segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Top 10 - A maldição do "3" - Parte 1

Olá!!! 

Mais uma vez, a tia Rá está de volta em mais um post especial no TOP 10.

Em tempos em que Noletes e morceguetes piram pelo fim da nova trilogia do Batman - e tem Noletes que querem comer o meu fígado e assar a minha cabeça num churrasco, pelos meus ácidos comentários a respeito do mais recente filme do cavaleiro das trevas - eu e minha sister Lady Rá resolvemos preparar aqui uma lista dos filmes que não deram muito certo ao fecharem uma trilogia. 

Uma trilogia, não uma série hein, afinal, volta e meia Hollywood sempre faz aquela macumba básica (aka dólares, queridos, muitos dólares!), força a amizade e ressuscita até série que já está mais morta do que o Tutancâmon. 

Lembrando que a lista não tem preferência, nem ordem, apenas apontamos aqueles filmes famosos que de alguma forma prejudicaram os dois anteriores - ou apenas o anterior, ou o original, enfim - ou que não superaram os antecessores, porque nem todo mundo tem um bilhete premiado como O senhor dos Anéis né, minha gente...? Aliás, nem todos os filmes são ruins. Eles só não prezam pela excelência dos seus antecessores. Ok?

Então, sosseguem a periquita, deixem seus xiitimos de lado, e vem comigo para uma jogada com esses terceiros capítulos amaldiçoados!

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O exterminador do futuro 3 - A rebelião das máquinas (2003)

O mundo já estava salvo por um robô exterminador reprogramado vindo do futuro e tia Sarah Connor no (ainda) impecável "O exterminador do futuro 2 - o julgamento final". Mas aí, a gente sabe né? Hollywood espremeu daqui, dali, empurrou aqui, mudou a data do fim de mundo, fez um rocambole com personagens, tirou gente daqui, chamou atores dali e foi. Nascia assim essa bomba monumental cara (fala-se em 200 milhões de dólares) que teve relativo sucesso ao redor do mundo - arrecadou o dobro - apoiado na expectativa do público em torno de uma marca bastante conhecida que já rendeu bilhões em quinquilharias. 

Na trama, a primeira batalha entre os humanos e a inteligência artificial da empresa SkyNet está prestes a ocorrer. Na intenção de eliminar John Connor (Nick Stahl), um dos líderes dos humanos, as máquinas enviam um novo ciborgue exterminador em seu encalço: o canivete suíço high tech T-X (a bela e muda modelo dublê de atriz Kristanna Loken). Para protegê-lo mais uma vez o ciborgue T-800 (Arnold Schwarzenegger) volta à cena. 

Mas o filme não se pagou nos EUA. Não dá para comentar as piadas e tom quase de paródia dessa comédia. Veja Claire Danes pagando mico, Nick Stahl em transe de drogas num filme de ação neurótico e de roteiro vagabundo. Tiraram Sarah Connor, inventaram uma vilã que é uma cópia mais sofisticada que o vilão T-1000 e, o que é pior, a série ainda teve uma continuação medonha - o terrível Terminator Salvation

Preste atenção na cena do guindaste, porque em quesito destruição, pelo menos, o filme mantém o nível dos anteriores. A produção foi assassinada pela crítica, unânime em dizer que o filme é terrível. E é.


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A múmia 3 - Tumba do Imperador Dragão (2008)

Na trama macarrônica, Brendan Fraser retorna como o explorador Rick O'Connell para combater o ressurrecto Imperador Han (Jet Li) em um épico que vai das catacumbas da China antiga até o topo gélido do Himalaia. Rick é auxiliado na aventura por seu filho Alex (Luke Ford), sua esposa Evelyn (Maria Bello) e o irmão dela, Jonathan (John Hannah). Desta vez, os O'Connell devem parar uma múmia desperta de uma maldição de 2 mil anos que ameaça o mundo. Amaldiçoado por uma feiticeira traidora (Michelle Yeoh) a passar a eternidade em animação suspensa, o cruel Imperador Dragão da China e seus 10 mil soldados foram esquecidos por eras, silenciados na forma de um exército de terracota. Mas quando Alex O'Connell é levado a despertar o imperador, o inexperiente aventureiro precisa pedir ajuda às únicas pessoas que sabem mais do que ele sobre os mortos-vivos: seus pais. 

