segunda-feira, 3 de setembro de 2012

The Runaways - As garotas do Rock (2010)




Título original: The runaways
Ano de lançamento: 2010
Direção: Floria Sigismondi. 
Roteiro: Floria Sigismondi. 
Elenco: Kristen Stewart, Dakota Fanning, Michael Shannon, Tatum O'Neal, Stella Maeve, Scout Taylor Compton, Brett Cullen.
Sinopse: O filme conta a história da banda The Runaways, centrada em especial nas integrantes Joan Jett e Cherie Currie. O grupo alcançou imenso reconhecimento como a primeira banda de sucesso de rock formada apenas por mulheres, na década de 70. Além de Jett e Currie, Runaways contava com a baterista Sandy West, a guitarrista Lita Ford e a baixista Jackie Fox. A banda permaneceu unida durante quatro anos, terminado em função de problemas com dinheiro, drogas e empresários.

Por Tia Rá

The Runaways conta a história da banda de rock da década de 1970 de mesmo nome. O roteiro foi adaptado do livro Neon Angel: A Memoir Of The Runaways, escrito por Cherie Currie.

Formulado como qualquer cinebiografia básica, o roteiro linear mostra o antes, quando a banda ainda não tinha se formado e as adolescentes aspiravam ser famosas tocando Rock, numa época em que a música era dominada por homens; o durante, quando o sucesso chegou e trouxe os problemas com ele - desavenças, drogas, e competições entre as meninas; e o depois, quando a banda foi desintegrada, tudo sob o olhar de Cherie. 

O filme entretém pela sua boa reconstituição de época, carregando boa trilha sonora a tira colo, mas principalmente pela dedicação da protagonista. A talentosa Dakota Fanning passa toda a entrega ao personagem Cherie, de menina com família desestruturada, estranha aos olhos do público, surgindo no palco dublando David Bowie, ao sucesso como cantora da banda, passando pelo conflito com o produtor e com as outras meninas e por seu problema com as drogas. 

Sua família era completamente desestruturada. O pai era alcoólatra. A mãe era um exemplo de mulher relapsa e completamente egoísta: mesquinha, dispensa o pai das meninas, que vira um estorvo na vida dos avós de Cherie, a mãe arranja outro homem, se manda com ele para Indonésia e larga ela e a irmã ao léu. Nesse sentido, o filme soa como um alerta para as celebridades precoces, em maior e menor escala que seja, que tem suas vidas consumidas pela ambição, pelo sucesso precoce e pela falta de estrutura familiar. 

Cherie demonstra mudanças de comportamento que irritam o grupo à medida que eles obtém sucesso. Além do abuso de drogas e do álcool, fotos provocantes em revistas começam a afetar o psicológico de suas parceiras, que não querem ser vendidas apenas como pedaço de carne e sim como garotas que possuem talento para a música. Usada pelo produtor, ela se revolta e decide abandonar o barco. Tenta carreira de atriz, mas o problema com as drogas a impedem de ir longe.

Por outro lado, a então sempre péssima, inominável e atriz de uma expressão só Kirsten Stewart parece à vontade no papel de Joan, com seus relacionamentos lésbicos, sua eterna cara de drogada e sua aparência masculinizada. Joan, aliás, é o ponto, por mais incrível que pareça ser, mais racional do grupo, uma vez que para ela bastava o talento para a música e ser reconhecida por isso, e não os holofotes e o algo a mais que Cherie tanto aspirava (além da cocaína, uma vez que ela parecia um aspirador de pó ambulante). O filme não esconde uso de drogas das meninas, uma cena de masturbação no banheiro e os beijos lésbicos de Joan.

Insuperável mesmo é o ator Michael Shannon. Seu talento para interpretar tipos exóticos é notável. Como o produtor Kim, num tipo estranho e boçal, ele consegue enxergar talento nas meninas e lançá-las ao estrelato, à medida que as sabota e as usa em benefício próprio, que vai culminar na discussão entre Cherie e ele, e entre Joan e o mesmo.

Quando o filme aposta no drama das meninas e na dinâmica entre elas, ele acerta em cheio. Mas na maior parte do tempo, falta profundidade aos personagens - as exceções são mesmo Cherie e Joan. O roteiro parece apenas se preocupar com a vida sexual de Joan, enfatizando beijos, abraços, e uma já citada cena em que presencia uma masturbação feminina. Nota-se claramente que as outras meninas são relegadas a papéis descartáveis e parecem ter apenas notoriedade quando uma delas briga com Cherie depois de uma crise na banda. 

O filme não as inclui no drama central e também não se preocupa em mostrar o outro lado de Joan, de papel importante para a banda, e da sua família, como o faz por Cherie. Não explora melhor o papel da mãe de Cherie nem do seu pai, e os motivos que levaram ambos a viverem daquele jeito e que resultaram na personalidade da filha um tanto distante e carente de atenção. Por fim, trata o "pós" banda de Cherie de uma maneira superficial, sem explorar suas tentativas fracassadas de investir em outras carreiras, por exemplo.

Vale, contudo, pela presença de cena de Dakota, pela trilha sonora e pela curiosidade da vida das integrantes principais da banda, que representaram um importante momento de mudança e um grande passo dado pelas mulheres na história do rock.


Cotação: 2/5

TRAILER

O filme está completo, disponibilizado no Youtube pelo link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ysFy3xtYk2A&feature=related

Um comentário:

  1. Ola Tia Ra,
    Achei que o filme de uma forma geral funcionou. A trilha eh otima e a caracterizacao ficou perfeita. Nem a Kirsten foi tao mal, acredito que tenha sido a meljor atuacao dela ate agora(pelo menos esse filme foi o unico q nao sai amaldicoando ela ate a quinta geracao). Mas sobre a Dakota, achei fraquissima, faltou sensualidade, achei uma Cherie frigida, executando tudo mecanicamente, uma zumbi, senti falta daquela Dakota ainda crianca q me emocionava.Mas, contudo, o filme eh bem bacana, vale assistir.

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