quarta-feira, 28 de novembro de 2012

2 Coelhos (2012)


Título Original: 2 Coelhos
Ano de Lançamento: 2012
Direção: Afonso Poyart
Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Neco Vila Lobos, Thaíde
Sinopse: Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.

Por Ravenna Hannibal




É óbvio que um filme brasileiro de ação que é uma salada mista de efeitos especiais, visual a La Zack Snyder, um roteiro no estilo de um cruzamento bizarro de Guy Ritchie e Quentin Tarantino, unido a favelas, bandidagem e corrupção tipicamente brasileiras, e ainda toda a estética e ritmo de comerciais e clipes musicais vindos da experiência vasta nesse sentido do estreante em longas Afonso Poyart chamaria a atenção do público. Por causa disso, “2 Coelhos” causou um rebuliço desde que foi anunciado.
Quem assistiu sabe, assim como eu, que no fim das contas, Poyart liberou todos os seus sonhos aqui. Tudo no filme deixa óbvio que “2 coelhos” é uma salada de tudo o que ele sempre quis fazer em um filme e ainda não tinha podido. Trilha sonora, efeitos visuais, exageros, histórias, roteiro não linear, personagens... está tudo ali.
Talvez por isso o filme tenha divertido tanto, por que podemos sentir a empolgação de Poyart. Mais do que isso, a empolgação dele reflete a de muitos brasileiros que sempre quiseram ver algo do estilo no cinema brasileiro.
A questão é: divertido ou não, essa bagaça presta? Ok, vamos lá...


SOBE!

A ousadia de Poyart já vale um ponto. É claro que um filme brasileiro com efeitos visuais que lembram cinema de ação americano chamaria a atenção do público acostumado com o bom cinema brasileiro se concentrando em dramas, filmes sobre a realidade das comunidades e comédias. Mas a maneira como eles são colocados na história não é tão popular assim. Afonso não teve medo de ousar na hora de colocar elementos visuais na narrativa que são aparentemente desconexos de pouco utilizados no cinema comercial convencional.
O enredo em si, apesar de conter diversas falhas, também é ousado em suas propostas, reviravoltas e desfecho. Algumas cenas unindo momentos interessantes ao visual ousado criam sequencias realmente criativas e boas de assistir.
O elenco cumpre com competência o seu trabalho – mas nenhuma atuação digna de um comentário específico, alguns estão ótimos (Caco Ciocler e Marat Descartes – a meu ver responsável pela melhor atuação do filme - , por exemplo) e outros apenas adequados.
Para um projeto que não tinha à sua disposição empresas como a Weta Digital, a Walden Media ou mesmo a Luma Pictures, os efeitos especiais estão muito bem colocados e adequados, e dentro da proposta do filme nem precisariam ser realmente realistas.
Os personagens principais são interessantes e intrigantes, e a narrativa não linear nos faz ficar curiosos a respeito deles e seus segredos.
Mas acho que o maior mérito de 2 Coelhos é o mesmo que eu vejo no superestimado por uns e subestimado por outros “Kick Ass” do Matthew Vaungh: O filme tem toda a brutalidade de um filme de ação tipicamente voltado para o público masculino, mas consegue um ponto de equilíbrio entre a brutalidade e a delicadeza, em momentos realmente tocantes e singelos – impressão confirmada pela cena final.

DESCE!

Infelizmente, apesar de louvável e divertida, a empolgação de Poyart com seu projeto de estreia acabou tornando o filme uma experiência não tão boa quanto pretendia ser.
Vamos começar do mais simples e essencial: O Roteiro. Ele é construído de forma interessante, e carrega várias virtudes bem evidentes, mas “2 Coelhos” peca em vários pontos em relação a furos de roteiro que podem passar despercebidos para uma grande maioria, mas na verdade são erros grotescos se pararmos para pensar neles – não vou citá-los por que não sou tão deliciada por soltar spoilers como a Tia Rá. Mas basta me dizer que um acidente no incrível plano do Edgar não tornaria possível o desfecho de modo realmente convincente.
Outra coisa: Os personagens em sua maioria são bem construídos, mas não exatamente bem desenvolvidos. Talvez o excesso de personagens tenha prejudicado a coerência do roteiro e criado situações forçadas.
Isso sem contar o visual. Sim, o visual é ousado, criativo e tem algumas coisas mais. Mas não há unidade nenhuma, o filme muda de fotografia de uma hora pra outra e nem sempre é funcional. É poluído em vários momentos e o filme tem flares o suficiente para deixar o querido JJ Abrams orgulhosíssimo. Por conta disso, em várias cenas fica difícil entender o que realmente está acontecendo na tela e isso é um defeito grave. Fora que algumas das cenas onde são utilizados os efeitos são puro exibicionismo e não tem função narrativa nenhuma – como uma em que a personagem de Alessandra Negrini toma uma pílula.
Nem tudo ali convence, e o nosso sentimento de empolgação junto com a empolgação do diretor é o que faz com que engulamos muita coisa forçada ali. Mas olhos mais céticos e críticos como os olhos das irmãs Rá não engolem qualquer coisa não, então acabamos por – infelizmente – ver muitos defeitos nesse projeto.





Preste atenção:


Nos efeitos visuais, nas intervenções gráficas, na trama em si. No final das contas você vai perceber que a intenção era boa e a execução nem tanto. Furos de roteiro, visual poluído e fotografia camaleão impedem que tenhamos uma experiência cinematográfica plena. Mas vale a diversão e a idéia completamente diferente do que tínhamos visto antes no cinema brasileiro. Vale a pena dar uma conferida, mas só se não tiver mais nada realmente interessante a fazer.

Cotação: 3/5

TRAILER

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