sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Homem do Futuro - 2011





Título Original: O Homem do Futuro
Ano: 2011
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres
Elenco: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luisa Mendonça, Gabriel Braga Nunes, Fernando Ceylão
Sinopse: João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?


Por Lady Rá


Você está satisfeito com a forma como as coisas aconteceram em sua vida? Você é feliz no emprego, no amor? E você que é mais velho, pôde aproveitar bem sua juventude? E se você tivesse a chance de voltar no tempo e mudar toda sua vida? É essa oportunidade que João, ou Zero (Wagner Moura) tem em “O Homem do Futuro”. João é um gênio da física de meia idade, que vive frustrado por ter sido humilhado numa festa da faculdade e ter perdido o amor de Helena (Alinne Morais), a quem ele nunca esqueceu.  Ao testar uma máquina que ele construiu, João volta no tempo e vai parar justamente no dia da festa em que ele foi humilhado. João então tem a oportunidade de mudar os rumos da sua vida. Bom, não precisa fazer uma dissertação sobre o assunto, é óbvio que vai dar tudo errado, ele vai se meter em altas confusões no melhor estilo “sessão da tarde” e terá que traçar um plano arriscado por colocar sua vida nos eixos.

O Homem do Futuro funciona como uma homenagem a filmes do gênero como De volta para o futuro, e foi inclusive acusado de ser “tipicamente americano”, o que pessoalmente considero hipocrisia. Cinema acima de tudo é feito para divertir. E isso o filme faz muito bem, misturando ficção científica e comédia-romântica. Não possui nenhum aspecto inovador, mas se tratando de cinema nacional, é interessante ir ao cinema ver um “pipocão” de qualidade. Confesso que na época em que fui assistir, foi mais pela curiosidade e me surpreendi pela qualidade técnica e pelo enredo. Acho bacana que o cinema nacional esteja investindo em estilos variados, uma vez que muitos ainda pensam que nosso cinema só expõe nossas mazelas. É muito comum ler em fóruns de cinema pessoas dizerem que “cinema brasileiro só exporta pobreza e violência”. Esse pensamento é do senso comum, mas o senso comum sempre tem um fundo de verdade. Enfim, não estou aqui para discutir os rumos do cinema nacional.

Voltando ao filme, apesar de um tanto confuso quanto a lógica da viagem no tempo (mas para o público isso pouco interessa), tem um roteiro bacana, tem muitos clichês de fato, mas é tudo tão bem conduzido e de forma tão divertida, que dá pra relevar. Os efeitos especiais convencem e a trilha sonora é um dos pontos altos do filme. Quando ao elenco, temos ótimas atuações, destaco entre os coadjuvantes Fernando Ceylão, impagável como aquele melhor amigo nerd e Maria Luisa Mendonça, aquela amiga inteligente e gente fina, Alinne Morais, preenche a tela com sua beleza e é bastante esforçada. Todos eles convencem nas duas fases do filme. Mas quem sustenta a produção mesmo é Wagner Moura, um ator como poucos, não é exagero dizer que ele é um dos melhores atores do Brasil. Ele interpreta com segurança cada momento do personagem, seja como o João jovem, ingênuo, frágil e vulnerável, ou o João mais velho, amargurado e intransigente, e em outra etapa, maduro e consciente dos erros que cometeu. E ver Wagner Moura cantando Tempo Perdido de Legião Urbana já vale pelo filme todo.

Um homem do futuro é acima de tudo uma celebração da juventude, que encanta pelo clima de nostalgia e faz você pensar, que não importa se até aqui a sua vida tem sido (uma merda) complicada. Sempre podemos tomar o rumo certo e não é preciso voltar no tempo pra isso.


Cotação: 4/5

Lady Rá se divertiu bastante e saiu por aí cantando Tempo Perdido. =)

TRAILER:



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Poseidon - 2006 (Poseidon - 2006)



Título Original: Poseidon
Ano de lançamento: 2006
Direção: Wolfgang Petersen
Roteiro: Paul Attanasio, Akiva Goldsman, Mark Protosevich
Elenco: Josh Lucas, Jacinda Barrett, Kurt Russell, Richard Dreyfuss, Emmy Rossum, Mia Maestro
Sinopse: É ano novo a bordo do Poseidon. Alegres passageiros confraternizam-se erguendo suas taças para um brinde ao futuro. Mas o futuro chega mais rápido do que eles imaginam: uma tsunami de 150 pés ou 45 metros de altura acerta a lateral do transatlântico e põe fim ao prazeroso cruzeiro, virando o navio de cabeça pra baixo, dando início a uma desesperada luta pela sobrevivência. Um grupo de 6 pessoas decide sair do lugar aonde estão para tentarem buscar outra saída. Mas o destino os reserva muitas surpresas.


Por Tia Rá

Baseado no longa "O destino do Poseidon", de 1972, que por sua vez é baseado num romance de mesmo nome, "Poseidon" é, infelizmente, mais um fruto do tsunami de remakes que assolou Hollywood de uns tempos para cá, todos inferiores aos seus originais. Digo infelizmente porque aprecio o original e já o imaginava com uma produção mais caprichada  e os envolvidos com a produção mais atual, como o diretor Wolfgang Petersen e sua equipe de poderosos efeitos especiais (indicados aos Oscar), são talentosos e tinham nas mãos um orçamento (140 milhões de dólares) para fazer algo realmente digno de nota. Logo, não é culpa deles o fato do filme ser o que é.

O problema de Poseidon, gravíssimo, está no roteiro. O filme começa apresentando o navio e os personagens - uma nuvem deles - em uma sequência bem filmada pelo diretor, é verdade. O Poseidon surge imponente em um show de efeitos especiais, com todos os seus detalhes, se utilizando de uma tecnologia que ainda engatinhava, por exemplo, quando James Cameron resolveu afundar "Titanic" dez anos antes. Se os efeitos especiais cumprem maravilhosamente bem sua parte nessa apresentação, o mesmo pode-se dizer da direção de arte e de cenários, que realmente transforma os sets de filmagem em um luxuoso navio. 

