terça-feira, 14 de agosto de 2012

2012 (2009)

Apertem os cintos: o roteiro sumiu

Título Original: 2012
Ano de lançamento: 2009
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Harald Kloser, Roland Emmerich
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Oliver Platt, Danny Glover, Thandie Newton e Woody Harrelson
Sinopse: Na trama, devido a bombardeamentos de erupções solares, o núcleo da Terra começa a aquecer a um ritmo sem precedentes, provocando o deslocamento da crosta terrestre. Isso resulta em vários tipos de cenários apocalípticos, que vão desde a Califórnia caindo no Oceano Pacífico, a erupção do supervulcão de Yellowstone, grandes terremotos e vários megatsunamis ao longo de cada costa na Terra, mergulhando o mundo em caos. A película centra-se em torno de um elenco de personagens e em como eles escapam das catástrofes múltiplas em um esforço para atingir alguns navios construídos no Himalaia, junto com cientistas e governos do mundo todo que estão tentando salvar tantas vidas quanto podem antes das catástrofes decorrentes.


E voltamos para esculhambar, né gente.... A vítima de hoje merece todos os nossos esforços em avacalhação.

Corre que lá vem destruição!
Nenhum diretor consegue nos comover mais do que Roland Emmerich aqui no blog. Seu caso clínico de obsessão por destruição não merecia nossa atenção até a chegada deste já clássico podreira de estratosféricos 260 milhões de dólares - 2012.

Sim, tudo em 2012 é monstruoso. Desde as atuações - todas monstruosamente horríveis - até a escala de destruição mostrada por Emmerich e seu portfólio gigantesco de efeitos especiais, passando por um dos piores roteiros que já se viu no cinema. Dada a experiência em destruição do cidadão em questão, não é de se espantar que ele tenha optado por destruir o mundo (o que será da próxima vez, o universo minha gente?). 

Emmerich já tinha destruído Nova York na aberração cinematográfica Godzilla, um dos piores filmes de todos os tempos. Já tinha congelado o mundo - e Nova York, claro - em O dia depois do amanhã (cuja ideia interessante foi atirada no lixo em um filme insosso, raso e caro), já tinha destruído cidades - Nova York de novo - na cópia descarada de Guerra dos Mundos disfarçada de blockbuster genérico porco em Independence Day. Nesse meio termo ele também destruiu a história humana com o terrivelmente podre e fracassado 10.000 a.C. Faltou alguém na chamada?
Mais destruição...

No arremedo de trama, o filme coloca o fracassado John Cusack no papel de pai divorciado, escritor, dublê de motorista de limusine tentando aproximar-se de seus filhos e da insossa da Amanda Peet como sua ex mulher. Chamaram Danny Glover como presidente dos EUA (para fazer aquela linha básica de metáfora política com o Obama, sacaram?), empurraram Thandie Newton (que não serve pra nada na trama), Oliver Platt (outro sem função) e Woody Harrelson fazendo papel de.... Woody Harrelson (que no filme se acha engraçado, mas não é), alguns coadjuvantes que entram e saem sem ter o que acrescentar e pronto, a salada tá feita.

Cusack, como um personagem de video game, precisa enfrentar todas as
Mais e mais e mais destruição...
catástrofes que o perseguem, seja terremoto, prédio caindo, vulcão, onda gigante, dois pousos forçados de aviões diferentes e uma arca de noé feita para seres humanos cujo piloto sumiu. Cusack não tem calibre para deixar seu personagem interessante ou heróico, o que só contribui para o estranhamento de vê-lo em ação (ele não funciona e o roteiro não o ajuda). Ninguém demonstra carisma, ninguém convence o espectador, o que só o afasta de qualquer interesse pelos personagens e desperta no mesmo a expectativa apenas de ver qual será a próxima destruição que Emmerich tem reservada na manga. O filme não tem emoção. Não tem suspense. Não envolve (Emmerich não viu filmes antigos sobre catástrofes como Terremoto, é claro). É uma correria desenfreada dos personagens para lá e para cá em meio a um desfile de técnica. Não ajuda nada sua longa duração - o filme começa a se arrastar da metade para o final. É bizarro.

Destruição que não acaba mais...
E eu podia elencar aqui uma série de aberrações do script capazes de despertar no espectador as maiores gargalhadas possíveis durante três vidas seguidas, como o fato de que o escritor e motorista de limousine, Jackson, se tornar o melhor piloto para fugas de destruição em massa do planeta ou o cirurgião plástico Gordon que, depois de duas aulas com avião monomotor, consegue pilotar qualquer avião no meio da destruição. De matar de rir aquela sequência de fuga em que o trailer desgovernado salta por uma cratera e o heroi precisa retornar para ele para pegar... um mapa. Aliás, os carros da trama adoram dar saltos (a limousine salta, o trailer pula, o Bentley - numa propaganda vagabunda da marca - dá até duplo twist carpado).

E o que dizer do terremoto, que Emmerich entende como um assassino que chega sorrateiro, engole supermercado e faz com que os personagens voltem para casa como se nada tivesse acontecido? Depois de vento correndo atrás do povo em Fim dos Tempos, nada melhor do que fissuras na terra perseguindo psicopaticamente a população. Emmerich tenta fazer suspense até com um inocente embarque de navio ou uma ligação telefônica. Não vamos citar o piloto russo e a loira biscate, que chegam e saem do filme para nada. Ou do bilionário, também russo, que está ali apenas para entupir o elenco. 

E tem a patriotada do dublê de Obama, tão ou pior do que o presidente piloto salvador da pátria de Independence Day. Ah, os diálogos, nível novela mexicana... O discurso de vergonha alheia do presidente é insuperável. E as coincidências absurdas do filme, quando todos os personagens vão se encontrando aqui e acolá...? A vibe aguaceira do Titanic no final sepulta qualquer possibilidade de nota nessa bagaça.

O público americano, que não é idiota, não fez o filme se pagar por lá - mas 2012 foi sucesso no restante do mundo, arrecadando quase 800 milhões de dólares. Infelizmente, a indústria de Hollywood precisa de pessoas como Emmerich, que dá a plateia de aborrescentes e estúpidos aquilo que ela quer - um festival de efeitos vazios numa trama vagabunda - o típico filme pipocão esquecível. Não há nada de ruim nisso, há gosto para tudo nesse mundo - e é de grana que todo mundo vive nesse mundo. Mas custa tentar melhorar as outras partes do filme durante a produção, tio? 

Falando sério, podemos conviver com o fato de Emmerich existir, numa boa, afinal é de sua autoria Stargate e Soldado Universal (sim, tia Rá gosta). Desde que ele seja internado num instituto psiquiátrico com urgência para tratar de sua síndrome de destruir tudo.

Cotação: 0/5




Roland Emmerich é da mesma laia de Michael Bay - quanto mais destruição, melhor - e aqui ele se supera, num lixo cinematográfico de primeira linha, para ser visto apenas pelos aficionados por efeitos especiais. Se você não faz parte desse grupo, foge pras colinas!

Um comentário:

  1. Novamente pergunto: Qual seu problema com Roland Emmerich? O cara pode não ser o melhor diretor do mundo, mas poxa vida, está longe de ser ruim. 2012 é um filme legal, ele pegou aquela ideia de que o mundo iria acabar em 2012 e aplicou em um filme relativamente bom, novamente repito, o importante é ser divertido, e esse filme consegue fazer isso.

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