quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O escafandro e a borboleta





Título Original: Le Escaphandre et le Papillon
Ano: 2007
Direção: Julian Schnabel.
Roteiro: Ronald Harwood, Jean-Dominique Bauby (livro)
Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Max von Sydow, Marina Hands, Isaach De Bankolé
Sinopse: Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.


Por Lady Rá

Sindrome do encarceramento, uma doença rara que deixa a pessoa paralisada da cabeça aos pés, porém sua consciência continua intacta. É algo inimaginável, mas só pensar em uma doença assim já é angustiante. Esse foi o drama real vivido pelo editor da revista Elle, Jean-Dominique Baubby, que aos 43 anos, após sofrer um AVC e passar alguns dias em coma profundo, acordou e descobriu que não podia mais falar e se mexer. Seu corpo inteiro ficou paralisado, mais sua audição, sua mente e a visão do olho esquerdo (o olho direito foi costurado para evitar uma infecção) funcionavam normalmente. Jean tinha filhos, um pai que via de vez em quando mais o amava muito, relações complicadas com as mulheres, sua vida era intensa e de repente sua mudou drasticamente. Os remédios, as sessões de fisioterapia, os incontáveis tratamentos passaram a fazer parte de sua vida.

Paralisado, mas podendo se comunicar com o mundo através da pálpebra esquerda, o que restava a Jean? Comunicando-se com o piscar do olho, uma piscada era “sim” e duas era “não”, Jean passou a interagir com as pessoas a sua volta e assim, ele resolveu contar suas memórias em um livro. Sua assistente soletrava o alfabeto  e ele piscava quando ela chegava a letra que ele queria, até formar uma palavra, uma sentença. Com o tempo ela já era capaz de deduzir algumas de suas mensagens.  Assim, Jean Dominique, se abriu para o mundo através do livro “O escafandro e a borboleta”. A história, que foi adaptada pelo cineasta e artista plástico americano Julian Schnabel, por si só já é capaz de mexer com as emoções de qualquer pessoa, mas como levar as telas do cinema com fidelidade e respeito, uma história ao mesmo tempo tão triste, bela e complexa com a Jean Dominique, sem tornar o filme uma experiência de total agonia?

Graças ao roteiro e a direção, e, é claro, a própria história do jornalista, isso não acontece. Sim, os primeiros momentos são angustiantes. Com a perspectiva em primeira pessoa, o telespectador é levado a enxergar tudo pelo olhar de Jean Dominique. Logo quando este acorda do coma, a lente desfocada e os enquadramentos irregulares dão o tom dos sentimentos do protagonista. A confusão mental, as explicações dos médicos, a angústia diante da constatação de sua nova condição, são sentidos pelo telespectador, que também se sente preso em um escafandro. Mas aos poucos, Jean muda sua perspectiva sobre seu estado, e é aí que sua mente se liberta como uma borboleta que sai de um casulo. E nós, telespectadores, nos libertamos junto com ele. Neste sentido, a fotografia está a totalmente a serviço da narrativa, os movimentos de câmera, os ângulos e o tom opaco que causam uma sensação de enclausuramento no começo da narrativa, aos poucos cede espaço a planos abertos e iluminados para ilustraras memórias e a mágica das viagens mentais do protagonista.

Com a sensível e cuidadosa de Julian Schnabel, aliada ao belo trabalho dos atores, encaramos com naturalidade, por exemplo, muitas cenas em que os personagens a volta de Jean tenham que olhar diretamente para a câmera como se estivessem olhando nos olhos do personagem. O elenco, aliás, é todo eficaz, especialmente as atrizes que interpretam a esposa de Jean e sua terapeuta e Max von Sydow, no papel do pai de Jean, que está presente em duas das mais belas e comoventes cenas do filme. E o protagonista Mathieu Amalric, transforma seu Jean em um homem de personalidade atraente, que se esforça o quanto para encarar sua nova condição, de forma crível, sem exageros dramáticos, sem fazer com que o telespectador sinta pena, mas também sem demonstrar falsa autoconfiança.

“O escafandro e a borboleta” é daquele tipo de filme em que uma história bem escrita se une aos recursos estéticos para criar um filme elegante, acessível a todos os públicos, pois aqui temos uma produção capaz de chamar atenção daquele público mais exigente e ligado aos detalhes, como daquele público que só espera se emocionar com uma bela história de superação. Para ver e refletir sobre o que realmente vale na vida e o que vamos deixar para de legado para o mundo quando não estivermos mais aqui.

Cotação: 5/5

Escafandro é uma armadura de borracha e latão utilizada por mergulhadores para trabalhos no fundo da água. Essa estrutura comunica-se com a superfície através de um duto que assegura a livre respiração e permite resistir à pressão da água. Olhando a foto abaixo, dá para entender porque Jean-Domique auby usou esta metáfora.



TRAILER




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