Essa continuação de dois filmes bem sucedidos - os ótimos e divertidos A múmia, de 1999, e O retorno da Múmia, de 2001, teve o custo mais caro da trilogia (80, 98 e 145 milhões, respectivamente) e fez sucesso de bilheteria tal qual seus antecessores - todos acima de 400 milhões de dólares, o que faz a trilogia uma mina de ouro de mais de 1 bilhão de doletas. Acontece que nos EUA o filme teve o pior desempenho dos três, pois não recuperou seu investimento (parou nos 100 milhões, só para se ter uma ideia, o segundo filme arrecadou o dobro disso por lá) segundo o site Box Office, o que fez com que a campanha de marketing se focasse no restante do mundo - Hollywood sabe que os mercados externos importam mais do que o interno hoje em dia. Não ajudou muito o fato de ter de bagagem críticas assassinando o filme de todos os jeitos, e a entrada de Rob Cohen na direção não trouxe novidade e transformou o filme em um produto esquecível.

Contribui para o fracasso crítico a saída de Rachel Weiz, entrando Maria Bello, substituindo a atriz sem a mesma eficiência, beleza e timing cômico. Nenhum ator tem destaque e o filme ainda embute sequências envolvendo monstros da neve para satisfazer crianças ansiosas, e adolescentes acéfalos, por criaturas fofinhas e legais. Aterrorizantemente trash.


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Jurassic Park 3 (2001)

Ok, aqui está um caso em que a série já vinha cambaleando do segundo filme, em que inventaram outra ilha, outra história, outra desculpa para colocar dinossauros comendo gente e gente correndo para lá e para cá. Não ajudou em nada o epílogo do segundo filme, uma mistura de Mundo Perdido (1925, daí o título) com King Kong, com um T Rex sapateando nas ruas de San Diego. Não vamos citar o primeiro filme, já alçado a um clássico cinematográfico da ficção. Nesse terceiro, o caso é mais grave.

No fiapo de trama, apesar de ter ficado abalado com seu último encontro com dinossauros vivos, o Dr. Alan Grant (Sam Neill) continua dedicando sua vida a estudá-los e desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento da inteligência dos velociraptors. Desesperado em busca de fundos para dar prosseguimento à sua pesquisa, ele aceita a oferta de Paul (William H. Macy) e Amanda Kirby (Téa Leoni), dois milionários que desejam fazer uma excursão aérea na Ilha Sorna e que querem contratá-lo para acompanhá-los. Porém, durante a viagem o Dr. Alan Grant descobre a verdadeira intenção dos Kirby, que é descer até a Ilha Sorna para procurar seu filho, que desapareceu no local em uma expedição ocorrida 8 semanas antes. Apesar da oposição de Grant, eles pousam na ilha e acabam sendo atacados por uma nova espécie de dinossauro, maior e mais feroz que o tiranossauro rex.

A ideia do Espinossauro, mais feroz, maior, ou o que quer seja, que um T Rex, é interessante e uma tentativa de inovar, uma vez que ele realmente existiu - embora tenha vivido em época diferente. Mas faz com que o filme relegue o protagonista dos outros anteriores - o pobre coitado do T Rex que aterrorizou plateias do mundo todo nos anteriores - a uma participação especial antes de morrer. 

Não ajuda em nada Tea Leoni, gritando idiotamente durante praticamente todo o filme, o desperdício de Sam Neil e William H. Macy, em cenas de risos involuntários e de drama ordinário, um guri com pendores de Indiana Jones, celular tocando na barriga de monstrengo e animais que estão ali apenas para enfeite cenário. O filme ainda come os restos de outras produções (a cena da gaiola e do parque abandonado, por exemplo, estavam previstas para os outros filmes, mas foram cortadas) e tem uma direção burocrática de Joe Johnston - é dele também o fracasso "O lobisomem" e o mediano "Capitão América", recordemos.

De bom mesmo, uma cena de queda de avião, os raptores, ensandecidos em sua esperteza assassina, efeitos especiais e os pterodátilos, que aqui aparecem em toda sua plenitude - e fome, muita fome. Metralhado pela crítica, o filme ainda assim fez relativo sucesso (370 milhões, para um custo de 93 milhões), mas afundou a série em um festival de mesmice. Pelo menos até que algum executivo decida trazer os bichões de volta para as telonas, não é mesmo?