Mas, quinze minutos depois, vem a sequência mais memorável do filme: uma onda gigantesca surge do nada e pega a tripulação e os passageiros do mal fadado navio de surpresa. A sequência é absolutamente incrível e impressiona pelo uso ultra realista dos efeitos especiais. Wolfgang tem mãos boas no uso de efeitos, é criativo com o uso dos recursos e os explora ao máximo, uma vez que é autor dos sucessos "Mar em fúria" e "Troia". A onda gigante vira o grande navio de cabeça para baixo e tudo começa a despencar dentro dele. Esse é também o momento a partir do qual o filme se perde completamente. 

A ação descontrolada se desembola enquanto os personagens tentam resolver seus problemas particulares, à medida que um ou outro vai desaparecendo. E tome canastrice. Kurt Russell não entende que sua hora de herói já passou. Seu personagem e seu drama familiar, com a péssima Emmy Rossum, não funciona em momento algum (desejei que todos eles morressem afogados o mais rápido possível logo quando o navio emborcou). 

O mesmo vale para o dublê de herói Josh Lucas, cuja carreira flopada não decolou. Lucas não tem carisma, não tem talento, não funciona na tela. Richard Dreyfuss, cuja carreira, com o perdão do trocadilho, virou de cabeça para baixo e afundou desesperadamente, faz aqui figuração de luxo. Mia Maestro - a pior coisa do elenco - tem um personagem que seria o mais dramático, mas não comove. Irrita, pela sua estupidez e por seus escândalos e histeria. Kevin Dillon entra na trama e seu personagem felizmente morre logo depois. Sem personagens carismáticos e situações insossas, que não conquistam o espectador, resta a Jacinda Barrett passar alguma humanidade a trama com sua Maggie e o seu filho Connor, o que garante pelo menos um momento de tensão entre os personagens.

O roteiro também desperdiça a oportunidade de desenvolver situações interessantes como as vistas no original. O Poseidon é um verdadeiro caminho de rato, um labirinto, uma gigantesca armadilha prestes a afundar levando aquelas pessoas pelas quais deveríamos torcer para que se salvassem. Seus compartimentos estão enchendo de água mas há fogo, gases, explosões, destroços. Em determinado momento do filme original de 1972 temos a célebre cena da morte de Belle Rosen (Shelley Winters), a nadadora premiada que acaba morrendo afogada em uma sequência tensa e dramática. Há o ceticismo contra as crenças, o racional contra o emocional, duelando entre personalidades diferentes que tem o mesmo objetivo - sair vivo do navio - mas diferentes caminhos. Aqui, para cada sequência tensa que Wolfgang filma, como a do poço do elevador, há uma parada para discussão da relação entre pai e filha. Não há paciência que resista.

Por fim, vale ressaltar que o roteiro soluciona a saída dos sobreviventes de uma maneira melhor amarrada que o original, mas chegar até ali já se tornou um martírio para náufrago nenhum botar defeito.

Cotação: 1,5/5

Vale pelos efeitos especiais, pela direção de arte e cenários, e pela ação enérgica. E por ver a cantora Fergie, em participação especial, morrer, o que sempre vai me agradar.

TRAILER

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O casamento do meu ex - 2010 (The Romantics, 2010)




Título Original: The Romantics
Ano: 2010
Direção: Galt Niederhoffer
Roteiro: Galt Niederhoffer
Elenco: Katie Holmes, Josh Duhamel, Anna Paquin, Elijah Wood, Malin Akerman, Adam Brody, Jeremy Strong, Rebecca Lawrence, Candice Bergen.
Sinopse: 'O Casamento do Meu Ex' acompanha sete amigos unidos que preparam o casamento de dois integrantes do grupo. Lila (Anna Paquin) é a noiva e sua dama de honra é Laura (Katie Holmes). As duas já rivalizaram muito tempo por conta de Laura já ter se relacionado com Tom (Josh Duhamel), o noivo. Ao longo de uma noite barulhenta e um casamento por vir à beira-mar, amizades e alianças são testadas quando uma bebedeira ressurge o triângulo amoroso.

Por Lady Rá

Lá vem outro desastre! Por que você faz isso comigo, Elijah? Why, Elijah? Whyyyy???  O casamento do meu ex é outra das decepções que eu tive com um ator que adoro, como já mencionei no post anterior. A história é a seguinte: sete amigos de faculdade se encontram para o casamento de dois deles. Laura (ex-senhora Cruise, aka Katie Holmes) é a melhor amiga da noiva Lila (Anna Paquin, pagando mico) e já teve um romance com o noivo Tom (Josh Duhamel) e será uma das damas de honra do casório. É aquela coisa, Lila ama Tom que ama Laura, que também ama Tom, mas não sabe o que quer da vida. Enfim... e no meio dessa confusão, tem mais quatro amigos, o casais Tripler e Pete (Malin Akerman e Jeremy Strong, respectivamente) e Jake e Wessie (Adam Brody e Rebecca Lawrence, respectivamente), além dos irmãos chatos de Lila, o mala-sem-alça-bêbado Chip (Elijah Wood, ferindo mais uma vez o coração de Lady Rá) e a chatinha Minnow (Dianna Agron).

Esses amigos se reúnem na casa da família de Lila na noite anterior ao casamento, Laura está se sentido confusa e insegura, pois sua melhor amiga vai se casar com seu ex-namorado e é ÓBVIO que ela ainda ama o cara. Na véspera do dia do casamento, tem um jantar, o irmão de Lila bebe além da conta e constrange a família. Lila está nervosa, só sabe fumar, beber e mastigar uma pastilha esquisita ou calmante, sei lá o que era aquilo. A irmã de Lila é uma menina boba com invejinha da irmã mais velha. Laura e seus amigos saem para curtir depois do jantar, o noivo desaparece e eles resolvem procurá-lo, no meio dessa confusão tem bebedeira, dorgas, gente pelada correndo pra todo lado, vuco-vuco, troca-troca de casal, diálogos idiotas, recaída do noivo e da amiga... é uma confusão dos diabos. No fim das contas, o noivo reaparece, o casamento parece que vai acontecer, acontece um confronto patético entre Laura e Lila e... ai cansei.



