quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Trovão Tropical (2008)




Título original: Tropic Thunder
Ano: 2008
Direção: Ben Stiller
Roteiro: Ben Stiller, Justin Theroux e Etan Cohen
Elenco: Ben Stiller, Robert Downey Jr, Jack Black, Nick Nolte, Steve Coogan, Jay Baruchel.
Sinopse: Depois que custos elevados - e egos inflados - ameaçam acabar com a produção do maior filme de guerra da história, o frustrado diretor do projeto se recusa a parar de gravar, levando seu elenco para dentro da selva do sudeste asiático em busca de "mais realismo".Sem assistentes, comitivas ou telefones celulares, o elenco logo se depara com um real e perigoso bando de traficantes de drogas. Confundindo os atores com agentes do Departamento Antidrogas Americano, eles resolvem capturar os "invasores".

Por Lady Rá

Uma das grandes questões a serem decifrados pela ciência é: como um ator totalmente inexpressivo e absolutamente sem graça como Ben Stiller consegue fazer sucesso? É sério, isso é caso para estudo científico, renderia ótimas teses de doutorado.  Bem, mas estou aqui para comentar este filme que foi um grande sucesso em 2008, a comédia Trovão Tropical, que satiriza os filmes de guerra e faz críticas a Hollywood. Aqui temos uma trama em que astros de hollywood tentam fazer um filme sobre Guerra no Vietnã. Porém, eles não conseguem se entender e o diretor acaba estourando o orçamento. Para salvar o filme, a produção resolve colocá-los em uma situação de guerra de verdade (ou quase), mas eles acabam se envolvendo em problemas com traficantes locais. E precisam se virar nos trinta para salvarem suas vidas.

Sobe:

A ideia de fazer críticas ao “sistema” hollywoodiano me agrada bastante, gosto de produções corajosas que colocam o dedo na ferida e se fazem isso com humor, é muito melhor e eles até tentam, mas o resultado comentarei mais adiante.

Robert Downey Jr é quem rouba a cena e torna o filme no mínimo assistível. Ele vive um ator australiano vencedor de cinco oscars. Loiro e de olhos azuis, o astro é conhecido por entrar totalmente no personagem, ele inclusive passa por um processo de transformação para ficar negro. O personagem poderia facilmente se tornar caricato, mas Downey lhe confere humanidade. Alias, uma sacada interessante é brincar com a forma como os personagens negros costumam ser estereotipados em muitas produções hollywoodianas. Há também uma participação divertida de Tom Cruise, calvo e gordo, praticamente irreconhecível.

Além disso, o que funciona em Trovão Tropical são algumas piadas com o mundo hollywodiano, mas que provavelmente atingem só o público ligado ao cinema. O terceiro ato é até divertido em certos momentos, porque brinca com os exageros dos de filmes de ação. Além de ter uma fotografia bacana. Como diretor Stiller consegue criar um climão de filmes de ação/guerra, estilo Rambo, em versão humorística, é claro.

Desce:

Eu disse que a ideia de fazer um filme crítico, que consegue ser inteligente e divertido, me agrada muito, mas não é o que acontece aqui. O que se vê em Trovão Tropical é uma desculpa esfarrapada de satirizar determinado tema para fazer um filme onde a cada três palavras ditas, uma delas é de baixo calão, não que isso me incomode, mas há muito exagero. Além de colocar astros de Hollywood em situações ridículas.

Logo no início percebemos que se trata de humor caricato, com a abertura que mostra trailers de filmes estrelados pelos astros do filme que é produzido na história. Depois saberemos que estes astros estão estrelando um filme de guerra, que está custando a sair, até que os atores são colocados na selva, numa espécie de Reality Show, na tentativa de criar um filme de guerra totalmente realista.  O roteiro escrito a seis mãos (duas delas de Stiller) é uma bagunça, com uma trama boba e mal desenvolvida, além das piadas sofríveis. Não é engraçado ver Jack Black de sunga, enfiando a mão lá dentro tentando tirar uma arma, como não tem graça Ben Stiller tentando imitar uma pessoa com sofrimento mental, não existe a menor graça ouvir homens dizendo “porra” a cada cinco segundos.

