terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cavalo de Guerra - 2011 (War Horse - 2011)




Título original: War Horse
Ano de lançamento: 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Bridget Lee Hall, Michael Morpurgo, Richard Curtis
Elenco: Emily Watson, Tom Hiddleston, Jeremy Irvine
Sinopse: Na trama, em 1914, Joey, um potro com um sinal em forma de cruz no focinho, é vendido ao exército e enviado à Europa, onde se desenrola a Primeira Guerra Mundial. Entregue a um oficial, o animal se torna um cavalo de batalha, testemunhando o horror do conflito na França. A coragem de Joey toca os soldados, enquanto o cavalo sofre pela ausência de Albert, o filho do fazendeiro que ele deixou para trás. Será que ele verá seu dono verdadeiro outra vez?

Por Tia Rá

Olha, hoje a tia Rá acordou com a caçola virada e tá a cara do cão. Portanto, quem quiser final feliz aqui vai ver capítulo de novela, né gente? A diva troll deste humilde canto da net não vem pra cá pra aliviar a barra de ninguém. Grata (rindo horrores).

Primeiro, vou logo avisando que senti uma certa decepção com este filme. Eu esperava um filme épico e maravilhoso, com a marca registrada Spielberg, pois tentaram me vender Cavalo de Guerra como um filme sensível e emocionante. Eu esperava chorar, me descabelar, gritar, morrer, ressuscitar, sofrer, me comover, rasgar minhas roupas e sair completamente em êxtase gritando pela rua toda metralhada de emoção e descabelada ao final. Mas, sério, o final do filme chegou e eu nem esbocei reação. Sensível sim, o filme é - mas um filme para ser emocionante não precisa carregar nas costas um festival de clichês tolos e irritantes, né gente? Dá pra me economizar um pouco? Agradecida. 

SOBE!

E me disseram que o filme fazia homenagens a grandes clássicos. Isso é desculpa para tanta clicheria? Olha, o filme é bonito, é bem acabado, porque Tia Rá vocês sabem, dá a César o que é de Nero, né gente? Tem o rigor técnico de Spielberg. Nesse sentido, procurei com meus óculos de sete graus de miopia mas não encontrei nada que desabone: figurinos, cenários, maquiagem, até o uso de efeitos especiais, a fotografia lindíssima, tudo é ultra perfeito nesse sentido. A maneira como o filme desenvolve a amizade do garoto com o cavalo no primeiro ato tem a marca Spielberg em cada poro da produção. Repare nos closes no cavalo, com o fundo do céu azul. As colinas verdejantes. A aproximação dos dois aos poucos, o tom de melancolia. A forma como cavalo e menino se "entendem". O cavalo é lindo, maravilhoso, bem treinado, bem filmado, e as paisagens do filme são belíssimas. Troque o cavalo por um ET e você vai entender o que eu digo. É Spielberg cativante, pura e genuinamente, aquele velho tio fodão que a gente conhece muito bem e que quando quer BOTA PRA QUEBRAR!

A trama fala de um cavalo selvagem. Nasceu e foi leiloado por um pobre fazendeiro, que investiu tudo o que tinha nele, mas quase não consegue pagar o leilão.  O filho dele se compromete a treiná-lo, porque ele precisa servir ao arado para gerar dinheiro para pagar as dívidas da família, com a finalidade de que ela não perca a fazendo e as terras. Chega a primeira guerra e o cavalo é vendido para o exército. O menino promete trazê-lo de volta. É quando a saga do cavalo finalmente começa, mudando de lado no conflito, sendo adotado por dois amigos que fogem do exército com ele. O exército os encontra e os dois são fuzilados. O cavalo passa então para outro dono e assim sucessivamente - cada dono lhe ensinará algo diferente, como a menina do moinho que tenta o ensinar a saltar. Até que, por fim, volta para o seu dono.

E quando a guerra começa e o confronto circula nosso herói animal? Spielberg, queira você ou não, sabe como poucos filmar um conflito, colocando o espectador dentro dele, com cortes de ação elegantes, câmera balançando (reparem a espetacular cena em que os cavalos avançam por sobre os inimigos sob uma chuva de balas). É o tio fazendo seu melhor e destruindo a concorrência. Mas...

Pára o mundo que eu quero descer!

