terça-feira, 30 de outubro de 2012

Coração de Tinta: O Livro Mágico - 2008 (Inkheart - 2008)




Título Original: Inkheart
Ano: 2008
Direção: Iain Softley
Roteiro: Cornelia Funke, Ileen Maisel, Barry Mendel
Elenco: Brendan Fraser, Paul Bettany, Helen Mirren, Sienna Guillory, Andy Serkis, Jim Broadbent e Eliza Bennett, Rafi Gravon.
Sinopse:  Meggie trocaria facilmente sua vidinha chata pelas aventuras que costuma ler nos livros. Pois parece que seus pedidos foram atendidos. Seu pai Mo, com quem mora sozinha depois do desaparecimento de sua mãe, esconde um estranho segredo - ele é capaz de trazer os personagens dos livros à vida quando lê seus trechos em voz alta. Esta habilidade pode ter relação com o sumiço da mãe de Meggie mas, antes que a menina descubra mais, o vilão Capricórnio surge das páginas de "Coração de Tinta" em busca dos poderes de Mo para realizar seus planos. Agora, com a ajuda do misterioso Dedo Empoeirado e de sua tia-avó Elinor, Meggie e o pai entram em um intrigante mundo de magia para impedir o maligno Capricórnio e quem sabe finalmente encontrar sua mãe perdida.

Por Lady Rá

Você que freqüenta esse antro humilde blog, já imaginou se as histórias contadas nos livros pudessem se tornar realidade? Fala sério, vai me dizer que quando você era criança não queria vivenciar as aventuras vividas pelos seus personagens favoritos? Quando eu era criança e lia as aventuras dos livros, ficava imaginando como seria legal participar de muitas daquelas histórias. Ou mesmo as histórias dos filmes de fantasia que eu assistia, como “História sem fim”, um clássico de Sessão da tarde (ou Cinema em casa, whatever...). E eis que encontro o filme “Coração de Tinta”, baseado em um livro, de mesmo nome, de Cornelia Funke.

O filme começa com uma narração sobre a existência dos “Língua de Prata”, aqueles que tem o dom de tornar realidade a história de qualquer livro os lendo em voz alta. Mo (Brendan Fraser) é um língua de prata, só que ele não sabe e vai descobrir tarde demais. Enquanto tudo é explicado por uma desnecessária narrativa em off, Mo lê a história de Chapeuzinho Vermelho para a mulher e a filha, e uma capa vermelha se materializa no céu e cai no seu quintal. A cena, diga-se de passagem, é muito bonita, mas perde todo seu impacto com a narração que subestima a capacidade de compreensão do telespectador e anula qualquer tentativa de ser criar uma atmosfera de suspense. Doze anos se passam e descobrimos que Mo é um restaurador de livros, que ele vive viajando com a filha adolescente Meggie, a procura de um livro. Cria-se um suspense até sabermos que numa noite ele lia uma história para sua esposa e sua filha pequena, e acaba trazendo os personagens do livro “Coração de Tinta” para a sua realidade, enquanto sua esposa é sugada para dentro dele. Sim, isso é um spoiler, mas não importa se eu contar aqui, porque o barato só que não do filme é deveria ser acompanhar as aventuras de Mo e sua filha, enquanto escapam dos vilões bizarros que os perseguem e tentam salvar a vida da mulher.

A ideia em si, dentro de gênero fantasia, é bem interessante, até porque o filme faz várias referências a histórias clássicas, o que serve de incentivo para que as crianças as conheçam melhor. O problema é todo o resto. Inclusive o elenco estrelado, Brendan Fraser (ok, esse topa qualquer parada), Andy Serkis, Helen Mirren e Paul Bettany, afinal nem mesmo esse grupo de astros talentosos são capazes de salvar essa tragédia. E você, caro leitor, me pergunta: Lady Rá, o filme é tão ruim assim? E eu respondo: sim, é ruim, tanto que quem deveria estar aqui distribuindo sapatada é a Tia Rá. Mas sobrou para mim a tarefa de conferir essa aberração cinematográfica e agora tenho que desabafar aqui com vocês. =D