Descartável.  


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Matrix Revolutions (2003)

Matrix revolucionou o cinema em 1999, criou um fenômeno contagiante num filme de ficção que misturava filosofia, personagens icônicos e uma temática atemporal, numa sintonia perfeita com a proximidade do fim do século e com os avanços cada vez maiores da tecnologia na sociedade. Pois bem, com o sucesso do primeiro filme, alguém tinha que lucrar mais e mais. Veio o sucesso da trilogia, o segundo filme, sucesso de público e crítica, que parecia impulsionar para uma conclusão empolgante, superando todas as expectativas. Aí...

Bom, aí veio isso. Além de ser alvejado pela crítica, Revolutions encerra a série de maneira pífia e aquém do esperado. Não se pagou nos EUA (custou 150 milhões) e arrecadou menos que os outros dois no mundo (o público não comprou muito a ideia). Mataram a heroína - Trinity, uma das melhores coisas que surgiram nos últimos tempos em termos de heroína desde que Ellen Ripley aposentou as chuteiras - encheram de personagens e criaram desculpas  cenas de ação que parecem existir apenas para mostrarem os efeitos especiais saídos de vídeo game. Não vamos falar do acordo entre homens e máquinas, constrangedoramente mal executado pelo roteiro, e as sequências de guerra que se estendem até se perder a paciência - para terminar naquele final no mínimo vago. 

Na trama, após enfrentar os sentinelas no mundo real, Neo (Keanu Reeves) tem sua mente presa em um local que fica entre a Matrix e a realidade, do qual apenas poderá sair com a ajuda de Trainman (Bruce Spence). Após perceberem que as ondas cerebrais de Neo são idênticas as de uma pessoa conectada à Matrix, Trinity (Carrie-Anne Moss) e Morpheus (Laurence Fishburne) buscam a ajuda da Oráculo (Mary Alice) e Seraph (Sing Ngai). Trinity, Morpheus e Seraph vão em busca de Merovingian (Lambert Wilson), que possui controle sobre Trainman e pode libertar Neo. Após obterem sucesso no resgate, o trio se divide em duas missões: enquanto Morpheus e a tripulação de duas naves parte rumo a Zion, na tentativa de ajudar no combate contra as máquinas, Neo e Trinity se dirigem à cidadela das máquinas.

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Homem aranha 3 (2007)

Na trama, Peter Parker (Tobey Maguire) conseguiu encontrar um meio-termo entre seus deveres como o Homem-Aranha e seu relacionamento com Mary Jane (Kirsten Dunst). Porém o sucesso como herói e a bajulação dos fãs, entre eles Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), faz com que Peter se torne auto-confiante demais e passe a negligenciar as pessoas que se importam com ele. Porém a situação muda quando ele precisa enfrentar Flint Marko (Thomas Haden Church), mais conhecido como o Homem-Areia, que possui ligações com a morte do seu tio Ben. Tendo que lidar com o sentimento de vingança, Peter passa a usar um estranho uniforme negro, que se adapta ao seu corpo. Outro caso emblemático de maldição. 

Apesar do sucesso do filme, recheado de espantosos efeitos especiais, a crítica se dividiu e o público também, apontando falhas em relação ao primeiro - o filme não se conecta muito bem, recriando coisas que já estavam bem resolvidas, como o assassinato do Tio Ben envolvendo o então personagem Homem Areia. Não ajuda em nada a quantidade de vilões - reparem, são três, com um se convertendo em lágrimas no final, o novo "Duende"; um arco mal desenvolvido (o de Venon, colocado no filme apenas porque os executivos do estúdio queriam, a contra gosto do diretor Sam Raimi) e furos do roteiro, que incluem o Homem aranha colocado em todos os acontecimentos importantes e na mesma cena, por coincidências absurdas, com todos os personagens que o rodeiam (o salvamento de Gwen Stacy do quase desabamento do prédio e uma grua descontrolada é o mais gritante). Gwen, aliás, cai de paraquedas na trama e o filme ainda mistura cenas com o chamado "emo" aranha, que torrou a paciência de fãs xiitas no mundo todo. Se tínhamos, nos outros filmes, boas atuações, como o inesquecível Alfred Molina na pele do vilão Dr Octavius, aqui, não há ninguém de destaque. 