Ben Stiller vive um astro de ação em decadência, uma paródia de Sylvester Stallone, mas sinceramente Stallone tem muito mais estofo dramático. Ele é incapaz de ser expressivo e jamais é engraçado. Ciência, por favor, me explique o sucesso desse cara? Jack Black fazendo as caretas de sempre e passando por situações constrangedoras como um astro viciado em drogas. Provavelmente o cachê deve ter valido a pena. Não mencionarei o moleque que colocaram como chefe dos traficantes, mesmo para um filme desse tipo, é patético.

Resumo da ópera:

No geral, Trovão Tropical é uma comédia cheias de piadas de gosto duvidoso e completamente esquecível, há quem goste pelo lado crítico, e eu respeito, mas há maneiras mais inteligentes e muito mais divertidas de transgredir.

Nota: 2/5

Próximo!


Trailer


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

2 Coelhos (2012)


Título Original: 2 Coelhos
Ano de Lançamento: 2012
Direção: Afonso Poyart
Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Neco Vila Lobos, Thaíde
Sinopse: Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.

Por Ravenna Hannibal




É óbvio que um filme brasileiro de ação que é uma salada mista de efeitos especiais, visual a La Zack Snyder, um roteiro no estilo de um cruzamento bizarro de Guy Ritchie e Quentin Tarantino, unido a favelas, bandidagem e corrupção tipicamente brasileiras, e ainda toda a estética e ritmo de comerciais e clipes musicais vindos da experiência vasta nesse sentido do estreante em longas Afonso Poyart chamaria a atenção do público. Por causa disso, “2 Coelhos” causou um rebuliço desde que foi anunciado.
Quem assistiu sabe, assim como eu, que no fim das contas, Poyart liberou todos os seus sonhos aqui. Tudo no filme deixa óbvio que “2 coelhos” é uma salada de tudo o que ele sempre quis fazer em um filme e ainda não tinha podido. Trilha sonora, efeitos visuais, exageros, histórias, roteiro não linear, personagens... está tudo ali.
Talvez por isso o filme tenha divertido tanto, por que podemos sentir a empolgação de Poyart. Mais do que isso, a empolgação dele reflete a de muitos brasileiros que sempre quiseram ver algo do estilo no cinema brasileiro.
A questão é: divertido ou não, essa bagaça presta? Ok, vamos lá...


SOBE!

A ousadia de Poyart já vale um ponto. É claro que um filme brasileiro com efeitos visuais que lembram cinema de ação americano chamaria a atenção do público acostumado com o bom cinema brasileiro se concentrando em dramas, filmes sobre a realidade das comunidades e comédias. Mas a maneira como eles são colocados na história não é tão popular assim. Afonso não teve medo de ousar na hora de colocar elementos visuais na narrativa que são aparentemente desconexos de pouco utilizados no cinema comercial convencional.
O enredo em si, apesar de conter diversas falhas, também é ousado em suas propostas, reviravoltas e desfecho. Algumas cenas unindo momentos interessantes ao visual ousado criam sequencias realmente criativas e boas de assistir.
O elenco cumpre com competência o seu trabalho – mas nenhuma atuação digna de um comentário específico, alguns estão ótimos (Caco Ciocler e Marat Descartes – a meu ver responsável pela melhor atuação do filme - , por exemplo) e outros apenas adequados.
Para um projeto que não tinha à sua disposição empresas como a Weta Digital, a Walden Media ou mesmo a Luma Pictures, os efeitos especiais estão muito bem colocados e adequados, e dentro da proposta do filme nem precisariam ser realmente realistas.
Os personagens principais são interessantes e intrigantes, e a narrativa não linear nos faz ficar curiosos a respeito deles e seus segredos.
Mas acho que o maior mérito de 2 Coelhos é o mesmo que eu vejo no superestimado por uns e subestimado por outros “Kick Ass” do Matthew Vaungh: O filme tem toda a brutalidade de um filme de ação tipicamente voltado para o público masculino, mas consegue um ponto de equilíbrio entre a brutalidade e a delicadeza, em momentos realmente tocantes e singelos – impressão confirmada pela cena final.

DESCE!

