jung e Sabina. Fica a sensação de que Sabina nunca é realmente uma ameaça para a vida de Jung - por opção do roteiro, talvez. Isso fica claro em uma ou outra passagem - quando a própria Sabina informa a Jung que podia arruiná-lo, mas não fez. De certa forma, há uma dependência entre os dois, psicológica e sexual, mas que nunca chega realmente a transparecer ao espectador algo "perigoso" ou intenso. 



Preste atenção:

Nas atuações de Viggo e Fassbender.

Na parte do treino executado pelo Dr Jung em que Sabina começa a deduzir o que acontece com a esposa do doutor. Interessantíssimo.

Na forma como o filme trata a figura de Freud, que "resumia tudo em uma questão sexual", como explicita o roteiro (e não foi o que Jung e Sabina acabaram, involuntariamente, fazendo?);

Sabina nunca realmente chega a afrontar o casamento de Jung nem a arruiná-lo da forma que o espectador espera (falta drama nessa parte, pelo menos é a sensação que eu tive), mas sua personagem é eficiente no sentido de ser, ela mesma, cobaia de um experimento que ela defende (reparem no final, na conversa com Freud). Não só ela como Jung. Ela também é um experimento para ele - que segue por sua vez, as ideias do personagem Otto (Vincent Cassel). Ao final, fica subentendido que Jung era tão doente quanto ela.  


Cotação: 3/5

Jason aprova a empreitada com ressalvas, apesar da complexidade temática que muito o agrada.




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