E, como não poderia deixar de ser, o filme não foi o último do personagem: já engataram um reboot, com ideias descartadas para uma continuação que seria realizada por Sam Raimi, para desespero de qualquer cristão.


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Superman 3 (1983)

Uma prova de que Hollywood já vinha fazendo cagada coisa errada muito tempo atrás. Prova também que filmes baseados em super heróis sofreram horrores nas mãos de produtores incompetentes. Superman III traz o Homem de Aço que, além de enfrentar um gênio da informática que planeja dominar o mundo (helloooo!), acaba sendo exposto a radiação da kryptonita, que o afeta psicologicamente e o torna arrogante e egoísta (sente o naipe da coisa).

O filme foi bem menos sucedido do que seus antecessores, tanto em bilheteria quanto de critica. Não ajudou o fato de incluírem o comediante Richard Pyror ao filme, tentando transformar em uma espécie de comédia de super heroi ou coisa parecida. Cheio de gags cômicas, incomoda o fato de não haver nenhum resquício das produções caprichadas anteriores. Há algo de bom - a tentativa de mostrar o Superman como alguém suscetível a defeitos e a crises de identidade como um ser humano comum. Mas os diálogos toscos assassinam qualquer tentativa do filme elevar sua qualidade.

O público rejeitou o vilão, uma vez que Gene Hackman se recusou a participar do filme - colocaram um Lex Luthor genérico e foi assim mesmo para os cinemas. A atriz Margot Kidder foi reduzida para apenas cinco minutos de filme. Christopher Reeve também não curtiu, embutiram um caso amoroso com Lana Lang, e deu no que deu. A direção tragicômica não ajudou em nenhum momento, o que resultou nessa bomba fenomenal e os efeitos especiais, antes usados com cuidado, aqui se tornaram desastrosos.

O crítico do Chicago Sun Times, Roger Ebert, chegou a definir o filme como "uma HQ cinematográfica, rasa, idiota, cheio de acrobacias e ação, sem muito interesse humano e sem inspiração". 


Sim, não há o que se questionar, Superman 3 tinha tudo para ser um delicioso sucesso como os dois primeiros, mas é um desastre.


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Batman Forever (1995)

Na trama, Duas-Caras (Tommy Lee Jones) e Charada (Jim Carey), dois excêntricos bandidos, decidem descobrir a identidade do Homem-Morcego (Val Kilmer) para depois matá-lo. Este por sua vez recebe a ajuda de um jovem (Chris O'Donnell) que tem sede de vingança, por ter perdido a família em um acidente provocado exatamente pelo Duas-Caras.

Temos aqui outro caso de doença crônica de terceiro filme, só superado pelo seu sucessor medonho, o impronunciável, Batman e Robin. Apesar do sucesso considerável nas bilheterias - o filme arrecadou mais de 300  milhões no mundo todo - Batman Forever começa pecando pela mudança de tom em relação aos filmes anteriores, tornando-se menos violento e mais familiar - é um carnaval de cores, na verdade -, já que a Warner Bros considerou que o filme anterior, Batman Returns (1992), tivera um desempenho fraco nas bilheterias devido à sua violência e tons sombrios - sim, afastando a gurizada que queria torrar suas mesadas nos cinemas. 

A produção foi conturbada, com muitos atores considerados para o papel principal, (Johnny Depp quase pegou) e Kilmer entrando em conflito com o diretor e o resto da produção. Batman Forever dividiu as críticas após o seu lançamento, muitos alegaram que o filme era colorido demais da conta e chato demais além do tolerável. Se os dois antecessores foram fantasias sólidas, que careciam um pouco mais de ação, seus personagens se sobressaíam com personalidades bem delimitadas e excelentes atuações; aqui, contudo, Nicole Kidman cai de paraquedas na trama, muito antes de ser reconhecida e premiada como uma boa atriz, e serve apenas de interesse amoroso para o herói. Kilmer parece preencher melhor a fantasia de Batman do que seu antecessor, Michael Keaton, mas não acrescenta muito no quesito atuação. Jim Carrey faz suas habituais caras e bocas e Tommy Lee Jones tenta agregar algo de profundo ao seu personagem, sem conseguir em momento algum. O filme ainda embute o Robin, sem que ele consiga contribuir significantemente para a trama e a relação entre este e Bruce Wayne carece perdidamente de drama.

