sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Branca de Neve e o Caçador - 2012 (Snow White and the Huntsman - 2012)



Título Original: Snow White and the Huntsman
Ano de lançamento: 2012
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daughterty, Hossein Amini, John Lee Hancock
Elenco: Charlize Theron, Kristen Stewart, Chris Hemworth, Ian McShane, Toby Jones, Bob Hoskins, Ray Winstone
Sinopse: Em Snow White and the Huntsman, o caçador (Hemsworth) é contratado pela rainha má Ravenna (Theron) para encontrar a enteada dela (Stewart), mas quando descobre que a rainha quer, na verdade, matar Branca de Neve, ele a ajuda a escapar. Os anões que ajudam Branca de Neve, desta vez, são oito - e têm nomes de imperadores romanos: Ian McShane (César), Eddie Izzard (Tibério), Bob Hoskins (Constantino), Toby Jones (Cláudio), Ray Winstone (Trajano), Eddie Marsan (Adriano), Steven Graham (Nero) e Nick Frost (Augusto).



Por tia Rá, la diva!

Branca de Neve e o Caçador começa com um prólogo muito bem filmado,  onde conhecemos a origem de Branca de Neve e de como minha mãe Ravenna, a diva maligna, se apoderou do reino belo e encantado onde governavam os pais de Branca de Neve - e como mamãe Ravenna transformou tudo em horror prólogo este que deveria ser realizado antes do nome do filme, mas tudo bem

Neste momento, já é possível antecipar algumas coisas em torno do que vem pela frente: o filme tem bom esmero técnico (bom, nada empolgante, o básico, como outros filmes do gênero fantástico, tal qual um "As crônicas de Nárnia"), com fotografia bonita, cenografia idem, figurinos portentosos, mas efeitos especiais apenas razoáveis (a cena de transformação de William em Ravenna e as criaturas digitais mal elaboradas incomodam pacas). Em resumo, nada espetacular - você já viu isso em outros filmes e de forma até melhorada.  É nesse prólogo, no entanto, que já dá para saber que um nome segurará todo o filme até o final - Charlize Theron.

Quando Charlize surge em cena, toda estupriada e esfarrapada e no dia seguinte está se casando toda diva com o rei, algo no filme se transforma. É impossível se desgrudar da beleza sobrenatural - e por vezes quase surreal - de Charlize Theron. Deus, em toda a sua sabedoria - essa mulher só pode ser obra divina - colocou toda a beleza do mundo e toda a genialidade e talento dentro de uma única pessoa que ódio, que inveja dessa mulher! 

Ravenna tem olhar de psicopata. Pisa, bate, espanca e machuca seu irmão e seus subordinados. Num determinado momento, suga toda a juventude e beleza de uma pobre coitada, transformando-a em uma velha caquética. Come vísceras cruas de passarinhos bonitinhos. Ou seja, é a essência fashion da maldade, quase um fetiche, toda trabalhada num figurino luxuoso enquanto reverencia seu narcisismo diante de um espelho dourado. Bonita, elegante, Ravenna rapidamente seduz o rei e o mata com uma punhalada na noite de núpcias em que, durante o ato, conta um pouco de sua história, quando era uma rainha e foi trocada por uma mulher mais nova, se sentindo usada e infeliz e tratada como um lixo por ter sido desprezada é magoa de caboclo pra mulher nenhuma colocar defeito, gente.... 

Revoltada, Ravenna, minha adorável mãe, que hoje se encontra no além me inspirando a ser como eu sou, que além de linda, diva, biscate, psicopata, assassina, cabocla e parapsicologa é uma bruxa macumbeira transmorfa e teletransportadoraassume rapidamente o reino e manda tocar o terror geral. Furiosa, ela tranca Branca de Neve no alto de uma das torres do castelo e envenena o reino com dor e sofrimento. A menina cresce e se transforma na baranga de neve... Kristen Stewart. 

Ok, paremos por aqui para refletir um pouco.

Se no campo técnico o filme se segura bem - e a direção demonstra competência, procurando desesperadamente por Ravenna - quando a câmera deixa de focar em Charlize e passa a focar em Stewart, o filme simplesmente afunda. Se Deus moldou Charlize, Kristen foi vomitada pelo cão depois de um noite de bebedeira e virou esse encosto que destrói qualquer produção em que ela esteja. A menina  não sabe atuar, parece uma múmia, uma garota zumbi. Não consegue expressar nenhuma emoção, engessada em uma figura patética com a boca semicerrada, dentes proeminentes e olhos vazios. Um nada. 

