quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fahrenheit 451 - 1966 (Fahrenheit 451 - 1966)




Título Original: Fahrenheit 451
Ano de lançamento: 1966
Direção: François Truffaut
Roteiro: David Rudkin, François Truffaut, Helen (VII) Scott, Jean-Louis Richard, Ray Bradbury
Elenco: Julie Christie, Oskar Werner
Sinopse: Em um Estado totalitário em um futuro próximo, os "bombeiros" têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva.


Por Jason

Não vamos nos ater aos detalhes, porque provavelmente tudo e mais um pouco já foi dito sobre este clássico absoluto da ficção e um dos mais importantes filmes do gênero. Em Fahrenheit 451, num Estado totalitário em um futuro próximo, os "bombeiros" têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que a literatura  é um propagador da infelicidade. Para se ter uma ideia da alienação desta sociedade, os bombeiros aprendem como identificar livros escondidos dentro das casas, para queimá-los, com mangueiras que cospem combustível e fogo. Os livros são vistos como nocivos ao sistema totalitário e perturbadores e a televisão interage com seu usuário transformando-o em artista de um programa de TV bizarro. Metáfora sobre a alienação midiática, os homens de Fahrenheit lêem jornais sem informações escritas, apenas com imagens desenhadas e os bombeiros se cumprimentam com gestuais, tais quais nazistas. 


Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio depois de um fato chocante. Ele acaba se rendendo aos livros, indo de encontro ao que o seu trabalho exige, porque sua mulher está tão envolvida com a televisão e ela não consegue visualizá-los como um casal, defendendo os seus interesses mesquinhos em "ser popular". A sociedade demonstrada no filme aliás, é também completamente drogada. Se usa de pílulas para estímulos dos mais variados para dormir ou para se manter acordada. A humanidade perdeu o afeto e as relações de quem não possui contato com os livros são completamente robóticas e sem emoção alguma. O sistema descrito nessa sociedade, representado pelos bombeiros ateadores de fogo, tem medo dos livros e do que eles podem causar - a liberdade crítica, o fim da censura, o estímulo ao pensamento, o questionamento ao governo autoritário e o conhecimento. 

É de desconfortar o momento em que os bombeiros descobrem uma biblioteca escondida na casa da senhora e tocam fogo em tudo. O argumento é de que os livros tornam pessoas infelizes por contarem histórias de pessoas que nunca existiram e por serem modas descartáveis, que satisfazem apenas vaidade porque, ao escrever um livro, os autores desejam ser observados por outras pessoas, como se isso fosse algo nocivo a igualdade e um pecado. 

O chefe argumenta que "ao se ler um livro todos deixam de ser iguais" e Truffaut, neste momento, filma livros com retratos das obras de Salvador Dali para salientar a surrealidade deste futuro. A dona dos livros, nessa sociedade alienada, é condenada, mas se recusar a sair de sua casa e deixar os seus livros - e é plenamente ignorada. Entre ser morta pelos bombeiros, que não se importam com a vida dos leitores, ela opta então por se suicidar, como numa fogueira de uma santa inquisição, queimada com seus livros. 

A vida sem os livros, Truffaut demonstra, é uma vida presa, sem liberdade e sem as emoções que eles podem trazer - em determinado momento, uma das visitas de Linda (Julie Christie) começa a chorar ao ouvir Montag ler um trecho de livro e ela revela que tinha esquecido como era vivenciar esses sentimentos. Revoltado com o sistema, Montag tasca fogo no seu próprio chefe, na sua casa e nos seus colegas. Procurado pela polícia, ele foge para uma vila onde os "homens livros" vivem, de modo alternativo, detendo conhecimento e passando este conhecimento para as gerações futuras. Estes homens e mulheres reclusos e longe do sistema totalitário serão responsáveis por decorarem um livro inteiro e passar para outras pessoas, com a finalidade de manter a literatura viva.

Fahrenheit 451 envelheceu horrores. Mas, em tempos que a Internet e aparelhos eletrônicos vem matando os livros de papel e o prazer da leitura, transformando-os em artigo de museu mais cedo ou mais tarde,   sua temática ainda continua nova em folha - e seu poder de fazer o espectador questionar a sociedade continua irretocável.

Cotação: 5/5

Truffaut. Clássico.

TRAILER

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