Um verdadeiro parque infantil. Mas sem nenhuma emoção.


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Star Wars - O retorno de Jedi (1983)

Na trama, o imperador (Ian McDiarmid) está supervisionando a construção de uma nova Estrela da Morte. Enquanto isso Luke Skywalker (Mark Hamill) liberta Hans Solo (Harrison Ford) e a Princesa Leia (Carrie Fisher) das mãos de Jaba, o pior bandido das galáxias. Luke só se tornará um cavaleiro jedi quando destruir Darth Vader, que ainda pretende atraí-lo para o lado negro da "Força". No entanto a luta entre os dois vai revelar um inesperado segredo.

Dói dizer isso de uma saga que tanto me fascinou na infância e adolescência e que ainda me desperta amores na vida adulta. O filme foi um bom desfecho para a trilogia, mas cai na bobagem quando embute na trama os Ewoks. Idiotas e infantilizados, eles quase destroem o trabalho criado nos dois filmes antecessores, como o impecável "O império contra-ataca"

Pior: os Ewoks se mostram essenciais para a destruição de uma base inimigas se usando de variadas "armadilhas e tácticas de emboscada". A necessidade de atingir um público maior nos cinemas - os adolescentes e as crianças - ou a criação de um filme mais acessível com um clima de "filme família" - parece ter levado não apenas essa saga a se infantilizar, mas outras séries acabaram sofrendo do mesmo mal (Superman, por exemplo, como citado acima, Mad Max Além da Cúpula do Trovão, o segundo capítulo de Indiana Jones e as crianças do Templo da Perdição, além de outros filmes mais tarde, como "Batman Forever", "Batman e Robin", por exemplo). 

Star Wars seria vítima duplamente desse processo, pois "A ameaça fantasma" sofreria da mesma doença muitos anos depois. Quase toda trilogia que se preze também sofre para emendar seus acontecimentos com os filmes anteriores, principalmente os iniciais. Quando suas tramas passam pelas mãos de outros roteiristas, sem ter a coesão do começo ao fim, a coisa só piora - e o cinema tá cheio de exemplos destes citados, como Máquina Mortífera, Pânico, Star Trek, O planeta dos macacos, A hora do pesadelo, Sexta Feira 13, etc. Star Wars A vingança do Sith, o último filme da série, que fecha a última trilogia, também passaria pela mesma tormenta. 

Aqui, há outro problema mais sério, como o personagem Han Solo, que é prejudicado por decisões do roteiro que desagradaram ao próprio Harrison Ford na época, se transformando em um personagem idiotizado que difere dos outros dois filmes. 

O conflito e o reencontro de Luke com Vader, no entanto, salvam o time.


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Rambo 3 (1988)



O primeiro arrecadou 125 milhões, numa época em que arrecadar mais do que 100 milhões era sinônimo de sucesso porque as produções mais caras não custavam mais do que 25. Rambo custou 15, uma mixaria para os padrões de hoje. Só pra constar, o segundo arrecadou 300 milhões de dólares, numa época em que a maioria dos sucessos comerciais não chegavam a fazer tudo isso. Foi o único a ter uma indicação ao Oscar, melhores efeitos sonoros. Perdeu para De volta para o futuro. O terceiro parou em 190, mas foi o mais caro, 63 milhões. Era o sinal de que não deveriam mexer mais nessa zona. Mas aí fizeram o quarto e ele morreu em 113 milhões.


Rambo 3 foi um fracasso em comparação a trilogia original, mas de todos é o melhor acabado, o melhor produzido e o mais polido, que sobrevive ainda hoje muito melhor que os outros. É o mais violento filme já produzido, onde não se poupam da morte nem mulheres grávidas e nem crianças. Mas é também o mais político e, visto hoje, o mais irônico. 