A única coisa digna de nota é a boa fotografia e alguns belos planos que valorizam as o local onde acontece o casamento. No mais, o filme é mal escrito e mal dirigido, completamente descartável e com um desfecho constrangedor.

Cotação: 1/5

Porque Lady Rá é a irmã boa, se fosse Tia Rá teria dado ZERO!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Enigmas de um Crime - 2008 (Oxford Murders, 2008)




Título Original: Oxford Murders
Ano: 2008
Direção: Alex de la Iglesia
Roteiro: Alex de la Iglesia,  Jorge Guerricaechevarría (roteiro), Guillermo Martínez (romance)
Elenco: Elijah Wood, John Hurt, Leonor Watling, Julie Cox, Jim Carter, Alex Cox, Dominique Pinon, Anna Massey.
Sinopse: Uma série de assassinatos assombram Oxford ultimamente e a esperança dos moradores da região estão com dois homens: Arthur Seldom (John Hurt), um prestigiado professor de lógica, e Martin (Elijah Wood), um jovem estudante que acabara de chegar à universidade na expectativa de estudar com o professor. Ao que tudo indica, os crimes estão ligados por códigos, estranhos símbolos e números matemáticos. Professor e estudante juntam suas habilidades para desvendar o mistério e montar esse difícil quebra-cabeças. Na medida que Martin chega perto da verdade, aumenta a sensação de insegurança e incompreensão com o mundo ao seu redor.

Por Lady Rá

Sabe quando você assiste à um filme que tem um plot bacana, roteiro arrumadinho, um diretor competente, elenco talentoso e dedicado, boa fotografia,  boa direção de arte, trilha sonora adequada, ou seja, tem TUDO pra dar certo, mas você fica com a sensação de que algo não se encaixou ali? Essa é a sensação que eu tive assistindo Enigmas de um crime! Primeiro eu tenho que dizer que este filme foi aguardado por mim com muita ansiedade, porque eu sou fã do ator Elijah Wood desde sempre, muito antes de ele sonhar em aparecer em O senhor dos anéis. E o mais curioso é que... um dos maiores problemas do filme está justamente nele (!).

Enigmas de um Crime acompanha a história de um estudante americano chamado Martin (o filme é baseado em um livro, que eu ainda não li e o estudante era argentino), que chega a Oxford para fazer sua pós-graduação com o renomado professor Arthur Seldom. Mas tão logo ele chega e já se vê envolvido em um crime bárbaro, ao encontrar o corpo da senhora que lhe alugava um quarto, e na cena do crime ele encontra um símbolo. Outros assassinatos ocorrem da mesma forma. Então Martin e Seldom tentam decifrar os códigos no intuito de descobrir o assassino e evitar que outros crimes aconteçam.

Muitos comparam o livro Crímenes Imperceptibles de Guillermo Martínez, no qual o roteiro foi baseado às obras de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, o a adaptação parece não decepcionar nesse sentido. Como um filme isolado, digo que não decepciona. A direção de Alex de la Iglesia é segura e consegue causar um clima de suspense, porém nos momentos em que tem que criar um clima explosivo, isso não acontece e o filme termina como um suspense morno, sem empolgar. Embora o desfecho seja satisfatório. Não há o que reclamar da produção nos detalhes técnicos, a fotografia (especialmente nas cenas noturnas) e a montagem contribuem bastante, assim como a trilha sonora. E o diretor se aproveita ao máximo de todos os detalhes.

Porém o filme peca mais pela escolha do elenco, não que os atores sejam ruins, são todos talentosos, mas sua química em cena é praticamente nula. Elijah Wood é um ator de forte potencial dramático, porém com seu físico de um adolescente não convence como Martin, um brilhante estudante de matemática, que deveria ser atraente e sedutor, visto que é alvo da paixão de duas mulheres, sendo que uma delas, Lorna, é interpretada pela maravilhosa Leonor Watling. As cenas de romance e sexo entre Elijah e a atriz espanhola chegam a constranger (tem uma cena específica que me deixou sem vontade de comer macarrão por um bom tempo). Também não são muito convincentes os confrontos entre Martin e Arthur Seldom que é vivido por John Hurt, que rivalizam pela inteligência e pelo amor de Lorna. É um triângulo amoroso bizarro.

No fim das contas, é um filme interessante para quem gosta de desvendar mistérios, porém eu esperava mais.

Cotação: 2/5

Lady Rá prefere ver Elijah Wood interpretando personagens insanos com o Kevin de Sin City.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O intruso (2011) - Intruders - 2011


Título Original: Intruders
Ano de lançamento: 2011
Direção: Juan Carlos Fresnadillo 
Elenco
Clive Owen ... John Farrow
Carice van Houten ... Susanna
Daniel Brühl ... Father Antonio
Pilar López de Ayala ... Luisa
Ella Purnell ... Mia
Izán Corchero ... Juan
Kerry Fox ... Dr. Rachel
Héctor Alterio ... Old Priest
Adrian Rawlins ... Police Inspector
Michael Nardone ... Frank
Mark Wingett ... Dave
Peter O'Connor ... Frank
Mary Woodvine ... Teahcer
Lolita Chakrabarti ... ER Doctor
Ralph Ineson ... Alarm Installer
Adam Leese ... Policeman
Raymond Waring ... Policeman
Ella Hunt ... Ella Foster
Imogen Gray ... Lilly
Natalia Rodríguez ... Babysitter
Natasha Dosanjh ... Aisha
Christian Meinhardt ... Skycraper Construction Worker
Craig Stevenson ... Credited (voz)
Chris Wilson ... Police Officer 


Sinopse:
Filme conta a história de duas crianças assombradas. Juan, de sete anos, mora em um bairro pobre de Madri e é atacado por um intruso sem nome em seus pesadelos, sem que sua mãe possa ajudá-lo. E Mia, de 12 anos, que por sua vez, conta a seus colegas de sala um conto de monstro, no mesmo dia em que seu pai sofre um acidente do arranha-céus em construção, onde trabalha - e passa a ser assombrada pela mesma ameaça que ronda Juan.


