terça-feira, 4 de setembro de 2012

Predador 2 - A caçada continua - 1990 (Predator 2 - 1990)



Título Original: Predator 2
Ano de lançamento: 1990
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Jim Thomas, John Thomas
Elenco: Danny Glover, Bill Paxton, Maria Conchita Alonso
Sinopse: Los Angeles, 1997. Em meio a um imenso tiroteio nas ruas entre traficantes colombianos e a polícia, Mike Harrigan (Danny Glover), um destemido policial que quer impor a ordem nas ruas, planeja formar um grupo com tiras de diferentes etnias, para combater o crime. Apesar da burocracia dos seus superiores, seus problemas pioram ainda mais quando os integrantes das quadrilhas passam a ser brutalmente assassinados por um ser de outro planeta, que tem o poder de ficar invisível. Mas as coisas realmente pioram quando a criatura escolhe Harrigan como seu principal alvo.

Por Jason

Predador 2 abre com uma guerra entre policiais e gangues na calorosa Los Angeles de 1997 e já mostra de cara uma espécie de transição da selva vista no primeiro filme para a "selva de pedra" da cidade. Depois de um rápido prólogo, entra em cena Danny Glover, avançando contra as gangues, e algo mais - a criatura - observando o conflito de perto como se já escolhesse seus futuros oponentes.

De cara, o filme poupa o público de apresentações de personagens e de apresentar o próprio alienígena, ciente de que ele já era muito conhecido do filme antecessor. Mas há algo que não funciona de imediato e creio ser a escolha de Glover para o papel principal do tenente Harrigan. Apesar de já ter demonstrado seu talento em outras produções dramáticas - como "A cor púrpura" - Glover parece um piadista em cena e não convence muito como astro de ação. Sem o porte de Schwarzenegger e o apelo do mesmo, o filme começa perdendo. Glover não rivaliza com o tamanho físico da ameaça e o resultado é um efeito semelhante ao visto com Adrien Brody e Predadores (2010). 

Se no primeiro tínhamos um grupo de marombados armados que pareciam galinhas perto do monstro, aqui falta a Glover a "aura" de herói e a mistura de força física e esperteza do major Dutch do primeiro filme, para dar o equilíbrio necessário entre os personagens. Recordemos sempre que o alienígena de sangue verde é uma antítese do personagem de Schwarzenegger em "O predador" e ambos precisam se igualarem para o conflito final, identificando pontos fracos e fortes um no outro e mudando o jogo de "caçador e presa".

Aqui, contudo, o tom do filme e o roteiro às vezes não ajuda. De matar de rir a parte em que Harrigan (Glover) toma um carro para visitar um chefe de gangue com uma nuvem de maconheiros dentro dele. O encontro de Harrigan  com o chefe não avança a trama em nada. Risível e desnecessária a cena de invasão do alienígena em um apartamento no momento de luta entre Harrigan e a criatura. Há ainda a piada deslocada que antecede a ótima sequência do metrô, que mostra os passageiros todos armados. Nota-se também que a trama policial, de investigação, é simples, didática, e frágil, quase mastigada para ser digerida por uma criança, o que deixa a produção carente do suspense mostrado no primeiro filme. Predador 2 peca, assim, ao não forçar o público a pensar, uma vez que o mistério do antecessor era justamente a aparência física da criatura misteriosa, assassina, implacável e invisível. 

Não ajuda em nada a presença de Jerry Lambert (Bill Paxton, em um papel idiota e ingrato), e dos coadjuvantes, uma vez que nenhum se sobressai e parecem apenas estarem lá para morrerem. Um deles, aliás, peca pela ousadia extrema ao invadir sozinho uma cena do crime procurando por evidências, onde será morto.

Sai o diretor John McTiernan, entra Stephen Hopkins. Sai o filme de guerra, gore, ação e suspense, entra o policial de ação. Eu particularmente acho essa mudança interessante, uma vez que ela dá ao filme infinitas possibilidades. Note que o filme flerta com a crítica massiva à televisão, que expõe a situação caótica da cidade e corpos metralhados em um programa de notícias bizarro - como acontece atualmente na tv aberta - o que dá ao filme um viés ainda atual. De coisa boa também podemos salientar que a produção mantém o tom gore do anterior. 

Hopkins, apesar de não ter uma carreira de destaque, ao menos se segura nesse sentido. Ele não se importa em mostrar uma cena de sexo que termina em uma chacina, cabeças cortadas, ossos sujos de sangue e outras nojeiras, além é claro, do sangue falso em profusão. Traz uma cena de ação e de morte marcante - a do metrô, em que o Predador poupa a policial por ela estar grávida e mata o personagem de Bill Paxton - e uma sequência final empolgante, em que é possível conhecer uma nave da criatura pelo interior e ver outros de sua espécie, além do já famoso mural em que é mostrado diversos crânios de outras criaturas - incluindo a de um reconhecível alien. Um diferencial positivo.

Hopkins também cria outra cena marcante, a do frigorifico, em que, numa trama paralela mal desenvolvida, um grupo de retardados desejam capturar a criatura e congelá-la. A sequência de cenas é bem iluminada, complexa e tensa e resulta na bastante conhecida morte de um dos personagens - cortado ao meio por uma das armas do predador. Os efeitos especiais são melhores e mais complexos que o anterior - mas o filme ainda guarda cenas de vergonha alheia, como quando o bicho destrói cenários de papelão ou é possível ver que fica pendurado por uma corda na cena em que usa um tubo de esgoto para pular de um prédio a outro.

O saldo final, porém, é positivo. Entre erros e acertos, Predador 2 se mantém como um bom filme de ação eletrizante e ficção, um bom entretenimento que traz novidades agradáveis sobre o personagem para o público. Sua maior falha, talvez, seja possuir um antecessor ainda insuperável.

Cotação: 3,5/5

O filme envelheceu, mas pela ação, diversão e pela aura de clássico que o personagem carrega, vale a pena fazer uma visita.

TRAILER





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