sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Watchmen: O filme - 2009 (Watchmen - 2009)



Título Original: Watchmen

Ano: 2009
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Alex Tse, David Hayter
Elenco: Billy Crudup, Patrick Wilson, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Carla Gugino, Malin Akerman, Matthew Goode.
Sinopse: Uma aventura de mistério complexa e de múltiplos aspectos, Watchmen - O Filme mostra uma América alternativa em 1985, na qual super-heróis caracterizados fazem parte da estrutura diária da sociedade, e o "Relógio do Juízo Final" - que traça o gráfico da tensão entre os EUA e a União Soviética - marca permanentemente cinco minutos para a meia-noite. Quando um dos seus antigos colegas é assassinado, o derrotado, mas nem um pouco menos determinado, vigilante mascarado Rorscharch, parte para descobrir o que seria um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente. Quando ele restabelece a conexão com sua antiga legião de combatentes do crime - um confuso grupo de super-heróis aposentados, dos quais apenas um possui poderes verdadeiros - Rorschach percebe que existe uma conspiração abrangente e perturbadora com ligações com o passado que eles dividiram e catastróficas conseqüências para o futuro. Sua missão é proteger a humanidade, mas quem protegerá os vigilantes chamados watchmen?

Por Lady Rá



Sabe gente, eu adoro essas histórias cheias de simbolismos, metáforas, alegorias e o caralho a quatro. E na primeira vez que eu ouvi falar em Watchmen (quando a HQ de Alan Moore foi adaptada para o cinema), fiquei super curiosa para conhecer a história, mas fui adiando essa curiosidade, até que, em um belo dia, resolvi assistir ao filme. Peguei o DVD, coloquei no meu aparelho, me aconcheguei confortavelmente no sofá com meu baldinho de pipoca e fui conferir a situação. 

Começou com o intrigante assassinato de um personagem importante, posteriormente parte uma sessão “WTF?” com um longo “vídeo-clipe” que parece ter sido editado no Windows Movie Maker para um projetinho da escola. Para quem não leu a HQ leva um tempo para se situar. Aqui temos uma história que se passa numa realidade paralela dos Estados Unidos nos anos oitenta, em que o país venceu a guerra do Vietnã e Richard Nixon está há vários anos no poder. Com a Guerra Fria, os EUA e a União Soviética estão próximos de declararem a terceira guerra mundial. E nesta realidade os Super-heróis (ou vigilantes mascarados) se misturam aos demais. Porém, um decreto de Nixon faz com que eles abandonem a prática. Watchmen mostra “heróis” que não são virtuosos como a maioria conhece, eles tem seus próprios problemas com a ética e a moral, tem seus próprios dramas pessoais, enfim, são humanos. É um enredo interessante, sem dúvida, e por isso fiquei interessada. Mas daí fui assistindo ao filme, chegando ao final e CHOKAY! Gente, quanta bizarrice junta num filme só.

Extremamente enfadonho, desnecessariamente longo, Watchmen é uma sessão de tortura de quase três horas, com uma narrativa travada, por vezes parece que estamos vendo dois filmes diferentes, um thriller estrelado por Rorschach, um dramalhão mexicano com Dr. Mahathan, que em muitos momentos não parecem ter a menor conexão. Toda a história envolvendo o Manhathan é monótona, chega a bater um desespero, fiquei desejando que Rorschach viesse logo pra me salvar daquele tédio. Mas não, o problema não está na história do personagem, que está carregada de alegorias, mas sim na sua execução horrorosa, com aqueles incontáveis flashbacks, e o festival de cenas cafonas e teatrais (aquela cena da mulher que o acusa publicamente de ser o responsável pela doença dela, parecia coisa de novela do SBT). Rorschach cadê você, meu querido? Voltaaaa!!!



