domingo, 30 de setembro de 2012

Howl - 2010 (Howl - 2010)



Título Original: Howl
Ano de lançamento: 2010
Direção: Jeffrey Friedman, Rob Epstein
Roteiro: Jeffrey Friedman, Rob Epstein
Elenco: Aaron Tveit (Peter Orlovsky)
Alessandro Nivola (Luther Nichols)
Andrew Rogers (Lawrence Ferlinghetti)
Bob Balaban (Judge Clayton Horn)
David Strathairn (Ralph McIntosh)
James Franco (Allen Ginsberg)
Jeff Daniels (Professor David Kirk)
Jon Hamm (I) (Jake Ehrlich)
Jon Prescott (Neal Cassady)
Mary-Louise Parker (Gail Potter)
Sean Patrick Reilly (Six Gallery)
Todd Rotondi (Jack Kerouac)
Treat Williams (Mark Schorer)
Sinopse: "Howl" é uma das obras que definiram a geração beat, ao lado do romance "On the Road", de Jack Kerouac. Escrito em 1955, contém referências a práticas sexuais que motivaram, dois anos depois, um processo por obscenidade contra Lawrence Ferlinghetti, dono da City Lights Bookstore, editora que publicava nos EUA a coletânea que continha o poema.

Por Jason


Serei breve sobre esse filme que traz uma figura interessante, o escritor e poeta americano Allen Ginsberg.

Por que não ver?

Animação 2D e 3D se misturam com poesia e com sequências de depoimento do autor de "Howl", que foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo. O filme é montado de uma forma que é difícil de acompanhar. Complexo na narrativa do poema, parece demorado (mesmo não tendo mais que uma hora e meia), e um tanto difícil em seu entendimento. O filme se concentra praticamente no poema extenso e a poesia complicada que dá título ao filme. Quando o filme se concentra na sua história de vida, é maravilhoso, curioso e intrigante. Mas quando ele retorna para a viagem psicodélica do poema é praticamente impossível de assistir. O filme, como cinebiografia de alguém tão importante para a cultura literária contemporânea, é superficial.

Por que ver?

Primeira vez em que vejo James Franco sumir dentro de um personagem. O Allen de James é uma figura intrigante, homossexual, sexualmente fracassado e foi infeliz até encontrar Peter Orlovsky (Aaron Tveit), que, como ele afirma, lhe deu o amor na mesma medida que ele tinha para dar. Perdeu a virgindade tardiamente, a mãe era louca e foi internada várias vezes até ser lobotomizada e morrer em um hospital psiquiátrico. O pai era poeta. Allen precisou de tratamento psiquiátrico, se apaixonou diversas vezes por muitos homens - héteros, sem concretizar suas paixões - e associou muitas vezes amor a sexo por não ter uma clareza suficiente para entender sua sexualidade. Esse distanciamento, como ele mesmo admitira, serviu como um catalisador para um auto exame e para a sua própria obra. 

Por outro lado, o julgamento que corre por fora sobre a obra Howl nos dá uma ideia da alienação completa da sociedade em torno de uma obra literária: a briga é para saber, simplesmente, se Howl tem valor literário ou não, se é obsceno ou não, porque o uso de alguns termos e sua linguagem acabou ofendendo alguém aqui e ali. A obra é tratada como obscena e pornográfica por uns, como um grito de liberdade homossexual por outros e, para se dar uma noção de como o julgamento corre completamente desconcertante, o advogado de acusação da obra convida pessoas apenas para entender o que está escrito naquelas palavras aparentemente sem conexão alguma. Como resume bem uma destas pessoas, o advogado Jake interpretado por Jon Hamm, há certas obras literárias que não devem ser estudadas ou decifradas, como uma obra de arte. Devem apenas ser sentidas.

Nesse sentido, vale prestar atenção no depoimento de Allen. Allen escreveu o poema resumindo uma série de coisas que incluem principalmente a sua própria vida e seus romances e affairs fracassados - vida que se funde com o momento vivido pela população nos anos 50 e pelo mundo. Como ele diz, o seu poema é sobre tudo e um autor de livro precisa escrever sobre o que ele quer escrever e da forma que ele quer escrever. O que os outros pensam sobre a obra é problema dos outros, não do autor.

Jon Hamm e David Strathairn também estão bem, dentro das possibilidades do roteiro - o filme dá margem apenas para James brilhar. Ainda tem participações de Jeff Daniels, Treat Williams, Mary Louise Parker e Alessandro Nivola.

Não é um filme que eu recomendaria. Mas sugiro fazer uma cinebiografia de Allen Ginsberg. Um homem que teve a mãe que teve, a vida que levou, com passagens por um hospital psiquiátrico em que se relacionou com um doente tratado com choques elétricos, encontrou paz e amor em outro homem com quem viveu durante trinta anos, e teve influências na obra de Bob Dylan, Jim Morrison, Paul McCartney, John Lennon, dentre outros,  atingiu o sucesso com um poema polêmico e representou uma geração merece uma cinebiografia maiúscula.

Preste atenção:

No discurso do personagem Jake de Jon Hamm no tribunal sobre a obra e o seu discurso anti censura - e na forma como o juiz finalmente encerra o caso.

Nas cenas de romance entre Allen e seus paqueras, incluindo uma em que  se percebe que o interesse por ele é apenas um alívio de um viciado em sexo - e ele é flagrado num momento constrangedor de sexo oral por uma das namoradas do parceiro. Há uma diferença, que existe entre os romances anteriores e com Peter Orlovsky, na forma carinhosa como os dois se tratam, como se um compreendesse o outro. 

Cotação: 3,5/5

Boa biografia, feita de uma forma diferenciada e criativa, mas cansativa, confusa, e que não faz jus a esse importante personagem da história da literatura mundial.

TRAILER

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...