Olha, gentem... tia Rá tem mais o que fazer e não vai ficar aqui perdendo muito tempo com isso, entende?

Vamos aos fatos.

Por quê você precisa ver isso mesmo?

Porque o filme começa tenso, com um guri falando de um ser "sem rosto" que, pouco mais tarde, vai se revelar para o espectador quando entra pela janela de sua casa (tenso). A coisa, sem rosto e de capuz, ataca sua mãe e ambos conseguem afastá-la, até o momento em que é revelado que tudo não passa de um "pesadelo". Essa trama vai correr paralela a do núcleo familiar de John Farrow (Clive Owen, convencional).

Num dia de reunião da família, a sua filha Mia encontra em uma árvore um tipo de carta escondida durante muito tempo. Ela fala sobre um monstro sem rosto que procura uma face. Através da menina, que começa a ter contato e a desenvolver um tipo de continuação para a carta é que o suspense do filme se desenrola, ao flertar com a possibilidade de a criatura existir de verdade ou ser fruto da imaginação da garota. Aos poucos, com a ajuda do pai, ela vai tentando eliminar a ideia de um ser sem rosto a perseguindo, embora sem sucesso.

Paralelo a isso, corre a trama do garoto (lembra? aquele lá do começo...), cuja mãe, sem saber o que fazer, apela até para um padre fazer um exorcismo que nem consegue começar. O padre salienta que tudo não passa de imaginação - não só da criança como da parte dela também, uma vez que ambos passaram por um trauma real que será revelado no final (ou seja, tá todo mundo esquizofrênico nessa zona!) - e você vai saber aqui também, porque tia Rá ADORA LIBERAR SPOILERS, GENTE! 

Revoltado, John Farrow vai atrás de explicações para descobrir o que a filha realmente tem. A trama do garoto se conecta então com a da jovem menina - o garoto é na verdade o pai dela, o John Farrow (sim, gente, ele mesmo, o guri do começo do filme, é a mesma pessoa), que sofreu um trauma ligado ao seu pai - que estava preso, saiu da prisão e invadiu a casa do filho para pegá-lo, atacando a mãe e ele e morrendo logo em seguida. A criança John Farrow, então com sete anos, desenvolveu uma espécie de "fantasia" relacionada a violência do ato do pai, transformando-o em monstro - uma vez que, quando o menino foi atacado, o pai usava um capuz sem que ele pudesse ver direito o seu rosto (sacaram?). 

Equação elucidativa:

Homem sem rosto + capuz = pai de John Farrow vestindo o capuz. Não tem monstro nem criatura sobrenatural. O final do filme tá no começo. É tudo coisa da cabeça do John e da filha dele, que leu a cartinha dele quando criança, ficou impressionada e começou a viajar na maionese.

Essa parte da ligação é interessante, tia Rá confessa. Mas para chegar até aí...

Agora é a hora em que vocês me perguntam, "afinal, por quê fugir disso"?

Até chegar aí a gente já desistiu no meio do caminho, meu povo. Pesa contra o filme o fato de não fugir dos clichês do gênero - música subindo histericamente para causar espanto e sustos, o ceticismo X crendices e o apelo religioso - em determinado momento, a mãe do garoto procura um padre, recordemos mais uma vez. Há uso abundante de efeitos especiais toscos e situações forçadas, como a do operário de uma construção que retira o cinto de segurança apenas para pegar alguns parafusos e repete a cena inicial envolvendo John Farrow quando criança (ele fica dependurado, como o pai antes de morrer), que automaticamente se recorda do momento de trauma. 

Nesse rocambole nada saboroso, o filme não se decide entre apelar para o sobrenatural, para um filme genérico de "monstro" (note que o diretor o filma como uma criatura sombria de Harry Potter, atente-se para este fato) ou de possessão, uma vez que o sem rosto "se apossa" da fragilidade imaginativa de uma criança e ela acredita que perdeu seu rosto e entra em paranóia. Ou seja, aquela dualidade que existia lá naquele primeiro ato, em que o espectador não sabe se acredita na menina mesmo, se duvida dela, se ela tá doida, fumou baseado ou é você que pirou do cabeção, se dilui a partir do momento em que o pai também vê o inimigo. Tipo. A gente aceita a guria. A gente aceita o guri. Mas um marmanjo daquele tamanho que já superou o trauma, pelo visto, dar aquela retornada básica e começar a ver o peste é, tipo, meia boca, entende? Embolada total. 

Para se ter uma ideia da salada, no meio do filme o personagem de Clive sai no tapa com o cara do capuz que "rouba" a capacidade de fala da menina, que passa a ter acompanhamento médico para superar o trauma de falar, já que ninguém entende que foi a "coisa" que lhe roubou as palavras (tá confuso?). Mais tarde ele sai no murro de novo com a coisa de capuz, à medida que o filme tenta manter o mistério ao redor deste inimigo. Entra em cena a junta médica que reafirma que o pai também sofre de alucinações (aquela tentativa de deixar o espectador na dúvida, entende, gente: é real ou imaginação...?). Mas a pergunta que não quer calar é.... 

Se o pai tinha visto o homem sem rosto saindo do armário do quarto da menina com praticamente metade do filme, se ele tinha recordado da coisa quando viu o colega de trabalho pendurado e sabia do que se tratava (ele não recordava do troço, gente?), saiu no tapa com ele e tudo mais... por quê não procurou logo as explicações cabíveis, revelou o que acontecia à menina, esclareceu os fatos, fez aquele turn around básico logo, ao invés de fazê-la passar por todos os martírios possíveis? O cara só vai ligar uma coisa com a outra quando resolve se esconder no armário e ver aquilo que ele escreveu dezenas de anos antes? TIPO OIIII ROTEIRO?

Então, temos aqui um caso de filme com começo meia boca, de desenrolar trash, aquele suspense genérico com final interessante que poderia ocorrer tipo, meia hora antes, pra virar logo um curta metragem e... enfim, é só. 

Próximooooo....!