Infelizmente, apesar de louvável e divertida, a empolgação de Poyart com seu projeto de estreia acabou tornando o filme uma experiência não tão boa quanto pretendia ser.
Vamos começar do mais simples e essencial: O Roteiro. Ele é construído de forma interessante, e carrega várias virtudes bem evidentes, mas “2 Coelhos” peca em vários pontos em relação a furos de roteiro que podem passar despercebidos para uma grande maioria, mas na verdade são erros grotescos se pararmos para pensar neles – não vou citá-los por que não sou tão deliciada por soltar spoilers como a Tia Rá. Mas basta me dizer que um acidente no incrível plano do Edgar não tornaria possível o desfecho de modo realmente convincente.
Outra coisa: Os personagens em sua maioria são bem construídos, mas não exatamente bem desenvolvidos. Talvez o excesso de personagens tenha prejudicado a coerência do roteiro e criado situações forçadas.
Isso sem contar o visual. Sim, o visual é ousado, criativo e tem algumas coisas mais. Mas não há unidade nenhuma, o filme muda de fotografia de uma hora pra outra e nem sempre é funcional. É poluído em vários momentos e o filme tem flares o suficiente para deixar o querido JJ Abrams orgulhosíssimo. Por conta disso, em várias cenas fica difícil entender o que realmente está acontecendo na tela e isso é um defeito grave. Fora que algumas das cenas onde são utilizados os efeitos são puro exibicionismo e não tem função narrativa nenhuma – como uma em que a personagem de Alessandra Negrini toma uma pílula.
Nem tudo ali convence, e o nosso sentimento de empolgação junto com a empolgação do diretor é o que faz com que engulamos muita coisa forçada ali. Mas olhos mais céticos e críticos como os olhos das irmãs Rá não engolem qualquer coisa não, então acabamos por – infelizmente – ver muitos defeitos nesse projeto.





Preste atenção:


Nos efeitos visuais, nas intervenções gráficas, na trama em si. No final das contas você vai perceber que a intenção era boa e a execução nem tanto. Furos de roteiro, visual poluído e fotografia camaleão impedem que tenhamos uma experiência cinematográfica plena. Mas vale a diversão e a idéia completamente diferente do que tínhamos visto antes no cinema brasileiro. Vale a pena dar uma conferida, mas só se não tiver mais nada realmente interessante a fazer.

Cotação: 3/5

TRAILER

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Trilha Sonora – Adeus, Lênin! De Yann Tiersen.




Não é só a Tia Rá e a Hanni que amam trilhas sonoras. Lady Rá também adora. Eu acho que a trilha sonora é um elemento importantíssimo em um filme. Quando bem feita e bem usada, ela acaba sendo como um personagem a mais, de modo que você não consegue imaginar o filme sem ela. Bom mesmo é quando você a escuta fora do filme e consegue reconhecê-la. E quando digo “reconhecer”, não é como ouvir a trilha de Indiana Jones ou Star Wars, pelamor né? Essas até meu cachorro reconhece, rs. Calma, calma, não estou desmerecendo o trabalho do senhor John Williams. Jamais! Ele é o cara! Mas não estou aqui pra falar dele.

Quero apresentar para vocês, meus queridos bebês, caso ainda não conheçam, o competentíssimo Yann Tiersen, é dele a trilha sonora de dois dos mais belos filmes já feitos: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (que qualquer dia desses comentarei aqui) e Adeus, Lênin! Vou falar para vocês da trilha do último. Mas primeiro um pouco mais sobre Yann Tiersen by wikipedia pra facilitar, porque Lady Rá não ta com a vida ganha né?

Yann Pierre Tiersen é um músico de vanguarda, multiinstrumentista e compositor francês de origem judaica com raízes belgas e norueguesas. Compondo para piano, sanfona e violino, sua música aproxima-se de Erik Satie e do minimalismo de Steve Reich, Philip Glass e Michael Nyman. Tornou-se internacionalmente conhecido ao compor trilhas sonoras de filmes como O fabuloso destino de Amélie Poulain e Good Bye, Lenin!.

Passou sua infância em Rennes, também na Bretanha, onde estudou violino, piano e regência orquestral. De formação clássica, encaminhou-se para o rock já na idade adulta. Nos anos 1980, junta-se a vários grupos de rock em Rennes. Em seguida, começa a escrever trilhas sonoras para peças teatrais e filmes como "A vida sonhada dos anjos" (1998), de Erick Zonca, "Alice e Martin" (1998), de André Téchiné e "O que a Lua Revela" (1999), de Christine Carrière.”


