domingo, 22 de julho de 2012

Um Sonho de Liberdade - 1994




Título Original: The Shawshank Redemption
Ano de lançamento: 1994
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, Stephen King (conto)
Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton , Clancy Brown, William Sadler, James Whitmore , Gil Bellows
Sinopse: Em 1947, Andy Dufresne (Tim Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro, tem a sua vida radicalmente modificada ao ser condenado por um crime que nunca cometeu, o homicídio de sua esposa e do amante dela. Ele é mandado para uma prisão que é o pesadelo de qualquer detento, a Penitenciária Estadual de Shawshank, no Maine. Lá ele irá cumprir a pena perpétua. Andy logo será apresentado a Warden Norton (Bob Gunton), o corrupto e cruel agente penitenciário, que usa a Bíblia como arma de controle e ao Capitão Byron Hadley (Clancy Brown) que trata os internos como animais. Andy faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da instituição.


A primeira vez em que vi “Um Sonho de Liberdade” foi há bastante tempo, que nem sei precisar quantos anos se passaram. Era uma daquelas noites tediosas em que você não tem nada para fazer e muito menos sono. A Internet já existia, mas ainda era luxo para poucos. O barato era ver TV, e foi através dela que tive meu primeiro contato com Andy Dufresne, um dos personagens mais fantásticos de todas as histórias já contadas. E não poderia ter tido experiência mais gratificante, este personagem, bem como o filme do qual ele faz parte, ficaram gravados na minha memória. O tempo passa e a cada vez que assisto a esse belíssimo filme, gosto cada vez mais.

Nos primeiros momentos do longa, vemos o jovem banqueiro Andy Dufresne (Tim Robbins) sendo condenado a prisão perpétua (injustamente, vale ressaltar) pelo assassinato de sua esposa e o amante dela. Andy é levado à fictícia prisão estadual Shawshank. Eu não sei como é o inferno, mas acredito que deva ser bem parecido. Estar naquela prisão era como estar tendo um pesadelo acordado. Os presos recebiam tratamento desumano: espancamentos, má alimentação, abusos sexuais, tudo isso era rotina em Shawshank. Mas Andy, apesar de sofrer todo tipo de abuso na prisão, nunca se entregou. Sem nunca perder a esperança, aos poucos ele foi virando o jogo e mudando a vida dos homens confinados naquela prisão.


A princípio, Andy cria um laço de amizade com o detento Red (Morgan Freeman) que já havia cumprido 20 anos de prisão até a sua chegada. E usando sua inteligência e seus conhecimentos de contabilidade, Andy passa a fazer pequenos serviços para os guardas, conquista sua confiança, e aos poucos a muda a rotina da prisão e a vida dos detentos. Ele cobrava pelos seus serviços pequenas coisas, que para os prisioneiros significava muito. Andy conseguiu uma verba do governo para aumentar a biblioteca e ajudou detentos a terminarem os estudos dentre muitas outras conquistas.


Andy era um homem tranqüilo e de poucas palavras, suportava as tempestades que se abateram sobre sua vida, com a leveza dos arbustos, mas mantinha-se firme como uma rocha. Com paciência, obstinação e certa ousadia e sem jamais perder a esperança ou desacreditar nas coisas boas, Andy tornou a vida em Shawshank mais suportável. Em um dos momentos mais belos do filme, ele se tranca na sala do diretor do presídio e coloca uma bela música para tocar que podia ser ouvida em toda prisão. Era como se apenas o corpo de Andy estivesse dentro daquelas paredes, mas seu espírito era livre. Assim os anos vão se passando até a chegada de um jovem prisioneiro, que detém uma informação que pode levar Andy a um novo julgamento e talvez provar sua inocência. Porém, a essa altura ele havia se tornado um “item” precioso para o diretor da prisão, e ele não estava disposto a perdê-lo.

Essa é a história de um homem que acreditava que a vida era preciosa demais para ser desperdiçada, onde a liberdade é a maior riqueza, a paciência, a obstinação e a esperança, as melhores companheiras e o tempo é o senhor de tudo.

Adaptado para o cinema pelo então estreante na direção Frank Darabont, a partir de um conto de Stephen King, Um sonho de liberdade encanta por sua história poderosa. É impossível ser indiferente a essa obra-prima. Mesmo sendo um drama de 142 minutos, o filme prende a atenção do início ao fim.