Cotação: 1,5/5


Pra quem queria falar pouco e tinha mais o que fazer, acabei perdendo muito tempo né gente... Assim... é que às vezes perco o controle de minha metralhadora giratória. Mas tá aí, veja por sua conta e risco.

domingo, 26 de agosto de 2012

Godzilla - 1998 (Godzilla - 1998)


Título original: Godzilla
Ano de lançamento: 1998
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Dean Devlin
Elenco:

Matthew Broderick
Jean Reno
Maria Pitillo
Hank Azaria
Kevin Dunn
Michael Lerner
Harry Shearer
Arabella Field

Sinopse:
Na Polinésia Francesa a radiação causada por testes nucleares franceses provoca uma transformação na vida da região e uma destas mutações é o surgimento de um réptil colossal. O governo americano, ao descobrir pegadas gigantescas no Panamá convoca um biólogo que estava em Chernobyl, estudando as modificações do DNA em virtude de radiação nuclear, mas a missão agora é mais difícil, pois precisa ajudar a descobrir como deter este imenso lagarto que vai para Nova Iorque. Nada impede este monstruoso lagarto e a cidade que nunca dorme acorda assustada quando vêm um dinossauro caminhando nas ruas, destruindo tudo no seu caminho. E a pior notícia ainda está para vir, quando o biólogo descobre que Godzilla está grávido.



E tem bomba na área, gente! DO JEITO QUE A GENTE AQUI DO BLOG GOSTA! Porque nada no mundo nos deixa mais feliz do que nos depararmos com podreiras épicas como esta e vir para cá descer a lenha. 

É romântico. 
É terapêutico.  
É comovente, porra
OK, parei. 

Vamos esculhambar logo mais uma carniça cinematográfica? VEM COMIGO!

Sabe, eu ADORO o Emmerich. Sério... tipo, quem, em sã consciência, faria as porcarias que ele faz com tanto dinheiro disponibilizado para o infeliz? O mundo não seria o mesmo sem ele, gente! 

Pois bem, aqui, Emmerich faz o pior filme de sua carreira - se é que isso é possível né gente... enfim... - sobre uma lagartixa atômica hermafrodita que, fruto de experimentos radioativos envolvendo bombas nucleares, cresce absurdamente e vai dançar um tango nas ruas de Nova York. Como se não bastasse, essa besta de muitos metros de altura, pés grandes e unhas que precisam de pedicure com urgência, está prenha e vai escolher  o Madison Square Garden para PARIR um monte de bestinhas famintas!

Sabe, não tenho nada contra o bicho, eu o amo perdidamente. Nem contra destruir Nova York, que, coitada, vive sendo esfolada pelo babaca do diretor (ele tem algum trauma com a cidade, suspeito que seja caso de análise psiquiátrica também... enfim...). Como eu dizia... Amo perdidamente... O original, não essa coisa tosca recriada por computador. Eu adoro os podreiras japoneses originais de Godzilla que passavam nos longínquos anos 80 e 90 no SBT, com aquele monstro de borracha tosco de dar dó pisoteando pobres maquetes de isopor. Aquilo era vida, era poder. Godzilla podia fazer a linha do bem ou do mal, podia  ser uma diva ou uma macumbeira, lutar contra aquela Mothra, a borboleta gigante sem noção que soltava raios e purpurina (oi?), que eu achava o máximo! Porque o bicho é ícone, é lenda, é amor eterno!

Mas esse ser estúpido chamado Roland Emmerich tem que acabar com tudo de uma vez. Acabar com Nova York, com os atores, com a lenda, com a minha paciência, com a noção, o bom senso, com tudo. Meu Deus, é um filme de monstro, ok!!! Mas custa fazer algo decente com tanto dinheiro, meu povo?! Qual a dificuldade?! Se até os japoneses conseguiram com roupa de borracha, isopor e imaginação construir um mito cinematográfico, porque é tão difícil para alguém com uma tonelada de dinheiro fazer algo compatível?! 

Dada a carreira do cidadão, sugiro ser síndrome de grandiloquência. Porque Emmerich não se contenta com o básico, é megalomaníaco. Seu filme não tem atores (quem precisa deles? alguém aí conseguiu enxergar alguém atuando nessa bagaça?). Na cabeça dele, o filme não precisa de drama, não precisa de sentimentos humanos. Todos estão empenhados em contribuir com o naufrágio da produção porque a estrela é... o monstro. 

E Emmerich confia demais nessa estrela, esse "monstro" digital, que é feio, mal elaborado, tem a personalidade de uma barata (reparemos o que Peter Jackson fez com outro monstrengo famoso no remake de "King Kong" e vamos entender...). O diretor e o roteirista Dean Devlin da bagaça precisam colocar helicóptero voando no meio da cidade com o bicho zanzando pra lá e pra cá. Precisam enfiar na trama os filhotes do monstro, uma cena em que o bicho quer comer um táxi, a cidade sacudindo, bicho nadando, correndo, gente escapando de ser pisoteado, os patriotas dos solados americanos fazendo a linha "vou salvar o mundo", o francês que está ali sem função e toda uma palhaçada sem graça. 

Não há suspense, não há decência no que é mostrado no filme, não é sentida a paixão e simplicidade dos filmes japoneses. Não funciona como homenagem e não tem razão de existir. É uma série de takes de destruição envolvendo o bicho, costurando cenas de explosões, com bombas, disparos de mísseis, gritaria irritante do bicho, barulho, música histérica de fundo, efeitos vagabundos. E as piadas? Não ri de nenhuma.

Godzilla foi, com o perdão do trocadilho, esmagado com patadas homéricas da crítica, como o San Francisco Chronicle, que definiu que "Godzilla" - o mais badalado e antecipado filme da temporada de verão - é uma monstruosidade de ação exagerada, sem surpresas, sem alegria e sem emoções". Perdeu a oportunidade de refletir um momento e de realizar uma crítica severa à guerra e ao uso de radiação - o original refletia os perigos militares nos anos 50, recordemos. 

E, se era para avacalhar a porra toda, onde é que está a cena do monstro quebrando os letreiros da Broadway? Por quê ele não confundiu a Estátua da Liberdade com uma fêmea e resolveu dar uma quebrada nela, vocês entendem? Sim, porque, já que se trata de um filme idiota, barulhento, desprovido de qualquer sentimento e de lógica, Godzilla ao menos não serviria apenas para saciar a terrível vontade de Emmerich em destruir tudo em seu caminho.  

