domingo, 28 de outubro de 2012

Alien A ressurreição - 1997 (Alien: resurrection - 1997)



Título Original: Alien Resurrection
Ano de lançamento: 1997
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Bob Ringwood, Dan O'Bannon, Darius Khondji, Joss Whedon, Ronald Shusett
Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Ron Pearlman, Brad Dourif
Sinopse: A tenente Ripley (Sigourney Weaver) acorda 200 anos após se sacrificar para que a criatura alienígena não destrua a humanidade. Ela descobre que cientistas a ressuscitaram através da clonagem, conseguiram com sucesso retirar a rainha dos alienígenas de seu corpo. Neste contexto, apenas a tenente e alguns contrabandistas, que se encontram na nave naquele momento, podem impedir mais uma tragédia.


Por Jason

“Alien - a ressurreição” é para mim o filme que destruiu a franquia, que agora tenta se colocar nos eixos com Prometheus. Não o vejo somente como uma tentativa de faturar em cima de uma série já consagrada no cinema e na ficção, até porque o filme apresenta novidades agradáveis e ideias interessantes - e importantes - dentro do que foi construído dentro da série. Mas é fato que o filme sofre com inúmeros problemas.

Sobe!

A ideia de trazer Ripley através da clonagem é boa, inteligente e atual. Durante o processo de clonagem, em que tentam separar o DNA humano do DNA alien, os cientistas produzem verdadeiras aberrações, que vão resultar numa das cenas mais lembradas do filme - aquela em que Ripley com um lança-chamas nas mãos, destrói o laboratório em que uma de suas clones deformadas vive com a ajuda de aparelhos em sofrimento. Ripley muda agora de personalidade, passando a ser vista como uma espécie de ser híbrido, entre ser humano e o ser alienígena - e pode assim ser aliada ou uma ameaça, transitando entre os dois mundos. Como um clone, Ripley "ressuscita", adquirindo certos comportamentos da criatura como o sangue ácido, mas em contrapartida, a Rainha Alien, que foi clonada com ela, deixa de colocar ovos e passa a parir como um ser humano - o que resulta em outra cena memorável, quando a monstra dá a luz a uma criatura bizarra híbrida que não a reconhece como mãe e a assassina.

Quando a câmera do filme se foca nessa empreitada bizarra, Alien A ressurreição ganha ares de horror gore, com destaque para a direção de arte e cenários, que cria espetaculares ambientes como os corredores mal iluminados da nave Auriga ou os laboratórios cheio de tubos de ensaio gigantes e aberrações em exibição. Sigourney Weaver se garante em um personagem que ela domina muito bem e que a revelou, segurando a atenção do espectador do começo ao fim. Ora Ripley parece sensível, ora traiçoeira, ora amigável, ora imprevisível, como se houvesse dentro dela dois seres distintos e ela buscasse voltar ao ser humano que era. O primeiro ser dentro dela a faz perder o medo - o alien - que a permite vagar pelo ninho dos monstros e se envolver sensivelmente com a criatura que a rainha deu a luz. O segundo a mantém firme no seu propósito - o de eliminar essa praga para evitar a destruição da humanidade - em detrimento de sua maternidade (Ripley mata a criatura e chora dolorosamente por precisar fazer isso).

Desce!

John Frizzel faz a pior trilha sonora da série. O filme sofre com a direção fraca de Jean Pierre Jeunet, que não consegue explorar o terror e nem criar cenas de ação decentes. Jeunet não esconde nada, exibindo tudo como um circo dos horrores e explorando efeitos especiais que muitas vezes fazem feio em tela. Apesar de criar, como já citado, algumas cenas de bela plasticidade e alguma inovação com os seres híbridos que marcam uma evolução natural na trama, Jeunet não cria suspense, não cria ação digna de nota - e isso pode ser problema da base do filme: o roteiro. 

Na época em que o roteiro foi massacrado pela crítica, o roteirista Joss Whedon saiu em defesa para alegar que os problemas do filme eram culpa da direção. Whedon tenta dar humor ao filme com piadas idiotas, criando situações constrangedoras e diálogos pobres, que não forçam o espectador a pensar. Ele mastiga tudo. Para completar, a cada ideia interessante criada - a ressurreição do título, a clonagem, a ambiguidade de Ripley, a rainha alien, o monstro híbrido - há um sem fim de coisas que não funcionam. Gente entra e sai sem dizer a que veio. O filme não tem um vilão, há a falta de explorar melhor as simbologias da série e temas comum a ela (o tema da "ressurreição", o fio da meada, se perde no meio do caminho e ninguém consegue mais achar). Os coadjuvantes escritos por Whedon são todos descartáveis, sem importância alguma, não nos identificamos com eles: estão ali predestinados para morrerem antes mesmo de entrarem em cena. O final imaginado por ele, com tantos coadjuvantes vivos e inexpressivos, deixa uma sensação de que Whedon não tinha a menor ideia do que estava fazendo. 


Por fim, incomoda ver Winona Ryder completamente fora de compasso no filme. Não adianta ter uma atriz do calibre de Weaver dando sangue se Winona não consegue se encontrar fazendo cara de nada em tempo integral. Como a androide Call, Winona parece perdida e sem saber como compor uma personagem que precisa atuar com nuances para parecer o que não é (humana). É um elemento estranho na trama que não funciona. 

Cotação: 2/5

É o filho bastardo da franquia, que beira o trashVale por Weaver e sua icônica personagem que, finalmente, depois de séculos vagando no espaço e sofrendo com as agruras espaciais, retorna para casa.

TRAILER

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