domingo, 7 de outubro de 2012

2010 O ano em que faremos contato - (1984)




Título Original: 2010: The Year We Make Contact
Ano de lançamento: 1984
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Peter Hyams, Arthur C. Clarke
Elenco: Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balaban, Keir Dullea, Douglas Rain
Sinopse: O Dr. Heywood Floyd não consegue se livrar do sentimento de culpa pela perda dos astronautas da missão Júpiter anos antes. Quando surge a oportunidade de uma missão conjunta com a União Soviética para ir até as proximidades de Júpiter e encontrar a Discovery para resgatar dados da missão ele imediatamente embarca na aventura. O filme prossegue com a viagem e chegada ao destino enquanto a iminência de um conflito na América Central entre EUA e URSS intensificam as relações entre os ocupantes da espaçonave Leonov, tripulada por soviéticos e americanos. O final nos surpreende com respostas às perguntas que ficaram em 2001.

Por Jason

Se você é fã de ficção de qualidade, fã do livro que o inspirou, “2010, uma odisseia no espaço 2”, de 1982, de Arthur Clarke, não deve se decepcionar com a trama oferecida por "2010 - O ano em que faremos contato". Os efeitos especiais, hoje quase precários, seguram bem o filme, embora pareçam inacreditavelmente mais datados que os do seu filme antecessor (!). E é esse talvez o maior problema do filme: o fato de existir antes dele uma obra única e incomparável, o clássico de Kubrick e sua visão sobre o homem como parte material e imaterial do cosmos - e o seu papel no mesmo -, no inexplicável "2001 - Uma odisseia no espaço". 

Ao focar no confronto entre Russos e Americanos, de forma que o fantasma de um conflito iminente assombra a nave de exploração em que eles estão, "2010" se torna interessante. Há uma mensagem pacifista que dura todo o filme e se desenvolve de maneira igualmente importante, pois Russos e Americanos precisam vencer suas diferenças não apenas na Terra, mas no espaço, dentro de um recinto diminuto como uma espaçonave - se quiserem voltar para casa sãos e salvos da missão para encontrar a Discovery, perdida na órbita de Júpiter. Correndo por fora, assim como o texto de Clarke é dotado de ironia, há no filme uma parcela de sarcasmo: o roteiro pincela de maneira nada bela o avanço dos chineses na corrida espacial e o fracasso de uma de suas missões. 

Se tem outra coisa que funciona aqui, é seu elenco, trazendo o simpático e competente Roy Scheider, e os ótimos John Lithgow e Helen Mirren. A direção é de Peter Hyams, que funcionou muito bem em Outland (1981), Capricórnio Um (1977) e filme de ação como Fim dos Dias (1999). Aqui precisamos dar o braço a torcer: Peter prova saber usar os efeitos especiais, os cenários e a técnica a seu favor. As imagens de Júpiter são fantásticas e o próprio balé da nave espacial em sua órbita - ou a sequência de descontrole gravitacional que sofre a Discovery na órbita de Júpiter, rodando em seu próprio eixo -, são uma prova disso.

Mas "2010 - O ano em que faremos contato" é lento, arrastado, por vezes desinteressante, culpa da sua montagem, que tenta emular "2001 - Uma odisseia no espaço" sem necessidade. Há a falta de mistérios, de perguntas sem respostas, de incógnitas que o filme anterior ainda é capaz de lançar na cabeça do espectador. Por outro lado, o roteiro insiste em tentar explicar coisas, que caem em situações absurdas - a do espírito envolvendo o cosmonauta Dave Bowman é a mais gritante: ele aparece numa televisão para sua ex mulher e num hospital para se despedir da mãe (sendo que nenhuma das cenas acrescenta nada a trama e ainda desfoca o espectador do drama dos cosmonautas que estão em clima de guerra no espaço), além de bater um papo espiritual com o Dr Floyd. O fim da picada vem quando HAL 9000, um dos maiores vilões da ficção, tem sua oportunidade de se redimir e salvar a tripulação do desastre. São coisas que funcionam no livro, mas dentro da trama do filme soam completamente deslocadas e desnecessárias.

Por último, o final do filme salva a produção, com a transformação de Júpiter em um sol e o satélite Europa em um planeta capaz de abrigar vida, como se este tivesse se transformado em um lar para uma entidade alienígena - ou uma futura raça, mais evoluída - representada pelo já conhecido monólito negro. Pelo que deixa transparecer o filme e o livro em que foi baseado, o monólito é capaz de destruir um planeta, para construir formas de vida nos pontos mais remotos do universo - e a passagem de tempo ao final, sob o monólogo do Dr. Floyd, com o satélite se transformando ao redor dele, parece nos validar essa teoria. O segundo Sol só vem para iniciar essa nova era, quem sabe, da mais pura e perfeita paz aos homens.

Preste atenção:

Nas partes em que os chineses são citados no filme. No livro, há um momento de contato entre os chineses e um alienígena, uma espécie bizarra, que ataca a nave chinesa e faz com que os astronautas não possam sair do planeta. Isso não está presente no filme: a opção do roteiro da produção foi dar mais mistério ao desaparecimento e o fracasso da missão dos chineses.

Cotação: 3/5

Nunca atinge a qualidade do seu antecessor, mas funciona bem como ficção com conteúdo acima da média.

TRAILER






Um comentário:

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...