quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Outland Comando Titânio - (Outland) - 1981



Título Original: Outland
Ano de lançamento: 1981
Direção:  Peter Hyams
Roteiro: 
Peter Hyams

Elenco: Sean Connery, Frances Sternhagen, Peter Boyle.
Sinopse: Numa estação de coleta de titânio, o delegado (Sean Connery) terá de investigar o misterioso desaparecimento de mineiros, mas a corrupção local faz com que todos os habitantes, amedrontados, fiquem calados.




Por Jason

O começo de “Outland”, produção britânica de 1981, nos remete a outra produção de dois anos antes: a “Alien”, desde a música tenebrosa até os letreiros que surgem aos poucos no espaço. A tag-line usada para promover o filme, "Mesmo no espaço, o último inimigo é o homem", é uma referência para o sucesso anterior do oitavo passageiro, assim como características da ambientação (os corredores mal iluminados, alterações de luminosidade, o aspecto industrial, e os trabalhadores de mineração nos remetem ao ambiente da decrépita Nostromo) que parece ter saída do mesmo filme. Essa estética “Alien” não é ruim, até porque o que será visto a partir dali em termos de trama será muito diferente do filme de Ridley Scott, mas igualmente uma experiência intensa. 

Saia já daqui ou vou chutar a sua bunda!
Saindo dos letreiros iniciais, o filme corta para o satélite IO, em que o homem se alojou numa colônia de aspecto sujo e industrial cheia de mineradores. Um dos trabalhadores surta como se fosse alvo de um alucinógeno e acaba se acidentando e explodindo, numa sequência tensa e bizarra. O caso é tratado como algo comum pelos moradores, apenas um acidente, não fosse pela perspicácia do novato delegado espacial O’ Neil (Sean Connery), que vai começar a desconfiar que há algo errado na colônia quando outro trabalhador morre num elevador espacial - em mais uma cena bizarra.

A trama escorrega ao não explorar melhor o delegado e sua relação com sua família. O'Niel acabou de chegar para cumprir uma temporada de um ano de serviço na base de mineração. Sua esposa está chateada por morar em uma colônia espacial que não lhe dá segurança nem futuro, e quer sumir com o filho de volta para a Terra já que ele “nunca pôs os pés na Terra e lê livros e vê gravuras do planeta sem poder respirar ar puro”

O’Neil está só no satélite, hesitante entre sua função e ir atrás de sua família. Como um cowboy obstinado, ele precisa fazer uma limpeza, mesmo que seja aconselhado a abandonar tudo. À medida que o filme avança, o delegado vai descobrir, com a ajuda da Dra Lazarus (Frances Sternhagen, muito importante para a trama, porque vai ajudar a encurralar os inimigos na base), um esquema envolvendo uma droga anfetamina que é dada aos mineiros para manter os níveis de produção altíssimos. É o uso contínuo da droga que causa alucinações e comportamento psicótico, resultando em inúmeros acidentes fatais.

A base espacial em IO
Grande parte do mérito de “Outland” estar em listas de melhores ficções de todos os tempos é o fato de unir uma trama policial com ficção espacial, numa espécie de faroeste sci-fi tenso e bem amarrado. O roteiro, embora tenha furos homéricos envolvendo a física gravitacional do satélite e da mineradora, prende a atenção do início ao fim. É um filme redondo, objetivo, ágil, um entretenimento de qualidade, sem maiores aspirações, embora resulte em alguns questionamentos interessantes para o espectador, como criticar as grandes corporações que exploram seus trabalhadores a troco de lucro, em detrimento da sua saúde. É simples: troque o ambiente de Io por uma mina de carvão ou de minérios da Terra mesmo e entenderemos a proposta e sua metáfora social.

Nada, no entanto, seria possível sem a produção caprichada para a época, no uso de efeitos especiais e som funcionais (este indicado ao Oscar) e direção de arte e cenários perfeita dentro da proposta do filme, que reproduz com fidelidade um ambiente com aparência alienígena, ora sujo e de aspecto decadente, ora sofisticado como um ambiente hospitalar, e ao mesmo tempo o cenário familiar ao espectador de uma base industrial. 

Outra parte favorável diz respeito à presença ilustre de Sean Connery, na figura de machão como o delegado O’Neil, mas de bom coração, papel que cai como uma luva para o ator, principalmente em sua relação de amizade com a doutora. Conta-se que Connery abandonou uma participação em “Carruagens de fogo” em virtude das filmagens de “Outland” e aqui protagoniza as inesquecíveis sequências de perseguições pela base e fora dela próximo do final do filme. Tudo pago com um orçamento de quase 16 milhões de dólares (valor de superprodução de época) e regado a efeitos especiais de luxo.

Cabeças vão explodir!!!
Um ponto interessante do subtexto do filme é a ideia corrente de que o narcotráfico é algo fora de controle, como uma praga, capaz de se proliferar em qualquer ambiente e algo impossível de se exterminar — em determinado momento, a Dra sugere que O’Neil “desista”, por não fazer parte daquele ambiente corrompido que já se estabeleceu. A célula cancerígena aqui é o próprio delegado, em uma clara inversão de valores. Os trabalhadores parecem todos conformados com a situação e O’Neil, além de ser tratado como uma célula perigosa para o conjunto, trava uma luta aparentemente inútil contra o sistema vigente no local que penaliza o trabalhador e sua população — o que dá ao filme um ar ainda atual. Por outro lado, há na tela uma síntese de problemas trabalhistas idênticos aos do planeta Terra num tipo de ciclo sem fim que ajuda a manter o teor crítico da produção. Tudo isso ao som de Jerry Goldsmith, de "Alien, o oitavo passageiro".

Outland” foi dirigido e roteirizado por Peter Hyams, que mais tarde pilotaria “2010, o ano em que faremos contato” e que o faria amargar uma queda em sua carreira, realizando, na década de 90, filmes com Van Damme, como “Timecop”, e o horrível “Morte Súbita”. É dele também “Fim dos Dias”, com Arnold Schwarzenegger. Mais recentemente, gastaria cerca de 50 milhões de dólares no fracassado “O som do trovão”, com Ben Kingsley (que atrasou 3 anos para conclui-lo, porque a produtora faliu durante a pós-produção e simplesmente não havia dinheiro para terminar o filme, lançando em 2005) e trabalharia como diretor de fotografia de Soldado Universal 3 (2009). 

Seu “Outland” não é perfeito: falta mais ênfase nas questões éticas e morais do local, resumidas em um conflito rápido entre O’Neil e o cínico gerente da mineradora; falta maior profundidade também na relação com a sua família e no seu sofrimento, por abandoná-la para realizar a sua missão (o conflito se resume a conversas e mensagens via computador com a mulher). Mas, diante do destino trágico que a carreira do diretor tomou, “Outland” é glorioso — e como filme de ficção e ação funciona muitíssimo bem.

Cotação: 3,5/5

Sean Connery chutando bundas no espaço, fui claro ou quer que eu desenhe?



Um comentário:

  1. Na época, eu era fanatico por ficção científica e tentei assistir duas vezes, mas dormia porque para um pré-adolescente que queria ver algo como Star Wars era muito parado, mas gostava das cenas do espaço.
    Uma coisa que não bate é o fato de isso acontecer talvez lá para o final do século XXI e ainda se minerar manualmente num ambiente hinóspito.

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