quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As pontes de Madison (1995)




Título Original: The Bridges of Madison County
Ano: 1995
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Richard LaGravenese
Elenco: Meryl Streep, Clint Eastwood, Annie Corley, Debra Monk
Sinopse: Após a morte de Francesca Johnson (Meryl Streep), uma proprietária rural do interior do Iowa, seus filhos descobrem, através de cartas que a mãe deixou, do forte envolvimento que ela teve com um fotógrafo (Clint Eastwood) da National Geographic, quando a família se ausentou de casa por quatro dias. Estas revelações fazem os filhos questionarem seus próprios casamentos.

Por Lady Rá

Quando se fala em romance normalmente se pensa em um jovem e belo casal, enfrentando todo o tipo de obstáculos em nome do amor. Não que isso seja regra, mas é o que mais se encontra por aí. Mas o filme que comento aqui, não é qualquer romance que se encontra por aí. Em As pontes de Madison, como em todo romance, temos aquele amor arrebatador, que surge e cresce e perdura, mas acima de tudo, um amor maduro e generoso. O longa começa com dois irmãos adultos, que retornam ao sítio em que moravam quando crianças e descobrem que o último desejo de sua mãe era ser cremada e que suas cinzas fossem jogadas em uma ponte. O filho acha aquilo um absurdo, a filha tenta entender o motivo. Os dois encontram os diários da mãe, onde ela narra os acontecimentos de quatro dias decisivos em sua vida, quando a família viajou e ela ficou em casa.

A medida em que os filhos leem os diários, somos levados ao passado, quando a mãe, Francesca (Meryl Streep), era uma dona de casa de meia idade e eles ainda eram adolescentes. Durante uma viagem em que o marido de Francesca e os filhos levaram um novilho para exibição numa feira, ela conheceu o fotógrafo da National Geographic, Robert Kincaid (Clint Eastwood), um charmoso solteirão que viajava pelo mundo para registrar suas belezas. Robert pretendia fotografar as pontes cobertas da cidade O encontro entre Francesca e Robert acontece de forma simples e casual, ele precisava chegar até a ponte e ela se oferece para ajudá-lo.

As conversas a princípio são banais, sobre trabalho e coisas rotineiras. Mas aos poucos, vai surgindo uma admiração mútua. Da admiração surge atração, da atração o amor. Ele é atraído pela simplicidade e autenticidade daquela mulher, que em seus trajes e modos simples de dona de casa, esconde a inteligência e sensualidade de uma mulher que ama a vida e todas as belezas que ela proporciona. Ela é atraída pelo charme, inteligência e maturidade de um homem solitário, que rodou o mundo e já viu de tudo, ou quase. Esse mundo que ele conheceu, aliás, é o mesmo que ela sempre foi ávida por conhecer. E assim, eles vivem esse amor que perdura pelo resto de suas vidas. Mas aqui, como já comentei, o amor se expande, não é apenas o amor entre Robert e Francesca que está em jogo e ela tem que tomar uma decisão que poderá mudar a vida de todos que a cercam para sempre. Poderia Francesca, uma mulher que abriu mão dos próprios sonhos na juventude, para formar uma família, agora abrir mão dela em nome de um amor?

Do ponto de vista estrutural, o filme é impecável. A narrativa cresce num ritmo agradável, ainda que a maior parte do longa mostre apenas conversas entre Robert e Francesca. Isso  graças a qualidade dos diálogos e a montagem que não permite que o filme se torne lento. O roteiro jamais permite que o sentimento que surge entre os personagens caia em clichês ou pieguices e a forma como cresce o amor entre eles é perfeitamente crível. O que é reforçado pelas belas interpretações de Clint Eastwood e Meryl Streep. Ambos estão brilhantes na composição de seus personagens. Com a direção elegante de Eastwood e uma ótima fotografia, o filme ainda chama atenção pela forma como são exploradas as belas paisagens, especialmente a ponte onde tudo começou, mas são as cenas na cozinha de Francesca que merecem destaque, a câmera explora aquele espaço transformando-o em cúmplice daquele sentimento que surgiu ali. Ah, se as paredes e utensílios domésticos falassem...

Cotação: 5/5

Um dos mais belos romances já feitos, como já não se vê mais no cinema.





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