Os flashbacks só não são mais cansativos do que toda e qualquer cena onde esteja presente a insuportável Laurie/Spectrall, com seu clichê de viver a sombra da mãe e não ter a atenção do seu namoradinho azul. Como entregam a principal personagem feminina, com quem as mulheres poderiam se identificar, nas mãos de uma atriz tão inexpressiva, que deve ter saído da mesma escola de arte dramática que a Kristen Stewart? Malin Akerman é incapaz de expressar angústia, decepção, tristeza, alegria. A única coisa que ela sabe fazer no filme é balançar o cabelo de comercial de shampoo e fazer uma pose ridícula a cada golpe desferido em suas cenas de luta. Seu romance com o Coruja (Patrick Wilson, com cara de nada) é morno, o casal não tem química, não explode, não solta faíscas. Não há como se identificar com eles. Não comentarei aqui aquela cena de sexo ao som de  Hallelujah, ainda estou em choque. 

Mas como tudo que é ruim, ainda pode piorar, temos o gracinha do Matthew Goode, em parcas aparições,  absolutamente caricato como Ozymandias, o ator é capaz de mais, só que o “visionário” diretor Zack Snyder parece não ter capacidade de extrair o melhor de seu elenco. Tudo soa falso, teatral, mecânico. Carla Gugino, na pele da Primeira Spectral  em uma cena que é espancada e quase estuprada, faz cara de paisagem, Jeffrey Dean Morgan peca pelo excesso,  Billy Crudup, como Dr. Mahathan fica melhor de pele azul, mas faz um excelente trabalho de voz. O único ator que tem uma atuação digna usa uma máscara durante quase todo tempo, reflitam. Jackie Earle Haley com seu Rorschach é o que salva esse filme de ser um fiasco total. Suas cenas tem dinamismo, são tensas e sua voz rouca chega a ser atraente e assustadora.


Tudo isso sem falar na direção cafona do famigerado Zack Snyder. Sinceramente, não sei porque o chamam de visionário, ele só faz abusar da sua eterna musa “a câmera lenta”, é muito cheio de estilo, mas não sabe guiar seu elenco. O filme é uma bagunça, parece não ter foco, é um carnaval. A fotografia, toda trabalhada no Instagram, é artificial e cansa os olhos de qualquer cristão.  Entendo que a ideia era reproduzir o estilo dos quadrinhos, mas em um filme longo isso torna-se cansativo. A trilha sonora tem ótimas canções, totalmente fora do contexto. O roteiro poderia ser mais enxuto e nos poupar de diálogos bregas, como aquele da cena em que o Dr. Mahathan não impede que seu colega atire em uma mulher grávida. Mas tem as ditas discussões filosóficas, as metáforas  e blá, blá blá. Só que mensagem, quando vem, é martelada na sua cabeça, faltou pouco colocarem legendas na tela “Preste atenção aqui, caro telespectador, estamos querendo inserir uma mensagem filosófica”. As  mensagens gritam, pulam das telas direto no seu colo, sutileza passou longe (Terrence Malick, vem cá amor!). Sério, ter que ouvir coisas como “O que aconteceu com a gente? O que aconteceu com o sonho americano?” doeu no âmago, sinceramente.

O desfecho veio, graças a Deus! A ideia originalmente é boa, a mensagem é interessante, mas novamente Zack Snyder cria um circo dos horrores, aquele final, com todos os mistérios sendo desvendados, soou como aquelas novelas da Globo, quando finalmente é revelado “Quem matou?”. Não via a hora que aqueles caras iam se atracar com uma arma na mão, eu ouviria um tiro, eles ficariam de olhos arregalados e a boca aberta até um deles cair no chão com uma música bem dramática no fundo. Novamente, Rorschach salvou o dia!

Nota: 2/5

Pelo Rorschach! O filme dividiu opiniões, muitos fãs dizem que foi extremamente fiel a HQ, e fidelidade extrema nunca é legal, porque o filme acaba agradando somente aos fãs. Já outros dizem que o filme não capturou o simbolismo da HQ. De qualquer forma, a história criada por Alan Moore  é muito interessante, mas o filme, isoladamente, é... chato!

TRAILER





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