O melhor de tudo é saber que os produtores acreditavam que essa porcaria seria um sucesso monumental e encheram as prateleiras de todo o mundo com o boneco do bicho. O resultado? Não poderia ser melhor! Eles encalharam amargamente, o filme flopou lindamente nas bilheterias e tamanho empenho veio na forma de indicações e prêmios no Framboesa de Ouro de pior diretor, pior atriz coadjuvante, pior roteiro, pior filme, pior remake. 

Eu particularmente acho que merecia ganhar mais, porém... Como visto nos filmes posteriores a este, tio Emmerich não aprendeu a lição. 

Cotação: 0/5

KA-BUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMM!

Para quem quiser se arriscar com essa podreira, clica aí, dá o play e vai na fé! 




sábado, 25 de agosto de 2012

A Ilha do Medo - 2010 (Shutter Island, 2010)




Título Original: Shutter Island
Ano: 2010
Direção: Martin Scorcese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Michelle Williams, Max von Sydow, Emily Mortimer, Jackie Earle Haley, Patricia Clarkson.
Sinopse: Em 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que estava hospitalizada. Ao viajarem para Shutter Island - ilha localizada em Massachusetts - para cuidar do caso, eles enfrentam desde uma rebelião de presos a um furacão, ficando presos no local e emaranhados numa rede de intrigas.


A Ilha do Medo foi considerado um dos melhores filmes do ano de 2010 por muitos críticos renomados e fez um considerável sucesso nas bilheterias. E de fato é um filme bem realizado e com um roteiro bem estruturado, como a maioria dos filmes comandados por Martin Scorcese, embora não seja tão empolgante. A história é a seguinte: dois policiais federais, interpretados por Leonardo Dicaprio e Mark Ruffalo, investigam o desaparecimento de uma prisioneira em um manicômio judiciário localizado em uma ilha. Mas ao chegarem ao local, começam a perceber que coisas estranhas acontecem naquele lugar. É o famoso “tem caroço nesse angu”.



E embora os distribuidores do filme na época tenham tentado vendê-lo como  um filme de terror, logo percebemos que não se trata disso, pois A ilha do medo na verdade é um thriller psicológico. A primeira cena do filme já chama atenção, quando são mostrados os dois policiais no barco que os leva até a ilha. Ali você já percebe que algo não se encaixa. E como todo bom suspense, ao longo do filme o roteiro lhe entrega pistas interessantes sobre o desfecho, deixando o telespectador realmente intrigado. Como as visões de sua mulher assassinada e as crises de enxaqueca do personagem do Dicaprio,  além do comportamento ambíguo de seu parceiro. Porém não demora muito para o telespectador perceba que ali só há duas saídas possíveis e deseje que se chegue ao final logo. Dessa forma, quando o filme atinge seu clímax, não causa grande impacto.


Creio que  o maior mérito de A ilha do medo não está na história em si, mas na forma como ela se desenvolve, pois trata-se de uma produção que chama atenção pelos detalhes.  Martin Scorcese é um cineasta que sabe fazer bom uso dos recursos que tem em mãos. O filme é tecnicamente impecável, a trilha sonora e a fotografia, contribuem para o clima de tensão estabelecido por Scorcese, que nos remete a filmes de Hitchcok (alguns planos que mostram a ilha lembram Os pássaros). O roteiro, embora se arraste em alguns momentos, é bem amarrado e tudo que soa  estranho acaba fazendo sentido no final, especialmente o comportamento dos personagens coadjuvantes. Aliás, essa é uma das melhores sacadas do roteiro.


Quanto ao elenco, os coadjuvantes são os mais interessantes: Mark Ruffalo que interpretada o parceiro de Dicaprio, com uma interpretação contida e carregada de nuances. Ben Kingley, como psiquiatra chefe da prisão, está brilhante, como um tipo misterioso e em certos momentos até ameaçador, mas totalmente humanizado e sem caricatura. Emily Mortimer, embora tenha poucas cenas, não deixa de ser uma presença marcante. Já Michelle Williams não faz muito coisa, sendo que ela só aparece nas alucinações do personagem de Dicaprio (aliás, Leonardo Dicaprio tendo visões da mulher cria uma sensação de “Já vi isso em algum lugar”) E por falar nele, penso que um dos problemas de A ilha do medo está justamente no seu protagonista. Dicaprio é considerado um bom ator - não que eu o considere ruim, acho até que ele convence nas primeiras cenas - mas quando o personagem exige uma carga dramática mais intensa de sua interpretação, ele simplesmente não convence. SPOILER, para ler basta selecionar o texto: Durante a seqüência da revelação no terceiro ato em que Teddy se lembra que ele mesmo matou sua mulher, ao descobrir que ela havia matado seus filhos, quando Teddy vê os filhos mortos no lago, a expressão de horror em seu rosto é inexistente. Assim como quando ele descobre o teatrinho de seu psiquiatra. FIM DO SPOILER.

Enfim, A ilha do Medo é um filme de técnica impecável. Mas sua história não é empolgante e facilmente esquecível. Sendo que, se o assunto é técnica, no currículo do diretor o que não falta produções muito mais interessantes.

Cotação: 3/5

Lady Rá acha que faltou um "tempero" na história.


TRAILER:


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Artista - 2011 (The Artist – 2011)




Título Original: The Artist
Ano: 2011
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowell.
Snopse: Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão?

Por Lady Rá


Charles Chaplin foi um dos muitos artistas do cinema mudo que torceram o nariz para o surgimento do cinema falado, porém ele soube se reinventar e se adequar à nova era. Muitos não tiveram a mesma sorte, vários atores viram suas carreiras declinarem por não se encaixarem naquela novidade. Aliás, abrir mão daquilo que se conhece e se domina com facilidade e encarar o desconhecido pode ser algo fatal para quem não esteja preparado. Mas no fim o novo acaba prevalecendo sobre o velho. Este tema universal é abordado nesta cativante produção belgo-francesa O Artista, vencedor do Oscar 2012, que faz uma  delicada homenagem ao cinema mudo.