Honestamente, não consigo pensar em um compositor de sensibilidade maior que Tiersen e em uma trilha que se encaixasse tão bem em uma filme sensível como Adeus, Lênin! O longa é uma daquelas “dramédias” encantadoras e marcantes, que consegue mexer com as emoções mais profundas do telespectador. De uma beleza ímpar, o filme merecia uma trilha sonora a altura, não basta colocar um monte de música bonitinha, com um ritmo agradável. A música tem que acompanhar cada momento, tem que se comunicar com o público através dos acordes, assim como o filme se comunica através das cenas, o ator através de gestos e olhares... e por aí vai. E Yann Tiersen consegue isso com uma trilha que emociona e encanta. Em suas trilhas sonoras são usados os mais diversos tipos de instrumentos musicais, entre eles se destacam acordeão, piano e violino. No caso de Adeus, Lenin! esse dois últimos.


O álbum completo é composto de 23 faixas, e eu o adoro por completo, mas gosto especialmente de 04 delas, que eu comento abaixo.. Claro que não vou comentar tecnicamente, porque eu entendo tanto de notas musicas como o diretor Michael Bay entende de dramas. Mas vou tentar deixar minhas impressões. =)

Atenção, os comentários abaixo incluem alguns spoilers do filme. Aliás, se você não assistiu ainda, assista. Logo comentarei sobre ele também.

  1. Summer 78 (instrumental)

A trilha de abertura, quando conhecemos os personagens e seu passado. Como era a família do protagonista antes de passarem pelo momento que é contado no filme. O início apresenta um pai que era tido como herói e a música dá um tom dessa fantasia.

  1. Lara’s Castle

Quando o casal Lara e Alex encontra um apartamento onde a garota vai morar. Aquele lugar é seu próprio castelo, seu refúgio. A câmera percorre os cômodos acompanhando os olhares encantados do casal. E novamente a música se encaixa como uma luva. Para os dois era como encontrar um oásis. Na a toa a música se chama Lara’s Castle.

  1. Good Bye, Lenin!

Está presente em uma das mais belas cenas do filme, quando a mãe de Alex consegue se levantar da cama sai de casa e vê que algumas coisas estão diferentes. A música começa num tom baixo, até mesmo misterioso e vai aumentando a medida em que a mulher avança mais em seu caminho, até que ela chega na rua e vê se pequeno mundo, um tanto diferente do que aquele que ela conhecia.

  1. Mother’s Jorney

Em um momento mais delicado do filme quando a família de Alex se vê obrigada a confrontar o passado. E a música tem um certo tom “amadurecimento”, já que esse era o momento pelo qual os personagens passavam. Eu e minhas interpretações malucas.

Clicando aqui você encontra a trilha sonora completa. Espero que gostem! =)


domingo, 25 de novembro de 2012

Eu quero – MUITO - Now You See Me




Pois é, quem leu a descrição  do blog e que nos acompanha mais tempo, sabe que eu, a doce, meiga e sonhadora (só que não) Lady Rá, tenho motivos mais do que suficiente para assistir esse filme. A simples presença de um certo ator perfeito chamado Mark Ruffalo. *-*

Mas além dele, o filme conta com nomes interessantes no elenco como Morgan Freeman e Michael Caine (amor eterno por esses dois) e uma premissa muito interessante: Uma equipe de ponta do FBI que enfrenta um grupo de assaltantes ilusionistas. Depois de fazer ousados roubos a banco, os bandidos - que operam sob o nome Quatro Cavaleiros - jogam o dinheiro para o "público"




Jesse Einserberg (aquele lá de A rede social) será o líder dos Quatro Cavaleiros enquanto Mark Ruffalo será o agente do FBI na sua cola. O elenco ainda conta com Mélanie Laurent (parceira do Ruffalo), Dave Franco, Woody Harrelson  e Isla Fisher (os outros mágicos), Michael Caine será o dono de um banco e Freeman uma espécie que Mister M que ajudará na investigação. A direção é de Louis Leterrier. Ok, ele não é lá essa coisas, mas eu curti bastante seu trabalho em O incrível Hulk, vamos ver no que dá né? O filme tem estréia prevista para junho de 2013 nos EUA, mas por aqui ainda não há previsão. Como se trata de um filme comercial, creio que não deve ser lançado por aqui na mesma época.

