sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lanterna Verde - 2011 (Green Lantern - 2011)




Título Original: Green Lantern
Ano: 2011
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim, Michael Goldenberg
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Angela Bassett, Jay O. Sanders, Taika Waititi, Temuera Morrison, Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan, Warren Burton, Salome Jens, Clancy Brown
Sinopse: Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um audacioso piloto de aviões que foge de qualquer responsabilidade. É assim que mantém a amizade com Carol Ferris (Blake Lively), colega de infância e também piloto, que está prestes a assumir o comando da empresa do pai. Hal e Carol tiveram um caso no passado, que não seguiu em frente por causa dele. Um dia, a vida de Hal muda ao ser envolto em uma redoma verde e levado até um alienígena prestes a morrer, chamado Abin Sur (Temuera Morrison). O extraterrestre lhe entrega um estranho anel e diz que ele foi escolhido, além de alertar sobre as responsabilidades de possuí-lo. Ao usá-lo Hal torna-se o Lanterna Verde, tendo condições de moldar a luz verde da forma como sua imaginação permitir. É apenas o início da jornada do herói, que viaja até o planeta Oa para aprender a usar suas novas habilidades e tem como grande teste o temido Parallax.

Por Lady Rá

Já disse aqui neste antro humilde espaço que adoro filmes de super-heróis, e, ao contrário dos fãs mais exigentes, eu nunca espero muito deles, apenas que sejam divertidos e com um enredo que faça algum sentido. Pois para mim a principal função dessas histórias é divertir. Se puderem ir além, ótimo. Mas condescendência também tem limite, não é minha gente? A bitch surtada minha irmã Tia Rá já havia me alertado sobre a falta de qualidade desse filme, mas como ela acha tudo ruim, resolvi dar uma conferida para tirar minhas próprias conclusões. E a única conclusão a que cheguei foi: Tia Rá estava certa. Lanterna Verde consegue ser mais trash do que Quarteto Fantástico, e o pior de tudo, é que a história do herói tem potencial, o personagem é carismático e há uma tentativa de inserir uma mensagem sobre “enfrentar o medo”,  o que é muito interessante, mas o problema todo é o resto.

Vamos começar pelo roteiro, que passou por oito mãos e ainda assim saiu fraco, óbvio, clichê e formulaico. Aqui temos um piloto da força área, Hal Jordan, o cara destemido e arrogante, que carrega seus dramas pessoais. - na infância, Hal viu o pai, também piloto, morrer durante um voo de teste - Ele ainda tem um rolo romance complicado com uma mulher chamada Carol Ferris, aparentemente forte e decidida. Do outro lado do espaço, existe uma tropa de “Lanternas Verdes”, cada um de um planeta diferente, eles possuem um anel que lhe dão muitos poderes.O melhor deles é ferido em uma batalha contra uma o terrível Parallax, uma criatura que se alimenta do medo de seus oponentes e só quer destruir e destruir e comer o medo alheio (!). Sabendo que ia morrer, o Lanterna resolve procurar por um substituto, e um requisito básico para fazer parte da tropa é justamente não ter medo. Porque o escolhido é um cara imaturo e irresponsável, não se sabe, talvez o anel verde tenha ido com a cara do Ryan Reynolds, ou melhor, Hal Jordan. Ou será porque ele é idiota corajoso o suficiente para arriscar sua vida em manobras perigosas? Hal, então, é escolhido para ser o novo Lanterna Verde, mas terá que enfrentar muitos problemas ao assumir essa responsabilidade, desde aprender a lidar com os poderes que o anel lhe proporciona a enfrentar o temível Parallax. Mas é a forma como o tudo se desenvolve, se é que podemos chamar de desenvolvimento, é o que arruína o filme completamente. Personagens são mal explorados, aparecem e desaparecem num piscar de olhos sem dizer a que vieram, as reviravoltas são inverossímeis, situações acontecem sem nenhuma explicação coerente.  

Se existe um ponto positivo no longa, é o carisma do protagonista, que a princípio vê a ideia de ter poderes como uma diversão, até que as coisas se tornam mais complexas (ok, já vimos esse filme, mas é uma situação sempre divertida de se acompanhar) Porém, o drama pessoal de Hal é tão mal explorado que chega a constranger, seu discurso perante os guardiões  gera aquele sentimento que chamamos de vergonha alheia. Não vou comentar a tentativa de estabelecer uma situação dramática com o encontro de Hal com alguns familiares. O que o roteirista pensou? “Vamos jogar uma cena breve e sem sentido aqui, só pra mostrar que ele não se relaciona bem com a família”.Isso se chama, amadorismo.

Ryan Reynolds é daqueles atores limitados, mas que se esforçam e não chega a comprometer, sua companheira Blake Lively, no entanto, arruína qualquer cena em que esteja presente, tem muita beleza e pouca expressão facial. Sua personagem é das mais problemáticas em termos de construção, pois muda de atitude de uma hora pra outra sem uma explicação plausível, e a atriz não se esforça nem um pouco para melhorar esse quadro. Quem tem melhores atuações é o elenco coadjuvante, Taika Waititi, como melhor amigo de Hal e Peter Sasgaard, que surge divertido como o vilão Hector. Mas é triste ver um ator do calibre de Tim Robbins, como o senador Hammond, numa produção tão medíocre e com um personagem totalmente unidimensional. Sem mencionar o fato de que ele não convence como pai de Sasgaard. Muitas produções utilizam um bom elenco secundário para sustentar o filme, mas aqui isso não acontece, pois o roteiro não lhes dá chance para se destacarem. Por fim, ninguém se destaca, de fato.

Já na parte técnica o longa tem erros e acertos, a fotografia é falha, especialmente nos momentos que se passam na Terra, seus tons amarelados são cansativos e não passam a impressão de um ambiente real. Assim como as cenas no espaço que soam falsas, a equipe de (de)efeitos visuais da Record, manda lembranças. Por outro lado, os efeitos especiais são bem utilizados nos momentos em que Hal Jordan surge como Lanterna Verde e utiliza o anel, cenas essas, que são bem dirigidas e divertidas., embora também se perceba algumas falhas. Também são interessantes as cenas no espaço e a caracterização dos outros Lanternas, alguns deles com com aparência de animal. Embora em muitos momentos, as cenas espaciais pareçam desenho animado, não chega a incomodar, pois isso colabora para criar uma atmosfera fantástica para o filme.

No fim das contas, Lanterna Verde funciona como uma sessão da tarde, um filme comum, para você ver na TV aberta quando não há nada melhor para fazer, se sua conexão com a Internet estiver com problemas e se estiver chovendo bastante. Mas dormir é sempre uma boa opção. A pergunta que fica é: como produtores apostam tão alto em um filme com roteiro tão inconsistente e elenco irregular? Não é porque estamos numa época dominada por filmes que super-heróis que se pode sair investindo milhões e qualquer coisa, é preciso ter cautela. De qualquer forma, creio que vale a pena investir no Lanterna Verde, que tem um universo complexo e bacana, mas vamos fazer direito na próxima vez Ok, produtores? Os fãs e o público leigo agradecem.

Cotação: 1/5

Meu Deus, onde enfiaram o orçamento milionário desse filme? Na roupa do Hal Jordan?  Cabeças devem ter rolado.


Trailer


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