O Artista narra a história de George Valentin, um astro do cinema mudo em Hollywood, vivido por Jean Dujardin, que vê sua carreira entrar em franca decadência com a chegada do cinema falado. Enquanto isso a jovem atriz Peppy Miller, que ele ajudou no início de sua carreira, se torna uma grande estrela.  O filme, que foi escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius, foi filmado em preto e branco no formato standard, para ficar parecido com filmes antigos, além de ser quase todo mudo, possuindo apenas algumas falas legendadas, quando a mensagem não pode ser transmitida apenas pela expressão corporal dos atores. As homenagens vão de seu próprio estilo, passando pela forma como os créditos iniciais são apresentados e a trilha sonora, às referências a grandes clássicos do cinema.

A direção de Hazanavicius é eficaz ao revisitar o formato dos filmes antigos e seu roteiro, segue pelo mesmo caminho, fazendo uso de artifícios simples e criando belas metáforas para representar momentos importantes. Logo no início é mostrada uma cena de um filme de Valentin, em que o personagem é torturado e se recusa a falar. Há também o encontro casual entre os dois protagonistas, numa escadaria, enquanto ele desce, ela sobe e as pessoas são mostradas caminhando de forma ligeira, como se o filme quisesse dizer que enquanto uns caem, outros se levantam e a vida segue seu curso. Temos ainda uma cena em que o som “invade” a vida de Valentin, tudo a sua volta emite som, mas sua voz não sai, uma cena que chega a ser angustiante.

E além de todas essas qualidades, o grande pilar que sustenta este filme mesmo, é a atuação impecável de Jean Dujardin. Esbanjando carisma com seus largos sorrisos nas primeiras cenas quando Valentin ainda é um grande astro, o ator aos poucos surge com uma expressão triste e cansada em sua fase decadente, transitando facilmente entre comédia e drama, sem nunca abandonar sua postura de homem orgulhoso. O ator foi premiado com o Oscar por sua intepretação e foi mais que merecido. Sua companheira Bérénice Bejo também merece aplausos pela sua charmosa e divertida Peppy Miller, assim como são eficazes também os atores John Goodman no papel de um produtor de Hollywood, James Cromwell, o motorista fiel de George, que parece uma espécie de mordomo Alfred, sempre disposto a apoiar o patrão por quem tem um grande carinho, além  das boas participações de Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowellNão posso deixar e citar o cãozinho Uggie, que acompanha o protagonista o tempo todo, um dos melhores personagens do filme.

O artista não é exatamente grandioso, pelo contrário, é pela simplicidade e sinceridade que o filme cativa seu público. E embora seja uma homenagem ao cinema, o tema retratado reflete em outros contextos, pois Valentin vê se perder tudo aquilo em que acreditava, e, tomado por um orgulho cego, não consegue se abrir para as novas possibilidades. As mudanças sempre vão acontecer, mas é possível se adaptar a elas e isso não significa deixar para trás a própria identidade. Basta se reinventar.

Cotação: 5/5

Lady Rá adorou essa bela homenagem ao cinema, especialmente pelo clima de nostalgia.

TRAILER:







Trilha Sonora - Transformers 3 O lado oculto da lua



Confesso não gostar muito do compositor Steven Jablonsky, mas reconheço que ele teve seus momentos deslumbrantes nessa trilha, com "Our Final Hope", batidão, linda, fechando as faixas.

A mais bela de todas, "Sentinel Prime", traz acorde que não sai da cabeça; a dramática e emocionante "No prisoners, only trophies", que me lembrou os melhores momentos de drama de John Williams, se encaixa perfeitamente na cena em que Bumblebee diz adeus a Sam (funciona para ouvir fora da trilha muito bem). 

Há ainda "I promisse", bonitinha, rápida, o tema de abertura "Dark Side of the moon", muito bom também e uma que parece tocar com o trailer de Prometheus - "Shockwave Revenge", que eu também gostei.

A diferente, suave e emocionante "There is no plan", mais parece uma "balada" romântica, sem voz, com instrumento de corda no começo, e que muda no meio, ganhando um tom sombrio (me recordou uma música da trilha de Avatar, a que toca quando Jake acorda). 

O resto é composto de faixas todas parecidas, tensas, pesadas e descartáveis, em que Steven evoca a síndrome de Hans Zimmer e sai tudo parecido com as últimas trilhas deste. 

Há ainda para o filme uma trilha só com música cantada, mas é tudo rock e metal, excetuando a única que presta, o tema do Linkin Park, "Iridescent".

Enfim, é a melhor de todos os filmes da série. Mas poderia render mais.

Faixas:


1. "Dark Side of the Moon"  
2. "Sentinel Prime"  
3. "Lost Signal"  
4. "In Time You'll See"  
5. "Impress Me"  
6. "We Were Gods Once"  
7. "Battle"  
8. "There Is No Plan"  
9. "We All Work for the Decepticons"  
10. "The Fight Will Be Your Own"  
11. "Shockwave's Revenge"  
12. "No Prisoners, Only Trophies"  
13. "The World Needs You Now"  
14. "It's Our Fight"  
15. "I'm Just the Messenger" 
16. "I Promise"  
17. "Our Final Hope"  



Cotação: 2/5

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Transformers 3 O lado oculto da lua - 2011





Título Original: Transformers: The Dark of the Moon
Ano de lançamento: 2011
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco:
Frances McDormand (Marissa Fireborn)
Hugo Weaving (Megatron (Voz))
John Malkovich (Sam's Boss)
John Turturro (Simmons)
Josh Duhamel (Major William Lennox)
Leonard Nimoy (Septimus Prime (Voz))
Patrick Dempsey (Dylan)
Shia LaBeouf (Sam Witwicky)
Tyrese Gibson (Robert Epps)
Sinopse: Liderados por Optimus Prime, os Autobots Bumblebee, Ratchet, Ironhide e Sideswipe estão de volta à ação, enfrentando os malignos Decepticons, que estão determinados a vingar sua derrota. Agora, Autobots e Decepticons envolvem-se em uma perigosa corrida espacial entre os EUA e a Rússia, e mais uma vez o humano Sam Witwicky sairá em auxílio de seus amigos robôs. Novos personagens incluem Shockwave, o regente de Cybertron, que acompanha o embate das facções robóticas na Terra.