Se Charlize representa no filme uma metáfora pesada sobre a busca eterna pela juventude uma vez que a velhice lembra a proximidade "morte" para o ser humano, que resultou em um desesperado narcisismo e uma esquizofrenia (Ravenna conversa com o espelho, mas o que sai de dentro dele só é visto por ela), Kristen deveria representar a salvação de valores como inocência, coragem, força e sabedoria e, com os anões, mais do que tudo, a aceitação do ser humano de ser o que é e como é

Ocorre que Kristen não tem cacife, não tem talento e não consegue transpor seu personagem para além do que se vê na tela - uma garota com ares de retardo mental - muito menos segurar a trama e rivalizar com Charlize em cena. Toda vez que a menina aparece em cena, o filme cria um vácuo e um problema - o desinteresse na produção - que é impossível solucionar. E aqui não há apelo para efeito especial ou parte técnica que dê jeito porque o filme cai numa monotonia terrível - monótono, como a eterna cara de paisagem de Stewart. De nada adianta os apelos para sequências bonitas de paisagens típicas de cartões postais de reinos fantásticos ou quando o filme evoca produções muito superiores (a corrida para capturar Branca pelo exército maligno tem um quê de "O senhor dos Anéis" e aquela correria dos cavaleiros das sombras para pegar Frodo e o anel). 

Mesmo sob a lâmina de um machado ou morrendo envenenada, Kristen não demonstra desespero, não demonstra pavor, medo, emoções genuínas, nada. Eu disse N-A-D-A. Reparem que os elfos, os pequenos gnomos, ou o troll, criações digitais porcalhonas, são mais expressivos do que ela. Pior: Kristen, em cena, insossa como ela é, faz com que você torça para que Ravenna quebre a cara dela toda e vença no final já falei que Ravenna é diva gente? Se fosse uma atriz jovem de maior calibre, mais talentosa e carismática, tal qual Amanda Seyfried ou Jennifer Lawrence, talvez, quem sabe, a produção pudesse render mais.

Mas se Kristen fosse o único problema, isso seria resolvido com a presença de Charlize e todo o resto. Outro problema do filme está em Chris Hemsworth. Não adianta choramingar, o cara rivaliza na trama com Stewart para ver quem é mais inexpressivo e quem tem menos presença no elenco, com a diferença que aqui seu papel serve apenas de galã para atrair meninas aos cinemas. Ele é o contratado de Ravenna para caçar a Branca piriguete e a química entre os dois não funciona em momento algum do filme. Química que não funciona também entre Stewart e seu "amor" de infância, o insosso William, o arqueiro, que surge do nada - e, percebam, vai para lugar nenhum.

É sintomático que o personagem William esteja na trama, empurrando um esboço de romance mequetefre goela abaixo, porque isso nos revela o quão problemático é o roteiro de Branca de Neve e o caçador. Para cada cena em que é criada um drama para Ravenna - a sequência em que ela vê o povo brigando por uma fonte de leite e se lembra de seu passado pobre ou do seu flashback em que chora (!) - o roteiro emprega duas cenas desnecessárias, apenas para saciar a sede por criar visuais deslumbrantes, como o banho de leite monange? tomado por Charlize em sua piscina oi Xuxa!, que deveria funcionar como um desdém de Ravenna pelo seu passado e seu presente de luxos, mas o efeito acaba sendo apenas visual. Ou a Floresta Negra não é o biscoito de chocolate, gente... em que tudo se movimenta e tem a aparência bizarra e asquerosa uma vez inalado o gás do pântano e que, nas palavras do caçador, se fortalece com as fraquezas de quem está dentro dela. Puro artifício visual que já foi melhor utilizado em outros filmes do gênero, como na fraca, mas visualmente mais esquisita, Alice, de Tim Burton.