Dá uma olhadinha no trailer, parece que vai ser legal!


Homem de Ferro (2008)




Título Original: Iron Man
Ano: 2008
Direção: Jon Favreau
Roteiro:
Elenco: Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow , Terrence Howard , Jeff Bridges, Shaun Toub, Clark Gregg, Stan Lee, Paul Bettany (voz).
Sinopse: Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um industrial bilionário, que também é um brilhante inventor. Ao ser sequestrado ele é obrigado por terroristas a construir uma arma devastadora mas, ao invés disto, constrói uma armadura de alta tecnologia que permite que fuja de seu cativeiro. A partir de então ele passa a usá-la para combater o crime, sob o alter-ego do Homem de Ferro.

Por Lady Rá

Quando anunciaram que Robert Downey Jr (aquele deus) faria o Homem de Ferro nos cinemas, lembro de gente torcendo o nariz, mas teve muita gente que botou fé, afinal, muito antes dele ser o Tony Stark, Robert já havia dado provas de seu talento. Porém teve alguns problemas na vida pessoal, que não cabe comentar aqui, que acabaram atrapalhando sua carreira. Depois de superados esses problemas, por volta de 2004/2005, o ator aos poucos foi retomando a boa forma até estourar como Homem de Ferro em 2008. E agora ele é um dos atores mais valiosos de Hollywood, merecidamente, pois além de carisma e beleza, ele tem o essencial: talento.


Dito isso, vamos ao que interessa, o filme Homem de Ferro. Já comentei aqui, mas sempre é bom lembrar, eu não leio, nunca li e não pretendo ler nenhuma das histórias em quadrinhos da Marvel ou DC. Não que eu tenha algo contra, de forma alguma apenas não me interesso, mas por outro lado, eu adoro filmes de super-heróis e alguns desenhos animados. Na época do lançamento, não só o fato de ser um filme de herói, mas a história dele, me chamou bastante atenção. Um gênio bilionário da indústria de armamento é sequestrado por terroristas e obrigado a criar uma arma de destruição em massa. Em vez de ceder às exigências dos sequestradores, ele acaba criando uma armadura de ferro para fugir do cativeiro. A partir daí ele passa a combater o mal que ele mesmo ajudou a criar. Essa é, sem dúvida, uma premissa muito interessante, até mesmo para quem não se interessa por histórias de super-heróis.

Homem de Ferro se aproxima bastante da nossa realidade, o terrorismo está aí, sendo mostrado todos os dias nos telejornais. E aqueles que aparentemente o combatem são justamente aquele que contribuem para sua existência. Dessa forma, Homem de Ferro acaba sendo muito mais do que um filme de herói e nos traz reflexão.  Mas nem por isso abandona o bom entretenimento, sendo um filme de ritmo intenso, cheio de ação e humor, pitadinhas de romance e atos de heroísmo. Um filme para os mais variados tipos de público.

Com um roteiro que procura ser objetivo, sem deixar de desenvolver bem seus personagens centrais, Homem de Ferro já começa mostrando a que veio, com uma cena digna de filmes de guerra e apresentando a personalidade peculiar de seu protagonista. E com eficácia, desenvolve bem a transformação do Tony Stark em um homem consciente do monstro que criou e sua vontade de combatê-lo, sem deixar de lado seu egocentrismo. O diretor conduz o filme com competência e estilo, fazendo de Homem de Ferro um bom filme de ação com uma grande dose de realismo, sem abandonar a magia das histórias de heróis que combatem o mal e salva pessoas em perigo. Vale destacar também a ótima montagem e a trilha sonora constante nas cenas mais tensas do filme. Quando ao elenco não preciso dizer que Robert Downey Jr se encaixou nesse papel de tal forma que é impossível imaginar outro ator em seu lugar. Sem ele o filme perderia metade de seu brilho, talvez mais. Também é eficiente o elenco de apoio que é formado por Terrence Howard, Jeff Bridges e Gwyneth Paltrow. Dessa última não sou grande fã, mas reconheço que Paltrow está interessante e carismática no filme.