Transformers 3: O lado oculto da lua, só dá pra dividir em pontos positivos e negativos. 

Vamos destruir o sistema solar inteiro!
De positivo, o filme traz uma tentativa de melhorar a trama, criando no começo uma espécie de fábula sombria com toques de teoria da conspiração, em que o lado escuro da lua sempre escondeu um objeto não identificado vindo de Cybertron e os astronautas sempre tiveram ciência disso - o filme traz até participação especial de John Kennedy, usando a mesma tecnologia, só que mais aprimorada, vista em Forrest Gump. Parece que vai ser um filme bom à primeira vista, criando uma boa impressão (espere até ver os pontos negativos); no quesito técnico, o filme é impecável e é uma das coisas mais assustadoras já vistas em termos de efeitos especiais: Michael Bay cria uma das sequências mais absurdas, inverossímeis, difíceis, surreais, assustadoras, espantosas e definitivamente impressionantes do cinema de ficção, ação e catástrofe - o desabamento da torre de vidro em Chicago. 

É uma sequência tensa, pontuada por efeitos especiais que devem ter deixado Emmerich arrancando os cabelos de inveja - e que afirma que, sim, Bay é mesmo o rei absoluto da destruição. Tive que ver umas quatro vezes para tentar entender como ela foi feita, numa execução absurdamente ultra hiper mega master perfeita e de uma precisão e detalhismo assustador (não estou brincando não gente, o troço realmente é chocante). Como ele conseguiu isso, eu não sei, mas os técnicos conseguiram combinar efeitos práticos com efeitos digitais de uma maneira tão absurda que é impossível distinguir o quê é o quê na cena. Só essa cena vale por qualquer coisa vista em termos de efeitos especiais no ano passado e não entendo como um filme que depende exclusivamente de efeitos para existir não levou esse Oscar que era barbada. Enfim...

Bota mais robôs na trama pra
vender brinquedos, produção!
Outra coisa que me chamou atenção além dos efeitos ultrarrealistas é a composição de som. Transformers 3 parece ser o filme menos barulhento de Bay (acreditem), os efeitos sonoros são limpos, elegantes, cristalinos. Eu percebi que quando começa a ficar muito barulho no filme, Bay "limpa" a cena, deixando alguns sons por trás em "mudo", para evidenciar apenas o que acontece na tela. O excesso de barulho sempre foi reclamação dos críticos e público ensurdecidos pelos filmes de Bay.

Há também Optimus Prime: é dele as melhores falas do filme e dele também é a melhor atuação - e quando você percebe que uma máquina é a melhor atuação do filme, é sinal de que tem algo de errado nisso. Você torce por ele, porque Prime tem a noção de respeito não pela humanidade em si, mas pelo planeta Terra que ele entende como beleza máxima do universo onde tudo funciona perfeitamente (e que o homem não valoriza) e existe pelo menos uma parábola interessante da sua personalidade - Prime é um robô (como o vilão Sentinel diz, os humanos o vêem como uma simples máquina quando no planeta dele ele era um Deus) mas antes de tudo, ele é um alienígena cujo planeta natal foi destruído (ou seja, ele não tem um lar) e vê na Terra a possibilidade de defendê-la para manter aquilo que prezava - a liberdade de ser o que é e de ter um lar para cuidar.

Dá pra virar vilão, tio Bay?
Mas estamos num filme de Michael Bay né, gente...! HELLO! E Bay é especialista em destruir qualquer possibilidade de um filme que lhe pareça no mínimo decente. Assim chegamos aos pontos negativos. E são muitos. A começar pelo elenco. 

Um elenco que tem Malkovich e McDormand completamente desperdiçados em papéis caricatos e idiotas, que não acrescentam nada a trama (a parte mais gritante e constrangedora é a de John). Bay também imbecilizou a trama depois do começo a um ponto que chega a despertar no espectador a vontade de matar o idiota: basta dizer que um dos vilões é uma espécie de abutre robô insuportável. É constrangedor. Sem falar na reviravolta absurda envolvendo Sentinel que vira um vilão revelando um acordo com os decepticons e em cenas de vergonha alheia total do roteiro: a modelo dublê de atriz que substitui Megan Foca (de nome complicado) vai bater um papo com o vilão megatron com a finalidade de manipulá-lo para que ele destrua Sentinel, numa cena ridícula de tão porcalhona. Pior: a mulher passa o tempo todo da destruição correndo pra lá e pra cá desfilando de salto alto como se estivesse na passarela da Victoria Secrets e fazendo caras e bocas (é podre, gente, sério...). 

Dá pra transformar isso em
brinquedo pra gente faturar $_$?
Há também o vilão Patrick Dempsey, horrível de tosco, cujos argumentos para ser vilão são piores que um desenho do Ben 10; outras sequências de vergonha alheia total se espalham, como quando um robô relógio parasita o personagem de Shiah para que ele descubra os planos dos autobots; ou quando um luxuoso Mercedes esportivo vira uma prisão para a modelo cheio de tentáculos - tinha que sobrar para os alemães né...

Por fim, tem o comercial massante dos veículos da Chevrolet e outra série de empresas que não param de aparecer durante toda a produção. E tem o Turturro, em um papel ingrato e retardado; a ausência de conhecimento de física de Michael Bay (os Decepticons criam uma espécie de reboque de planetas, para trazer o planeta deles para a nossa órbita com a finalidade de fazer os humanos de escravos para que eles reconstruam o planeta, sugando nossas potências naturais) e o final, que parece atirar merda na cara do espectador, resolvendo um romance completamente insosso e que não funcionou em nenhum momento do filme.

Cotação: 2/5

Mais uma montanha de dinheiro desperdiçada em um filme esquecível mas que, ao menos, passa melhor que o trash segundo filme.

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