sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Monster - Desejo Assassino 2003 - (Monster - 2003)



Título Original: Monster
Ano de lançamento: 2003
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Patty Jenkins
Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern
Sinopse: Vítima de abusos durante a infância, Aileen Wuornos (Charlize Theron) tornou-se prostituta ainda na adolescência. 
Ela está prestes a acabar com a própria vida quando conhece Selby (Christina Ricci), uma jovem lésbica com quem acaba se envolvendo. 
Certa noite, depois de ser agredida por um cliente, Aileen acaba matando o sujeito. 
O incidente desencadeia uma série de outros assassinatos, que faz com que ela fique conhecida como sendo a primeira serial killer dos Estados Unidos.





Por Jason

De cara, Monster - Desejo Assassino é uma paulada na consciência do espectador. Apesar da simplicidade do filme e da sua cara de telefilme, a atuação e a transformação física de uma deusa como Charlize Theron são tão assustadoras que a mulher engole a câmera, o roteiro, o cenário, a direção, o filme e os olhos do espectador com uma facilidade impressionante. É impossível não ver a Aileen de Charlize no filme e não  se assustar depois de ver uma foto da atriz com toda a sua beleza estonteante e glamour em uma campanha de moda. Charlize, relegada até então a coadjuvante de luxo e a mais uma dessas loiras de Hollywood que chegam e saem sem provar a que veio, se entrega completamente a um filme difícil, por vezes pesado, com uma personagem sofrida de personalidade complexa e maltratada pela vida.

Para o filme, Charlize engordou quinze quilos, atuou com uma pesada maquiagem para dar a sua pele um aspecto desgastado pelo sol, mudou sua voz, sua expressão facial e seus trejeitos. O resultado é que ela papou quase todos os prêmios aos quais concorreu (o IMDB cita 18 só para a atuação dela). Todos merecidos. Mas o talento da atriz não seria possível de se explorar se ela não tivesse em mãos o material de sua personagem: Aileen Wuornos.

Dando uma olhada na biografia da personagem, só podemos concluir que Aileen não viveu uma vida - ela simplesmente existiu no mundo. Filha de pais adolescentes, a mãe a abandonou com o irmão - que mais tarde morreria de câncer -, entregando-os aos avós. Seu pai era psicopata e se matou na prisão, seu avô a molestava sexualmente e ela engravidou do próprio irmão aos 14 anos, entregando seu filho para adoção. Aileen começou a se prostituir cedo, teve um casamento fracassado, e começou a cometer pequenos delitos; foi presa, pagou sua cota de culpa na prisão e voltou a se prostituir - até cruzar com Tyra Moore. 

No filme, Tyra virou Selby, e é interpretada por Cristina Ricci. No papel de Selby, Ricci, ignorada pelas premiações, tem aqui uma atuação madura e complexa. Ela dá perfeito suporte para Charlize e sua personagem é a válvula de escape para a vida miserável que Aileen teve até ali. Por não conhecer carinho, amor e atenção com os homens que tanto a maltrataram e a rejeitaram, Aileen começa a fantasiar com Selby uma vida, juntas, felizes, longe da prostituição e totalmente nova - mas completamente distante da sua realidade. 

Sem nunca ter um emprego fixo definido, sem currículo, se prostituindo pelo valor mais baixo que se tinha notícia, na beira das estradas e correndo risco de morte, ela não consegue nem trabalho e nem atender as exigências cada vez maiores da interesseira Selby. O ápice de toda a desgraça em sua vida vem quando Aileen é espancada, estuprada, e ameaçada de morte por um dos seus clientes (numa das cenas mais chocantes do filme). Ela consegue se livrar do agressor e o mata.

A partir daí, como se engendrasse sua vingança contra todos os homens da Terra, Aileen começa a matá-los, como se em suas mortes ela se realizasse, se aliviasse de toda a dor, e os fizessem pagar por toda as maldades pelas quais ela passou na vida. Mas Aileen não encontraria felicidade, amor ou paz de espírito e aqueles momentos passados com Selby nada mais foram do que situações passageiras. Quando a situação se complicou ainda mais para Aileen e ela fugiu do controle dos seus atos, foi a própria Selby que a entregou aos policiais. 

O melhor do filme é que ele não discute se Aileen foi culpada ou não pelos crimes e o roteiro não trata a produção como um filme de tribunal nem policial, se concentrando em apenas apresentar os fatos como eles são conhecidos, para que o espectador tire suas próprias conclusões. Ele condensa, de maneira até mesmo leve, a infância sofrida e a adolescência problemática da garota em um prólogo rápido. O foco é, assim, a destruição de uma vida adulta, cujo fracasso já estava solidificado na infância, no começo de tudo. 

Se há um pecado, é o do fato de o filme não ir um pouco mais além e não mostrar, por exemplo, que Aileen foi diagnosticada na prisão com transtorno de personalidade Borderline, uma doença mental causada por longa exposição a traumas e que faz seus portadores cometerem esforços frenéticos para se evitar um abandono, além de serem bastante impulsivos. Também não explora o fato de que a polícia usou a sua imagem para se promover, como Aileen representasse um troféu já que os casos de assassinatos atribuídos a ela eram explorados por sensacionalismo midiático.

No entanto, a Aileen do filme - e provavelmente a real - foi assim, um produto do meio em que ela viveu. Foi tratada pelos jornais e pela polícia como o "monstro" do título, que apenas a viam como uma prostituta assassina serial matadora de homens, o "resto social" - e os homens, claro, como vítimas, afinal, porque são homens, muitos deles casados (mas que deixavam suas esposas em casa e suas famílias para se entreterem com prostitutas baratas). Hipocrisia? A verdade mesmo é que Aileen já estava condenada à morte pela sociedade que deu as costas para ela, tratando-a como lixo, desde o momento em que ela nasceu. 

Cotação: 5/5

Obrigatório.

TRAILER



3 comentários:

  1. Muito Legal o post, faz um tempo que eu estava procurando algo sobre esse filme e sobre essa Serial Killer. Obg ^^

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    Respostas
    1. De nada, Brenda!

      Esteja sempre conosco!

      Bjs da tia Rá! =D

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  2. Interpretação magistral de Charlize Theron.

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