sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Artista - 2011 (The Artist – 2011)




Título Original: The Artist
Ano: 2011
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowell.
Snopse: Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão?

Por Lady Rá


Charles Chaplin foi um dos muitos artistas do cinema mudo que torceram o nariz para o surgimento do cinema falado, porém ele soube se reinventar e se adequar à nova era. Muitos não tiveram a mesma sorte, vários atores viram suas carreiras declinarem por não se encaixarem naquela novidade. Aliás, abrir mão daquilo que se conhece e se domina com facilidade e encarar o desconhecido pode ser algo fatal para quem não esteja preparado. Mas no fim o novo acaba prevalecendo sobre o velho. Este tema universal é abordado nesta cativante produção belgo-francesa O Artista, vencedor do Oscar 2012, que faz uma  delicada homenagem ao cinema mudo.

O Artista narra a história de George Valentin, um astro do cinema mudo em Hollywood, vivido por Jean Dujardin, que vê sua carreira entrar em franca decadência com a chegada do cinema falado. Enquanto isso a jovem atriz Peppy Miller, que ele ajudou no início de sua carreira, se torna uma grande estrela.  O filme, que foi escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius, foi filmado em preto e branco no formato standard, para ficar parecido com filmes antigos, além de ser quase todo mudo, possuindo apenas algumas falas legendadas, quando a mensagem não pode ser transmitida apenas pela expressão corporal dos atores. As homenagens vão de seu próprio estilo, passando pela forma como os créditos iniciais são apresentados e a trilha sonora, às referências a grandes clássicos do cinema.

A direção de Hazanavicius é eficaz ao revisitar o formato dos filmes antigos e seu roteiro, segue pelo mesmo caminho, fazendo uso de artifícios simples e criando belas metáforas para representar momentos importantes. Logo no início é mostrada uma cena de um filme de Valentin, em que o personagem é torturado e se recusa a falar. Há também o encontro casual entre os dois protagonistas, numa escadaria, enquanto ele desce, ela sobe e as pessoas são mostradas caminhando de forma ligeira, como se o filme quisesse dizer que enquanto uns caem, outros se levantam e a vida segue seu curso. Temos ainda uma cena em que o som “invade” a vida de Valentin, tudo a sua volta emite som, mas sua voz não sai, uma cena que chega a ser angustiante.

E além de todas essas qualidades, o grande pilar que sustenta este filme mesmo, é a atuação impecável de Jean Dujardin. Esbanjando carisma com seus largos sorrisos nas primeiras cenas quando Valentin ainda é um grande astro, o ator aos poucos surge com uma expressão triste e cansada em sua fase decadente, transitando facilmente entre comédia e drama, sem nunca abandonar sua postura de homem orgulhoso. O ator foi premiado com o Oscar por sua intepretação e foi mais que merecido. Sua companheira Bérénice Bejo também merece aplausos pela sua charmosa e divertida Peppy Miller, assim como são eficazes também os atores John Goodman no papel de um produtor de Hollywood, James Cromwell, o motorista fiel de George, que parece uma espécie de mordomo Alfred, sempre disposto a apoiar o patrão por quem tem um grande carinho, além  das boas participações de Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowellNão posso deixar e citar o cãozinho Uggie, que acompanha o protagonista o tempo todo, um dos melhores personagens do filme.

O artista não é exatamente grandioso, pelo contrário, é pela simplicidade e sinceridade que o filme cativa seu público. E embora seja uma homenagem ao cinema, o tema retratado reflete em outros contextos, pois Valentin vê se perder tudo aquilo em que acreditava, e, tomado por um orgulho cego, não consegue se abrir para as novas possibilidades. As mudanças sempre vão acontecer, mas é possível se adaptar a elas e isso não significa deixar para trás a própria identidade. Basta se reinventar.

Cotação: 5/5

Lady Rá adorou essa bela homenagem ao cinema, especialmente pelo clima de nostalgia.

TRAILER:







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