O roteiro de Darabont é bem amarrado, auxiliado pela narração em off que jamais incomoda (aliás, ajuda a dar mais fluidez a narrativa). É um belo retrato de narrativa bem construída, em que os personagens principais são muito bem explorados: Andy (numa interpretação contida e cheia de nuances de Tim Robbins), o protagonista é um tanto misterioso, tranqüilo, calado, mas que tem um turbilhão de sentimentos dentro de si, é inteligente, estrategista, de alma rebelde, ao mesmo tempo leve como uma pluma, firme como uma rocha, um personagem fascinante. Red (Morgan Freeman, brilhante, sem mais), o homem maduro que aprendeu com os erros do passado, tenta levar a vida de maneira tranqüila, dentro do possível, é ponderado, amigo leal e que guarda lá no fundo, uma tristeza por não ter feito as coisas de maneira diferente, por ter perdido os melhores anos de sua vida devido a um erro fatal na juventude, mas que, mesmo assim, jamais perde o bom humor. É interessante acompanhar a evolução desses dois personagens e o laço de amizade que os une. O diretor da cadeia, embora seja um personagem típico nessas produções, não deixa de ser interessante, é um homem de caráter duvidoso, que em certos momentos é ate possível acreditar que exista algo de bom nele, o que infelizmente não é verdade. Faço uma ressalva quanto a um dos antagonistas, pois o roteiro não se preocupa em se aprofundar muito na personalidade do Capitão Hadley, que faz da vida dos detentos um inferno, (mas isso em nada compromete o resultado final).


A direção está à altura de um roteiro tão bem desenvolvido, Darabont é um excelente diretor de dramas, são dele também os belíssimos A espera de um milagre (outra adaptação de obra de Stephen King) e Cine Masjestic (um dos poucos filmes que exploram o talento dramático de Jim Carrey). Com bons enquadramentos movimentos de câmera bem adequados, Darabont nos entrega um filme que além de uma bela história, conta com uma estética impecável, criando planos de encher os olhos. A excelente direção de Darabont é ainda é auxiliada por uma bela fotografia e a trilha sonora funciona bem em todos os momentos.

Um sonho de liberdade é capaz de cativar o telespectador, arrancando risos (acredite, apesar da temática o filme tem muitos momentos de humor) e lágrimas e tem um final indescritível. Quando se assiste pela primeira vez, você quase não acredita no que vê e quando assiste várias vezes, o espectador só consegue achar graça da façanha de Andy e admirar mais e mais esse personagem e seu fiel amigo Red. Esse é um daqueles filmes marcantes que tocam profundamente e ficam guardados na memória para sempre.


Preste atenção!

Se você ta aí de bobeira e nunca viu esse filme, assista! É um clássico obrigatório! E fique atento a tu-do, preste atenção em cada cena, nos diálogos, na narração, não perca nenhum detalhe.

Curiosidades:

- Um sonho de liberdade custou 25 milhões de dólares, e arrecadou apenas 28 milhões nas bilheterias americanas. Foi considerado um fracasso, mas em compensação se tornou um filme cultuado com o passar do tempo.

- Recebeu várias indicações aos principais prêmios da indústria cinematográfica, concorrendo inclusive ao Oscar de melhor filme.

- Foi adaptado para o cinema a partir do conto Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank” de Stephen King. Mais tarde Darabont também adaptou outras obras de King, como A espera de um milagre e O nevoeiro.

Cotação: 5/5

Este filme está no Top 10 de Lady Ravenna.



3 comentários:

  1. Excelente filme mas sempre me surge a pergunta " Como o cara pôde ficar quase 3 decadas preso na mesma cela sem nenhum companheiro...? Já que sempre chegavam presos ..." Tirando esse furo já assisti umas 30 vezes heeh

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Me desculpe pela a correção ok? Mas, você quis encontrar um furo de roteiro onde não existe. Qual outra cela da prisão você viu com mais de um detento, nesse filme?
      Dá uma pesquisada, pois, o ano em que o filme se passa 1946 (realmente havia prisões onde eram apenas 1 detento por cela), não confunda o sistema carcerário norte americano com o Carandiru. kkkkkkkkkk

      Assista 31, para analisar o detalhe, tido como furo por ti!!!.

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