Quando Mo finalmente encontra uma cópia do livro Coração de Tinta (que é raríssimo por sinal), um dos personagens que ele libertou, o Dedo Empoeirado (Paul Bettany), reaparece em sua vida para pedir que Mo o mande de volta para casa, ou seja, para o livro. Mo, como não pode controlar os seres que saem do livro e com medo que mais alguém seja sugado, foge com a sua filha e vai se abrigar na casa da tia avó Elinor (Helen Mirren), obrigando o Dedo... a procurar ajuda do vilão Capricórnio (Andy Serkis), que no livro era um capanga ressentido do terrível Sombra, uma criatura sinistra que lembra o Paralax de Lanterna Verde, sentiram o drama?. Capricórnio, muito bem instalado no mundo real, por sua vez, resolve seqüestrar Mo e sua família, para obrigá-lo a ler o livro e trazer  seu chefe Sombra para o mundo real. O motivo? Nem o roteirista sabe. Afinal, se no livro ele era um mero capanga (e sedento de poder), porque ele queria trazer seu chefe malvado para o mundo real onde ele poderia se ver livre dele? É o típico vilão burro e mau até os ossos.

Confusão vai, confusão vem, com o Dedo Empoeirado constantemente mudando de lado (tudo que ele queria era voltar para sua família), Mo consegue fugir das garras de Capricórnio, levando sua filha e sua tia, o Dedo Empoeirado, e um moleque bizarro que saiu dos contos de Ali Babá, apenas para servir de alívio cômico e interesse amoroso da menina. Eles continuam atrás do livro Coração de Tinta, para que Mo pudesse lê-lo e mandar as criaturas de volta para resgatar sua mulher. No meio dessa salada, surge o autor da história (Jim Broadbent), que Mo e sua turma vão procurar com o objetivo de conseguir mais uma cópia do livro “Coração de Tinta”. Claro, nem tudo vai acontecer como eles previam e todo mundo acaba caindo nas garras do vilão novamente e o autor até que tenta reescrever a história para que Meggie possa lê-la - sim, o dom de Mo é hereditário cê jura? e o vilão vai se aproveitar disso - mas que descobrimos que Meggie tem mais talentos do que imaginamos, o que resulta em um desfecho preguiçoso que nos fazer pensar: se era fácil assim, pra quê diabos tanta enrolação? Pra quê inventam de colocar o escritor nessa bagunça se ele será descartado pelo roteiro? Oiiii, roteirista? Mas, hein?¹ WTF?

Não bastasse a confusão que é o roteiro, cheio de furos e situações inexplicáveis  (não é por se tratar de fantasia que o roteirista não deve se preocupar com a verossimilhança), a  direção não colabora muito. O diretor faz o básico, não há uma cena criativa que chame atenção, como um bom filme de fantasia deveria ter, as cenas de ação são mal conduzidas, aliás, são momentos de vergonha alheia total. A fotografia é bonita, especialmente nas cenas iniciais, mas não chega a ser um diferencial. Paisagem eu vejo da janela da minha casa. Os efeitos especiais parecem ter saído da novela Mutantes da Rede do Bispo. Os personagens são unidimensionais e o elenco parece estar totalmente constrangido em cena. Quem faz um trabalho mais simpático é Paul Bettany, que confere alguma ambigüidade ao seu personagem, mas com certeza seu desempenho teria sido melhor se tivesse em uma produção mais bem resolvida. Jim Broadbent, se encontra na mesma situação, seu personagem é um velhinho simpático, embora o roteiro o torne completamente desnecessário. Helen Mirren, pagando mico com uma personagem forçadamente cômica, Andy Serkis, exagerado como vilão e Bredan Fraser no piloto automático. Temos também a jovem atriz Eliza Bennett no papel de Meggie que não demonstra ter um terço do carisma necessário para segurar um filme de fantasia. Aliás, é constrangedor a tentativa de fazer um paralelo de sua personagem com a inesquecível Dorothy, de O Mágico de Oz.

Por fim, Coração de Tinta é uma bobagem e completamente esquecível. Começa simpático, mas infelizmente o filme vira um carro alegórico desgovernado e com um desfecho constrangedor. Só serve mesmo para a programação da Sessão da Tarde da Rede Globo, que já foi melhor, diga-se de passagem.

Cotação: 2/5

Isso porque o filme tem uma ideia legal e tem algumas cenas engraçadas e também porque o personagem do Bettany é interessante (e porque sou a boazinha da família Rá). 

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