quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Orações para Bobby - 2009 (Prayers for Bobby - 2009)




Título Original: Prayers for Bobby
Ano de lançamento: 2009
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Katie Ford (II), Leroy Aarons
Elenco:
Austin Nichols (Ed Griffith)
Bryan Endress-Fox (Greg)
Carly Schroeder (Joy Griffith)
Dan Butler (the Rev. Whitsell)
Henry Czerny (Robert Griffith)
Rebecca Louise (Jeanette)
Ryan Kelley (I) (Bobby Griffith)
Scott Bailey (David)
Shannon Eagen (Nancy Griffith)
Sigourney Weaver (Mary Griffith)
Sinopse: Mary (Sigourney Weaver) é uma religiosa que segue à risca todas as palavras da bíblia. Quando seu filho Bobby (Ryan Kelley) revela ser gay, ela imediatamente leva o filho para terapias e cultos religiosos com o intuito de “curá-lo”." 

Por Jason



Orações para Bobby, embora simples e econômico, é um desses filmes que marcam o espectador. Bobby (Ryan Kelley) era um menino comum, como muitos por aí, com suas ideologias, seus ideais, seus sonhos, suas fantasias. O problema? Bobby era gay, numa época em que a sociedade americana era ainda mais ignorante com relação a comunidade homossexual. Para completar o drama do menino, a mãe era uma fanática neurótica religiosa (entenderam a situação?) que achava que aquilo só podia ser um transtorno e podia curar o filho daquela doença com sua fé em Deus e sua religião (!). Não suportando toda a pressão da família e da sociedade, os namoros infrutíferos e as decepções, o menino se mata pulando de um viaduto. 

É a partir daqui que o filme cresce ainda mais. A família se dilui em culpa. Vira uma situação de jogo de empurra-empurra, em que cada um tira o corpo de fora, e tudo começa a desmoronar. Há a culpa pelo pai, por ele não ter presença, há a culpa sobre a mãe, que tinha começado a sufocar o menino com mensagens bíblicas e orações por todos os cantos da casa e não compreende o que o filho é. Mary chega a procurar um psiquiatra para curar o menino. A psiquiatra joga a culpa no pai que não é muito atuante na vida do garoto e na mãe que é exigente. Há a própria culpa de Bobby, que não sabe lidar, ele mesmo, com a sua situação e tenta se impor dentro de casa diante da mãe. Para complicar ainda mais sua situação, resolve ir embora, se envolve com um cara sexualmente mais maduro, se ilude e é abandonado pelo mesmo. E há ainda o irmão, em que Bobby confiava e que acabou desencadeando uma situação de constrangimento total dentro da família. Cabe ao final à mãe tentar extrair o melhor dessa situação e tentar diminuir o peso da sua consciência pelas suas ações diante do caos que a morte dele desencadeou.


No meio disso tudo, está a atriz Sigourney Weaver, em um papel marcante, complexo, difícil, mas que ela parece tirar de letra. Sigourney, como Mary, consegue passar todas as camadas da personalidade confusa, problemática, de fé cega e uma figura materna totalmente opressiva. Seu acesso de choro e escândalo quando descobre que o filho se matou e ela fica presa diante de um portão no trabalho é uma dessas cenas que impressionam o espectador pela sensibilidade e pelo talento da atriz. Sua discussão quando o pai de Bobby explode por não suportar mais aquele massacre psicótico da mulher nos dá acesso a total ignorância da personagem em relação a natureza sexual do seu filho. O mesmo vale para o seu discurso emocionado ao final em que ela dá um show de interpretação e os momentos em que Weaver sobra na tela com gestos ou expressões -, como na sequência em que ela conversa com um religioso e passa a questionar sua religião e seus conceitos - quase mimetizando perfeitamente a Mary real.  

“Orações para Bobby” é baseado no livro “Prayers for Bobby – A Mother’s Coming to Terms With the Suicide of Her Gay Son”, escrito com base nos relatos da própria Mary e foi lançado no canal Lifetime atingindo recordes de audiência. O filme tem alguns problemas notáveis, é claro, até porque é simples, lembra um capítulo de novela e omite informações sobre o rapaz (o livro sugere que ele se prostituía por vontade própria). O ator que faz Bobby, Ryan Kelley, se defende como pode. O roteiro não invade mais profundamente a personalidade de Bobby - até porque o que se sabe dele é o que a sua mãe conta - embora não chegue a tratá-lo como uma vítima, assim como não faz de Mary uma carrasca. Também não explora melhor a reação do restante da família depois da morte dele - como os irmãos, que praticamente somem de repente da trama -, nem como a sociedade da pequena cidade onde moravam entende o caso e a repercussão do suicídio (o filme não mostra, por exemplo, a repercussão do caso dentro das colegas de Mary no trabalho). Falta, assim, uma contextualização da cena gay daquele núcleo social, para dar ao espectador um panorama do lugar em que Bobby está inserido - reparem que existe pouca interação entre Bobby e amigos, colegas do colégio, por exemplo. Nesse sentido, o filme é superficial.

Fica, no entanto, um alerta. Apesar da simplicidade e por se tratar de um filme para a televisão, feito com poucos recursos, Orações para Bobby serve como veículo para que percebamos até que ponto o preconceito pode destruir um núcleo familiar e a vida de um jovem - e o tamanho do grau de alienação que a fé pode levar uma pessoa. Quando uma vida de uma pessoa vale menos do que um conceito religioso, só pode ser um sinal de que a sociedade está completamente alienada, que precisa se desprender de sua ignorância - para evitar tragédias como a de Bobby - e poder, assim, evoluir de todas as formas.

Cotação: 4/5

Pequeno, mas sensível, o filme se garante na performance maravilhosa de Sigourney Weaver e na temática interessante. Vale a pena conferir.


FILME LEGENDADO


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