Há também a cena do meu lindo bebê troll, que, mais uma vez, não serve para nada, ou a floresta das fadas, artifício para mostrar que a direção de arte do filme presta e que os efeitos fazem feio para uma produção de 170 milhões de dólares. Nem a entrada dos anões, um desperdício de atores tão talentosos (Ian McShane, Toby Jones, Bob Hoskins, Ray Winstone...), consegue manter as atenções do espectador e deslocar do público o interesse por Ravenna - e aqui, Charlize mais uma vez desaparece debaixo do personagem, mesmo vestida com penas de urubu e suja de lama ou rastejando pelo chão como uma cobra com a cara carregada de maquiagem para ficar velha. São cenas que não acrescentam em nada na trama, que só servem para criar o espetáculo visual e para deixar Charlize deitar e rolar com seu talento. 

Há outros poréns...: o espelho - que ganha vida criado por uma computação gráfica - sai de seu buraco para dizer a Ravenna que a Baranga de Neve de Stewart prestem bem atenção nisso como eu prestei! é a mais bonita de coração porque é "pura e inocente" e pode se transformar na "Rainha da Salvação". Para evitar isso e alcançar a imortalidade, Ravenna precisa do coração da piriguete. Ok. Mas a Branca de Neve que é mostrada pouco depois é uma menina esperta demais e maliciosa demais, capaz de engendrar uma fuga para Batman nenhum colocar defeito - algo tão bizarro que leva até mesmo Ravenna a se perguntar como uma menina pura e inocente poderia ter feito aquilo (?!) Por coincidência, ela encontra um objeto que vai lhe servir de arma. Por coincidência, consegue fugir. Por coincidência, encontra um cavalo numa praia aparentemente deserta que vai lhe servir de transporte - e que será descartado, perceba, momentos depois. Por coincidência ela encontra o caçador e rapidamente ficam juntos. O filme não explica como alguns dos guardas imperiais também são capazes de reconhecer Branca de Neve na fuga do castelo sem a ajuda de alguém que a conhece pessoalmente, uma vez que a mesma foi criada isolada no alto da torre desde a infância, sem contato algum com eles (apenas com o irmão de Ravenna). OI ROTEIRO???

Não é exigir demais de um filme de fantasia, porque dá para aceitar tranquilamente gnomos, fadas, alces albinos com galhos monstruosos, trolls, árvores que se mexem, bichos criados por borboletas, anões, toda uma viagem mental e delirante de anfetaminas e LSD, ou a maligna Rainha Má virando uma nuvem de corvos num efeito especial que deixaria Hitchcock e seus Pássaros orgulhosos. Mas ser subestimado ou ter minha inteligência questionada por um roteiro como esse é forçar demais a amizade, colega... 

E o que dizer do discurso de Branca depois que ela se levanta após o beijo apaixonado (oi?) do caçador, tão sofrido que estava ainda pela perda de sua mulher nas mãos do irmão de Ravenna? Constrangimento define (Stewart, de novo, não funfa...). Confesso que torci por Ravenna na luta final, mas a morte de mãe Ravenna é simplesmente tosca de matar de raiva. Dura pouquíssimo um combate que foi trabalhado durante o tempo todo, como se o filme tivesse se perdido completamente na meia hora final, em que Baranga de Neve, miss Kristen Stewart, incorpora a Alice de Tim Burton e vai à luta montada num cavalo, com armadura de soldado medieval e tudo mais. Ã-hã, Cláudia. Senta lá.

Por fim, o que se pode extrair do filme é que Branca de Neve e o caçador se segura por ter um conjunto visualmente belo, tecnicamente bom e pela performance maravilhosa de Charlize, que nunca cansa o espectador. Mas a sensação que fica é de que ele não entrega tudo do que se espera de uma (cara) produção de 170 milhões. O diretor pode render muito em futuras produções (estarei de olho) e, quem sabe, o filme pode ganhar indicações a premiações como Globo de Ouro ou Oscar técnicos. Quanto a inominável zumbi Stewart, só me resta esperar que ela desapareça para sempre. Eu, a tia Rá, Hollywood - e os espectadores - agradecem.


Cotação: 2,5/5

Charlize Theron é DIVA! Tia Rá AMOU vê-la interpretando sua querida mãe nessa cinebiografia da Rainha Má Ravenna, nossa musa inspiradora absoluta, que nos fez criar esse blog e nos inspira todos os dias com sua beleza e suas maldades! Mas tia Rá acredita que o filme poderia se chamar "Mortal Kombat: a biografia de Ravenna"  e que no final, depois de meia hora de espancamento e tortura, ela poderia dar um fatality nessa Baranga de Névoa pra gente se ver livre dela pra sempre, vocês me entendem?

Ok, parei.

TRAILER




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