sábado, 27 de outubro de 2012

Aliens, o resgate - 1986 (Aliens - 1986)


Título Original: Aliens
Ano de lançamento: 1986
Direção: James Cameron
Roteiro: Adrian Biddle, Dan O'Bannon, David Giler, Emma Porteus, James Cameron, Ronald Shusett, Walter Hill
Elenco: Sigourney Weaver, Michael Biehn, Carrie Henn, Lance Henriksen, Bill Paxton   
Sinopse: Ellen Ripley (Sigourney Weaver), a única sobrevivente da nave atacada pelo alien, vai a um planeta distante para combater o monstro que matou seus companheiros. 
Alguns colonizadores estão estabelecidos justamente nesse planeta e Ripley precisa ajudar estas pessoas a escapar da criatura.

Por Jason

Quando James Cameron assumiu a direção de Aliens - O resgate, o diretor já tinha engatado Terminator e o projeto da direção da continuação de sucesso do filme de Ridley Scott - Alien, o oitavo passageiro - estava condicionada aos resultados de bilheteria de Terminator. Com baixo orçamento estimado em 150 mil dólares, Terminator foi sucesso de crítica e de público arrecadando quase dez vezes mais e garantiu a vaga de diretor deste que está facilmente nas listas dos melhores filmes de ação de todos os tempos.

Sobe que desta vez, é guerra!

Não há o que se questionar no quesito técnico do filme. Quase tudo em Aliens é ultra perfeito, a exceção fica por conta de algumas cenas cujos efeitos especiais acabaram comprometidos pela idade do projeto. A fotografia, a montagem, maquiagem, a excelente direção de arte e cenários, os efeitos especiais, sonoros, a trilha sonora inspiradíssima de James Horner, tudo tem ares de super produção como só Hollywood consegue produzir, com a diferença que aqui não se trata de um filme de ação vazio e sim um trabalho que mistura horror, momentos de suspense, correria, drama e a atuação excepcional de Sigourney Weaver, que eleva ao cubo uma personagem já mitológica do cinema - a tenente durona Ellen Ripley.

Como Ripley, Sigourney consegue passar todas as características da personagem sem apelar para facilidade e cria um personagem complexo, a heroína definitiva que se espera de um filme e cujo resultado impressionante jamais foi alcançado desde então. Weaver compõe olhares - ela fala com os olhos ao saber que o satélite foi colonizado e várias famílias correm perigo - e detalhes gestuais (repare que ela aperta o peito depois de um pesadelo, hesita com as mãos antes de voltar ao lugar onde encontraram a criatura, o satélite LV 426, uma vez colonizado por famílias que foram eliminadas dele; se comove ao rever a criatura saindo do peito de uma vítima, se desespera quando vê os soldados serem liquidados pelas criaturas, fala baixo com os soldados quando precisa) que demonstram que a personagem está abalada emocionalmente por saber que seu pesadelo está longe de acabar.

Quando a menina Newt entra em cena - aqui estamos falando da versão completa do diretor, uma vez que Ripley recebe a notícia da morte de sua filha legítima no começo do filme - Ripley faz aflorar seu sentimento materno de proteção e desabrocha sua coragem a ponto de arriscar sua vida para protegê-la. Se antes havia uma Ripley amedrontada, aqui há uma mulher que sabe exatamente o que fazer, que vai gritar se precisar e se armar até os dentes para defender a menina. Ripley resume assim toda a sensação do espectador ao filme: do sentimento de horror ao alívio ao final pela vitória sofrida e suada, passando pela pena, pelo medo, o amor, o humor, a raiva e todos os sentimentos conhecidos pelo homem, o que já seria suficiente para garantir o êxito da produção.

Mas se Weaver se garante de frente às câmeras, rivalizando em importância para o filme assim como as criaturas, Cameron se garante atrás delas e no seu roteiro. Não picota o filme como um desastrado Michael Bay faria, conduzindo o filme de maneira exemplar até o ápice. Explora a relação de "mãe" e "filha" para levá-las ao ato final - a briga entre as "mães" - e suas respectivas personalidades - ambas se estranham no começo até se sentirem seguras uma pela outra; inova ao trazer personagens novos e mudar o tom do filme de um sufocante horror psicológico para a ação - ampliando assim a mitologia iniciada com o filme anterior. Tamanho empenho só poderia gerar fervor, sucesso de público e crítica e 7 Indicações ao Oscar (incluindo duas vitórias - Efeitos Especiais e Efeitos Sonoros, e uma indicação para Weaver pela sua personagem).

Desce!   

Aliens não atinge o status do primeiro filme porque há problemas, dos quais o mais grave está com o "vilão" do filme, Burke (Paul Reiser). Se até o androide Bishop (Lance Henriksen) tem um desenvolvimento de personalidade exemplar - do desprezo de Ripley ao seu agradecimento - Burke entra na trama já com cara de vilão e o roteiro o abandona pelo meio, porque é desinteressante e estereotipado (vilões são problema comum dos roteiros de Cameron (?)). Carrie Ann, a Newt, nem sempre convence e Bill Paxton tem um personagem antipático. A necessidade de ampliar o foco em Ripley faz dos soldados meros coadjuvantes unidimensionais, do qual o único que se sobressai é Hicks (Michael Biehn), que ensaia um interesse amoroso com Ripley que não se desenrola - até porque soaria estranho dentro da trama, vide o terceiro filme da franquia. 

Preste atenção:

Toda a maravilhosa sequência em que Ripley encontra a rainha Alien até o combate final com a mesma, montada numa empilhadeira. Reparem que Cameron suprime a trilha sonora no momento do encontro inicial - Weaver dá um show - e na batalha, enquadrando alternadamente a atriz, a criatura, e as duas frente a frente, num confronto não só físico mas emocional (uma está defendendo sua "cria", a outra almeja vingança). 

Cotação: 4,5/5

Weaver criou a inteligente, complexa, corajosa, sensível, desafiadora e durona Ellen Ripley e a levou para a galeria de grandes e inesquecíveis personagens do cinema, à mesma medida em que Cameron acabou gerando um clássico absoluto de ação e ficção. 

TRAILER

Um comentário:

  1. faltou o suspense do primeiro. mas é como o Missão Impossivel. cada parte sai de um jeito. muda diretor e a produção decide editar tudo de outro jeito. mas aquele classicismo do original foi ralo abaixo.

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