quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O palhaço – 2011


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Título Original: O palhaço
Ano:  2011
Direção: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello, Marcelo Vindicato.
Elenco: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Moacyr Franco, Tony Tonelada, Tonico Pereira, Danton Mello, Ferrugem, Erom Cordeiro, Jackson Antunes,  Fabiana Carla, Danton Mello.
Sinopse:  Benjamim (Selton Mello) trabalha no Circo Esperança junto com seu pai Valdemar (Paulo José). Juntos, eles formam a dupla de palhaços Pangaré & Puro Sangue e fazem a alegria da plateia. Mas a vida anda sem graça para Benjamin, que passa por uma crise existencial e assim, volta e meia, pensa em abandonar Lola (Giselle Mota), a mulher que cospe fogo, os irmãos Lorotta (Álamo Facó e Hossen Minussi), Dona Zaira (Teuda Bara) e o resto dos amigos da trupe. Seu pai e amigos lamentam o que está acontecendo com o companheiro, mas entendem que ele precisa encontrar seu caminho por conta própria.

Por Lady Rá.


Confesso que não sou grande fã da arte do circense, talvez por isso, levei um tempinho para embarcar na história de O palhaço. Mas a apatia dos primeiros momentos, aos poucos cede espaço para uma sensação de encantamento que raros filmes são capazes de proporcionar. Com roteiro e direção de Selton Mello, O palhaço usa o mundo do circo como pano de fundo para uma jornada de autodesocoberta.  Nos primeiros momentos somos apresentadas ao Circo Esperança, que com seus carros velhos, viaja pelas ruas poeirentas do interior de Minas Gerais, para levar alegria ao povo simples de varias cidadezinhas. O circo é comandado por Valdemar (Paulo José), o palhaço Puro Sangue, que arranca risadas do público no picadeiro, mas se entrega ao vício do álcool, e seu filho Benjamin (Selton Mello), o palhaço Pangaré.


Benjamim, que nunca conheceu outra vida que não fosse a do circo, está em crise, se sentindo um verdadeiro estranho no ninho. Ele toma para si a responsabilidade de tentar dar mais conforto aos artistas do circo (como conseguir um sutiã novo para uma das mulheres, ou um ventilador para a namorada do pai) que vivem na quase absoluta miséria, ao mesmo tempo em que se sente sufocado com a vida que leva. O palhaço faz as pessoas rirem, mas não vê motivos para sorrir. Benjamin, então, parte em uma jornada a procura de sua identidade (nos dois sentidos, pois ele também não possui RG). É nessa viagem de Benjamin que “O Palhaço” cativa o público. Dificilmente haverá alguém que não se identifique com o drama do personagem. Quem nunca teve dúvidas sobre qual é o seu verdadeiro lugar nesse mundo? O filme nos traz a reflexão de que as vezes é preciso encarar o desconhecido, para encontrarmos nossa própria identidade. Não é um tema original, mas é universal e tratado com uma sensibilidade impar por Selton Mello, que consegue também desenvolver bem os personagens que fazem parte da vida de Benjamin.

Muitos comparam o estilo de Selton Mello com o de Wes Anderson, devido aos seus personagens peculiares e pelo estilo dos enquadramentos,  realmente o diretor parece querer homenagear certos cineastas. Mas a parte técnica (impecável, vale ressaltar) não se sobrepõe à narrativa, pelo contrário, está sempre a serviço dela. Sem mencionar o elenco totalmente entrosado, que conta com ótimas participações especiais, como Moacyr Franco, Jackson Antunes, Tonico Pereira, dentre outros. Mas, soa até clichê dizer, mas é um fato, o grande destaque fica por conta de Paulo José, que brilha sem fazer esforço. Aquela cena do reencontro no terceiro ato, em que o personagem tem que improvisar no circo, ao mesmo tempo em que seus olhos transmitem um turbilhão de emoções, é coisa pra ator de primeiríssima linha.

Sem dúvida, Selton Mello vem amadurecendo cada vez mais como cineasta, e quem ganha com isso é o cinema brasileiro, que, apesar de ainda ser tratado com preconceito por muitos, vem se mostrando cada vez melhor. E essa recente empreitada do ator/cineasta merece ser vista e apreciada, pois “O palhaço” emociona e traz reflexão com uma história simples e com muita delicadeza e humor.

Preste atenção: Nas cenas que envolvem o ventilador. :)

Nota: 4/5

Se você gosta de histórias emotivas, vai na fé! 

TRAILER:



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