Porém, se há uma ressalva é quanto ao terceiro ato, quando Tony Stark confronta o grande vilão. As sequências não empolgam tanto quanto a fuga da caverna ou as primeiras experiências de Tony com a segunda armadura. Os diálogos do vilão no final são típicos de vilão unidimensional, um certo desperdício para um ator como Jeff Bridges, mas isso jamais prejudica o resultado final.

Homem de Ferro foi o primeiro filho concebido por um projeto ambicioso da Marvel Studios que resultou em Os vingadores, mas que funciona muito bem dentro ou fora deste universo. Sem dúvida, o melhor filme solo da Fase 1 da Marvel e entretenimento de primeira linha.

Cotação:  4/5

Depois de ver esse filme na época de seu lançament, Lady Rá só pensava em uma coisa: quero um Tony Stark na minha vida.

sábado, 24 de novembro de 2012

Recadinho do Além Túmulo - Surpresas no blog




Queridos leitores,

Vocês devem ter percebido a ausência da nossa querida só que não Tia Rá por esses dias. Como eu já disse, o médico recomendou que ela tirasse uns dias licença e minha querida irmã foi passar uma temporada no inferno para espairecer. =)

Neste período estamos preparando algumas novidades para o blog. Achamos que chegou a hora de expandir um pouco nosso conteúdo, isso sem deixar de lado nossas considerações sobre os filmes que assistimos ao longo de centenas de anos, sejam eles foda,  marromeno ou trash total.

Dito isso, deixo um xêro pra vocês! Aguardem nossas novidades!!!

Lady Rá!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Poder Paranormal (Red Lights, 2012)






Título Original: Red Lights
Ano de Lançamento: 2012
Direção: Rodrigo Cortés
Roteiro: Rodrigo Cortés
Elenco: Cillian Murphy, Sigourney Weaver, Robert De Niro, Elizabeth Olsen, Toby Jones, Joely Richardson,
Sinopse: Tom Buckley (Murphy) e Margareth Matheson (Weaver) são especialistas em desmascarar fenômenos e pessoas que se dizem paranormais, eles costumam fazer isso com uma facilidade incrível, até que depois de 30 anos sumido, um famoso vidente, Simon Silver (De Niro) reaparece e Tom se torna obcecado em desmascará-lo, busca que o levará por caminhos perigosos. 


