segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sucker Punch - Mundo Surreal - 2011



Título Original: Sucker Punch
Ano de lançamento: 2011
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Steve Shibuya, Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Carla Gugino, Jon Hamm, Vanessa Hudgens, Jena Malone, Abbie Cornish
Sinopse: Snyder criou seis grandes mundos para contar a história de Baby Doll (Emily Browning), uma garota enviada a um manicômio depois que seu padrastro descobre que ela é a única herdeira da mãe. O objetivo do homem é lobotomizá-la, para que a fortuna fique em suas mãos. A menina descobre então que tem apenas cinco dias até que o cirurgião chegue - e a pressão faz com que ela se refugie em sua própria mente. Na imaginação de Baby Doll, o asilo para insanos vira um bordel - de onde ela pode escapar com a ajuda de quatro amigas, enfrentando missões impossíveis.

Por Jason

Nos anos 50, uma garota é internada em um sanatório pelo seu padrasto ganancioso, o qual pretende ser o único herdeiro da fortuna deixada pela mãe da menina. Lá, ela passa a enfrentar terapias dolorosas, além da ameaça de que em 5 dias passará por uma sessão de lobotomia. Diante do medo, sua única saída será refugiar-se em sua própria mente. 

Bom, não há nada de errado com esta ideia, pelo contrário, eu até acho interessante. Dependendo de como fosse desenvolvido, o filme até poderia render um estudo sobre a mente humana e as formas encontradas pela mesma para escapar da realidade angustiante da qual a personagem principal Baby Doll (Emily Browning) foi arremessada. Recordemos, por exemplo, dos delírios psicopáticos de Kate Winslet e sua amiga em "Almas gêmeas", que, para fugir da realidade e da opressão, revelam suas obsessões em um reino imaginário tenebroso antes de executar a mãe de uma delas. E quando eu falo isso, falo com toda a seriedade do mundo. Talvez o resultado fosse até um divertido estudo cinematográfico sobre a esquizofrenia e os efeitos de uma violência sexual, de maneira metafórica (viajei?). 

O problema de Sucker Punch então, qual é? O problema é todo o resto, a começar pela escolha do elenco. Com (a péssima) Emily Browning no papel principal (Jennifer Lawrence, me ajuda aqui por favor!) o filme perde qualquer capacidade dramática - a menina é uma porta. Fria, de atuação insossa e sem conseguir dramatizar uma cena sequer, Emily não consegue tornar o filme mais interessante e muito menos sua personagem, desfilando para lá e para cá numa fantasia de Lolita e só. O mesmo vale para Jena Malone (simplesmente horrível), Abbie Cornish (um pouco melhor que as demais, mas ainda assim fraquíssima), James Chung (a oriental com cara de biscate) e a paquita erótica Disney, Vanessa Hudgens - seu dramalhão no momento da choradeira em que decide confessar o plano das garotas é a mais pura vergonha alheia.

Não há assim como e porque se identificar com nenhuma delas, o que torna o filme completamente desinteressante do ponto de vista dramático e de envolvimento narrativo. Jon Hamm tem uma participação vazia na trama, não acrescenta nada, e Carla Gugino não consegue desenvolver empatia alguma, engessada numa trama horrorosa. Resta a Scott Glenn, como o velho sábio, distribuir um pouco de simpatia num elenco amarrado e sem nenhum entrosamento.

Na trama, Baby Doll passa a imaginar o manicômio como um cabaré, mas fica subentendido que esse cenário pode ou não ter sido criado por ela: pode ser fruto da violência que presenciou do padastro com a mesma e com sua irmã, pode representar sua perda de inocência, uma certeza do padastro (que a condenou por ela realmente ser esquizofrênica devido a perda mãe, de repente...) ou outra coisa totalmente diferente - no final, ela revela que é a colega quem deve escapar, como se o cabaré fosse uma ilusão não apenas dela mas da personagem Sweet Pea.

Ao final também é revelado que havia três "realidades" - a do manicômio, em que é sabido que a menina provocou um incêndio, esfaqueou um funcionário e facilitou a fuga da amiga, sendo lobotomizada em seguida; a do cabaré, em que suas amigas são mortas pelo dono dele; e a outra, em que sequências de ação se espalham em tempos diferentes com personagens gerados por CGI horroroso e as meninas precisam executar diversas tarefas.

Acontece que toda essa salada imaginativa cria um problema para o roteiro, uma vez que o mesmo se esqueceu de outros dois personagens ligados a Baby Doll (o padastro e a irmã do começo do filme, que perdem função), colocou Baby Doll como a personagem principal do filme e a mesma acaba subtraída em importância perto do final, uma vez que ela é lobotomizada e é uma personagem secundária que consegue escapar. Para completar essa sopa, nenhuma das personagens funcionam. Elas não possuem um passado - a tentativa fica por conta das irmãs Sweet Pea e Rocket - e suas personagens não passam de manequins para roupas sensuais, para atiçar os meninos de 11 anos - que não podem acessar a internet nem pornografia por proibição dos pais e assistem a essa porcaria para realizar seus desejos sexuais (só assim para explicar essa coisa). É trash.

O flopado e super estimado Zack Snyder dirige o filme como se estivesse dirigindo um jogo de vídeo game de péssima qualidade. Usa e abusa da câmera lenta até encher a paciência, de efeitos especiais vagabundos e de uma fotografia horrorosa, escura e cansativa. Não sabe explorar seus atores, entrega uma montagem pífia e sonolenta e as cenas de ação são sem criatividade, misturando cenário de games com cenários literários e de um punhado de outros filmes - que incluem de Matrix a O senhor dos Anéis, passando por O resgate do Soldado RyanBastardos Inglórios, Capitão Sky, Kill Bill dentre outros. O filme ainda flerta com musical, para desespero de qualquer fã do gênero.

Insosso, mal elaborado, mal dirigido, mal encenado, Sucker Puch não merece todo o fracasso que conseguiu alcançar. Merecia, sim, nem mesmo ter existido.

Cotação: 0/5

Vá jogar Playstation que você ganha mais e não perde 1 hora e 49 minutos do seu precioso tempo com esse lixo nuclear. CHUTA QUE É MACUMBA PESADA!

TRAILER



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...