sábado, 13 de outubro de 2012

A vida secreta das palavras - 2007 (La vida secreta de las palabras - 2007)





Título Original: La vida secreta de las palabras
Ano: 2007
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet
Elenco: Sarah Polley, Tim Robbins, Javier Cámara, Eddie Marsan, Steven Mackintosh
Sinopse: Hannah (Sarah Polley) tem 30 anos, é introvertida, solitária, misteriosa e trabalha numa indústria têxtil. Ela vai passar as férias num pequeno povoado costeiro, em frente a uma plataforma petrolífera. Um incidente faz com que ela permaneça alguns dias na plataforma cuidando de Josef (Tim Robbins), que sofreu uma série de queimaduras que o deixaram cego temporariamente. Com ele trabalham vários outros homens, cada um com uma personalidade marcante.

Por Lady Rá

Dizem que jamais devemos julgar um livro pela capa, mas “A vida secreta das palavras” de Isabel Coixet me chamou atenção justamente pela capa (ou pôster, como queiram)... e pelo título. O belo pôster com uma imagem de Tim Robbins e Sarah Polley abraçados e um título tão poético tinham que chamar atenção. O enredo também é atraente: Hannah (Polley), uma mulher solitária e misteriosa é forçada a tirar férias do trabalho em uma fábrica de tecidos, durante este tempo ele vai trabalhar numa plataforma de petróleo como enfermeira de Josef (Robbins), um dos funcionários, que ficou temporariamente cego e cheio de queimaduras, após um incêndio no local. Então, temos um filme com um enredo promissor, dois excelentes atores como protagonistas e uma realizadora que já havia demonstrado sensibilidade para lidar com dramas íntimos no belo “Minha vida sem mim”, O que poderia dar errado? Nada? Não, porque o filme possui uns probleminhas.

Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, é um drama belo e possui uma direção interessante e um roteiro, até certo ponto, bem estruturado. O roteiro, aliás, é quase impecável na construção da protagonista. Hannah é apresentada como uma mulher estranha e solitária. Ela é uma funcionária exemplar, jamais se atrasa ou falta ao trabalho, não se relaciona com ninguém, suas refeições diárias são apenas arroz, frango e maçãs e ela parece ter compulsão por limpeza. Essas manias estranhas funcionam como metáforas no filme. A partir do momento que conhece Josef, a vida de Hannah começa a desabrochar. Parece clichê, mas não é. Há um motivo para o comportamento intrigante de Hannah.  E o roteiro não foca apenas nela, Josef também é uma alma desamparada que tem seus dramas pessoais, mas ao contrário da fechada Hannah, ele esconde sua tristeza atrás de uma máscara de uma pessoa de bem com a vida. E esse encontro entre os dois fará com ambos tenham que lidar com seus demônios.

Se na construção dos personagens principais e na relação entre eles o roteiro de Isabel Coixet é eficaz, é na conexão destes com outros elementos do filme que ele falha. Seja com uma esquisita narrativa em off que só serve para deixar o filme confuso e não acrescenta nada, na apresentação de alguns personagens que também vivem na plataforma ou mesmo na questão do isolamento causado por esta, o que é explorado superficialmente. Algumas cenas são jogadas aqui e ali, desnecessariamente, como se quisessem passar um tipo de mensagem, que nunca chega de fato. Se em Minha vida sem mim, Coixet soube inserir momentos nonsense de modo que estes contribuíssem para o filme, neste aqui, isso não acontece com a mesma eficácia. O final prolongado e explicativo também contribui para tirar o um pouco do brilho da história.

Excluindo-se os deslizes do roteiro e a narrativa lenta, temos um filme bonito, quando é focado apenas na relação entre Hannah e Josef. Neste sentido a direção de Coixet também é eficaz, e auxiliada pela bela fotografia que confere um tom melancólico ao longa. No mais, temos excelentes atuações de Saran Polley e Tim Robbins, além da grata presença do ator Javier Câmara (Fale com ela, Má educação). Vale ressaltar que o filme é da produtora El Deseo de Almodovar.


 A vida secreta das palavras é um filme bom e que merece ser visto, porém não deixa de ser um tanto decepcionante perceber que o longa tinha potencial para ir muito além e que alguns equívocos acabam limitando suas possibilidades. Mas ainda que Coixet tenha cometido falhas, é inegável a sensibilidade da cineasta para conduzir dramas.

Cotação: 3/5

Isabel Coixet cria pelo menos dois momentos memoráveis que valem pelo filme inteiro. Para quem viu: a cena das cicatrizes e o momento em que Josef diz a Hannah que aprenderá a nadar, mais do que isso, não posso dizer.

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