quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Poseidon - 2006 (Poseidon - 2006)



Título Original: Poseidon
Ano de lançamento: 2006
Direção: Wolfgang Petersen
Roteiro: Paul Attanasio, Akiva Goldsman, Mark Protosevich
Elenco: Josh Lucas, Jacinda Barrett, Kurt Russell, Richard Dreyfuss, Emmy Rossum, Mia Maestro
Sinopse: É ano novo a bordo do Poseidon. Alegres passageiros confraternizam-se erguendo suas taças para um brinde ao futuro. Mas o futuro chega mais rápido do que eles imaginam: uma tsunami de 150 pés ou 45 metros de altura acerta a lateral do transatlântico e põe fim ao prazeroso cruzeiro, virando o navio de cabeça pra baixo, dando início a uma desesperada luta pela sobrevivência. Um grupo de 6 pessoas decide sair do lugar aonde estão para tentarem buscar outra saída. Mas o destino os reserva muitas surpresas.


Por Tia Rá

Baseado no longa "O destino do Poseidon", de 1972, que por sua vez é baseado num romance de mesmo nome, "Poseidon" é, infelizmente, mais um fruto do tsunami de remakes que assolou Hollywood de uns tempos para cá, todos inferiores aos seus originais. Digo infelizmente porque aprecio o original e já o imaginava com uma produção mais caprichada  e os envolvidos com a produção mais atual, como o diretor Wolfgang Petersen e sua equipe de poderosos efeitos especiais (indicados aos Oscar), são talentosos e tinham nas mãos um orçamento (140 milhões de dólares) para fazer algo realmente digno de nota. Logo, não é culpa deles o fato do filme ser o que é.

O problema de Poseidon, gravíssimo, está no roteiro. O filme começa apresentando o navio e os personagens - uma nuvem deles - em uma sequência bem filmada pelo diretor, é verdade. O Poseidon surge imponente em um show de efeitos especiais, com todos os seus detalhes, se utilizando de uma tecnologia que ainda engatinhava, por exemplo, quando James Cameron resolveu afundar "Titanic" dez anos antes. Se os efeitos especiais cumprem maravilhosamente bem sua parte nessa apresentação, o mesmo pode-se dizer da direção de arte e de cenários, que realmente transforma os sets de filmagem em um luxuoso navio. 

Mas, quinze minutos depois, vem a sequência mais memorável do filme: uma onda gigantesca surge do nada e pega a tripulação e os passageiros do mal fadado navio de surpresa. A sequência é absolutamente incrível e impressiona pelo uso ultra realista dos efeitos especiais. Wolfgang tem mãos boas no uso de efeitos, é criativo com o uso dos recursos e os explora ao máximo, uma vez que é autor dos sucessos "Mar em fúria" e "Troia". A onda gigante vira o grande navio de cabeça para baixo e tudo começa a despencar dentro dele. Esse é também o momento a partir do qual o filme se perde completamente. 

A ação descontrolada se desembola enquanto os personagens tentam resolver seus problemas particulares, à medida que um ou outro vai desaparecendo. E tome canastrice. Kurt Russell não entende que sua hora de herói já passou. Seu personagem e seu drama familiar, com a péssima Emmy Rossum, não funciona em momento algum (desejei que todos eles morressem afogados o mais rápido possível logo quando o navio emborcou). 

O mesmo vale para o dublê de herói Josh Lucas, cuja carreira flopada não decolou. Lucas não tem carisma, não tem talento, não funciona na tela. Richard Dreyfuss, cuja carreira, com o perdão do trocadilho, virou de cabeça para baixo e afundou desesperadamente, faz aqui figuração de luxo. Mia Maestro - a pior coisa do elenco - tem um personagem que seria o mais dramático, mas não comove. Irrita, pela sua estupidez e por seus escândalos e histeria. Kevin Dillon entra na trama e seu personagem felizmente morre logo depois. Sem personagens carismáticos e situações insossas, que não conquistam o espectador, resta a Jacinda Barrett passar alguma humanidade a trama com sua Maggie e o seu filho Connor, o que garante pelo menos um momento de tensão entre os personagens.

O roteiro também desperdiça a oportunidade de desenvolver situações interessantes como as vistas no original. O Poseidon é um verdadeiro caminho de rato, um labirinto, uma gigantesca armadilha prestes a afundar levando aquelas pessoas pelas quais deveríamos torcer para que se salvassem. Seus compartimentos estão enchendo de água mas há fogo, gases, explosões, destroços. Em determinado momento do filme original de 1972 temos a célebre cena da morte de Belle Rosen (Shelley Winters), a nadadora premiada que acaba morrendo afogada em uma sequência tensa e dramática. Há o ceticismo contra as crenças, o racional contra o emocional, duelando entre personalidades diferentes que tem o mesmo objetivo - sair vivo do navio - mas diferentes caminhos. Aqui, para cada sequência tensa que Wolfgang filma, como a do poço do elevador, há uma parada para discussão da relação entre pai e filha. Não há paciência que resista.

Por fim, vale ressaltar que o roteiro soluciona a saída dos sobreviventes de uma maneira melhor amarrada que o original, mas chegar até ali já se tornou um martírio para náufrago nenhum botar defeito.

Cotação: 1,5/5

Vale pelos efeitos especiais, pela direção de arte e cenários, e pela ação enérgica. E por ver a cantora Fergie, em participação especial, morrer, o que sempre vai me agradar.

TRAILER

Um comentário:

  1. Resumindo:
    *O personagem de Richard por uma estranha força do além, se apaixona pela personagem de Mia
    *Enquanto todos querem se salvar, o bombeiro e sua filha conversam sobre o casamento
    *Dillon foi um pretexto pra deixar o clima "mais tenso" com o incêndio
    *Josh é o desculpa a expressão: "o fodão do filme"... (sinceramente: em todos os momentos de pânico, vai ter aquele superior, acho que o papel dele foi bem interpretado)
    *Cenas que de fato nunca iria acontecer: Connor, uma criança com força suficiente para desparafusar um parafuso com uma corrente
    *Mia não é histérica, até por que minha mãe disse que faria o mesmo... Mas a personagem dela não faz nada além disso, acho que podemos concordar com você
    FOGE UM POUCO DA REALIDADE É VERDADE, MAS AS VEZES SE PERDE NUM UNIVERSO PARALELO.

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