segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O pianista - 2002 (The Pianist - 2002)



Título Original: The Pianist
Ano de lançamento: 2002
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Ronald Harwood, Wladyslaw Szpilman
Elenco: Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Emilia Fox, Michał Żebrowski, Ed Stoppard, Maureen Lipman 
Sinopse: O pianista polonês Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) interpretava peças clássicas em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas caíram sobre a cidade, em 1939. Com a invasão alemã e o início da 2ª Guerra Mundial, começaram também restrições aos judeus poloneses pelos nazistas. Inspirado nas memórias do pianista, o filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia, quando os alemães construíram muros para encerrar os judeus em algumas áreas, e acompanha a perseguição que levou à captura e envio da família de Szpilman para os campos de concentração. Wladyslaw é o único que consegue fugir e é obrigado a se refugiar em prédios abandonados espalhados pela cidade, até que o pesadelo da guerra acabe.


Por Jason

Poucos filmes me comoveram tanto pela sensibilidade quanto "O pianista". Quando Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) surge em cena, completamente decrépito, com barba por fazer, vivendo como rato nos escombros da Segunda Guerra Mundial e convence o oficial alemão Wilm Hosenfeld (Thomas Kretschman) de seu talento ao tocar Balada Nº01, em Sol Menor, Opus 23, de Chopin, o espectador já foi bombardeado com um festival de emoções e destruído emocionalmente pelos horrores de um conflito que matou não apenas milhares de pessoas - mas quase liquidou o dom do ser humano de criar preciosidades de valores inestimáveis.

Baseado em fatos reais, a história de "O pianista" se funde com a do próprio diretor Roman Polanski, ele próprio um sobrevivente do Holocausto que viu sua família ser exterminada pelo regime Nazista e Brody, cuja câmera de Polanski o persegue e o usa de uma maneira absolutamente brilhante, no papel de Szpilman, nos conduz a testemunhar os horrores da Guerra à medida que deteriora mentalmente e fisicamente - e não a toa, o ator foi premiado com um Oscar merecido por sua atuação. 

Perigosamente magro e apático, o Szpilman de Brody é a completa representação da destruição da humanidade de um homem: ele é capturado, tratado como um animal, quase é executado, vê sua família ir parar num campo de concentração, adoece, e enquanto definha sem as mínimas condições de higiene, tenta manter os resquícios daquilo que ainda é capaz de torná-lo humano - sua mente está completamente presa a beleza de sua arte. É ele o veículo condutor pelo qual o espectador consegue transitar entre a total tristeza, dor, amargura, solidão mas ao mesmo tempo sensibilidade, elegância e alegria de emitir pequenas notas num piano que vai se transformar em uma melodia. Sem ele, o filme perde metade de seu êxito. 

Polanski cria cenas sem o mínimo de apelação - não espere sangue em profusão -, mas que se fixam na mente do espectador. Enquadra uma sacada de onde uma pessoa é arremessada do alto sob o ponto de vista dos vizinhos. Uma mulher leva um tiro na cabeça porque questiona para onde era levada por um nazista, o pai de Szpilman é espancado por soldado alemão. O tema da guerra não é o centro, é o pano de fundo. É o drama de um ser humano diante dele que interessa, o que faz com que "O pianista" seja diferente da maioria dos filmes sobre a guerra. Na técnica, não há o que questionar. Do brilho amarelado da fotografia quando Szpilman está tocando, passando pelo tom acinzentado do conflito, o filme conversa com o espectador através das cores. Os efeitos especiais aqui são utilizados como complemento e o roteiro é irretocável.

Como nos conta Polanski, neste que é sem dúvidas um dos melhores filmes da sua carreira, a arte em "O pianista" é capaz de salvar e de unir pessoas com ideais completamente diferentes entre si no centro do mais puro caos. É capaz também de se transformar na identidade de um ser humano e naquilo que separa os homens de monstros. De um lado, os  monstros nazistas que invadem o Gueto de Varsóvia, enfileiram pessoas, os forçam ao trabalho escravo, humilham, machucam, maltratam, insultam, executam-nas rapidamente a céu aberto como uma máquina assassina impiedosa. Do outro, o que nos torna humano. 

Quem triunfará ao final?

Cotação: 5/5

Impecável. Sem mais.

TRAILER



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