sábado, 1 de setembro de 2012

Paraísos Artificiais




Título Original: Paraísos Artificiais
Ano: 2012
Direção: Marcos Prado
Roteiro: Pablo Padilha, Cristiano Gualda, Marcos Prado
Elenco: Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandao, Emílio Orciollo Neto, Roney Villela
Sinopse: Érika (Nathalia Dill), talentosa DJ, conhece Nando (Luca Bianchi) por meio de sua melhor amiga Lara (Lívia de Bueno) em um festival de música eletrônica, no qual os três vivem intensos momentos. Mas o destino os separa. Anos depois, Nando e Érika se reencontram em Amsterdã e se apaixonam, mas somente Érika sabe o que aconteceu naquela noite que marcou a vida dos três para sempre. O reencontro do jovem casal irá transformar novamente suas vidas.

Por Lady Rá



Paraísos Artificiais causou muita discussão na época de seu lançamento, graças a seu tema polêmico e suas (excessivas e longas) cenas de sexo. O diretor Marcos Prado declarou em entrevista isso que era um grito contra a caretice do cinema brasileiro (?). Eu fiquei tentando “ouvir” o grito, mas é aquela coisa né? Quando as cenas de nudez de um filme são o assunto de destaque você logo percebe que tem algo errado. Não sou contra as cenas, desde que elas não sejam colocadas em evidência em detrimento de um bom roteiro. E o filme  até que começa interessante, mostrando um dos protagonistas, o Nando, saindo da cadeia, depois de cumprir pena por um crime que você só vai conhecer depois. E quando ele chega em casa, é possível perceber que a sua prisão desestruturou totalmente sua família. Daí o filme pula pra Amsterdã, quando Nando conhece a DJ Érica numa festa e depois de um papo raso, os dois já são mostrados na cama, aliás, o sexo é mostrado excessivamente no filme, mesmo quando não há nenhuma necessidade. Enfim, Nando e Érica iniciam um romance, e então descobrimos que aquela não é a primeira vez que eles se vêem. A partir daí somos levados à outra viagem no tempo, quando Érica viaja com a amiga/amante Lara para o Nordeste, onde ela vai tocar numa grande rave. Até aqui segue bem, mas aí começa uma festival de música-eletrônica-droga-sexo-música-eletrônica-droga-sexo-música-eletrônica-droga-sexo... E no meio de tanto sexo, tantas raves e tantas drogas, Érica e Nando vão se envolvendo, entre encontros e desencontros, até ele ir parar na cadeia.

Com a desculpa de criar “sensações” e fazer o telespectador embarcar na viagem dos personagens quando estão sob efeito das drogas, o diretor Marcos Prado inventa uma seqüência de cenas bizarras. Aliás, bizarro é pouco para descrever aquela cena da Érica com os mamilos de fora indo atrás dos búfalos. O filme é basicamente um show de imagens, a fotografia e belíssima, e explora ao máximo as belas paisagens do Nordeste e de Amsterdã. As cenas das raves são um show de técnica e beleza. Porém a tentativa de causar sensações no telespectador não funciona. E visual não sustenta filme e aqui não há um enredo consistente e verossímil. A história de amor entre Nando e Érica não convence. Os dois se encontram no Nordeste, usam drogas e transam, se encontram dois anos depois em Amsterdã e... e daí nasce um lindo e eterno amor. Roteiristas, please...

Os personagens são jogados ali e a única coisa que fazem é usar drogas, transar e conversar sobre assuntos banais. Aliás, são todos mal desenvolvidos e unidimensionais: a DJ Érica (a protagonista) é a desorientada que não sabe o que busca na vida, Lara é a amiga doidinha-descolada-liberal e Nando, nem mesmo tem uma descrição possível. O elenco principal não é ruim, porém as atuações funcionam melhor justamente nas cenas sem diálogos (vejam que ironia), pois estes soam sempre artificiais. Os dramas pessoais dos personagens são mostrados de maneira superficial, da mesma forma que o romance pouco convincente entre Nando e Érica.

A tentativa de mostrar o mundo das drogas de forma honesta, sem glorificá-las ou condená-las estacionou nos diálogos do personagem Mark, vivido por Roney Villela, que com sua filosofia de botequim, defende que  “as drogas são o que você quer, levam para onde você quer”. Ahan sei! Pior ainda é a forma como é tratada a homossexualidade, se por um lado a relação entre Érica e Lara é mostrada de maneira aberta nos momentos iniciais, soa moralista o destino dado à personagem Lara, para que dessa forma Érica encontre redenção.



Enfim, Paraísos Artificiais é um espetáculo vazio, é aquele tipo de filme com roteiro raso, maquiado com uma boa fotografia, com muitas (e algumas desnecessárias) cenas de sexo pra fazer causação.


Nota: 1/5 (só porque é bem filmado)

Lady Rá expressando suas intensas (cof,cof) emoções assistindo a este filme foi mais ou menos assim:


TRAILER:



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