sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Enterrado Vivo - 2010 (Buried, 2010)




Título Original: Buried
Ano de Lançamento: 2010
Direção: Rodrigo Cortés
Roteiro: Chris Sparling
Sinopse: A história gira em torno de Paul Conroy (Ryan Reynolds), um empreiteiro americano que é sequestrado no Iraque e acorda enterrado vivo com nada além de um isqueiro, uma lanterna, um celular com metade da bateria e 90 minutos de oxigênio. Sem saber como, onde ou porque está ali, ele deve correr contra o tempo para tentar sobreviver.
Elenco: Ryan Reynolds

Por Hannibal

Muitos podem dizer que “Enterrado Vivo” é um bom filme por ser despretensioso, mas dizem isso apenas pelo baixo orçamento. Afinal, é uma ideia no mínimo ousada fazer um filme que se passa inteiro – inteiro MESMO – dentro de um caixão. E eu diria que é sim uma realização bem pretensiosa.

Agora, se a execução foi à altura da pretensão é outra história.

A resposta curta e grossa é NÃO.

O que não significa que é um filme ruim. Até por que, mesmo que utilizando alguns recursos que acabam se tornando defeitos, o filme consegue sim manter o espectador até o final da narrativa apenas com um personagem preso conversando ao telefone, sem sequer mostrar o rosto de quem está do outro lado da linha.

O projeto franco-espanhol causa uma divisão de opiniões que pode ser explicada pelo irônico fato de que mesmo se passando integralmente em um cubículo de madeira enterrado, é uma narrativa cinematográfica irregular. Não é tão ruim que precise figurar na lista que eu fiz de ótimas ideias desperdiçadas, mas também não é tão bom a ponto de ser considerado um clássico instantâneo.

Ja viu algo parecido com
isso em algum lugar?
A pretensão pode ser sentida nos interessantes créditos iniciais que lembram MUITO os que eram vistos em filmes de Alfred Hitchcock (aliás, o diretor Rodrigo Cortés é comparado ao gênio com cara de grão de bico em uma das críticas que aparecem no trailer sem merecer). Até a música de abertura é bem pautada no melhor estilo “Psicose” (sem contar que um dos posters do filme faz uma clara referência a “Um Corpo que Cai”).

Mas aqui já cabe um elogio a uma das coisas que funcionam bem em “Enterrado Vivo”. A trilha sonora composta pelo espanhol Victor Reyes é muito eficiente e bem colocada. Logo de início, a música é sincronizada com os murros desesperados de Paul Conroy na madeira do caixão, enquanto isso em vários momentos, as batidas da trilha se assemelham ao ‘tic-tac’ de um relógio, lembrando ao público que o rapaz não tem muito tempo pra conseguir sair do caixão. Volta e meia, em momentos melancólicos do filme, a música evoca uma temática árabe que faz questão de lembrar em que lugar do mundo o personagem está – já que não temos o benefício de panorâmicos sobre cidades e desertos.

Aqui a iluminação e a fotografia são muito competentes, mantendo sempre o clima claustrofóbico e permitindo que o espectador veja o máximo de coisas possíveis a despeito da escuridão. Aliás, é interessante observar a lógica dos momentos em que Conroy utiliza cada uma das suas poucas fontes de luz, que mudam de acordo com a intensidade ou emoção que a cena deve passar. Aliás, Cortés usa enquadramentos e planos interessantíssimos para ilustrar o estado emocional em que o personagem está – e aqui mais uma vez utilizando elementos bem “hitchcockeanos”.

E grande parte do sucesso desse filme está nesses elementos, uma vez que o elenco e o roteiro não ajudam tanto assim.

Se por um lado Ryan Reynolds fez um trabalho até competente dando a cara à tapa como o único personagem que mostra o rosto na história, por outro o seu esforço no papel de Paul Conroy não chega perto do carisma o suficiente para fazer o público realmente se importar com ele. Se a gente se importa com o personagem, os méritos estão na situação em si e não na atuação de Reynolds – que, repito, não está ruim de tudo.


O roteiro por sua vez conduz bem as ações de Conroy enquanto personagem confinado numa luta pela sobrevivência, mas é só ele ligar para alguém ou alguém ligar para ele que a coisa desanda. Os diálogos são medianos e caem em todos os clichês possíveis de filmes onde os personagens são americanos perdidos em outro país tentando sair de uma situação crítica na qual estão, enquanto tentam resolver pendências na vida pessoal.

O tom de crítica no filme tem uma intenção louvável, mas não funciona justamente por permanecer no lugar comum e sem dar o soco no estômago com a toda a força que pretende dar. Aliás, Chris Sparling foi bem espirituoso ao incluir algumas ironias que beiram o humor negro – o que nem sempre é uma qualidade. Cabe aqui também uma referência ao desfecho da história, que pode ser funcional ou não dependendo de como você encarar e interpretar a intenção do filme. Eu particularmente adorei, apesar de alguns “poréns” na maneira como se dá esse final.

Todos esses “mas” e “todavia”, aliados a algumas situações bem forçadas no roteiro, impedem que o filme seja uma iniciativa completamente feliz em sua realização.

Resumo da Ópera:

Rá Hannibal acha um bom filme de estreia do diretor Rodrigo Cortés, que foi impedido de chegar ao nível de “acima da média” por incompetência do roteirista. E em parte por incompetência do elenco de uma pessoa só. O senhor Cortés ainda tem que comer muito feijão com arroz pra chegar ao nível de Hitchcock. É um filme que, apesar de não ser facilmente esquecível, também não é memorável. Não é uma perda de tempo total, mas também não é imperdível.

Cotação:
3/5

TRAILER

Um comentário:

  1. Adorei a resenha, captou o meu sentimento em relação ao filme.

    Pecou em querer mais do que podia. O desfecho realmente desanima. O roteirista tinha que ter assistido mais episódios de Hitchcock Presents. Mas quem sabe na próxima essa equipe acerta no alvo?

    ResponderExcluir

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...