O filme já começa de forma risível, com Rambo lutando quase até a morte para descolar uns trocados que dá gentilmente aos monges budistas que o acolheram em seu templo. Mas a "paz" do personagem dura pouco, pois logo descobrimos que seu mentor e camarada, Coronel Trautman, foi capturado pelos malvados comunistas quando estava em missão do Tio Sam tentando levar democracia e liberdade para o pobre povo afegão. Rambo então vai para aquele país quente e repleto de barbudos mal-encarados a fim de resgatar seu colega militar e, de quebra, destruir sozinho e com um estoque aparentemente infinito de flechas explosivas o abominável exército vermelho - o qual, depois de uma sessão de tortura contra inimigos, ataca aldeias miseráveis por esporte, matando cruelmente inclusive velhinhas e criancinhas indefesas.

Ironia pensar que os EUA ajudava aquele país em 1988 a expulsar os soviéticos e hoje em dia solta seus cachorros sobre o povo afegão na desculpa de sua guerra ao terror quando existe por trás todo interesse financeiro possível. Ironia também ver o povo afegão e soviético como atrasado e o povo americano rico, altamente tecnológico e desenvolvido, quando um Osama foi capaz de destruir as torres gêmeas se usando de vulnerabilidade da segurança nacional americana, algo distópico do soldado criado nos anos 80. De todos, seria o mais atual. Mas...


...Mas tem os diálogos né?


- Quem ele pensa que é? Deus?
- Não. Deus tem misericórdia. Rambo não.


Choray.

Ah, os anos 80. Computação zero, tudo explosão de set, maquetes e frases de efeito, claro. Ah, sem falar naquele cabelo trash intocável de Rambo né... Legal é aquela cena em que três caras disparam com suas metralhadoras uns cinquenta tiros cada um e nenhum toca nele. Então Rambo surge do nada, arma uma flecha explosiva, atira e mata os três. Brilhante véi.... rindo horrores. Pra não falar do vilão que morre depois de um golpe van damme e explode com uma granada... ou o final em que ele e o coronel ficam encurralados com centenas de russos e ele manda bala em todos eles até os rebeldes chegarem, montados em cavalos, contra uma horda de tanques e soldados - e saem vitoriosos. 


Fail.


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Mad Max Além da Cúpula do Trovão (1985)


No filme, após a destruição da civilização surge “Bartertown”, uma cidade no deserto com regras primitivas e mortais que tem uma governante (Tina Turner) que deseja consolidar seu poder a qualquer preço. Até que lá chega Max (Mel Gibson), que é forçado a participar de uma luta e, por ter se recusado a matar seu oponente, acaba sendo banido no deserto. Um grupo de jovens selvagens o salva e passa a considerá-lo um messias que os levará até uma nova terra.

No campo do cinema, ficou evidente na época a necessidade de Mad Max de se popularizar em todos os mercados, incluindo aqui os jovens adolescentes que não se viam nas telas até o final da década de 70 (onde os filmes de grandes bilheterias desta, filmes catástrofes, de ficção, terror ou de heróis, como “Inferno na Torre”, “O destino de Poseidon”, “Terremoto”, “Alien”, “Tubarão”, “O exorcista”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, e até mesmo “Mad Max”, dentre outros, eram destinados ao público adulto) e que se tornaram um filão milionário para produções cinematográficas (é só dar uma olhada nos títulos da década de 80, incluindo os filmes de terror para adolescentes, que explodiram na época). 

A primeira parte do filme é bem desenvolvida. Não há do que se queixar. Mas é na segunda parte do filme que a coisa começa a desandar, quando entra em cena o grupo de crianças e há uma aposta numa comicidade um tanto incômoda, com situações risíveis envolvendo os personagens, tudo para agradar o público diversificado. A reação da crítica ao filme foi mista devido a essa irregularidade a infantilização descabida de Max para tornar o filme mais comercial - em resumo, um sucesso de bilheteria, capaz de atrair todos os públicos ao cinema. E a maioria das críticas negativas ficou reservada justamente a presença deslocada das crianças e para o fato de muitos - inclusive eu - escolherem como o mais inferior da série. 

O personagem Max, Tina Turner e o final salvam o filme.


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Por hoje é só, não se preocupem, vem outra lista por aí cheia de amaldiçoados como estes!!! 


Aguardem!


Beijos pútridos cheios de pus da Tia Rá! ;D




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