terça-feira, 9 de outubro de 2012

Terra Fria - 2005 (North Country - 2005)



Título Original: North Country
Ano de lançamento: 2005
Direção: Niki Caro
Roteiro: Clara Bingham, Laura Leedy, Michael Seitzman
Elenco: Charlize Theron, Frances McDormand, Jeremy Renner, Sean Bean, Sissy Spacek, Richard Jenkins, Sean Bean, Woody Harrelson
Sinopse: Após um casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron) retorna à sua cidade natal, no Minnesota, em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro, que sustentam a cidade há gerações. O trabalho é duro mas o salário é bom, o que compensa o esforço. Aos poucos as amizades conquistadas no trabalho passam a fazer parte do dia-a-dia de Josey, aproximando famílias e vizinhos. Incentivada por Glory (Frances McDormand), uma das poucas mulheres da cidade que trabalha nas minas, Josey passa a trabalhar no grupo daqueles que penam para arrancar o minério das pedreiras. Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. Como ao reclamar do tratamento recebido é ignorada, ela decide levar à justiça o caso.

Por Jason


Quando Josey Aimes surge toda quebrada depois de uma sessão de espancamento do seu marido e decide ir embora de casa para dar um basta naquela vida sofrida, o espectador já tem noção de pelo menos duas coisas: a primeira é que estamos diante de uma heroína real, pela qual vamos torcer até o último momento e cuja história de superação e volta por cima nos envolverá completamente. A segunda é a escolha perfeita da atriz Charlize Theron para o papel desta heroína.

Josey Aimes (cujo nome é Louis Jensen na vida real), comeu o pão que o diabo nem quis amassar nessa vida: mãe de dois filhos, espancada pelo marido, Josey volta para a cidade em que nasceu em busca de uma nova vida, acobertada pela mãe (Sissy Spacek, ótima). É mal vista pela sociedade daquele beco de fim de mundo gelado por ser mãe solteira, fracassada e infeliz - e não recebe apoio nenhum do pai que ainda não tolera o fato de seu filho não ter um pai conhecido. Josey se vira nos 30 como cabeleireira até surgir uma vaga de emprego onde o pai trabalha, uma mineradora (o que só piora a relação entre os dois) convidada pela sua amiga Glory (Frances McDormand). 

O trabalho, claro, paga bem mas é considerado impróprio para mulheres - e o ambiente o pior possível. Os homens que lá transitam assediam, humilham, xingam, agridem verbalmente e moralmente todas as mulheres que lá estão, sem que as mesmas possam fazer nada para se protegerem do assédio e dos abusos - a própria empresa não alivia a barra para as trabalhadoras. As mulheres desse fim de mundo machista são criadas apenas para serem donas de casas, cuidarem de seus filhos e servirem a seus maridos. Não ajuda em nada a presença de seu ex namorado de escola (interpretado por Jeremy Renner), trabalhando no mesmo ambiente que ela.

A solução encontrada por Josey, cansada de tamanha degradação, é entrar na justiça com uma ação, para que possa trabalhar em paz e sustentar seus filhos, sem correr o risco de ser violentada dentro do emprego. A disputa nos tribunais, no entanto, vai revirar a vida toda da mulher - e o espectador, chocado, vai descobrir revelações sobre a vida pessoal dela e sobre como ela foi forte o suficiente para suportar e atravessar momentos muito piores do que aqueles sofridos dentro da mineradora.

“Terra Fria” é baseado no livro de Clara Bingham e Laura Leedy Gansler, “Ação de classe: a história de Lois Jensen e o caso que mudou a Lei do Assédio Sexual”. O livro conta a história como Lois Jensen processou a mineradora Eveleth Taconite depois de convencer outras trabalhadoras a entrarem com uma ação coletiva e de como elas ganharam em 1998 uma indenização de US$ 3,5 milhões de dólares, uma década depois do ocorrido. A diretora Nikki Caro ("Encantadora de baleias") tem em suas mãos atores de calibre como Sean Bean, Sissy Spacek, Frances McDormand (que ganhou indicações a prêmios pela performance como a doente Glory), Richard Jenkins, Sean Bean, Woody Harrelson — mas não há como se desfazer da imagem de Charlize Theron como Josey ao final do filmeCharlize empresta seu talento para criar uma personagem complexa e difícil, violentada moralmente, sexualmente e fisicamente, desequilibrada sentimentalmente, que tenta blindar a sua vida carregando as sequelas do seu sofrimento e que se desdobra para criar os filhos e educá-los, de modo a amortecer o impacto de sua vida desajeitada. É impressionante como Charlize, por exemplo, consegue passar o seu drama ao contar a história de como o seu filho foi concebido sem apelar para dramalhões, misturando uma fisionomia distante de choque e desespero durante o julgamento. Por este papel, Charlize Theron conseguiu merecidamente indicações ao Globo de Ouro, Bafta e Oscar de Melhor Atriz.

O filme tem seus momentos piegas e peca no uso de cenas em câmera lenta desnecessárias. Alguns personagens quase caem na caricatura - o advogado de Woody Harrelson e o "pai" Sean Bean, por exemplo - e o roteiro escorrega nas sequências de tribunal em que apela para clichês, tanto na reunião em que o pai toma a dianteira para ajudar a filha como na cena em que Glory decide ajudá-la. Nada que subtraia a performance arrasadora de Charlize em um personagem corajoso, atual e de papel ainda importante para as mulheres deste século.

Cotação: 4/5

Um atestado de talento na filmografia de Charlize Theron e um ótimo drama sobre uma personagem real, que teve papel importante na conquista de leis de proteção trabalhistas para as mulheres.

TRAILER


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