Por Ravenna Hannibal

Quando falei aqui sobre o aclamado “Enterrado Vivo”, lembro-me de ter elogiado a direção do ainda novato Rodrigo Cortés, principalmente no quesito visual. Os diálogos eram ruins e eu coloquei a culpa no roteirista. Aqui, infelizmente não consigo poupar Cortés pois ele mesmo escreveu esse filme, cujo titulo foi pavorosamente traduzido para “Poder Paranormal”.
Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, devido ao fraco desempenho nos cinemas do Hemisfério Norte, “Poder Paranormal” é um dos poucos filmes para os quais eu considero realmente válida a questão do “quanto você espera desse filme” e também do “quanto você sabe a respeito antes de assistir”. Falo isso por que as opiniões sobre ele parecem se dividir entre quem esperava uma obra prima no nível de “O Sexto Sentido” e quem não esperava grande coisa da história, apenas do elenco.
A verdade é que dependendo do ponto de vista, “Red Lights” pode ser frustrante, ruim ou genial. E as críticas parecem se dividir entre dois extremos. Alguns louvam o filme, outros o acham a maior decepção de 2012.
Não concordo com nenhum desses. Infelizmente, o filme se encontra, assim como o aclamado trabalho de estreia de Cortés, no rol dos “quase lá”. 
Três fatores me levaram a querer ver desesperadamente esse filme: O elenco principal estelar, o fato de ter gostado da direção de Cortés e o trailer instigante a respeito de um tema que parece não se tornar obsoleto.
O filme revisita aspectos tanto filosóficos, quanto narrativos e cinematográficos de filmes como “O Sexto Sentido”, “Atos que Desafiam a Morte” e “O Grande Truque”. Temos o estilo reviravolta e dramático de “O Sexto sentido”, a discussão intrigante de “Atos que Desafiam a Morte” e o jogo de quebra cabeças com brincadeiras de prestidigitação de “O grande Truque”.
A direção de Cortés continua eficiente, apesar de ser bem menos limpa aqui. Tudo o que ele não pôde usar em “Enterrado Vivo” para mostrar suas ideias em relação ao visual do filme, aqui ele usa e abusa, tornando o filme um pequeno excesso de estilos dentro de uma narrativa só. O filme as vezes parece oscilar entre um estilo e outro.
Por outro lado, ele é hábil em nos distrair. Muito hábil mesmo! Inclusive em relação ao visual. Desde o início ele te faz querer prestar atenção nos mínimos detalhes para tentar pescar algo, mesmo sem nos apresentar uma narrativa complexa ou que pareça esconder segredos demais. Simplesmente procuramos algo. E no decorrer da trama, começamos a procurar a mesma coisa que os personagens estão procurando: precisamos achar o que o filme chama de “Luzes Vermelhas” que é aquele elemento que chama a atenção, que parece estar fora do lugar. É isso o que procuramos.
Uma das coisas que a maioria critica no filme são justamente as tais “Luzes Vermelhas” que vez por outra, e em vista do desfecho nos fazem pensar: “Mas que raio de cena foi essa?”
Nesse quesito tenho muito a elogiar o Cortés, pois ele utilizou prestigitação, McGuffins e “luzes vermelhas” o suficiente para nos fazer confundir uma coisa com a outra. Isso tudo numa narrativa que é basicamente “parada”. A ação está lá, mas é muito pouca, e o suspense está mais na curiosidade em si do que na tensão.
Mas ele precisa treinar mais isso, pois o resultado acabou não agradando o público, tornando o filme incompreensível para muitos ou forçado demais para outros. Ele se perde no meio de todos esses truques e acaba fazendo com que muitos riam no desfecho da história.
O final é controverso, ousado, talvez forçado e polêmico. Polêmico no sentido de “opiniões divididas” mesmo. O fato é que a subjetividade é importante aqui. Ele não cria nada como a “Capitu” de Machado de Assis, mas ainda assim ele permite que o ponto de vista e mesmo a visão de mundo do espectador defina o que ele realmente viu no final. Aliás essa estratégia, além de interagir com o público, faz parte da mensagem. A intenção é fazer você questionar, e fazer você questionar inclusive a sua questão.
Eu gosto muito de roteiros que não subestimem a minha inteligência e não ficam explicando tin tin por tin tin, mas aqui também cabiam algumas explicações que não chegaram a existir.
O resultado final da narrativa é um tanto decepcionante para quem esperava uma obra prima de roteiro. A discussão sobre o tema é muito bem construída, mas no enredo em si parece ficar vaga.
O visual do filme é interessantíssimo, com jogos de contraste que fazem alusão ao título o tempo todo. Os cortes são adequados, e aqui mais uma vez – em menor escala – Cortés se mostra fã do Hitchcock, inclusive em algumas referências pequenas e até bobas, como pássaros se chocando contra janelas - e aqui, assim como em Enterrado Vivo, temos mais uma vez a pretensão além do alcance do projeto. Na verdade a direção aqui é essencial para que um cinéfilo goste pelo menos de alguma coisa no filme.
Sigourney Weaver e Cillian Murphy também são elementos importantíssimos para os pontos positivos do filme, e Robert DeNiro é o ator completo de sempre, mas ainda um pouco distante das suas melhores e mais intensas atuações. Elizabeth Olsen não precisava estar ali, nem sua personagem, mas ela faz um trabalho adequado e é bem melhor que suas irmãs nesse negócio de atuar.

Resumo da Ópera:

No final das contas, tudo o que eu fiz nesse texto foi apontar alguns aspectos da maneira como o filme foi narrado ao invés de dizer realmente se foi ou não um bom filme nesses aspectos. E talvez seja essa a sensação que temos ao terminar de ver “Poder Paranormal”. Uns gostam muito, outros detestam e se decepcionam, outros simplesmente assistem e pensam por um tempo no filme até esquecerem. Sim, por que infelizmente o filme não é nada inesquecível quanto poderia ser. E nem tão ruim quanto pode parecer. É um filme que mostra que Cortés pode não ter alcançado seu objetivo de ser o novo Hitchcock ainda, mas tem potencial para ter uma carreira bem mais promissora do que a de M. Night Shyamalan por exemplo.

Cotação: 3/5

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