quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os Descendentes - 2011





Título Original: The descendants
Ano: 2011
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash.
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Patricia Hastie, Beau Bridges, Matthew Lillard, Judy Greer.
Sinopse: Havaí. Há 23 dias a vida de Matt King (George Clooney) mudou completamente. Foi nesta data que sua esposa Elizabeth (Patricia Hastie) sofreu um sério acidente de barco e entrou em coma. Desde então cabe a Matt cuidar das filhas Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), que estuda e vive em outra ilha do arquipélago. Quando é informado pelos médicos que sua esposa irá morrer em breve, Matt resolve trazer Alexandra de volta. Ele conta com a ajuda dela para contar a triste notícia aos amigos e familiares, de forma que eles possam se despedir de Elizabeth ainda em vida. Desbocada e de gênio difícil, Alexandra surpreende o pai ao contar que sua mãe o estava traindo. A notícia afeta profundamente Matt, que passa a querer saber quem era o amante de sua esposa e se ela o amava.

 Por Lady Rá.



Em todos os anos um filme independente do gênero “dramédia” se torna o queridinho do Oscar, concorrendo em categorias importantes como: filme, roteiro, direção ou atores. Foi assim com Pequena Miss Sunshine, Juno, Minhas mães e meu pai, dentre outros. Alguns deles realmente fazem jus à babação aos elogios da crítica, já outros, você assiste e termina com um belo “Oi?”. No último ano, tivemos “Os descendentes” como queridinho da vez, mas é curioso que ele não se encaixa em nenhuma das situações citadas, ou seja, não é totalmente decepcionante, mas está longe de ser um filme maravilhoso. É um filme de erros e acertos, mas prazeroso de se assistir, graças à maravilhosa atuação de George Clooney que concorreu, merecidamente, ao Oscar de melhor ator.

Clooney interpreta Matt King, um advogado descendente da realeza havaiana, cuja família é herdeira de 25 mil acres de terra que valem centenas de milhões de dólares. Ele tem que administrar o espólio da família, que pretende vender as terras ou poderá perdê-las - toda a população do lugar é contra a venda - enquanto isso, sua esposa está em estado de coma irreversível e ele precisa cuidar sozinho de duas filhas. A entrega de George Clooney ao personagem é sensacional. Seja apenas observando sua mulher praticamente morta em cima da cama, seja impassível diante do comportamento problemático de suas filhas, ou descobrindo a traição da mulher, correndo desajeitadamente pelas ruas, constrangido diante da diretora da escola da filha, ou em um momento mais intenso, quando finalmente se despede da esposa, perdoando-a e sentindo-se perdoado pelos erros que ambos cometeram no casamento. As emoções vêm de dentro, o ator desaparece no personagem, não há George Clooney, não há galã de Hollywood, há apenas Matt King, com todas as suas emoções, qualidades e defeitos. Mas o elenco coadjuvante também não deixa a desejar, merece destaque a jovem Shailene Woodley, que interpreta Alexandra, a filha mais velha de Matt. É sério, gente, em um mundo onde existe essa atriz, porque perdem tempo com a Kristen Stweart???? Enfim...

Outro ponto positivo é a boa direção de Alexander Payne, que conduz muito bem seu elenco e cria alguns momentos realmente comoventes e interessantes, como os últimos momentos da família King no hospital, ou mesmo dando um close em um pote de cinzas. As locações são bem exploradas pela câmera, de modo que vemos o Hawaí não apenas como um paraíso turístico, mas como um lugar como qualquer outro em que existem famílias que vivem seu cotidiano.

Mas o grande problema de Os descendentes é seu roteiro inconsistente. Começando pela mudança repentina de comportamento da filha mais velha de Matt, que é apresentada como garota problema e, como num passe de mágica, se torna uma jovem madura e decidida, que acaba sendo o pilar da família. Causa estranheza também a incompreensível decisão que Matt toma com relação ao amante de sua esposa. A questão da venda das terras e o subtexto ecológico também são mal desenvolvidos, de forma de se isso fosse excluído da história, não faria falta alguma. Há também uma desnecessária narração em off, em que tudo é explicado de forma didática, como se o telespectador não fosse capaz de entender o que acontece. A narrativa é toda construída em etapas definidas, como se seguisse um manual de instruções, assim parece que estamos assistindo à um capítulo de uma novela em vez de um filme. Sem mencionar a criação de um personagem “divertido”, para funcionar como alívio cômico, mas que não acrescenta absolutamente nada. Aliás, vale ressaltar que o filme deixa a desejar como comédia dramática, uma vez que não há equilíbrio entre humor e drama, pois o humor simplesmente não funciona aqui. Esses problemas acabam tirando o brilho de um filme que poderia ser um drama arrebatador sobre relacionamento em família.

Assim como o já citado “Minhas mães e meu pai”, “Os descendentes” termina sendo mais um filme sustentado pela força de seu elenco, especialmente George Clooney, que mesmo dividindo a tela com outros talentos, toma o filme  para si, com sua excelente interpretação. Não é um filme marcante, mas sem dúvida é mais um trunfo na carreira de Clooney, que definitivamente abandonou a figura de galã e se firmou como um ator de primeira linha.

Cotação: 3/5

Já disse que o George Clooney está sensacional? Mas eu daria o Oscar para Jean Dujardin mesmo. =)

TRAILER:


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