... Um filme em que um cavalo é mais expressivo - e é, reparem nas sacadas em torno dele e na forma como ele reage, tanto aos atores humanos quanto aos outros animais - do que o ator principal, é sinal de que tem coisa errada. O ator jovem Jeremy Irvine, que o treina, é uma porcaria. De onde saiu isso?! P-O-D-R-E! Atua porcamente (cêjura?), não convence em nenhum momento (sério?), tem um sotaque horroroso (oi?) e não consegue fazer uma expressão sequer durante todo o filme (OH MY GOD!!!!!). Ele deveria ser tão importante quanto o cavalo, chega a ficar temporariamente cego por causa do conflito - eu desejei que ele morresse pra o cavalo se livrar desse encosto - mas é dispensável. Eu não sei como tio Spielberg, um calejado na direção, conseguiu aceitar essa anêmona marinha para atuar em sua produção. Não sou obrigada gente!

E o Tom Hiddleston, povo? Baixou a irmã Loka do Thor aqui, é isso mesmo produção? O cara atua no automático, cheio de afetação descabida e descontrolada. Ainda bem que ele entra e sai rapidamente de cena, me poupou de ter eclampsia e AVC ao mesmo tempo. Aliás, o filme sofre com atores, né gente? É gente demais, atores que entram e saem rapidamente, sem que possamos nos nutrir de sentimentos por eles - porque o foco da trama, lembremos, é o cavalo. Sempre quando estamos nos envolvendo com algum personagem, como a menina do moinho, algo acontece e o filme muda o tom e o ritmo. Esse entra e sai prejudica muito a dramaticidade do filme.

Depois, Cavalo de Guerra demora horrores para embalar - uma hora, pelo menos, quando a primeira guerra finalmente começa. A montagem é o ponto baixo do filme: arrastada, fria e sem emoção, não consegue dar ritmo ao filme antes de o conflito começar e deixá-lo assim mais interessante - e a presença daquela porta atuando como ator principal não ajuda. Outra coisa que atormenta o espectador é a trilha sonora INCESSANTE de John Williams, completamente deslocada dentro do filme e que só alimenta os clichês. Repare na cena maravilhosamente filmada por Spielberg do arado: a trilha é completamente desnecessária. Mas tem que tocar na cena, claro. O jovem recebe a notícia da morte do capitão? Sobe a música. Acaba a cena? Sobe a música. O cavalo é ferido? Sobe a música. O menino chora? Sobe a música. O vento sopra? Sobe a música. Todo mundo fica mudo em cena? SOBE A MÚSICA! Sobe a música para mostrar alguém montando num cavalo, sobe a música para mostrar o cavalo cavalgando, sobe a música pra mostrar uma montanha!!! CHEGA GENTE! 

Há ainda um clima de fábula e fantasia que me incomoda, como na cena em que o cavalinho começa a fazer uma amizade básica com outro e acaba o "ensinando" a arar para salvar a vida do amiguinho, sabe gente? Depois vai lá, salva o bichinho do sacrifício e ainda por cima fica ali do lado dele na morte do coitado (spoiler, oi?). Essa indecisão entre ser um filme adulto que faz com que nos sintamos como crianças novamente e uma fantasia Babe - O porquinho atrapalhado com animaizinhos fofinhos e cativantes não me desceu muito bem, não. 

E o final, gente, com aquele por do sol digital ao fundo e toda aquela patacoada do menino que foi pra guerra, voltou, foi, voltou, ficou cego, vendeu, comprou, recebeu o bicho de novo que quase era sacrificado antes e coisa e tal? Não tem cavalo em atuação sensacional e direção regular que salve o filme do lugar comum e dos clichês. Estou velha pra isso, vou ali tomar meu diazepan e já volto.

Preste atenção: 

Na técnica empregada no filme, nas cenas de batalha, que não possuem profusão de sangue como em outros filmes do gênero, mas são rigorosamente competentes. 

Naquelas cenas em que o cavalo corre desenfreado para se livrar do confronto, fica preso nos arames farpados e agoniza, conseguindo comover os dois lados do conflito. É a melhor, mais adulta, mais elaborada, mais sensível, emocionante e sensacional sequência do filme. Se tivesse a maturidade desta cena no filme todo, Cavalo de Guerra seria perfeito.

Cotação: 2/5

O filme é abaixo da média, abaixo do que se espera de um Spielberg, demora a embalar, carece de dramaticidade, e só prende a atenção por causa do cavalo e da direção regular - porque todos os atores são dispensáveis, nenhum atua dignamente por nota excetuando o bichinho, de nome Joey, um arraso na atuação, e a parte técnica do filme que, como todo Spielberg, mantém o rigor de sua produção com técnica impecável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...