segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rudy - 1993 (Rudy - 1993)



Título Original: Rudy
Ano de lançamento: 1993
Direção: David Anspaugh
Roteiro: Angelo Pizzo
Elenco: Sean Astin, Lili Taylor, Charles Dutton, Jon Favreau, Vince Vaughn
Sinopse: História baseada em fatos reais. O diretor Anspaugh é o mesmo de "Momentos Decisivos", e este segue mais ou menos a mesma linha, falando de um rapaz pobre que sonha em se tornar um grande astro do futebol representando a mais tradicional escola de sua cidade. Mesmo sem contar com o apoio de sua família e amigos, ele não desiste da luta até realizar seu grande sonho.


Por Jason

Filme bom, apesar do esquema tradicional de cinebiografia esportista, maniqueísta, feito para comover e deixar uma lição de vida, Rudy traz trilha sonora melodramática de Jerry Goldsmith - em um trabalho pequeno, considerado que ele era um mestre - e elenco irregular, que inclui Sean Astin, Lili Taylor, Charles Dutton, Vince Vaughn e o hoje diretor de Homem de ferro, Jon Favreau. 

Rudy era um garoto pobre, morando em uma cidade num beco de fim de mundo com apenas uma fábrica como futuro para os trabalhadores da região. Rudy sonhava desde pequeno em ser jogador de futebol americano, mas a sua estatura baixa e as notas péssimas do colégio começaram a minar seu sonho. Seus pais não o apoiavam e sua família ria da cara dele, porque queriam que ele se conformasse com o destino ingrato daquelas pessoas pequenas do lugar. Mas Rudy queria ir além e queria realizar seu sonho: integrar o time de futebol americano de Notre Dame. Para isso, ele precisava integrar a universidade, algo impensável para os moradores daquela cidadezinha no meio do nada.

Enquanto as pessoas diziam a ele o que fazer e o que não fazer, Rudy começa a ficar triste com a vida que leva. O pai quer que ele continue com seu trabalho na fábrica, mas Rudy reconhece que não nasceu para aquilo. Após a morte de um dos seus amigos, Pete, contra todos os gostos, Rudy joga tudo pra o alto e sai da cidade para realizar seus sonhos. Abandona sua namorada, cujo futuro estava restrito a ter uma casa na cidade e constituir uma família, recebe ajuda de um padre, que o leva a ingressar em uma universidade e assim poder ter desempenho suficiente para ingressar na Notre Dame; conhece novos amigos, trabalha com um servente da universidade -, que cuida do estádio, terá papel decisivo em encorajá-lo a continuar e, claro, terá uma revelação a fazer antes do final -, se frustra com as tentativas fracassadas e aos poucos se realiza. 

O pai (Ned Beatty, muito bom) não consegue compreender os anseios do filho e sequer prestar atenção na sua capacidade. Nesse impasse, Sean Astin, como Rudy, se defende então como pode no melodrama. Mas os problemas do filme são notáveis, a começar pela opção do diretor David Anspaugh: sua direção tem cara de telefilme e o tom da produção parece novelesco, o que quase compromete o filme. Rudy sai de casa? Sobe a trilha sonora dramática. Rudy se frusta com algo? Sobe a trilha sonora dramática. Rudy encontra a ex namorada com seu irmão Johnny? Sobe a trilha sonora dramática. Rudy recebe um não da universidade? Sobe a trilha sonora dramática. Passa o tempo? Sobe a trilha sonora dramática. Rudy conversou com o padre, que lhe deu um lição de vida? Rudy foi aceito na universidade? Rudy entra em campo para treinar? SOBE A TRILHA SONORA DRAMÁTICA.

Depois de uma hora, isso acaba cansando. Há ainda a falta de profundidade do filme. O filme parece fantástico demais, quase uma ficção, porque retrata Rudy como um ser humano praticamente perfeito, como alguém sem defeitos e sem erros, capaz de realizar seus sonhos apenas com perseverança, obstinação e ouvindo conselhos de padre. Esse tom superficial compromete todos os personagens que, apesar de reais, parecem unidimensionais - e os discursos todos medidos, com diálogos feitos, jogam contra o time. O mesmo vale para os clichês - em determinado momento, o time de futebol americano se une para pressionar o treinador a convocar Rudy e na partida começa a gritar por seu nome, para que o garoto decida a partida nos últimos minutos - sem que seja explorada a relação de Rudy com os outros rapazes do time. Há ainda problemas no roteiro como o do interesse amoroso de Rudy - cuja trama não se desenvolve e some do filme de repente - e os personagens como o de Vince Vaughn, que entram e saem sem dizer a que vieram. 

Vale, ao final das contas, pela intensa mensagem de que devemos correr riscos quando desejamos muito realizar nossos sonhos, de que não devemos desistir deles nunca - mesmo que eles pareçam impossíveis aos olhos dos outros - porque só nós mesmos somos capazes de compreendê-los.

Cotação: 3/5

Prato cheio para quem gosta de melodrama.

TRAILER

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