segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Jovens Adultos - 2011 (Young Adult - 2011)




Título Original: Young Adult
Ano de lançamento: 2011
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Charlize Theron, Patrick Wilson, Patton Oswalt
Sinopse: Logo após o divórcio, escritora de ficção retorna à sua casa em uma pequena cidade em Minnesota, a fim de reatar com um ex-namorado, que agora está casado e com uma filha recém-nascida.




Jovens adultos é um filme de ritmo lento, um tanto difícil, com uma personagem complicada que não desperta empatia. Traz Charlize Theron em um veículo para mostrar mais uma vez o seu talento, com uma personagem bizarra, Mavis Gary, mas real: uma mulher solitária, chata, amargurada, que bebe coca-cola e álcool como quem bebe água, que não amadureceu, presa ao passado, que se orgulha de ter saído de um fim de mundo no meio do nada, mas vive presa dentro de um apartamento em uma vidinha de merda e transa com o primeiro que aparece na frente, procurando aquela tal felicidade que parece existir na fantasia. 

Ela decide de uma hora para outra dar uma "volta por cima" tentando reencontrar seu amor do passado, que acabou de ser pai (Buddy, papel do insosso Patrick Wilson) imaginando que ele é infeliz com a vida que leva, interpretando coisas completamente distantes da realidade (viajando na maionese mesmo) e batendo lindamente com a cara na parede. Se o filme é bom, é pelo talento e beleza, ambos sobrenaturais de Charlize Theron (não torrem a minha paciência, eu amo e invejo essa mulher, morra quem não gosta dela). Aqui, sem a complexidade que Charlize é capaz de dar ao personagem, o filme simplesmente naufragaria. A dinâmica com o amigo gordo e deficiente, Matt, que foi espancado nos tempos de colégio confundido como gay também garante boa parte do êxito do filme e o mérito dessa relação é parte da desenvoltura com a qual Charlize lida com seu personagem.

Há muito que se ver e se reconhecer na personagem Mavis Gary de Charlize. Mavis não consegue se identificar com aquela cidade caipira distante de tudo, onde as pessoas se conformam com aquele projeto de vida pequena (casar, trabalhar ali ganhando o que der, sem popularidade, almoçando a mesma comida todo dia, ter um filho, envelhecer, fim). Ela representa nesse meio algo que vai de encontro a maré, uma tentativa de dar outro rumo a vida, dando um passo adiante para sair dali - mas que não consegue levantar a outra perna que ela deixou no passado por não saber lidar com o mesmo.

É interessante notar como a personagem Mavis de Charlize é vista como uma fracassada pelo espectador, e ao mesmo tempo invejada por aqueles que vivem na pequena cidade em que ela nasceu e viveu. Seus livros estão encalhados na prateleira porque a modinha deles passou; sua vida é, no fim das contas tão infeliz quanto a daquelas pessoas, em especial o colega Matt espancado no colegial que culpa o motivo de sua vida ser estagnada do jeito que é por causa do trágico fato. Mavis, aloprada, bagaceira, afoga as mágoas na bebida, por ter um casamento que foi fracassado, visualiza o casamento do seu ex-namorado de colégio como algo infeliz e dá em cima do cara sem dó nem piedade imaginando um futuro em que possam ser felizes juntos e atribuindo sua felicidade diretamente a pessoa dele. Não é bem vista pelos outros por ter sido popular no colégio e as pessoas a enxergarem como alguém que teve uma vida fácil demais, com tudo nas mãos, já que era a mais linda e mais popular. 

Mas Mavis, de adolescente popular e linda do colégio, virou uma adulta  linda, mas impopular e problemática, tal qual os personagens dos romances que ela escreveu: seu personagem é tão relapso que volta para casa e não dá nem "oi" para os pais. Aos olhos dos outros, ela está louca e precisa de ajuda. Ela não se sente parte daquele lugar no meio do nada, sem progresso, onde as pessoas não conseguem enxergar além de um palmo do nariz. Na luta pelo seu "amor" - na tentativa de curar sua infelicidade -, vale tudo, até deixar de ser bagaceira e usar toda a sua beleza monstruosa a seu favor. Mavis, porém, não consegue compreender e aceitar que Buddy seguiu em frente e deixou as coisas no passado e está feliz da forma que está. A briga na reunião de familia com a mulher de Buddy, em que Mavis faz uma revelação bombástica, não choca, não movimenta, não causa estardalhaço na cidade, como todos ali simplesmente aceitassem aquele destino trágico que é viver ali pacatamente e a vissem como uma doente mental. O choque, contudo, traz Mavis para a realidade e justifica a sua falta de estrutura psicológica para lidar com rumo que sua vida tomou. 

Mas, será que todos ali estão certos e Mavis não? Seria ela realmente problemática, a ponto de ser tratada por alguns como sendo louca? Lá perto do final, Mavis parece que vai se reconhecer como uma pessoa infeliz que não se sente realizada como as outras pessoas, ao ponto de ir para a cama com outra pessoa igualmente infeliz na busca por algo que parece nunca vir. 

Sua experiência de retorno à cidade, porém, e uma conversa com alguém tal deslocada naquele fim de mundo quanto ela (a personagem Sandra, uma versão mais tranquila de Mavis, percebam), vai fazê-la descobrir que há o outro lado nisso tudo: o lado da inveja, da admiração, o fato de que que aquelas pessoas que ali moram almejaram a vida toda ser como Mavis, fazer o que ela faz, sair dali, mudar, ser como ela ou pelo menos tentar, mas nunca conseguiram. 

Com roteiro de Diablo Cody e direção de Jason Reitman ("Juno", "Amor sem escalas"), é da complexidade de Mavis que o filme extrai a poderosa lição: a de que para se viver, basta ligar o foda-se, ser você mesmo, onde quer que se esteja, e ser feliz.

Cotação: 4/5

Não espere uma comédia romântica de final feliz. É filme de interpretação e não é para qualquer gosto. O filme é lento,  embora curto - 90 minutos - Charlize brilha sozinha, segura o filme, e vai aproveitar melhor a produção o espectador que se identificar com o personagem.

TRAILER

3 comentários:

  1. esse sim um filmaço, com "F" maiúsculo!!! uma união perfeita de direção, roteiro e atuações !!!

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