domingo, 21 de outubro de 2012

Mad Max 3 Além da cúpula do trovão - 1985




Título Original: Mad Max Beyond Thunderdrome
Ano de lançamento: 1985
Direção: George Miller, George Ogilvie
Roteiro: George Miller, Terry Hayes
Elenco: Tina Turner, Mel Gibson, Bruce Spence
Sinopse: Após a destruição da civilização surge Bartertown, uma cidade no deserto com regras primitivas e mortais que tem uma governante (Tina Turner) que deseja consolidar seu poder a qualquer preço. Até que lá chega Max (Mel Gibson), que é forçado a participar de uma luta e, por ter se recusado a matar seu oponente, acaba sendo banido no deserto. Até que um grupo de jovens selvagens o salvam e passam a considerá-lo um messias que os levará até uma nova terra.


Por Jason

Mad Max sempre foi para mim a reprodução ideal e definitiva do herói "depois do fim do mundo". Parte do mito envolvendo Max, o guerreiro das estradas desertas de um planeta em colapso apocalíptico, vem da forma como George Miller o apresentou ao mundo, em 1979, no já clássico Mad Max: um jovem com sede de vingança e sofrendo pela perda de sua família e seu amigo, emocionalmente destruído e perseguido por gangues violentas - num futuro onde o combustível virou artigo de luxo, pontuado por perseguições bem montadas de máquinas furiosas, potentes e exóticas. Foi o filme que abriu as portas para Mel Gibson e o transformou em estrela. A combinação, estranha de início, deu certo: o filme, barato para os padrões, virou uma febre mundial e engatilhou outras sequências, fechando uma trilogia com este Mad Max Além da Cúpula do Trovão.

Dois homens entram. Um homem sai. 

A crítica à sociedade consumista, a crise e o colapso do petróleo, a falta de água apregoada para  um futuro próximo... Tudo está lá, no meio da ação e das cenas de perseguições descabelantes de fazerem inveja a qualquer Velozes e Furiosos. Miller dá ao filme um brilhante tom pessimista representado na imagem da cidade caótica, degradada, rudimentar e de especto pré-histórico de Barbertown - construída com sangue e merda de porco, que gera energia pelo gás metano para ela. A cidade traz comércio precário, como uma feira livre, bem representada pela ótima direção de arte, maquiagem, fotografia e os figurinos. A cidade é comandada por Aunty Entity, cujas leis levam o espectador a um tipo de coliseu pós apocalíptico - a Cúpula do Trovão -, onde, para saciar a sede de sangue dos moradores, dois homens são obrigados a lutarem até a morte para obterem recompensas. Tudo aqui é estranho e bizarro. Miller pilota o filme de uma maneira seca, crua, como se desse um tapa na cara do espectador ao exibir o destino inexorável para o qual a sociedade caminha amargamente, mergulhada em crime, caos, violência e destruição.

Sobe!

A parte técnica do filme é irretocável. Miller filma efeitos práticos, acidentes mirabolantes, cenas de perseguição, tudo com sua câmera dentro do caos, o que garante metade do êxito da ação do filme. Joga a câmera no meio dos porcos, no meio da cidade, no meio das imundícies  Poupa, no entanto, o espectador de mais violência gráfica: a necessidade de popularizar o filme em outras faixas etárias faz desse terceiro episódio o menos violento dos três. O impacto, contudo, é idêntico.

Mel Gibson é Max, em um personagem icônico de sua carreira, de maneira que é impossível se dissociar dele. Mel está para Max assim como Stallone para Rambo. Tina Turner garante bons momentos, rivalizando e chamando a atenção para si, uma vez que aparece montada em um figurino e uma peruca bizarra que acabou se tornando uma marca da cantora. A trilha sonora, que envolve rock e instrumental pesado, ajuda na criação dessa sociedade pós apocalíptica - o destaque fica por conta da já clássica We don't need another hero, uma das canções mais conhecidas do cinema. O filme ainda traz embutida uma mensagem alegórica e gritante, de apoio a juventude, uma vez que só ela é capaz de mudar a sociedade agora para evitar aquele futuro degradante demonstrado na tela.

Desce!

Mas o problema do filme, para mim, é a presença das crianças e adolescentes no filme. Quando eu era criança ou adolescente e assistia o filme nas sessões da Tv aberta, havia certo fascínio em ver crianças lutando por um "futuro melhor" nesse mundo deserto que o filme apresenta. Quando se é adulto e revê o filme, a sensação que fica é que o roteiro se distorce quando elas entram em cena: é notável a sensação de que Mad Max 3 parece almejar ser Indiana Jones e o Templo da Perdição e se infantilizar. Sai a violência dos dois primeiros filmes, sai o Max que busca uma vingança pessoal contra aqueles que mataram sua família, contra o mundo, o "sobrevivente" - e entra um Max bonachão, mais ídolo infantil e adolescente, como se fosse pai herói daquelas crianças perdidas, um messias, um "escolhido", ou o que quer que seja - e, reparem, como se Tina Turner deixasse de ser uma comandante cruel de uma cidade e passasse a ser uma megera madrasta de uma fantasia infantil bizarra. A entrada de humor dentro do filme é fora de compasso e não ajuda. Mad Max 3 se suaviza, se sensibiliza, se rende a máquina de fazer dinheiro hollywoodiana a partir daquele momento, deixando o clima de ação e violência e investindo em fantasia. É a síndrome de Peter Pan e, queiram ou não, isso joga contra o filme - e atira no que foi estabelecido nos filmes anteriores.

Cotação: 3,5/5

Irregular, mas ainda assim, acima da média dentro do gênero, Mad Max 3 ainda se garante como um bom filme de ficção e ação, cujo tema ainda se mantém atual - e consegue criar um panorama realista e nada otimista para o futuro da humanidade com criatividade e tamanha competência que nenhum outro filme até hoje conseguiu superar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...